sábado, 30 de maio de 2015

Das Coisas Ternas e Indizíveis.

É complicadíssimo falar de amor. O amor é irmão do brega, da afetação e da pieguice. Queria ser lírico pra ser romântico sem parecer babaca. Queria falar "eu te amo" em sânscrito para a expressão soar menos banal. Queria ser Tom/Vinícius/Chico para amar cantando e cantando ser amado. Mas só sei ordenar palavras repetidas em versinhos sem rima de pé-quebrado. O amor não cabe em poemas clichês, presentes sinceros, beijos ardentes, nem em corações de brinquedo ou espíritos apaixonados. Ele é maior que eu e tu. Ele apenas se insinua entre abraços apertados e afagos ternos. Ele está confuso nos gestos, nos atos, nos pronomes e nas palavras vãs. É preciso, todos os dias, reverenciar o amor. Eu ofereço uma poesia prolixa que se perdeu no meio do caminho, minha carne e a admiração abestada às tuas fotos. O amor é cônjuge dessas coisas banais, como a leve saliva que te deixo beijando a testa e o modo carinhoso com que tu cortas minhas unhas.

Um comentário:

Asas Negras disse...

Não acho complicado falar de amor. Não para quem nos ama...