<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943</id><updated>2012-01-28T03:20:00.991-03:00</updated><category term='projeto de algo.'/><category term='favoritos.'/><title type='text'>vago</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>183</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-2869811788920134261</id><published>2012-01-28T00:46:00.001-03:00</published><updated>2012-01-28T00:56:19.910-03:00</updated><title type='text'>Um verdadeiro templo budista caseiro pós-moderno. (kkkkkk)</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O banheiro da minha casa é uma incoerência. Ele é excessivamente grande e espaçoso (talvez até do tamanho de um quarto) e minha humilde residência é relativamente pequena. A porra do banheiro é quase do tamanho da cozinha (!). Talvez seja porque ele é o único da casa e se sentiram na obrigação de fazê-lo maior do que deveriam. Não sei. Só sei que nem sempre foi do jeito que é. Paredes foram quebradas, a garagem mudou de lugar, o pátio nem existia, um quarto foi construído... Mas isso há tanto tempo que eu nem lembro. Se tudo permanecesse do jeito que estava, e eu tivesse um banheiro com as dimensões médias de um banheiro residencial brasileiro, acho que seria uma tragédia. Talvez nunca tivesse enxergado a real importância dos banheiros. Engrenagens fundamentais nos processos de transformações permanentes que sofremos todos nós.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sinceramente, acho que o banheiro é um cômodo injustamente subjugado e mal visto. Acredito que seja porque as pessoas deixam suas sujeiras nele e, por isso, preferem manter distância e impessoalidade. Hipócritas do jeito que somos, temos vergonhas de nossas próprias imundices. Eu sei que o quarto, historicamente, sempre foi o recanto maior do recolhimento, de privacidade e proteção. O espaço de exposição da identidade do seu proprietário e um lugar em que podemos nos refugiar. Mas, pra mim, lugar nenhum da casa supera o caráter simbólico do banheiro: um verdadeiro templo budista caseiro pós-moderno.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Podem entrar no teu quarto sem bater na porta, mas não há como entrar num banheiro trancado. E se tu trancar a porta do quarto, vão logo desconfiar que estás fazendo o que tu, por convenção, não deveria. No banheiro, tu tem pretexto de sobra pra fazer qualquer coisa que, por convenção, tu não deveria. Basta fechar a porta pra entrar em uma realidade paralela em que o resto do mundo faz questão de não se intrometer. Arrombar um banheiro é uma violação ao corpo do seu ocupante. Recipiente de partes que estavam em nós, quando fechamos a porta, nos fundimos ao banheiro e ele vira nossa extensão. Um assaltante decente que invade uma casa respeita um banheiro fechado. Ele bate na porta e fala: “Lava as mão e sai”.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No banheiro entramos em contato com o que temos de mais íntimo. A solidão é amplificada pelos pensamentos que ecoam com o barulho do chuveiro. A água remexe nossos sentidos e traz à tona fantasias ocultas, lembranças embaçadas, teorias metafísicas, lágrimas frustradas que perdem a vergonha na cara e escorrem camufladas. Somos superstars, super-heróis, atores dramáticos, encenamos diálogos pós-fabricados, discursos apaixonados, o sonho que será esquecido na próxima manhã... Usar a privada é um convite a reinar na glória de um mundo com jeito de realismo fantástico. Estando nossa merda exposta, não sobra espaço pra ter pudor que impeça nada.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Arquimedes fez a maior descoberta de sua vida dentro de uma banheira. Arthur Dent começou a maior epopeia que eu conheço enquanto fazia a barba. Picasso pintou um fauno dentro do banheiro de um castelo, sabia que ali era lugar mágico. Janet Leigh só entrou pra história porque foi assassinada enquanto tomava banho. Banheiros são tão especiais que, até meados do século XIX, eles eram cômodos de luxo e raridades na maioria das casas dos países ocidentais. Uma casa sem banheiro não é um lar. É preciso ao menos um puxadinho com um buraco no chão. Quatro paredes de pé no meio do nada com uma porta que se tranque, que seja. Um espacinho que nos convide a uma volta ao passado, à necessidade de pôr pra fora diariamente o que temos de mais primitivo e animal e, por isso, de mais lúdico e infantil. Um regresso à idade em que se sujar não era vergonha e o mundo não tinha limites. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;font face="times"&gt;ah, só pra lembrar aos ~~gatos pingados~~ que tiverem a infelicidade de vir aqui que eu ainda to soltando pílulas diárias de merdas inclassificáveis no &lt;a href="eguadoido.blogspot.com" target="_blank"&gt;Égua, Doido&lt;/a&gt;. (Sério, pra mim nunca fez sentido essa expressão. Um gato pingado é tipo pingado de ter tomado pinga? Por que um gato beberia pinga? E, mais, por que um gato álcoolatra se juntaria com outros gatos bêbados pra ir a lugares pouco frequentados? Seriam gatos percusores dos hipsters? Enfim, tantas possibilidades…) &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-2869811788920134261?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/2869811788920134261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=2869811788920134261&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2869811788920134261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2869811788920134261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2012/01/um-verdadeiro-templo-budista-caseiro.html' title='Um verdadeiro templo budista caseiro pós-moderno. (kkkkkk)'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-3922046472890533305</id><published>2012-01-21T06:00:00.001-03:00</published><updated>2012-01-21T14:32:36.378-03:00</updated><title type='text'>Uma óstia, só que ao contrário.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “A gente não tem nada a perder, só toda a nossa dignidade”, foi o que eu disse. Mas daí ela falou que dignidade não lhe fazia o menor sentido. Confessou que tinha uma autoimagem péssima, que só não desprezava mais a própria opinião porque estava ocupada não ligando pra dos outros. Então, eu argumentei que aquilo era perigoso e que ela podia perder a vida ou algo mais grave. Ela sorriu e disse que nunca se encontrou na vida, logo, perder algo que nunca teve não poderia ser tão ruim assim. Eu achei tudo muito idiota e infantil, mas ela era muito bonita. Beleza atenua quase tudo que é desprezível. Um ‘porém’ distrativo que sempre releva as coisas, se elas não federem demais.&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu não percebi a gravidade da situação até descobrir que algo daquele tipo podia ser real. Quer dizer, acho que algo só se torna real quando é, de fato, experimentado. Qualquer tentativa de vivência fora da experiência sensorial é só uma concepção. Dessa forma, o negócio parecia menos absurdo quando estava só na minha cabeça, preso nos limites de uma possível atitude imunda. Sentir aquela coisa pulsando em minhas mãos me causou um horror tão grande que pensei que iria desmaiar. Ela me olhou fundo nos olhos, colonizada, enquanto eu suava frio e prendia o ar. Era como ter entre os dedos a própria vida, ideia bruta transubstanciada em carne viva.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela delirou até ficar fora dela e eu a ocupei como um espírito possessor. Daí o tempo se dilatou indeterminadamente enquanto o quarto se contraia a nossa volta. Eu sufocava espremido pelas paredes e pelo teto que me encaixotavam sem pena. Como um afogado recém-salvo, eu puxava o ar desesperado. Experimentava o mundo envelhecer até finalmente perde-lo de vista. Estávamos compartilhando o mesmo fio de prata e nos tornamos extensões de apenas um troço. Sem querer, abri a caixa de pandora escondida sob milhões de anos de processos civilizatórios e imposições culturais. De repente, num insight que me levou a um choro soluçado, eu compreendi toda a essência da natureza humana. Ela nunca mais voltou.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Desde o que aconteceu, logo depois daquela coisa trágica, não levo comigo mais do que o cinismo. Desaprendi a ter compaixão, boa vontade, interesse e alegrias. Não enxergo mais pessoas como pessoas. Pra mim, são só seres semiconscientes buscando razões inúteis pra continuar sendo. De alguma maneira, aquilo me distanciou de forma irreversível de tudo que não me parece natural. E agora quase nada me parece natural. Nem saber da verdade me consola. Quem iria acreditar em mim? Como eu provaria? A maioria só acredita no que lhe convém. Vou levar esse fardo horrível comigo até ele ficar eternamente seguro, perdido com a minha consciência. A vida é só uma roleta russa sadomasoquista. Eu descobri quem tá no gatilho. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2" face="time"&gt;&lt;/font&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2" face="time"&gt;&lt;/font&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2" face="time"&gt;‘Brigado por ler até aqui. Seguinte, vou tentar manter o &lt;/font&gt;&lt;a href="eguadoido.blogspot.com"&gt;&lt;font size="2" face="time"&gt;Égua, doido!&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;font size="2" face="time"&gt; atualizado pela enésima vez. Agora com poeminhas escrotos pra lá de mequetrefes.&amp;nbsp; Vou tentar atuliazar todo dia, e é claro que eu não vou conseguir. De todo jeito, tô mastigando umas coisas pra garantir, pelo menos, uma semana de posts novos. &lt;/font&gt;&lt;a href="eguadoido.blogspot.com"&gt;&lt;font size="2" face="time"&gt;Então passa lá&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;font size="2" face="time"&gt; (ou não também).&amp;nbsp; &lt;/font&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-3922046472890533305?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/3922046472890533305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=3922046472890533305&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3922046472890533305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3922046472890533305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2012/01/uma-ostia-so-que-ao-contrario.html' title='Uma óstia, só que ao contrário.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-2209855119087009974</id><published>2012-01-14T05:25:00.001-03:00</published><updated>2012-01-14T05:27:00.651-03:00</updated><title type='text'>Perdoa-me por Me Traíres.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Faz um favor pra ti e vai tomar no cu, Joana disse a ele. Breno retrucou, com a calma que a situação exigia, afirmando que a frase estava mal construída. “Qualquer coisa que eu considere desagradável fazer e que não vai me trazer nenhum benefício não é exatamente um favor a mim”, falou. Breno considerava Joana burra de dar dó. Tão estúpida que poderia interpretar sarcasmo como condescendência, se fosse surpreendida com muitas palavras num contexto sem nexo, como ele tentou fazer. Mas Joana percebeu o tom de deboche e começou a ficar estranhamente rubra. Ela partiu com as unhas em riste pra cima de Breno que só não perdeu o olho esquerdo porque virou a cara. Breno poderia jurar que ela ficou puta porque não entendeu nada. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Joana disparava tapas a esmo totalmente fora de si. Ele ria admirado pensando em como ela agia feito uma onça. Num movimento rápido, ele disparou um cruzado de direita que acertou o maxilar de Joana e a deixou semiapagada. Breno achou ainda mais graça ao perceber a ironia do ditado em relação ao estado do seu fálico membro. Depois, arriou as calças e fez nela o que ela queria que ele fizesse. Ele deduziu que ela estava só projetando uma vontade, já que haviam feito tudo menos aquilo. Se Joana chiasse depois, ele se defenderia com as palavras de Freud: sempre uma fonte confiável pra embasar tudo que é putaria. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Breno admirava a namorada no chão com o mesmo desdém que sentiria por um filhotinho maltratado exposto no Facebook. Ele ainda tentou buscar nos olhos dela alguma comoção, mas só sentia uma indiferença preguiçosa e muito sono. Depois de sacanear a natureza, desperdiçando combustível e ignorando sua função natural de macho fertilizador, Breno se sentia sem a menor vontade de viver. Dada vazão aos instintos, esgotados os desejos, parecia não haver razão para tudo aquilo. Tudo isso. Mas aí ele lembrou que serviam mousse de chocolate naquele motel e pegou o telefone com um sorriso gigante na cara. Joana, ainda um pouco atordoada pelo êxtase e pelo soco, disse que o amava quase chorando.  &lt;p align="justify"&gt;_ Hum... esse é um problema que não é meu. Tu sabia que ia ser assim e tudo mais. &lt;p align="justify"&gt;_ Como tu pode ser tão insensível? &lt;p align="justify"&gt;_ Eu sinto muito tesão por ti. Considerando que, geralmente, não sinto quase nada por ninguém, já é alguma coisa. Quer torta de chocolate? &lt;p align="justify"&gt;_ Então tu só tá comigo por sexo? &lt;p align="justify"&gt;_ Mas é claro!  &lt;p align="justify"&gt;_ Como tu pode ser tão cara-de-pau, caralho!? &lt;p align="justify"&gt;_ Hahah! Sabe, tu é uma ironia em forma de pessoa. Uma mistura de puritana com piriguete. Uma hipócrita que eu consideraria sonsa, mas só se eu não soubesse que tu desconhece isso de verdade. Apesar de safada, tu é muito, muito ingênua. E eu não tenho paciência com crianças. Desculpa.  &lt;p align="justify"&gt;_ Por que tu me humilha assim? &lt;p align="justify"&gt;_ Porque tu deixa, ora porra. Como a maioria das mulheres, tu é muito insegura e carente... Cara, tu tem tão pouca autoestima que dá pra mim um amor que deveria ser teu. Como tu não enxerga isso, merda? Tu me supervaloriza de um jeito tão tosco que te contenta com qualquer coisa que eu te ofereça. Mesmo se for um murro na lata! &lt;p align="justify"&gt;_ Cansei de ti, seu merda! &lt;p align="justify"&gt;_ Finalmente, né! Olha, tu vai sofrer um pouco, mas logo, logo aparece alguém mais sádico que eu e tu vai te apaixonar rapidinho. Tu sabe o que quer dizer ‘sádico’, né? Teu vocabulário é limitadíssimo! Aliás, tua cultura geral é uma droga! Porra, foda-se, espero nunca mais te ver, então vou desabafar! Eu nunca consigo conversar contigo por mais de cinco minutos sem perder totalmente o interesse na conversa! Tu nunca entende o que eu digo! Além do mais, tuas piadas são escrotas e óbvias e tu nunca consegue me surpreender e eu não sou tão altruísta pra me divertir te divertindo toda hora! Eu falei que nunca é tarde pra começar a ler e tu riu achando que era graça! PORRA! E tu é brega demais! Brega mesmo, cafona, sabe? Tem um péssimo gosto musical, pra filme, pra amigos, pra se vestir, até pra soverte tu tem mau gosto... Bom, de algum jeito eu acho que tudo isso aumentou meu desejo por ti porque eu consegui relevar por um bom tempo! Tu conhece uma teoria psicológica criada por Vygotsky que diz que a gente nasce igual animais e vamos nos tornando humanos a partir das coisas que aprendemos? Claro que tu não conhece, por que eu tô perguntando, porra!? Então, eu acho que como tu nunca teve interesse em aprender muita coisa porque era mais fácil se divertir, sempre facilitada pelo teu corpo de fêmea parideira, tu te aproxima bem mais dos animais do que das pessoas com quem costumo me relacionar. Como nos animais os instintos são bem mais cáusticos, parece lógico que tu seja mais excitante e desperte desejos bem mais primitivos do que muitas outras mulheres mais elegantes e interessantes que tu, tu não acha? &lt;p align="justify"&gt;_ Eu não sei! &lt;p align="justify"&gt;_ TU NÃO ACHA? &lt;p align="justify"&gt;_ Eu te amo, Breno! &lt;p align="justify"&gt;_ Puta que o pariu! &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E Breno deu outro murro em Joana, chorando de raiva, rendido pela insistência dela. Viveram felizes para sempre. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&lt;font size="1"&gt;O título é de um filme baseado num texto de Nelson Rodrigues e tal.&amp;nbsp; &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-2209855119087009974?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/2209855119087009974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=2209855119087009974&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2209855119087009974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2209855119087009974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2012/01/perdoa-me-por-me-traires.html' title='Perdoa-me por Me Traíres.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-6080021434303606702</id><published>2012-01-07T01:02:00.001-03:00</published><updated>2012-01-07T01:03:17.168-03:00</updated><title type='text'>Graças a Deus.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Geraldo, voltando do trabalho, esperava o ônibus ansioso pra conferir o resultado da Mega da virada. Sem grandes expectativas, claro. Só uma nesguinha de esperança dessas que mantém pessoas igual Geraldo vivas, como um prato de feijão velho requentado, uns instintos teimosos ou os quadros do programa do Luciano Hulk. Não se lembrava quais números havia marcado. Jogou sem olhar, como sempre faz. Acredita que a sorte é algo que aparece quando não estamos prestando atenção e que pra atrai-la é necessário respeitar algum mistério. Besteira.&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Repassando mentalmente os números que viu no Jornal Nacional, Geraldo viaja com o futuro pré-fabricado na cabeça. Na primeira noite, contrataria uma puta de luxo pra tirar o atraso de anos. Depois, viajaria pra Bahia, compraria uma Ferrari, um iate, uma Jacuzzi, uma cobertura no Leblon, a imortalidade, a estátua do Cristo Redentor, o caralho a quatro. Daria uns cem mil reais pra mãe porque não tolera ingratidão e é dona Maria que até hoje lhe faz a comida.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O futuro milionário se deixa esparramar no banco duro ônibus e vai seguindo com os olhos os postes da avenida Brasil. E um esboço de riso quase expõe os dentes podres que lhe envergonham desde moleque. Ele tem medo de dentista, mas não assume. Ter pouquíssima grana é uma desculpa conveniente pra justificar quase qualquer coisa, e é essa que Geraldo usa. Antes justificar a podridão dos próprios dentes do que roubo seguido de homicídio pra comprar dentadura de ouro, não é?  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Uma certeza estranha invade o peito de Geraldo. É uma dessas premonições raras, que vem em forma de sensação e quase nunca viram futuro, mas que impressionam os mais sensíveis. Geraldo nunca foi muito impressionável. É católico praticante, graças a Deus, mas acredita que sinais do além são mais explícitos que pressentimentos sem sentido. De qualquer modo, assim que desce do ônibus, ele apressa os passos. Sobe dois degraus por vez enquanto seu coração palpita descompassado e um suor frio desce pelas suas têmporas.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele sabe que é besteira, que está agindo feito idiota, que não vai dar em nada, mas não consegue controlar o nervosismo. E agora vai quase correndo, pisando em merda de cachorro, em fralda usada, em vômito (ou coisa pior), quase caindo no abismo, pensando "mas e se...". E dona Maria quase morre de susto ao ver o aspecto perturbado do filho que invadiu o barraco num misto de angustia e desespero. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Geraldo pega o bilhete na cômoda velha com a mão suada e o olha incrédulo. Nenhum dos números corresponde aos sorteados. Não há um mísero acerto pra dar razão a tanta agonia. Nenhuma migalha de sorte resolveu aparecer, nem por piedade. E Geraldo quase gargalha de si mesmo com seus dentes podres acusando uns aos outros. Rasga o bilhete mais por conformismo que por raiva. Antes de ir comer o feijão com ovo que a mãe já havia posto em seu prato, vai até a janela agradecer Jesus Cristo por ter chegado vivo em casa. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-6080021434303606702?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/6080021434303606702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=6080021434303606702&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6080021434303606702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6080021434303606702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2012/01/gracas-deus.html' title='Graças a Deus.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-2310468580628517438</id><published>2011-12-30T23:44:00.001-03:00</published><updated>2011-12-30T23:46:55.997-03:00</updated><title type='text'>Férias</title><content type='html'>Correr até o suor desitradar o corpo e deixar a alma evaporar sem pressa, como se não houvesse remédio pra sede. A ida justifica o caminho e nós vamos refazendo passos como uma curupira chapada voltando pra casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-2310468580628517438?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/2310468580628517438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=2310468580628517438&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2310468580628517438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2310468580628517438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/12/ferias.html' title='Férias'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-8386858141554457183</id><published>2011-12-24T02:03:00.001-03:00</published><updated>2011-12-24T02:04:16.867-03:00</updated><title type='text'>Desmembramento.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tem a vontade de te desossar como se limpa uma galinha indefesa. Arrancar teu sustento sem piedades ou culpas e te fazer prostrar. Renegar tua humanidade e te querer como um objeto de decoração que, no fundo, é pouco mais que inútil. Enfeitar minha vida com tuas entranhas expostas e ignorar o apodrecimento da tua essência. Pecar abusando da tua falta de discernimento como quem escraviza um cão. Não há erro que não possa ser perdoado se a vontade de cometê-lo for muito sincera.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tu vai sumir sem querer, porque é assim que as pessoas vão pra não voltar. Vou me entregar à pena por tédio e enjoo. Vou desistir de sobreviver, mas só até desistir ficar mais difícil que sobreviver. Não tem dor que resista a ela mesma. E nós fazemos promessas só pra ter o prazer de desfazer nosso futuro. Foi bom quando prever era sádico e tu te doía. Agora eu percebo que meu erro foi não afogar teu espírito com a minha mágoa. E me peço perdão por ter te dado vida enquanto pude. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-8386858141554457183?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/8386858141554457183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=8386858141554457183&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/8386858141554457183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/8386858141554457183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/12/desmembramento.html' title='Desmembramento.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-5836138429843584208</id><published>2011-12-17T03:31:00.001-03:00</published><updated>2011-12-17T03:31:35.366-03:00</updated><title type='text'>Dentes-de-leão.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Concluo raciocínios frágeis que se despedaçam feito dentes-de-leão buscando a brisa da primavera. A razão é pedra-bruta coberta por nesgas de limo que recusam meus toques. Luto para esculpir a cabeça da esfinge que me escancara seu peito de leão. Minhas mãos vacilam como as de um arqueiro mirando um alvo invisível. Os tempos se misturam e me vejo diante de um quebra-cabeça incompleto que montarei, já desmontei, acho que perdi. Quebro a marretadas becos sem-saída e desconstruo o labirinto. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Resta a constatação óbvia, tão evidente quanto o toque, indiscutível como a persistência de sonhos em cornubações ancestrais que durarão até o fim das eras. O desejo primordial nascido de ausências vagas desde o estigma da concepção. A vontade de livrar-se das chagas que imolam em horários impróprios os corações mais seguros de si. Uma cãibra na alma que nos espreita igual bicho de olhos famintos que cresceu sem afago. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O sublime apenas se insinua e sua menção já basta para explodir estrelas em faíscas que viajam por eternidades. Vejo-as num tempo fabricado por sinapses desgovernadas que trovejam em sorrisos. Tento renegar a verdade do espelho como um demente desembestado que busca fugir de sua sombra. O menos inútil é pedir arrego e dois litros de vodka. E render-se, enfim, até se entregar à perplexidade daquilo que se explica calando. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-5836138429843584208?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/5836138429843584208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=5836138429843584208&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/5836138429843584208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/5836138429843584208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/12/dentes-de-leao.html' title='Dentes-de-leão.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-7390796951694350209</id><published>2011-12-10T03:21:00.001-03:00</published><updated>2011-12-10T03:21:46.876-03:00</updated><title type='text'>Retiro Espiritual.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vamos rir da cara dos crentes e mandar os responsáveis pra casa do caralho. Revolucionar nossas vidas abolindo nossas castas. Vestir trapos e nos despir da vaidade e do conforto. Esquecer a internet e anular nossa personalidade até sermos esquecidos pelos nossos pais. Bora comer manga caída, açaí do pé, peixe velho do ver-o-peso, beber a chuva que cai da calha. Morar embaixo do toldo de uma loja velha e passar fome até nossas tripas ficarem bem grudadas nos ossos. Perder a sanidade enquanto nos negam trocados e fingem que somos fantasmas. Assombrar o mundo e gemer no pé do ouvido dos falsos, dos hipócritas, dos sem caráter, da gente toda. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando estivermos perto de morrer de desespero, a gente viaja no lombo de um jacaré pra o outro lado do rio e vai viver de favor em casa da floresta. Adotamos uma oncinha de estimação e um bicho preguiça: Oswaldo e Teodoro. Vamos perder as ambições e os desejos, ficar sem querer porra nenhuma além daquilo que a gente pode alcançar. E nos embriagaremos com o cheiro de mato e sereno todas as noites enquanto brincamos com mosquitos da malária. Acordaremos às seis e daremos bom dia pra os vizinhos passando à margem. Vamos lavar a roupa na água suja e deixar os dentes apodrecerem. Pegar uma disenteria de nove dias e se amar na merda.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Morrer honestamente, sem cuidados ou chances, sem esperanças ou ilusões. Encarando nossa miséria com resignação e coragem. Vamos responder pela invenção dos nossos pecados e pela comiseração diante do pecado de todos os outros. Pedir pra um açougueiro colocar nossos órgãos num isopor com gelo, derrubar dois açaizeiros e fazer uma fogueira santa pra nossas cinzas voarem pela baia. Tá tudo planejado, tá tudo certo. Viemos com defeito, nosso lugar não é aqui, não era pra ser assim. Vamos fazer do jeito certo, fazer da pobreza a redenção, da loucura um caminho, da dor um refúgio pra frustração de não ter o que queríamos. É só olhar em volta e ver que não tem nada de mais pra ser visto. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-7390796951694350209?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/7390796951694350209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=7390796951694350209&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7390796951694350209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7390796951694350209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/12/retiro-espiritual.html' title='Retiro Espiritual.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-2488171158859685704</id><published>2011-12-03T01:52:00.001-03:00</published><updated>2011-12-03T01:54:56.227-03:00</updated><title type='text'>Fragmentos kkkk</title><content type='html'>&lt;p&gt;Tiago diz:&lt;br&gt; porra&lt;br&gt; preciso escrever o post pra o blog&lt;br&gt; me ajuda?&lt;br&gt; vamo fazer a 4 mãos&lt;br&gt; um diálogo&lt;br&gt; escolhe um personagem&lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;clara diz:&lt;br&gt; xo pensar.&lt;br&gt; Kaffu, jogador de volei iraniano&lt;br&gt; 21 anos&lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tiago diz:&lt;br&gt; eu quero ser um urso panda que veio viver num santuário de SP&lt;br&gt; tá bom, tu veio jogar no time de são paulo&lt;br&gt; (são paulo tem time de vôlei?) &lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;clara diz:&lt;br&gt; (tem)&lt;br&gt; (todo canto tem)&lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tiago diz:&lt;br&gt; ok, tu foi levar tua namorada Zuleide ao zoológico e descobriu que eu sei ler a mente das pessoas porque fui cobaia num experimento chinês ultrasecreto que queria censurar o que as pessoas pensavam &lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;clara diz:&lt;br&gt; QUE HISTÓRIA PÉSSIMA HAHAHA&lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tiago diz:&lt;br&gt; VELHO&lt;br&gt; ok, Kaffu, eu sei que você não ama ela. Ela só quer seu dinheiro, não se engane. Me dê um amendoim.&lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;clara diz:&lt;br&gt; só dou picolé de pistache para pandas que lêem mentes&lt;br&gt; ajuda a digestão do pensamento&lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tiago diz:&lt;br&gt; eu não sei o que caralhos é um pistache, it doesn't work, opa, pensei em inglês&lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;clara diz:&lt;br&gt; pistache é uma paradinha verde&lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tiago diz:&lt;br&gt; é fruta? não tem disso na china&lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;clara diz:&lt;br&gt; véi, como assim, pistache: &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pistache"&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Pistache&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tiago diz:&lt;br&gt; HAHAHA&lt;br&gt; sua imunda, eu sei ler mentes não tenho um ipad no cérebro!!!&lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;clara diz:&lt;br&gt; mas pistache tá no inconsciente coletivo!&lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tiago diz:&lt;br&gt; EU NUNCA VI UM PISTACHE NA VIDA&lt;br&gt; não tem como essa imagem ter fincado no meu inconsciente pelo código genético porque nenhum panda nunca viu um pistache!&lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;clara diz:&lt;br&gt; mas você deveria ter visto no inconsciente coletivo dos humanos]&lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tiago diz:&lt;br&gt; ok, tu venceu, não tinha pensado nisso&lt;br&gt; FIM&lt;br&gt; perfeito&lt;br&gt; entrará pra os anáis da literatura do século xxi como obra exemplo da contemporaneidade&lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;clara diz:&lt;br&gt; eu tenho senso de humor de um menino de 11 anos&lt;br&gt; sempre morro de rir com a expressão&lt;br&gt; "entrará para os anáis..."&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://milguilhotinas.blogspot.com/"&gt;‘brigado, clarissa&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-2488171158859685704?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/2488171158859685704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=2488171158859685704&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2488171158859685704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2488171158859685704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/12/tempos-modernos-kkkk.html' title='Fragmentos kkkk'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-1021795992553874175</id><published>2011-11-26T03:38:00.001-03:00</published><updated>2011-11-26T03:38:45.068-03:00</updated><title type='text'>Mas não foi.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Otto ouvia concentrado Regina contar como havia sido seu dia. O dia de Regina foi cheio de pequenos estresses, surpresas sem graça, diversões bobas, alterações miúdas, experiências irrelevantes e todas essas coisas pequeninas de que são feitas a maioria dos dias. Ela falava sem pausas, compassada, sem exigir comentários ou fazer perguntas. Otto falava uma besteirinha ou outra para que ela se sentisse prestigiada e estimulada. Ele era um sujeito simpático, sabia o que precisava dizer para agradar os outros. Não que agradar a maioria das pessoas seja algo digno de ser exaltado, basta ter paciência e boa vontade: as pessoas, geralmente, não precisam de muito para se entreter e rir. Pessoas gostam de rir e é só isso que torna engraçada a grande maioria das coisas pretensamente engraçadas. A voz de Regina não passava de um zumbido na caixa craniana de Otto enquanto seu pau latejava graças ao sobe-desce daqueles lábios finos e delicados. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Regina, como quase todos nós, não falava nada de mais a maior parte do tempo. Otto não era muito exigente. Ele tinha uma boa dose de paciência e compreensão e certa tolerância ao tédio. Era a primeira vez que saia com Regina. Foi num barzinho aconchegante, com música ao vivo e gente contente. Colega de uma colega, eles se conheceram meio sem querer numa confraternização. Otto achou Regina interessante. Mas, como a maioria de seus achismos, esse também se provou insustentável diante da curiosidade de comprová-lo. O que nós faz pensar que, em alguns casos, é mais divertido dar às coisas o benefício da dúvida do que nos decepcionar descobrindo o que elas de fato são. Coisas tipo Deus.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Claro que é totalmente discutível o que seria realmente uma pessoa interessante. Se quisermos, podemos relativizar a questão e falar de mil aspectos sem chegar a consenso algum. A título de entendimento, vamos classificar alguém como interessante se o sujeito um, numa conversa, é capaz de prender a atenção do indivíduo dois sem que o foco da atenção deste seja desviado para coisas do tipo: o possível corte pubiano que o sujeito um está ostentando. Sim, era nisso que Otto pensava enquanto Regina falava sobre as peripécias engraçadíssimas que passou até aprender a dirigir. Era difícil para Otto fingir achar aquilo divertido porque, como ele não conseguia mais atentar à fala, ficava complicado saber a hora certa de simular o riso.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Cinco chopes e uma hora e meia depois, estavam claras para Otto duas coisas: 1 – Regina era uma mulher que despertava tesão 2 – Ela era mais óbvia que 1 + 1. Depois daquele tempo conversando, era comprovada que a única coisa realmente interessante na personalidade de Regina era sua simpatia que beirava a afetação. Apesar das tentativas de Otto de arrancar algo mais, ela se mostrava rasa e tão divertida quanto topar com o dedão na quina da parede. De tal modo que Otto, resignado e rendido diante da mesmice daquele ser humano, tentou concentrar seus esforços para criar uma situação em que pudesse arrancar as roupas de Regina com o consentimento dela.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Regina achou Otto insuportavelmente chato e antipático. Ela percebeu seu desinteresse e a forma como ele se manifestava apenas para mostrar que não havia sofrido um derrame. Ficou decepcionada com sua falta de conversa. Além do quê, achou ofensiva a maneira como ele foi inconveniente e indelicado insistindo em falar sobre assuntos que ela não dominava. Regina ainda tentou contornar a situação contando histórias divertidas, mas a apatia de Otto era broxante. No final da noite, recusou o convite do acompanhante e preferiu voltar para casa de taxi. Ficou puta, mas sobreviveu. Mais tarde, depois de homenagear Regina, a justificava para a grande frustração de Otto se foi a jato. Ele, aliviado e contente, dormiu sorrindo pensando em como a vida era estúpida igual uma foda casual que poderia ser, mas não foi. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-1021795992553874175?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/1021795992553874175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=1021795992553874175&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1021795992553874175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1021795992553874175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/11/mas-nao-foi.html' title='Mas não foi.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-1066738907355844531</id><published>2011-11-19T03:25:00.001-03:00</published><updated>2011-11-19T03:25:20.697-03:00</updated><title type='text'>Estruturas Metálicas.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;*Conheci Waldir enquanto fazia uma reportagem sobre tratamento psicológico na rede pública. Essa é uma parte da história dele.&lt;/font&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;/font&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Waldir conta que sabe falar francês e que sua vida era bem melhor quando ganhava em euros, no período em que trabalhou no Centro Espacial de Kouru. Waldir tem 46 anos e é de Campina Grande, Paraíba. O Centro Espacial a que se refere fica perto de Caiena, capital da Guiana Francesa. “Eu trabalhava com estruturas metálicas lá. O Centro é mantido pela Agência Espacial Europeia pra o lançamento de foguetes”, explica empolgado. Waldir diz que uma vez foi parado pela polícia de fronteira. Como ele estava sem passaporte, carteira de trabalho ou qualquer documento que atestasse a regularidade da sua situação, conta que foi deportado como imigrante ilegal e voltou para Campina Grande. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aos 15 anos, Waldir diz que veio para Belém e depois foi para o Amapá atravessar a fronteira com a Guiana ilegalmente. “Na minha terra ninguém trabalha com isso, por isso eu vim pra Belém com o meu pai. Trabalhei em Kouru com estruturas metálicas. Lá eles lançam foguetes. É coisa mantida por uma Agência Europeia”, diz. Ele se confunde com as datas e faz força para lembrar detalhes que chegam desencontrados. Os olhos azuis de Waldir contrastam com sua pele queimada. Às vezes ele abaixa a cabeça e a fala fica um pouco relutante, como se duvidasse dela mesma.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há cinco anos, Waldir diz que tentou repetir a mesma saga que lhe trouxe a Belém trinta anos atrás. “Eu ia atravessar a fronteira com o Amapá pra trabalhar com estruturas metálicas lá na Guiana. Eu trabalho com estruturas metálicas e eles têm um Centro Espacial lá”, conta. Dessa vez, Waldir não conseguiria chegar até a Guiana. Ele fala que assim que chegou à rodoviária de Belém teve todos os seus pertences e documentos roubados enquanto sofria um ataque epiléptico. Desde então, Waldir mora nas ruas e afirma que consegue dinheiro fazendo bicos como eletricista e produzindo estruturas metálicas. “Na rua ninguém respeita. Ninguém ajuda. Já sofri várias agressões enquanto tava tendo ataque”, fala. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Waldir freqüenta um centro de recuperação para dependentes químicos. A assistente social que o acompanha fala que o uso prolongado do álcool causou danos cerebrais que não podem ser revertidos. Ela explica que não dá para identificar exatamente o que é verdade e o que é delírio. Waldir precisa voltar para as ruas todo final de tarde porque não há residências terapêuticas que acolham moradores de rua como ele. Vez ou outra aparece no centro com sinais de agressão.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um promotor ficou de arranjar vaga em um abrigo e Waldir espera ansioso pela chance de dormir em uma cama. “O promotor ficou de me ajudar, mas eu quero mesmo é voltar pra minha terra”, conta. No centro em que é atendido, já foi tentado contato com sua família na Paraíba. Ninguém se mostrou interessado em saber notícias suas. A assistente social explica que em casos assim a rejeição familiar pode ser grande. O maior sonho de Waldir é rever a mãe. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Difícil saber quanto tempo ele esperou para contar sua história. No centro, ninguém tinha conhecimento de que Waldir chegou ali graças a uma tentativa frustrada de ir para a Guiana Francesa. Ele parecia estar contente por receber atenção de alguém que não o tratava como paciente. Waldir tem fé que vai conseguir melhorar. A boca quase sem dentes e suas roupas velhas e muito gastas não chamavam mais atenção que os seus pés. Descalços, sujos e feridos, eram pés de quem já viveu coisas que a maioria prefere ignorar que existem. Só Waldir, por falta de opção, parece acreditar nelas.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-1066738907355844531?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/1066738907355844531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=1066738907355844531&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1066738907355844531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1066738907355844531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/11/conheci-waldir-enquanto-fazia-uma.html' title='Estruturas Metálicas.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-3561787399280000792</id><published>2011-11-12T12:30:00.001-03:00</published><updated>2011-11-12T12:30:12.730-03:00</updated><title type='text'>Falhas Na Parede.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tinha aquela lasca branca na parede verde que eu admirava antes de dormir. Um pedacinho de parede sem tinta, uma besteirinha. Ela ficava bem no lugar iluminado pela lua quando passava pelas frestas da janela. Era em frente à minha cama, e eu me colocava de bruços com a cabeça em sua direção. Acho que meu ciclo de sono combinava com o da lua. Toda vez que a insônia vinha forte, a lasquinha parecia mais iluminada e branca.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aquele pedacinho de casa irregular me causava uma sensação estranha. Era como se aquilo fosse o certo, o lascado e feio, mas eu sabia que era errado. Era errado porque aquele negocinho estava oprimido por uma vastidão de tinta verde-bebê, certinha e harmônica. Mas aquele troço realmente me agradava. Talvez só achasse aquilo bonito porque era algo ridículo no meio daquela parede tão bem pintada, ou quem sabe fosse só o tédio e a insônia me desregulando os sentidos. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não sei quando eu percebi, só sei que já não adiantava mais nada. A lasquinha cresceu até tomar conta de toda parte inferior da parede à esquerda. Ela continuou avançando tímida, silenciosa, que nem raiz cavando o solo. Eu não me opus nem nada, se ela quisesse crescer, que crescesse. Pouco tempo depois, o quarto já estava completamente branco e a argamassa da parede soltava um pó que começou a me sufocar.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Numa manhã de domingo, passei o aspirador de pó nas paredes. Em alguns pontos era possível ver até pedaços de tijolo. Meu quarto estava horrível. Porém, antes de eu realmente começar a me incomodar, os tijolos resolveram cair de maduros. Toda noite caiam dois ou três tijolos. Simplesmente se despregavam das paredes e se espatifavam no chão. Às vezes ficava com medo de um deles cair bem em cima da minha cama. Talvez fosse o cimento, sei lá.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Minha casa caiu aos pouquinhos. Nem percebi muito bem. Uma vez fui abrir a porta e ela estava no chão. Daí choveu e eu notei que nem telhado tinha mais. Voou, não sei. Quando inventei de olhar pela janela, vi que ela tomava todo espaço que antes era ocupado por uma das laterais da casa. Perdi foi tudo. Não sei bem o porquê, nem como, não sei se eu mereci, nem acredito nessas coisas. Agora eu vivo por aí, torcendo pra o mundo não desmoronar também. Se desmoronar, bom... Nunca entendi muita coisa dessa vida mesmo. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-3561787399280000792?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/3561787399280000792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=3561787399280000792&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3561787399280000792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3561787399280000792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/11/falhas-na-parede.html' title='Falhas Na Parede.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-6651360135871985468</id><published>2011-11-05T02:08:00.001-03:00</published><updated>2011-11-05T02:08:15.043-03:00</updated><title type='text'>Do nada a lugar nenhum passando por muita coisa.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Lanchonete de supermercado 24h, madrugada, gente saída de festas temáticas, atendentes com cara de sono. Os corredores estão vazios, mas as mesas estão cheias de gente fantasiada. Conversa com os amigos sobre o porquê de tanto masoquismo sentimental e cogitam uma solução prática em clubes de BDSM. As horas avançam divertidamente tranquilas. Todos e todas as coisas parecem mais legais quando a noite já vai longe.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando ela chega, ele ri. Não ri dela, nem pra ela: ri de si. Acha engraçado se sentir tão abalado por uma simples garota. Sem querer desmerecê-la. Quero dizer que como todos nós, ele sabe que ela é feita de carne, osso e defeitos. Apesar de linda, só a carência dele justificaria a dormência no peito. Ele tem consciência ainda e não faz nada. Ela parece não ligar pra muita coisa.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É preciso mais Coca-Cola. Ela está no caixa comprando algo. O inconsciente o faz ignorar que não vendem refrigerante em garrafa na lanchonete. Vai até lá e fica atrás. O coração acelera e ele se diverte mais ainda. “Barbara, a gente te espera lá na frente”, fala uma amiga. O perfil dela brilha na luz triste e artificial. Ele gela e, outra vez, não faz nada. Ela vai embora. Volta à sua mesa e, como ele esperava, os amigos dizem que já sabiam que ele não foi lá por causa de Coca. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele ainda viu Barbara quando foi ao lugar certo comprar refrigerante e mais tarde quando ia embora com os amigos. Em ambos os casos, de novo, não fez nada. Diz que está apaixonado por Barbara. Ninguém leva a sério. Nem ele mesmo, felizmente. Fala que vai encontra-la na internet. Ninguém leva a sério de novo, mas dessa vez ele está falando a verdade. E ri porque é absurdo e ridículo, mas também um desafio recompensador e idiota.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Barbara é uma obsessão boba. Chega em casa quase de manhã e vai direto ao computador procura-la. Busca sua ilusão utilizando métodos minuciosos tendo como ponto de partida pré-conceitos guiados por babaquice. Dezenas de Barbaras, depois foca nas que têm mais probabilidade de ser a garota do supermercado 24h. É difícil, um pouco excitante e muito deprimente.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não demora muito e a encontra. Sim, sem dúvida é a menina loira de traços delicados e ar de donzela do campo. Gargalha sozinho num misto de satisfação e espanto diante da pequena proeza assustadora. Sente que precisa fazer algo, suas mãos suam sob o teclado. Não preciso nem dizer que é uma sensação confusa e irracional e que, pelo contrário, tudo aquilo era extremamente desnecessário. Mais uma vez, ele não faz nada. Escreve.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Barbara parece que não é. Barbara é uma ideia. Não me atrevo a tentar descrever sua beleza. Poderia usar um léxico infinito de palavras lindas, exageradas, doces, e todas seriam insuficientes e vãs. O ambiente que ela ocupa fica à parte do resto. Pra onde Barbara carrega sua existência, a realidade se desfigura. O espaço se distorce, o universo se contrai, a luz fica tão lenta quanto minha respiração compassada. Barbara rouba o foco do mundo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Morreria nos braços pálidos de Barbara. Viveria feliz pra sempre e morreria mil vezes olhando o rosto de Barbara. Sentindo seu cheiro de almíscar vindo de bosques inabitados, terras distantes, lugares frios. Ela cheira igual árvore molhada pela chuva. Olho Barbara e sinto vontade de me postar sobre suas raízes delicadas, dizer que ali é meu lugar, e fazê-la sorrir. Eu a faria rir do vento, do medo, da dor, do nada. No seu sorriso, vejo um sentido que justifica tudo. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Por que Barbara? Porque é ela. Carrego uma certeza infantil, frágil, ressentida, mas que é maior que as várias possibilidades que a encaminhariam às velhas desilusões. Não há lógica que sobreviva à esperança que irradia de Barbara. Humildemente, reconheço minha fraqueza ao ceder assim, tão fácil e sem resistência. Mas sou imprudente e ela é tão tentadora quanto a promessa de alegrias irreprimíveis, de filmes estranhos embaixo do coberto, de sinceros poemas piegas, de se molhar na chuva, se sujar de sorvete, correr de mãos dadas, de anos e anos e anos e anos. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Por que não, Barbara? Não sou muito bonito, eu sei, mas eu me arrumo direitinho por ti, juro. Eu sei fazer poemas bobos, escrever homenagens, falar coisas engraçadas, indicar bons filmes, compreender problemas, respeitar espaços, conversar sobre teorias conspiratórias, rir de desgraças, colocar os pés atrás da cabeça e cozinhar Cup Noodles. Sou educado, honesto, gentil e limpinho. Não que eu já esteja pensando em filhos, isso seria muita idiotice, mas, a título de curiosidade, meus genes são bem razoáveis.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não, sério. Eu não acredito em “amor à primeira vista”. Deixei de acreditar desde os 11 anos, quando sofria e vi que me doer por algo que não existe é absurdo. Não aprendi muito bem a lição, mas deixei de me entregar a bobagens superficiais sem fazer algum esforço pra que não sejam tão superficiais assim. Agora, quase dez anos depois, me pego pensando numa menina que vi num supermercado, às três da matina, enquanto falava merda com meus amigos e sentia vontade de ir ao banheiro. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ouvi teu nome, Barbara. E que bom que ouvi, se não, não teria mote pra despejar o lirismo tosco despertado pela menina cuja identidade só descobri à custa de uma investigação mais idiota do que minuciosa e que, provavelmente, tá me achando um babaca/psicopata/coitado/escroto/carente agora. Não tenho como te convencer do contrário. Eu queria ter (serviriam até pra mim), mas me faltam boas explicações pra te dar. Só posso dizer o que eu já disse, espero que valha alguma coisa.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Onde eu quero chegar? Eu não sei. Só sei que me obriguei obstinadamente, mesmo diante da minha imensa resistência, a fazer essa tentativa de sei-lá-o-quê. A vida é estranha demais, e eu tenho receio de deixar passar as boas coisas que ela oferece por leseira. Evidente que tenho muito medo do que tu vai pensar, mas eu mesmo não sei o que pensar disso tudo. Ao menos eu consigo rir disso. Se tu rir também (égua, mas ri pelo menos de uma forma “não pejorativa”, por favor), já vou achar que valeu o esforço, o mico, as palavras, a stalkeação, a noite, etc.” &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Envia afoito, sem pensar demais nas consequências, sem se preocupar com o que pode acontecer, sem saber o que esperar. Vai dormir tranquilo e acorda orgulhoso da própria loucura. Mas não acontece nada por muito tempo. E continua não acontecendo. Mas nem importa mais. A metáfora é de extremo mau gosto, mas seria como se Barbara fosse um doce estranho que ele comeu com os olhos, sentiu enjoo e aproveitou pra evacuar merdas que guardava no estômago antes de dar descarga. Jura que não há qualquer ressentimento, só muita cretinice. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-6651360135871985468?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/6651360135871985468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=6651360135871985468&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6651360135871985468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6651360135871985468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/11/do-nada-lugar-nenhum-passando-por-muita.html' title='Do nada a lugar nenhum passando por muita coisa.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-7040947821663404604</id><published>2011-10-29T04:29:00.001-03:00</published><updated>2011-10-29T04:29:39.735-03:00</updated><title type='text'>Bobagem.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Refaço os passos como se assim pudesse mudar o sentido dos meus caminhos. Mas não há redenção no passado. De qualquer forma, oprimido pelo peso do meu peito, não tenho escolha se não contemplar os espaços vagos que o tempo cultivou em mim. Becos sem saída, labirintos sem esquinas, passagens sem destino.  &lt;p align="justify"&gt;Sou o protagonista do filme que assisto e a solidão na plateia me dá uma paz estranha. Eu, ali, me basto como se no mundo não houvesse mais nada pra necessitar ou preocupar. Revivendo memórias, me esqueço do presente e abro de mão de existir em linha reta. Vivo ao contrário.  &lt;p align="justify"&gt;Ouço o eco das coisas velhas reverberando no espaço vazio. As pinturas estão desbotadas, o ar é úmido, eu toco em teias densas, o silêncio é cortante, a ampulheta gira igual a hélice de um monomotor inútil e só o que há a fazer é cair, cair, cair... cair até não poder mais. E quando o chão inevitavelmente chegar, trará a lembrança de que nada permanece suspenso pra sempre. Nem o tempo, nem as memórias. &lt;p align="justify"&gt;Tudo se muda, tudo se esvai. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-7040947821663404604?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/7040947821663404604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=7040947821663404604&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7040947821663404604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7040947821663404604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/10/bobagem.html' title='Bobagem.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-9185039985997313494</id><published>2011-10-22T04:34:00.001-03:00</published><updated>2011-10-22T04:40:13.539-03:00</updated><title type='text'>O Paraíso São Os Outros.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Seu Alberto morreu aos 93 anos. Como todo velho que passou dos 90 que se preze, ele já se organizava para o fim. Dizia à sua família (e a ele mesmo) que estava pronto e não tinha medo. Assumir que se está preparado pra morrer é uma mentira válida e reconfortante, daquelas que a gente finge que acredita por pura conveniência. Além do mais, contrariar alguém que está pra morrer é sacanagem, ainda mais quando isso pode tornar a coisa toda da morte ainda mais assustadora. Seu Alberto não estava pronto mesmo, morrer era a parte fácil. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele acordou numa sala oval inundada por uma luz branca muito enjoativa. Três anciões vestidos com túnicas azuis vieram lhe saudar com um sorriso grande. Deram as boas-vindas e contaram que seus parentes o aguardavam ansiosos. Seu Alberto gelou. Ele havia saído de casa aos 16 anos justamente porque não gostava da família na qual tinha nascido. E lá estavam seus pais de braços abertos, descarados, buscando reconciliação. Abraçou-os por medo de causar má impressão. Ele achou que uma atitude mesquinha, logo de cara, faria com que os administradores checassem novamente sua ficha: eles poderiam descobrir que cometeram um engano o fazendo subir ao invés de descer.&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O céu era um tédio. As pessoas gastavam a maior parte do tempo se reunindo em grupos de discussões pra debater coisas relacionadas à vida que deixaram pra trás. Se teorizar a existência já não é tão divertido quando estamos vivos, imagine o quanto isso pode ser insuportavelmente chato quando a vida nem nos diz mais respeito. O que mais revoltou seu Alberto era a empolgação e a forma como estranhos eram efusivos. Não respeitavam coisas básicas, como sua privacidade e a falta de empatia entre ele e todos os que tinha conhecido até então. Como ninguém precisava dormir, a convivência forçada era inevitável. Fiscais do governo (ou coisa assim) iam até a casinha de seu Alberto convidá-lo para as reuniões. Ele poderia não ir, mas se não fosse, não teria mais nada pra fazer além de se martirizar.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não havia jogos de azar, televisão, carne ou piadas depreciativas. Nada que incitasse a competição, a vaidade, o egoísmo ou qualquer coisa que lembrasse a natureza humana da vida terrena. Havia, porém, música clássica, aulas de yoga, passeios de bicicleta, hidroginástica e deliciosas refeições vegetarianas à base de soja. As pessoas eram condescendentes, educadas, simpáticas, prestativas, altruístas e pairava no ar uma nuvem de hipocrisia ignorada. No céu, a utopia comunista era real e aquilo, na prática, era bem mais inacreditável que nas idealizações. Seu Alberto percebeu logo que o paraíso era responsável por algum tipo de lobotomia que deixava humanos parecidos a terapeutas motivacionais.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Depois de dois meses, não havia quase resquícios do desencarnado que estava pensando em tentar se suicidar. Seu Alberto resolveu ceder à pressão das pessoas e começou a participar de fato das atividades. Ele percebeu que a misantropia iria tornar a eternidade insuportável. Uma coisa é suportar a vida, outra bem diferente é aguentar algo que não acaba nunca. Apesar da saudade que sentia da esposa e dos poucos amigos, seu Alberto foi se integrando aos grupos por osmose. Virou um velho sorridente, agradável, bem humorado e muito cínico. Fez uns colegas, começou a ter aulas de violoncelo, a caminhar no finalzinho das tardes e aprendeu a cozinhar bolo de milho com canela. A vida após a morte não era muito diferente da vida antes dela. Seu Alberto não estava muito feliz, mas estava distraído o suficiente pra se esquecer disso. O céu não era um lugar tão ruim, afinal, bastava fazer um esforço pra acreditar nele. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-9185039985997313494?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/9185039985997313494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=9185039985997313494&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/9185039985997313494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/9185039985997313494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/10/o-paraiso-sao-os-outros.html' title='O Paraíso São Os Outros.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-3572252350472297379</id><published>2011-10-15T03:07:00.001-03:00</published><updated>2011-10-15T03:07:56.515-03:00</updated><title type='text'>Pessoas são só pessoas, disqui.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Essa aparente resignação que tu tenta demonstrar é ridícula. Eu sei que tu te desespera depois das três da manhã, quando não consegue dormir e não sabe mais o que fazer ou pra quem ligar. Eu sei também que tu diz mais o que querem ouvir do que o que tu realmente gostaria de dizer. Consigo sentir de longe teu fedor de medo, teu pânico da solidão. Essa preocupação te parece ser tão concreta porque ela já é real, basta tu estender a mão pra acariciar teu monstro. Não há ninguém por perto, tu tá numa ilha mandando desesperadamente sinais de fumaça pra ninguém. As pessoas nem sabem fingir que se importam direito. É cada um lutando contra si, por si. Esperar reconhecimento e afeição de pessoas irrelevantes é o mesmo que se igualar a essas pessoas. Tu é diferente, porra, só falo essas coisas porque eu não posso te deixar te perder assim.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Para de esperar dos outros o que tu não pode dar a ti. Ninguém pode te salvar de ti, fora tu mesma. Segura as pontas, levanta a droga da cabeça e aprende a ter orgulho do que tu é. A vida é escrota, difícil, cansativa, só às vezes é recompensadora, não é preciso ser gênio pra descobrir essa merda: ao invés de lamentações, tu deveria te esforçar mais pra virar parte da minoria que consegue esquecer isso. O segredo é fazer justamente o contrário do que tu tá fazendo agora: tu precisa quase te bastar, precisa gostar do teu silêncio, precisa não ligar pra quem não importa, precisa aprender a passear por dentro de ti, não esperar que os outros te convidem pra sair! Tu tem o poder de saciar tuas vontades independente da vontade dos outros. E se a tua vontade for alguém que não te quer, substitui o alvo, o alvo pouco importa, é só um pretexto.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Querer coisas alcançáveis não é tão difícil, basta tu parar com essa mania estúpida de tratar pessoas como se elas fossem mais do que apenas pessoas. Ninguém, além de quem sempre esteve próximo, é importante de verdade. E tu, até onde sei, foi desde o início a pessoa que esteve mais perto de ti. Não entendo porque tu te lamenta sofrendo pela falta de gente que tu inventa ao invés de te conformar com as pessoas que tu já tem, as únicas que tu precisa realmente ter. Querer coisas que não estão à disposição é só uma forma cômoda de desviar o foco do problema pra uma causa que não pode ser combatida. É muito mais fácil culpar algo inexistente e renegar o real motivo da maioria dos teus problemas: tu mesma. Acorda, Alice. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-3572252350472297379?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/3572252350472297379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=3572252350472297379&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3572252350472297379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3572252350472297379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/10/pessoas-sao-so-pessoas-disqui.html' title='Pessoas são só pessoas, disqui.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-8855062219600843062</id><published>2011-10-08T06:51:00.001-03:00</published><updated>2011-10-08T06:51:03.844-03:00</updated><title type='text'>Insensatez.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A consciência concreta da inevitabilidade do fim torna todo o caminho mais extraordinário. Algumas pessoas acham que sabem que tudo-é-passageiro. No fundo, elas carregam uma esperança recatada que as faz acreditar, sem querer, que o final está longe demais pra ser alcançado. A tendência de tudo que começa é, invariavelmente, acabar. É importante ter noção da gravidade que é apostar alto em algo que, por natureza, não é feito pra durar. Nossos instintos não nos preparam pra autotraição a que eles nos guiam. Não pensar nessas questões, subentendidas pra alguns, é uma forma conveniente de desacredita-las.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Por isso, não te espanta quando acabar: é assim mesmo. Eu sou chato pra caralho, tento não deixar isso tão visível, só consigo esconder por um tempo. É irreversível, vamos nos tornar desinteressantes, repetitivos, óbvios. E nos olharemos sem esperar surpresas, entediados e resignados, adiando o inevitável, protelando dores. Eu vou sentir pena de nós dois e ficarei magoado por dois. Tu vai guardar, bem escondida, uma ponta de raiva por mim e eu vou ficar achando que não é raiva suficiente. Nossa paixão/amor/seja-lá-o-que-for vai virar chiclete mastigado que perdeu o sabor e isso jamais será engraçado como era pra ser.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Por outro lado, claro que há sempre a possibilidade de firmarmos um acordo tácito com cláusulas contratuais implícitas, válidas pra ambos, que nos proíbam de ficar conjecturando essas merdas sem ser julgados. Se tu concordar, nós fingimos cinicamente que somos ingênuos e que, sei lá, vai-ser-diferente-dessa-vez-porque-somos-únicos-e-tal. Nós inventamos verdades convincentes o bastante pra adiar por tempo indeterminado a hora em que elas se tornarão mentiras. Eu me esforço pra não repetir erros que não canso de cometer e tu me mostra como eu tô errado em relação a eles. Vamos ser convencionais, bregas, piegas, dramáticos, cristãos. Maturar juntos, ter uma penca de filhos, repartir problemas, envelhecer de mãos dadas, se querer sem desejo, ser como nossos avós e não acabar nunca, pra sempre. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-8855062219600843062?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/8855062219600843062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=8855062219600843062&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/8855062219600843062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/8855062219600843062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/10/insensatez.html' title='Insensatez.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-292989516634850566</id><published>2011-10-01T02:46:00.001-03:00</published><updated>2011-10-01T17:44:14.597-03:00</updated><title type='text'>Vitória.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Antônio olha para os pezinhos da filha iluminados pelo luar que entra tímido por uma fresta na janela. Vitória dorme docemente em seu bercinho rosa sonhando com cores, formas disformes e o peito de sua mãe. Seu pai, prestando atenção na pulsação de seu peito, é tomado por um medo imenso que mal lhe permite ordenar os pensamentos. O bebê respira tranquilo, mas Antônio não consegue deixar de pensar até que ponto isso é bom.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando sua esposa anunciou que estava grávida, Antônio não se conteve de felicidade e saiu berrando pelo apartamento. Agora, dez meses depois, ele admira o resultado daquela transa mais ou menos enquanto tenta afastar ideias incômodas que lhe tomam de súbito. Pensa em Vitória como um amontoado de células inexpressivas, um filhote sem propósito, um animalzinho sem utilidade. Um bichinho de estimação que sobreviverá de seu trabalho, que custará muito caro e será incapaz de reconhecer e valorizar seu esforço.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sua filha terá o que comer, frequentará excelentes escolas, fará aulas de piano, estudará em uma boa universidade e terá um emprego garantido em sua empresa. Mas Antônio acha que Vitória não merece nada disso. Ele pensa em outros bebês, frágeis e vulneráveis como o seu, morrendo de fome, crianças que já nascem condenadas a não ter um futuro. Pessoas que nascem como erros que ninguém quer assumir, mais propensas a se tornarem bandidos, estupradores, assassinos e filhos da puta desse gênero. Gente que é culpada por existir.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Antônio vê sua filha, mais velha, como uma menina mimada, prepotente e egoísta. Sente pavor de não conseguir fazê-la entender a gravidade que é estar vivo. Acha que não conseguirá ensiná-la a compreender como as coisas são, o que faz elas serem escrotas do jeito que são. Tem medo de ser um pai ausente, de não ter tempo de dar lições importantes à filha; de ser renegado quando ela for adolescente; de vê-la se tornar uma pessoa fútil e interesseira; de ter o desprazer de pagar uma festa de casamento milionária para ela se tornar esposa de um idiota qualquer que pedirá sua casa de praia emprestada e a trairá com putas de luxo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vitória acorda de repente, como se fosse desperta pelos pensamentos sombrios do pai. Não chora, não esperneia, não caga e nem mija, só fica quietinha enquanto varre o ambiente com seus grandes olhos. Antônio olha o corpinho da filha, os bracinhos se mexendo lentos, e sente que poderia desmembra-la usando apenas uma mão. Vitória o olha tão fixamente que se Antônio não fosse tão cético, poderia jurar que a menina o estava recriminando. Ele diz: “Sabe, Vitória, seria engraçado se eu te jogasse no lixo e uma família brega te adotasse e também te chamasse de Vitória”. Ela emite um pequeno gemido, faz um esboço de riso, um leve levantar de lábios, talvez tenha sido só um soluço. Antônio ri maravilhado com a possibilidade de a filha estar condenada a ser uma boa pessoa. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-292989516634850566?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/292989516634850566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=292989516634850566&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/292989516634850566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/292989516634850566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/10/vitoria.html' title='Vitória.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-8797632052722938183</id><published>2011-09-24T02:42:00.001-03:00</published><updated>2011-09-24T02:47:41.384-03:00</updated><title type='text'>Besta.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela ama de um jeito cínico. Dá como se não se importasse em receber e dispensa como se eu não fizesse falta. Talvez não faça mesmo e eu queria me convencer do contrário por conta de um otimismo infantil. Quem sabe só sirvo pra suprir carência, pra passar o tempo, pra afagar o ego e ouvir quando ela resolve falar. Sou uma peça substituível que cumpro minhas funções, quando solicitada, e mantém a vida dela nos eixos. Não me importo, gosto de não ser necessário, nem minha vaidade se incomoda. É bom não ser responsável pela felicidade de ninguém. Eu não quero ser importante por ser essencial, eu quero ter valor por ser alguém dispensável, mas que não se deve dispensar.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Às vezes ela me confessa seus medos e eu até vejo alguma fragilidade, um pedido de amparo. Eu sei que é ilusão. Ela sabe, assim como eu, que ninguém pode protegê-la do imprevisível. Mas eu gosto de abraça-la contra o peito e dizer vai-dá-tudo-certo assim mesmo. Ela entende que eu não sei se vai dá tudo certo, mas me aperta como se desse jeito demonstrasse que deposita fé nas minhas palavras. E eu me agarro a ela com a força de quem acha que pode mudar o mundo. Meu orgulho fica pequeno e a minha censura deixa passar um pensamento ridículo desses impossíveis, dramáticos, que vem em momentos oportunos que deveriam durar pra sempre (tipo assim).  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No entanto, ela sai dos meus braços, me olha com um sorriso sarcástico e me chama de besta. Eu sorrio de volta querendo manda-la tomar no cu. Ela me beija com desleixo e diz tchau. Eu, besta, fico admirando ela ir embora, sem saber quando vou revê-la. Ela não precisa muito de mim e, sabe, sinceramente eu também não careço tanto dela... Não sou triste longe dela, eu só não sou feliz direito, mas quem é? Não se pode correr atrás disso porque o que torna essas coisas especiais é o fato delas fazerem falta: são raras, por isso têm valor. A tendência é as coisas se equilibrarem, eu não posso me sentir como quando a vejo sorrir o tempo todo. Não fosse ela seria outra, a questão é que ela é inevitável.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-8797632052722938183?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/8797632052722938183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=8797632052722938183&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/8797632052722938183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/8797632052722938183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/09/besta.html' title='Besta.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-1999899005602683040</id><published>2011-09-17T04:31:00.001-03:00</published><updated>2011-09-25T11:55:35.489-03:00</updated><title type='text'>Pedantismos Baratos.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Minha arte é uma miscelânea de tudo e qualquer coisa resultando num nada pungente. Não faço arte para ser entendido: faço para que sintam, para que degustem, para que transcendam. Quem sorve da minha arte vive pequenas revoluções tão profundas que mal são intuídas. Compreensão e sentido são luxos supérfluos e meus apreciadores tem conhecimento de que são rejeitáveis. O essencial é ter sensibilidade para experimentar a veemência da obra e tornar-se parte dela, desconstrui-la e significa-la. Apenas aqueles cujas almas são quentes e lancinantes têm a competência de desfrutar do que proporciono.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;em&gt;&lt;font size="2"&gt;Técnica mais manjada que fingir doença para não ir à aula, o “artista” começa apelando ao uso de um paradoxo ridículo para conferir falsa profundidade ao que diz (tudo resultando em nada). A escolha de palavras vagas, sem um significado específico, também auxilia na árdua tarefa de acrescentar valor a algo pobre de natureza. A prepotência é tanta, que o autor afirma ser capaz de provocar “revoluções” internas e, para justificar a falta de provas que amparem isso, diz que elas são “profundas” demais para serem percebidas. Elas não existem, claro. &lt;/font&gt;&lt;/em&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="2"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A introdução termina de uma maneira deprimente quando ele, praticamente, manda a lógica à merda e fala desprezar o bom senso dos “apreciadores” que procuram entender suas “obras”. Para o “artista”, “arte” é proporcionar sensações inúteis, incapazes de conter qualquer conteúdo que contribua de maneira prática para agregar algo a quem a “aprecia”. “Sentir” sobrepõe o “entender”, processar o que se experimentou não é necessário. Até porque, se o espectador se desse ao trabalho, perceberia que o processo é inútil devido à miséria do material a ser processado. &lt;/font&gt;&lt;/em&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="2"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Por fim, “a diva” invalida críticas negativas alegando falta de sensibilidade por parte daqueles sensatos o suficiente para não se deixarem levar por um dramalhão injustificável, sem pé nem cabeça, protagonizado por personagens medíocres e desinteressantes. &lt;/font&gt;&lt;/em&gt; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Crio para me libertar de mim mesmo, para quebrar os grilhões da minha consciência. Não necessito justificar o que faço, pois o que faço se autojustifica. Minhas obras servem como um trampolim para que os corajosos se atirem no cerne da existência. No grande nada a que nos resumimos nós e todas as coisas. Pois do nada viemos e para o nada vamos. Entre um nada e outro só há o vazio que ignoramos no meio. Faço convites para que me acompanhem ao imo da solidão, ao âmago onde ficam enclausurados os labirintos que desconhecemos. Não os mostro a saída: eu os mostro o caminho. Eu os amarro com o fio de Ariadne e os convido a desfazer os nós.  &lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;font size="2"&gt;A arte como instrumento de libertação, de autoconhecimento, de busca, de oposição à ausência de sentido da vida... Um blá blá blá desnecessário para ganhar a empatia de outros “artistas” como ele. O magnânimo inicia uma reflexão existencialista frágil e superficial utilizando um niilismo clichê para parecer sábio e erudito, um discurso que não é nada além de muito afetado.&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="2"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Enfim, o senhor insiste em reafirmar que despreza a coerência e a objetividade em nome de uma “causa maior”. A tática é confundir o espectador a ponto de deixa-lo tonto demais para perceber a ruindade daquilo que admira. Uma obra certamente destinada a pessoas sentimentais em demasia que são incapazes de avaliar os seus sentires e os aceitam passivamente. &lt;/font&gt;&lt;/em&gt; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Meu último trabalho é sobre agonia. Não uma agonia simples: uma agonia visceral. A luta tenebrosa do reencontro com si mesmo e a percepção de que, depois de algum tempo afastados, podemos já não mais nos reconhecer. Amanda é uma empresária bem sucedida que vê seu mundo cair após a falência de sua empresa, graças a um golpe dado pelo próprio marido. A partir daí, Amanda faz uma viagem de autodescoberta relembrando as escolhas que a levaram até aquele momento fatídico. Então ela decide resgatar um sonho antigo: ser escritora. Mas Amanda não consegue mais escrever como quando era jovem. A trama gira em torno da inaptidão de Amanda, sua frustração, seu mal estar, seu desespero. Copos atirados na parede, porres homéricos, a busca da inspiração em prazeres superficiais, a tentativa de encontrar-se no outro e a redenção. Um trabalho que me doeu realizar e que mesmo depois de feito continua me doendo. Espero que mais gente sinta ao menos metade do que senti ou continuo sentido.  &lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;font size="2"&gt;O filme é sobre uma mulher ingênua e tonta o suficiente para perceber que se casou com um mau caráter apenas quando ele lhe arruína a vida. Quando a mesma se viu desempregada, ao invés de procurar um novo emprego, como qualquer pessoa sã faria, ela resolveu virar uma escritora que não escreve. Imersa numa provável crise de meia-idade, a personagem decide reviver a adolescência protagonizando cenas de imaturidade e desequilíbrio emocional que, provavelmente, causarão vergonha alheia nos espectadores mais sóbrios. &lt;/font&gt;&lt;/em&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="2"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O autor praticamente assume que tem os mesmos conflitos da mulher ao afirmar que lhe doeu roteirizar e dirigir, provavelmente pela identificação com a tal Amanda. Mais um motivo para deduzir que se trata de um farsante, um homem que apela para coisas dramáticas e mesquinhas para camuflar a falta de profundidade de suas obras, se aproveitando da sensibilidade de espectadores passionais: emocionados, não conseguem perceber a superficialidade do filme, deduzem que sua parcial incompreensão é resultado de um sentido superior que lhes escapa. Na verdade, tal sentido é tão real quanto o “talento” do diretor. &lt;/font&gt;&lt;/em&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="2"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em suma, o autor, como seu alter ego, é um artista incapaz de produzir algo realmente proveitoso que, no fundo, tendo consciência disso sente-se frustrado e “dolorido”. Seria menos triste se ele assumisse que fez um filme de comédia cujo único objetivo era entreter, fazer o espectador relaxar, espairecer, divertir-se e nada mais. Infelizmente, seria uma comédia terrível, mas, por ser honesta, seria perdoável. &lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-1999899005602683040?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/1999899005602683040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=1999899005602683040&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1999899005602683040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1999899005602683040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/09/pedantismos-baratos_17.html' title='Pedantismos Baratos.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-2534231225606007469</id><published>2011-09-10T07:56:00.001-03:00</published><updated>2011-09-10T07:59:04.207-03:00</updated><title type='text'>Recalque.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Escrevo consciente da inutilidade do que faço. Porque ode nenhuma que eu possa brandar chegaria perto de fazer jus ao teu encanto. Ainda que embalado por fantasmas de imortais trovadores ultrarromânticos, mesmo que escrevesse em desatinos febris após tempos te contemplando, que passasse eternidades dentro de eternidades te cobiçando com urgência e falta de pudor, por mais que o próprio Divino Espírito Santo usurpasse meu copo, conduzisse minhas mãos, aclarasse meus pensamentos e um rio bravo de palavras lindas, cálidas, penetrantes, inquestionáveis se derramasse por ti e encantasse qualquer um disposto a vê-lo correr, ainda assim, tudo seria vão.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu poderia ir ao fim do mundo e ordenar a Zéfiro que soprasse jasmins, lavandas, gardênias, lírios, gerânios, e que as flores mais especiais expirassem e soprassem por ti ventos de mil fragrâncias hermeticamente combinadas em perfumes que, de tão maravilhosos, até Deus não hesitaria em fechar os olhos para senti-los melhor. E faria isso todos os dias, só para que sorrisses, tranquila, sentindo uma brisa leve, logo cedinho depois de tu pôr os pés para fora de casa, assim cada um dos teus dias começaria com a promessa de algo bom. Pois um ser tão belo como tu não merece experimentar a feiura dos sentimentos execráveis que contaminam a podridão humana. És semideusa, estátua de mármore, ninfa, mistério da natureza.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em noite profunda, sei que fadas, anjos, elementais, espíritos de luz, se esgueiram para dentro do teu quarto e ficam mudos admirando tua beleza repousar. Pois não há, nem entre as coisas viventes, nem entre as inexistentes, tão pouco entre as que ocupam o limbo entre a verdade e a mentira, criatura tão maravilhosa quanto tu. E é por isso que eles vêm te ver, vêm te adorar, vêm sorrir para ti, porque tu és tão admirável que estás acima do limiar que ocupamos: esta terra sem graça que separa o que desconhecemos do que achamos conhecer. Tua beleza vai além da capacidade humana de percebê-la tamanha sua plenitude. Tu carregas o brilho de mil estrelas, uma força inexplicável e intraduzível, um sopro divino impossível de ser teorizado porque tu és a obra prima do Criador e Ele sabe disso.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Assim, tomado por lirismos constrangedores, admirando tua face milimetricamente modelada e remoendo fantasias tolas, abro mão da racionalidade e escolho voluntariamente me entregar ao teu engodo. Porque sei que tu és uma quimera superficial, tonta, egoísta, metida, presunçosa, mentirosa, lesa, sem conteúdo, egocêntrica, manipuladora, orgulhosa, aproveitadora, mesquinha, intragável, efusiva, invejosa, desequilibrada, inconsequente, mal educada, espírito de porco, melindrosa, hipócrita, preconceituosa, arrogante e pau no cu. Tenho quase certeza de que só nasceste porque Deus quis se masturbar homenageando a perfeição que Ele é capaz de criar. Deus é vaidoso e foi por isso que na ânsia de enfeitar o jarro, se esqueceu de preenchê-lo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="1"&gt;Gente, obrigado por lerem essas bobagens. O texto do próximo sábado vai ser melhorzinho… Ou não. Inté. :)&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-2534231225606007469?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/2534231225606007469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=2534231225606007469&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2534231225606007469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2534231225606007469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/09/recalque.html' title='Recalque.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-2996814813823181258</id><published>2011-09-03T08:21:00.001-03:00</published><updated>2011-09-03T08:21:47.202-03:00</updated><title type='text'>Fabiana.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vitor decidiu que iria se apaixonar por Fabiana. Ele achou que sua vida ficaria mais divertida se estivesse apaixonado por alguém. Não que sua vida fosse monótona: era uma vida normal, com uma rotina cansativa e distrações bobas que o mantinham são. Mas fazia algum tempo que Vitor se sentia apático, então imaginou que ter alguém em quem pensar antes de dormir e por quem ansiar deixaria as coisas mais interessantes. Escolheu Fabiana por três razões: ela era bonita, legal e tinha bom gosto. Necessariamente nessa ordem. Ele sabia que, além da própria Fabiana, milhares de outras mulheres se encaixavam nesse perfil. A questão é que ela já estava ali, enfiada no seu dia-a-dia, trabalhavam no mesmo lugar, seria mais prático e fácil. Além do mais, Regina já tinha namorado, Duda o achava insuportável, Mônica era antissocial demais e Jaque havia lhe dado um fora especialmente inesquecível. A paixão precisava ser consumada. Talvez o fator ‘falta de opção’ tenha influenciado um pouco na sua escolha. Porém, para Vitor, não importava se era A, B, C, D ou E, já que os sintomas da paixão são mais ou menos universais e, independente da fonte, os efeitos seriam parecidos.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Depois de quatro meses, Vitor decidiu abortar seu projeto, mas aí já era tarde demais. Ele havia passado aquelas semanas reparando nas sutilezas de Fabiana: a forma como ela mexia nos cabelos, o formato de seus lábios ao sorrir, o jeito como mudava a entonação ao falar no telefone, o carinho com que admirava suas unhas recém-pintadas, a mania que ela tinha de respirar fundo fechando os olhos e levando a mão à testa quando ficava estressada... Vitor passou a enxergar beleza nos detalhes mais banais de sua pretendente. Antes de dormir, ficava olhando as fotos de Fabiana no Facebook. Tentava programar o inconsciente pra lhe pôr com ela numa casinha com lareira perdida no sopé de uma montanha, ou coisa parecida. Vitor estava convencido de que se apaixonar era apenas uma questão de condicionamento e concentração. Algo como prestar atenção no que é bom e tentar ignorar o resto. Ele só foi ter consciência da gravidade do que tinha feito quando tentou desfazer. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Naqueles quatro meses, Vitor se aproximou de Fabiana, se tornaram bons amigos. Ele não queria ficar com ela antes de sua paixão maturar a ponto de ficar inconfessável, achava que assim seria mais bacana. Vitor era meio frouxo e muito burro. Fabiana era realmente uma moça muito legal e simpática. E mais linda do que ele havia reparado meses antes. A beleza dela cresceu proporcionalmente ao tempo que passaram juntos. Como nada havia acontecido entre os dois e só havia uma boa relação de amizade, Vitor não teve muitas oportunidades de se decepcionar. As circunstâncias e o tempo em que caberiam as frustrações só existia na cabeça dele. Ele preenchia esse tempo com fantasias doces encenadas em lugares bucólicos, como a superfície lunar, por exemplo. A situação era tão ridícula que se tornava um pouquinho deprimente: ele lá, tendo fantasias típicas de garotas recém-saídas da menarca, enquanto ela, sem suspeitar de nada, era incapaz de olhar o amigo com outros olhos. Aliás, Fabiana era tão incapaz de olhar o amigo com outros olhos que não quis mais ter o amigo quando ele se declarou tal qual um menino de quarta série.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Foi um desastre. Vitor convidou Fabiana pra uma falsa festinha em sua casa e contou todo seu plano. Disse a ela que depois do primeiro mês as coisas saíram de controle e, mesmo se quisesse voltar atrás, já não poderia. Falou que queria ter dito antes, mas estava esperando o “momento certo”. Detalhe é que o “momento certo” nunca existiu, mas Vitor tinha fé nele. Sua esperança ingênua foi o suficiente pra fazê-lo aguardar por uma situação que, além dele mesmo ter forçado, poderia ter criado muito antes. Não que o resultado fosse diferente, mas seria menos idiota. Fabiana o desprezou com classe e delicadeza, explicou que não conseguia vê-lo de outra forma e que era melhor se afastarem por um tempo. Vitor ficou arrasado. Ele ficou repetindo pra si que igual a ela havia várias, que tudo aquilo era produto de sua carência, que Fabiana nem era tão bonita assim, que não havia nada de realmente especial nela e que seus dentes eram meio tortos e aquilo era horrível. Eram mantras que ele repassava enquanto se debulhava em lágrimas. Ir ao trabalho passou a ser uma tortura. Entrar na internet era martírio. Ver Fabiana lhe arrancava suspiros de agonia. Vitor, então, descobriu que com paixão não se brinca e que ele era fraco e muito dramático. Ao menos substituiu a apatia por sofrimento. Pouparia tempo se tivesse ido num desses respeitáveis clubes sadomasoquistas: lugares onde não devem cobrar muito pra desfrutar do prazer de sentir uma mulher enfiando o salto agulha no seu peito.    &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-2996814813823181258?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/2996814813823181258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=2996814813823181258&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2996814813823181258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2996814813823181258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/09/fabiana.html' title='Fabiana.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-1814709310972465583</id><published>2011-08-27T05:50:00.001-03:00</published><updated>2011-08-27T05:50:03.172-03:00</updated><title type='text'>Domingo de manhã.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No domingo de manhã minhas pálpebras pesavam mil quilos. E eu rolei na cama procurando fiapos de sono, fazendo força pra me desligar. Fiquei imaginando lugares em que nunca estive, pessoas que eu não conheci, histórias que eu não protagonizei... Mas eu já havia gastado toda vontade de dormir e sobrava aquele mal estar de quem quer ficar inconsciente e não pode. Bater com a cabeça na parede até desmaiar não era uma opção. Me enfiei debaixo dos cobertores e desejei sumir. O domingo prometia ser igual ao sábado e, apesar de não gostar da ideia, não tinha motivação nenhuma pra fazer qualquer coisa diferente. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Às vezes, por mais que eu saiba que não é assim, a vida parece inviável. Eu via aquele dia se estender como uma sucessão de horas que eu precisava preencher e não sabia como. Não que eu não tivesse coisas a fazer, pelo contrário: o que eu não tinha era a menor vontade de fazê-las. Porque tive a impressão de que tudo que envolvesse sair debaixo dos lençóis resultaria só em esforços sem compensação. Tentei me livrar do desinteresse que sentia por tudo e qualquer coisa, no entanto, pra cada pensamento positivo que me ocorria outro negativo o anulava. Era como uma areia movediça que me afundava mais à medida que tentava sair da lama. A sujeira era só minha e me doía assumir a responsabilidade dela.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A pouca luz que entrava resumia os objetos do quarto a vultos e eu me distraia inventando detalhes pra eles. Pintava o violão de outra cor, dava novos títulos aos livros, batizava com outros nomes os DVDs, colocava outras pessoas nos porta-retratos. Não era melancolia o que eu sentia, era pior: sentia ausência. Quando sentimos falta, sabemos que precisamos de algo pra nos suprir. Mas se temos dentro uma ausência, só nos resta preencher o vazio com a consciência que temos dele. Mas aí um lampejo de esperança me veio numa memória que eu parecia ignorar até então. Lembrei da existência deles e meu coração se encheu de graça. Porque, de repente, eu percebi que podia me salvar de mim mesmo. Deixei de frescura, fui à despensa, peguei o embrulho. Passei a manhã comendo chocolate e vendo Bob Esponja. Depois de eu me achar idiota, a vida me pareceu boa pra caralho. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-1814709310972465583?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/1814709310972465583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=1814709310972465583&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1814709310972465583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1814709310972465583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/08/domingo-de-manha.html' title='Domingo de manhã.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-6419421747720830752</id><published>2011-08-20T00:11:00.001-03:00</published><updated>2011-08-20T08:58:42.918-03:00</updated><title type='text'>Relógio de pulso hipnotizador.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando Vinícius me contou que estava amando Cristina eu gargalhei da cara dele. Ele ficou me olhando puto e acho que, se eu não tivesse parado a tempo, teria levado um murro na cara. Foi uma reação muito natural e incontrolável, sabia que ele estava falando sério, mas não pude evitar. Não ri pra avacalhar nem em desrespeito ao que ele dizia sentir: eu ri porque achei aquilo absurdo demais. Tão incoerente que eu não consegui acreditar. Os defensores do amor romântico podem argumentar dizendo que o amor é incompreensível, que nasce mesmo nas situações mais improváveis e que eu não deveria ser tão cético. Mas eu digo que amores são coisas pessoais demais e pra cada um deles há razões que os sustentam. Eu conheço o Vinícius melhor que ele mesmo e conheci Cristina o suficiente pra saber que não tinha nada ali. Conversei com ela duas ou três vezes, não sei ao certo, só sei que depois da primeira as outras foram por obrigação pessoal.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Apesar de bem bonita e de ser muito agradável olhá-la, Cristina era totalmente idiota. A idiotice dela era tão grande que nem pra ser engraçada servia. Ela era mais tapada que uma caixinha de café embalada a vácuo. E chata. Nós não conseguimos conversar sobre nada porque o único assunto que a interessava e que, aparentemente, ela dominava era ela mesma! Falava de suas viagens, falava de seus projetos, de suas amigas e falava com o entusiasmo de quem acredita que todos os ouvintes estavam realmente interessados em ouvir o que ela tinha a dizer. O pior é quando ela resolvia contar piadas que provocavam tristeza de tão ruins e nos obrigavam a nos olhar totalmente desconcertados e sem saber o que fazer. Até Vinícius se sentia constrangido. Se nós vimos Cristina de novo, foi só porque ele achou errado os amigos não terem contato com a namorada. Errado era ter uma namorada daquelas.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eles se conheceram numa noite infeliz em que decidimos ir a uma boate pra ver como é. Na verdade, quem decidiu foi o Diego, nós fomos porque não conseguimos fazê-lo mudar de ideia. Ficamos vinte minutos lá dentro e mais uns trinta segundos Vinícius estaria salvo. Íamos saindo quando Cristina se aproximou e falou qualquer coisa no ouvido dele que o fez querer ficar lá. No outro dia Vinícius apareceu dizendo que tinha achado a mulher de sua vida. Falou brincando, mas eu imediatamente soube que ia dar merda. Começaram a namorar uma semana depois daquele dia e aguentaram mais três meses. O problema é que Vinícius não era mais o Vinícius. Ele se tornou um cara inseguro, vivia em função dos ciúmes idiotas de Cristina, fazia todas as suas vontades, quase parou de falar conosco, começou a nos evitar e passou a gastar todo o tempo livre com ela e seus amigos.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um dia resolvemos dar uma prensa em Vinícius, fomos eu, Diego e Marcelo até sua casa sem avisá-lo. Ele estava péssimo e realmente precisava desabafar. Contou que não conseguia parar de pensar em Cristina: que sentia necessidade dela em todos os momentos do seu dia; que não aguentava ficar longe; que sentia o seu cheiro por todos os cantos; que aguardava com uma ansiedade incontrolável o dia nascer pra revê-la; que tinha insônias terríveis por causa disso; que tinha vontade de morrer em seus braços; que começou a escrever poesias; que queria ter cinco filhos com ela e mais um monte de coisas horríveis desse nível que não lembro agora, mas que reforçaram a ânsia de vômito que senti. Foi aí que ele disse que a amava e que eu ri. Marcelo me olhou feio e eu imediatamente fechei a boca. Ficamos uns dez segundos calados, sem saber o que dizer, e o Vinícius com cara de criança chorona esperando algo. Então Diego lavou nossas almas quando traduziu em uma pergunta simples tudo que queríamos saber:  &lt;p align="justify"&gt;_ Por quê?  &lt;p align="justify"&gt;_ Por quê o quê? Perguntou Vinícius.  &lt;p align="justify"&gt;_ Por que tu ama ela?  &lt;p align="justify"&gt;_ É! Por que tu ama ela? Perguntamos eu e Marcelo quase ao mesmo tempo.  &lt;p align="justify"&gt;_ Eu já disse! Eu não consigo ficar longe dela, eu penso nela o tempo todo, fico ansioso quando...  &lt;p align="justify"&gt;_ Não! Interrompeu Diego. O que a gente quer saber é por que tu não consegue ficar longe dela, por que tu não para de pensar nela, por que tu fica ansioso etc.  &lt;p align="justify"&gt;_ A gente quer saber o porquê de tu amar ela. Explicou Marcelo.  &lt;p align="justify"&gt;_ Eu sei lá! Eu simplesmente amo, ora! Falou Vinícius.  &lt;p align="justify"&gt;_ Negativo! Ninguém “simplesmente ama”. Disse Diego.  &lt;p align="justify"&gt;_ Sim! O que tu admira nela, por exemplo? Perguntei pra ajuda-lo, mas também porque estava realmente curioso pra saber se aquela mulher tinha alguma qualidade.  &lt;p align="justify"&gt;_ Bom... Eu admiro... o... o... sorriso dela... o... a determinação dela... e... e... e... sabe, ela é uma mulher muito forte. Vinícius respondeu hesitante, gaguejando, fazendo um esforço sincero pra lembrar o que gostava nela. E não foi nem um pouco sincero.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ficamos olhando pra ele penalizados. Nós três sabíamos o que dizer. No fundo, Vinícius também sabia, só preferia ignorar aquilo na esperança de ser um cara mais “nobre”. Como se renegar sua natureza fosse sinal de moralidade e não de desonestidade. Se ele não fosse tão covarde e encarasse aquele negócio com a importância que merecia, não teria ficado tão mal. Não estou dizendo que era algo irrelevante: se fosse, não teria deixado Vinícius daquele jeito. Além do mais, por trás de muitas coisas há essa vontade franca e inegável que muitos preferem simplesmente ignorar. O que eu quero dizer é que ele estava interpretando tudo errado e confundindo as coisas, acho que foi isso que o levou a virar um idiota. Acredito que quando nós reconhecemos os motivos que nos levam ao sofrimento, ele se torna compreensível e pode ser superado. Psicólogos ganham dinheiro assim, parece. Enfim, depois de um tempo o silêncio ficou insustentável. Como nem um dos dois parecia nada confortável pra dizer o que precisava ser dito e eu já estava ficando impaciente, respirei fundo e disse:  &lt;p align="justify"&gt;_ Vinícius, tu só quer comer ela loucamente. Sei que não foi uma boa maneira de colocar as cartas na mesa, mas pra mim aquilo era óbvio demais e fiquei chateado porque meu amigo nunca teve surtos de estupidez antes. Acho que era a convivência.  &lt;p align="justify"&gt;_ O quê!? Porra! Claro que não! Ele negou, como eu esperava.  &lt;p align="justify"&gt;_ Sério, Vinícius, a gente perguntou o que tu admira nela e tu mal conseguiu falar três coisas! Falei indignado.  &lt;p align="justify"&gt;_ Tu nem mencionou coisas como caráter, inteligência, senso de humor, bom gosto, compreensão, honestidade, companheirismo, sensibilidade... Completou Marcelo, mais paciente que eu.  &lt;p align="justify"&gt;_ Ela é carinhosa... Choramingou Vinícius.  &lt;p align="justify"&gt;_ Pelo amor de deus, até um cachorro é carinhoso contigo se tu der comida pra ele! Me arrependo agora de ter dito isso dessa forma.  &lt;p align="justify"&gt;_ Vinícius, fala de novo pra gente o quê tu mais gosta na Cristina, mas dessa vez vale atributos físicos. Diego insistiu pra que ele assumisse e eu achando aquilo tudo besta, besta, besta.  &lt;p align="justify"&gt;_ Tá bom... Eu acho ela linda e o sexo com ela é maravilhoso. Satisfeitos? Ele contou isso bem mais aliviado e eu entendi que tudo ia fica bem.  &lt;p align="justify"&gt;_ As três qualidades de Cristina: cara, peito e bunda. Falei sorrindo pra quebrar aquele clima de velório desnecessário e fiquei satisfeito quando todos riram.  &lt;p align="justify"&gt;_ Porra, cara, como é que tu vai te apaixonar por uma mulher daquelas? Perguntou Marcelo sorrindo.  &lt;p align="justify"&gt;_ Ah, só transando com ela pra saber! Respondeu Vinícius com um sorriso largo.  &lt;p align="justify"&gt;_ Ela fica calada depois pelo menos? Perguntei de novo mais interessado em saber como ele a aguentava por tantas horas consecutivas do que pra realmente confortá-lo.  &lt;p align="justify"&gt;_ Ela fica sim! Eu nem presto muita atenção no que ela fala, pra falar a verdade, a beleza dela me hipnotiza. Ele já estava muito melhor e isso deixou todos à vontade.  &lt;p align="justify"&gt;_ Nem se ela soubesse balançar um relógio de pulso hipnotizador com o mamilo!  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O Marcelo filosofou rindo e deixou todos nós chocados com aquilo. Olhamos pra ele o reeprendendo pelo mal gosto e pela falta de bom senso. E eu já ia começar um discurso sobre isso quando não nos aguentamos mais e começamos a gargalhar satisfeitos acrescentando detalhes à cena, felizes por aquele negócio tosco ter se resolvido sem a necessidade de castração. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-6419421747720830752?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/6419421747720830752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=6419421747720830752&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6419421747720830752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6419421747720830752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/08/relogio-de-pulso-hipnotizador.html' title='Relógio de pulso hipnotizador.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-8008300544550889909</id><published>2011-08-13T07:23:00.001-03:00</published><updated>2011-08-13T10:45:00.015-03:00</updated><title type='text'>As Três Fases da Tua Vida.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há três fases na vida... Mentira, eu sei que essa é uma maneira estúpida de começar, eu espero que lá pelo meio melhore um pouquinho. A verdade é que eu não quero que isso fique muito pessoal, o que me obriga a ser idiota e generalizar desse jeito. Vou usar a segunda pessoa porque vai me deixar mais confortável e, talvez, até ajude a criar alguma empatia. Como ia dizendo, é claro que viver é uma experiência subjetiva demais pra eu dividir em etapas e explicar cada uma delas de maneira isolada, como se não se cruzassem tipo, sei lá, partes da resolução de um problema de física. Também é imbecilidade acreditar que as experiências pelas quais passaram cada um que está lendo isso agora os levaram às mesmas conclusões. Assim como é inútil tirar conclusões absolutas a respeito da vida já que elas só servem pra nós mesmo e, enquanto vivemos, precisamos estar acessíveis a mudanças. O que penso agora pode não me servir muito depois. Ou seja, eu posso estar escrevendo um texto gigante que, provavelmente, vou achar muitíssimo idiota daqui a pouco.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A visão que temos de nós mesmos, que necessariamente afeta a maneira como enxergamos o mundo e lidamos com as coisas, muda conforme o tempo. Em maior ou menor grau de intensidade, não seremos mais os menos daqui a alguns anos. Claro que a partir de um determinado momento tais mudanças tendem a diminuir, a ficarem sutis demais pra que as percebamos: felizmente, ganhamos certa estabilidade. É inviável viver em crise. O que não significa que eu esteja plenamente de acordo com o que vou dizer quando chegar à etapa três e concluir este texto. Tenho só vinte anos e qualquer coisa que eu diga sobre a existência ou a respeito do porquê disso ou daquilo vai sempre parecer precipitado, pra não dizer prepotente e babaca. Enfim, agora que já reconheci minhas limitações e justifiquei metade das baboseiras que vou escrever, posso explicar a vida sem muita culpa.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há três fases na vida. Na primeira tu quase não tens consciência da gravidade que é estar vivo. A menos que tenhas experimentado a morte de alguém próximo na infância, a vida não passa de uma sucessão de dias mais ou menos iguais. Tu não percebes o quão entediante eles são porque ocupas teu tempo livre com brincadeiras que, apesar de simples e bobas, te satisfazem. As relações sociais são ingênuas e as pessoas, sem que te dê conta, se parecem bem mais do que realmente são. Dizer só a verdade, na maior parte das vezes, parece o único caminho viável e tu não sabes direito como podes usá-la pra ferir as pessoas. Neste primeiro momento, as fantasias e invenções não terminam em decepções porque as expectativas que crias não dependem muito dos outros pra serem satisfeitas. Quando são frustradas, é muito fácil trocar por outras novas. O mundo é um lugar muito pequeno e a felicidade está ali, mas é ignorada. E talvez só esteja ali por isso.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A segunda fase é a da desilusão. O conhecimento que colocam na tua cabeça com o passar dos anos desperta em ti uma curiosidade insaciável. Tu buscas, de forma masoquista, cada vez mais tentar compreender o que acontece e isso acaba mudando tua visão de mundo. Tu notas que há coisas muito erradas por aí e, de repente, tudo parece fora do lugar. Percebes que as pessoas, apesar de diferentes, têm em comum o dom de se contradizerem e um egocentrismo irritante. Começas a sentir um tédio inexplicável e um desinteresse patológico toma conta do teu espírito cansado de fazer quase nada. A existência adquire uma carga absurda e tu sentes o mundo pesar sobre os ombros: mal podes seguir em frente por causa das pernas hesitantes e da ligeira dor de cabeça que tens quase o tempo todo. O que te salva são fiapos de esperança que tu usas pra romantizar boas expectativas em situações cujas chances de acabarem bem são ridículas. E tu sofres voluntariamente com o que inventaste como se isso não fosse óbvio. Tu te sentes vítima de um lugar desregulado e te enoja ter dentro de ti a natureza humana responsável por tantas coisas revoltantes. A vida parece um martírio e tudo que há a se fazer é tentar se distrair pra esquecer isso.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Enfim, a terceira e última fase eu chamo carinhosamente de “foda-se”. Tu finalmente começas a perceber o quanto é estúpido te deixar abater por problemas minúsculos comparados aos que têm bilhões de outras pessoas menos egoístas que tu. Tomas consciência do atraso de vida que era dramatizar tudo que te acontecia e ganhas certa serenidade e paciência pra lidar com as coisas. Aprendes a ser menos radical e intolerante com quem teve a sorte de não chegar ao teu grau de prepotência. Abres o peito pra encarar o que vier: te entregas consciente, sofres sem culpa, levanta, segue em frente um bocadinho melhor do que era. Ao invés de desprezar, passas a valorizar as pessoas que gostam de ti: a prestar atenção nos seus detalhes, ouvir o que têm a dizer, a lidar sem arrogância com seus defeitos. Tu escolhes acreditar nas coisas boas de novo e, tal qual na primeira fase, não perdes tempo sufocando com as ruins. Aceitas, enfim, que é inviável se estressar com o que está muito além da tua desprezível vontade: só o que resta é fazer tua parte e torcer pra que o resto se encaminhe. Tu juntas uns bons amigos, aproveitas como pode o que a vida tem a oferecer, investes no que sabes fazer e no que te dá orgulho e vai seguindo. Então tu percebes que viver nem é tão complicado assim. Passas a encarar a existência como algo absurdo demais pra ser levado tão a sério e adquires um fantástico cinismo que, além de sadio, é muito, muito divertido. Aí teu senso de humor não te deixa mais te enfiar nela, e tudo que fazes é rir da cara da merda. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-8008300544550889909?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/8008300544550889909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=8008300544550889909&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/8008300544550889909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/8008300544550889909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/08/as-tres-fases-da-tua-vida.html' title='As Três Fases da Tua Vida.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-3240342225214251493</id><published>2011-08-06T03:25:00.001-03:00</published><updated>2011-08-06T03:40:44.830-03:00</updated><title type='text'>Esse sábado eu resolvi fazer um post diferente…</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;div style="padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; width: 501px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:1b84ff34-7685-4f96-b045-56121ff5210d" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="9358cd19-08d9-452a-affc-a12f6276cbdf" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=lGe0OELteDs" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh5.ggpht.com/-Vu8l6fZ1ztA/Tjzh6zolPcI/AAAAAAAAAdM/MpJOc1JkN8s/video2f0d2f2f57b3%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('9358cd19-08d9-452a-affc-a12f6276cbdf'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;501\&amp;quot; height=\&amp;quot;419\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/lGe0OELteDs&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/lGe0OELteDs&amp;amp;hl=en\&amp;quot; type=\&amp;quot;application/x-shockwave-flash\&amp;quot; width=\&amp;quot;501\&amp;quot; height=\&amp;quot;419\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/embed&amp;gt;&amp;lt;\/object&amp;gt;&amp;lt;\/div&amp;gt;&amp;quot;;" alt=""&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Juro que essa historinha aconteceu de verdade. Aliás, aconteceram algumas muitas coisas essa semana, mas eu não quero falar disso agora. &lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Grato aos que ouvem. Até semana que vem. :)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-3240342225214251493?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/3240342225214251493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=3240342225214251493&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3240342225214251493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3240342225214251493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/08/esse-sabado-eu-resolvi-fazer-um-post.html' title='Esse sábado eu resolvi fazer um post diferente…'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/-Vu8l6fZ1ztA/Tjzh6zolPcI/AAAAAAAAAdM/MpJOc1JkN8s/s72-c/video2f0d2f2f57b3%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-854370689565690686</id><published>2011-07-30T03:02:00.001-03:00</published><updated>2011-07-30T04:10:02.821-03:00</updated><title type='text'>Luiz e Jorge.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É ilógico e não tem coerência nenhuma se viciar numa mulher não existe, mas seria mais difícil se fosse um homem, e isso lhe consolava. Luiz, mesmo antes de conhecer Clara, já havia se apaixonado pelo seu nome. Clara era apenas um nome quando Mari, amiga de ambos, começou a falar dela. Encheu a cabeça oca de Luiz com fantasias lindas: lhe falou como eles pareciam ter sido feitos um pra o outro, disse que tinham até as mesmas personalidades e manias, os mesmos gostos estranhos, as mesmas teorias... Mari endeusou Clara. Luiz, como quem não quer nada (querendo muita coisa), descobriu o perfil dela no Facebook através da sua amiga. Ele ficou embasbacado: além de linda, Clara parecia realmente ter muitas coisas em comum com ele. Pra uma pessoa como Luiz, se algo que pode vir a ser “bom” parece “ótimo”, é o suficiente pra colocar fé naquilo e ignorar coisas óbvias do tipo: estar sendo extremamente preconceituoso e se iludindo demais, sem nem ao menos ter motivos razoáveis pra isso. Estar carente, vulnerável, suscetível, beirando o desespero, só justifica metade da babaquice.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mari, que também já havia falado de Luiz pra Clara, combinou o encontro dos dois numa festinha em sua casa. Isso foi uns oito dias antes dele acessar o perfil dela, coisa que ficou fazendo durante toda aquela semana. Conversou muito com Mari sobre Clara. Ficou sabendo que ela estava meio pra baixo por ter acabado o namoro recentemente e que gostava de literatura clássica. Saber que ela estava emocionalmente abalada e ter um gancho pra uma conversa que ela não poderia ter com qualquer um: Luiz achou que era tudo que precisava saber. Só o que Luiz não sabia era o quão idiota estava sendo. Passou aqueles dias sem conseguir dormir direito, babando na tela do computador pelas fotos de Clara e pesquisando no Google sobre os livros que ela havia lido. Ele tentava encontrar detalhes subliminares da personalidade de Clara através do que ela havia deixado público. Mas, claro, as interpretações dele eram escrotas, superficiais e só serviam pra ver o que queria enxergar. Luiz criou tantas expectativas em cima de Clara que se ela correspondesse à metade delas, já seria uma coincidência muito bizarra. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Depois que foram apresentados, misteriosamente, cada um foi pra um canto. Luiz, deslocado, admirando Clara como se estivesse vendo a materialização de deus. Ela com um copo de vodka na mão, visivelmente entediada, sentada no sofá enquanto as outras pessoas se esbarram dançando na sala. Mari chamou atenção de Luiz e o impressionou a fazer alguma coisa. Ele, suando frio e tirando forças de suas entranhas, foi até Clara e pediu um cigarro. Ela lhe deu e ficou olhando pra cara dele esperando alguma coisa. Mas Luiz pegou rápido o Marlboro e foi até à varanda com as pernas tremendo. Depois de meia hora, cansada de esperar e já muitíssimo desinteressada, Clara cedeu ao Jorge e acabou ficando com ele. Mari não acreditou quando viu os dois se pegando bem ao lado de Luiz. Ele lá, olhando as estrelas, com um cigarro apagado nas mãos e lágrimas nos olhos. Não demorou muito e Clara foi embora com Jorge sem nem ao menos se despedir. Mari chamou Luiz de canto e perguntou o que havia acontecido e ele, sem saber direito o que havia acontecido, respondeu: “Ela é demais pra mim”. Passou uma semana se lamentando por alguém que só existia na imaginação dele. Não queria falar com a Mari sobre Clara e decidiu esquecê-la. Mas ele não aguentou muitos dias e acessou mais uma vez seu perfil no Facebook: viu que ela estava namorando o Jorge. Uma coincidência bizarra que alguns podem achar inaceitável, mas não pode, de forma alguma, ser considerada impossível. A vida é cheia de acasos caóticos e ligeiramente sacanas. Bom, Luiz sentiu dor. Uma dor inventada, desnecessária, infantil, burra, injustificável, descabida, imbecil, boboca, covarde e imatura, mas que doía do mesmo jeito. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-854370689565690686?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/854370689565690686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=854370689565690686&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/854370689565690686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/854370689565690686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/07/luiz-e-jorge.html' title='Luiz e Jorge.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-170054932222903613</id><published>2011-07-23T05:05:00.001-03:00</published><updated>2011-07-23T05:11:54.950-03:00</updated><title type='text'>Reencontros e desencontros.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Paloma caminhava feito um zumbi empurrando o carrinho pelos corredores. Eram três da manhã. Ela havia acordado uma hora, não conseguiu mais dormir e começou a sentir uma claustrofobia inexplicável. Estava estressada demais, havia tido um dia difícil no escritório e o que acabara de começar prometia ser pior. Colocou um vestido velho e decidiu ir ao supermercado 24h da esquina pra comprar cigarros e duas pizzas de calabresa. Ia andando sonolenta, passando pelas sessões desertas, arrastando suas havaianas enquanto sentia crescendo uma tranquilidade reconfortante. A luz branca uniforme refletia nas embalagens e Paloma estava tão à vontade que começou a usar o carrinho como um patinete. Imaginou que o céu poderia ser um supermercado com prateleiras infinitas cheias de produtos grátis. O que eu acho improvável porque deus deve ser comunista e, mesmo de graça, comer loucamente pode ser considerado consumismo e apego a coisas materiais. Mas, enfim, Paloma viu o Lucas, ficou sem reação, e bateu nos congelados.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Lucas havia sacaneado Paloma há uns quatro anos. Namoraram por seis meses e antes de completarem sete, Lucas disse “não dá mais” e sumiu da vida dela. Paloma cobrou explicações, justificativas, mas ele insistia em ficar em silêncio repetindo variações de “não tem como a gente continuar”, mesmo sem nenhum problema aparente. Daí a raiva imensa que ela sentiu virou uma mistura de nojo e mágoa e manter distância dele se tornou a coisa mais lógica a se fazer. Depois de semanas tentando entender o que aconteceu, Paloma achou mais prático acreditar que Lucas não gostava muito dela e pronto. Fazia sentido, já que ele não teve consideração nem pra dizer o porquê de estar indo embora e não se importou com o seu sofrimento. Se bem que filha-da-putagem, às vezes, não é uma questão de caráter ou desafeto e sim de fazer uma escolha errada sem querer.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Paloma, depois da batida, se abaixou e começou a engatinhar numa tentativa ridícula de se esconder de Lucas. Ela ficou repetindo “puta merda” mentalmente à medida que arrastava os joelhos no chão. Ele já havia a visto, sabia que estava tentando evita-lo, mas caminhou até ela do mesmo jeito. Lucas não estava raciocinando direito e também ficou assustado ao vê-la, avançou por instinto. Evidente que a situação era constrangedora pra ambos, se ele tivesse pensado por mais alguns segundos iria perceber o quanto era errado tentar falar com ela. Depois de quatro anos, as duas pessoas já tiveram tempo suficiente pra se desacostumarem uma da outra. Se não mantiveram contato durante todo esse tempo, não havia motivos pra se falarem numa circunstância daquelas. Paloma tinha certeza que Lucas teria bom senso suficiente pra desviar o caminho e fingir que não a viu, mas isso foi até ela esbarrar em suas pernas.  &lt;p align="justify"&gt;_ Oi. &lt;p align="justify"&gt;_ Tava procurando meu brinco, caiu em algum lugar... &lt;p align="justify"&gt;_ Eu sei que tu tava tentando te esconder. &lt;p align="justify"&gt;_ Tá. Vou indo. &lt;p align="justify"&gt;_ Espera aí. &lt;p align="justify"&gt;_ Espera o quê, Lucas? A gente não tem nada pra conversar. &lt;p align="justify"&gt;_ É claro que a gente tem. &lt;p align="justify"&gt;_ Não, a gente tinha, agora não importa mais. Olha, tenho que acordar cedo, eu vou indo. &lt;p align="justify"&gt;_ Eu gostava tanto de ti que fiquei com medo. &lt;p align="justify"&gt;_ Ah, Lucas, faça-me um favor, né.  &lt;p align="justify"&gt;_ Não, de verdade, eu tava tão apaixonado, que fiquei assustado, tava me sentindo muito dependente, era intenso demais pra eu suportar e... &lt;p align="justify"&gt;_ Lucas? &lt;p align="justify"&gt;_ Que foi? &lt;p align="justify"&gt;_ Vá tomar no cu, tá? &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Paloma deixou o Lucas com cara de idiota e foi embora. Seu coração estava acelerado e ela carregava um sorriso estranho que misturava nervosismo e satisfação. Preferiu ignorar o passado, por mágoa, orgulho e um leve desinteresse. Não há como saber o que aconteceria se ela tivesse feito uma escolha diferente. As decisões que tomamos têm resultados imprevisíveis, e é mais confortável acreditar que fizemos aquelas que nos poupou de mais transtornos. Como é impossível prever o que aconteceria se fossemos pelo caminho A e não pelo B, não faz sentido ficar remoendo consequências que nunca existirão. Então, Paloma foi dormir relembrando o prazer enorme que teve ao mandar Lucas tomar no cu. Mas se sentindo uma grandessíssima filha-da-puta por isso. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-170054932222903613?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/170054932222903613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=170054932222903613&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/170054932222903613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/170054932222903613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/07/reencontros-e-desencontros.html' title='Reencontros e desencontros.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-180793681279313246</id><published>2011-07-16T04:18:00.001-03:00</published><updated>2011-07-16T04:18:50.381-03:00</updated><title type='text'>O Neto.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Er... Oi... Olha, eu não sei o que dizer... Sério, eu tô um pouco nervoso haha... Desculpa, pessoal... Tá... Nossa, eu tô realmente nervoso... Calma... Er... Hum... Eu sei, eu sei hehe... Bom... Certo... Hunf... Ok... É lógico que eu sei que não preciso ficar nervoso. Pombas não precisam cagar em cima de carros e nem por isso meu carro amanhece um dia sem tá cagado por elas! Olha, eu tô ficando estressado, então eu vou ser bem sincero com vocês, eu não gosto desse tipo de rodinhas de apresentação, acho um constrangimento totalmente desnecessário, não sou bom em falar em público, nunca fui, pelo amor de deus, a gente vai se ver uma vez por semana, sentar a bunda na cadeira e tentar colocar o inglês na nossa cabeça! Quem em sã consciência vai gastar o único tempo que tem pra aprender a droga do inglês fazendo novos amigos!? Eu tô muito satisfeito com meus amigos, pra quê fazer amigos novos!? Pra comer na fes-ti-nha-de-con-fra-ter-ni-za-ção!? Eu não vou ter tempo pra aprender a confiar em vocês, eu não vou me expor pra vocês, eu não quero a comida de vocês, me desculpem, vocês não precisam saber quem eu sou, pra se fazer colegas basta saber o nome do indivíduo e pronto, por que todos nós não falamos só os nossos nomes e pronto!? Mas nãããão! Se eu disser pra vocês “eu sou o Neto” todos vão ficar me olhando, esperando eu dizer mais, eu complementar com o que eu faço, o que eu gosto, o que eu penso... “quem é você?” porra, isso lá é pergunta que se faça!? Como vocês querem que eu responda isso!? Têm livros chatos pra caramba a respeito de como é impossível fazer essa merda, tem teses de filosofia sobre isso, escreveram páginas e páginas divagando sobre essa porra, alguns dizem até que nós nunca vamos saber quem somos, como eu posso dizer pra vocês uma coisa que nem eu sei!? O pior é que parece eu sou o único que não vê sentido nisso! Todo mundo que falou até agora pareceu ansioso pra discursar, abriu a boca pra falar de si cheio de orgulho, como se fossem pessoas interessantíssimas que todos adorariam conhecer, né!? “Ah, eu sou pisciana, muito sonhadora, sabe como é” sabe como é o quê, mulher!? A pessoa diz quem é pelo signo! Pelo signo, minha gente! Não me olha assim, não, vocês pediram pra eu falar, eu vou falar, aí o outro diz “ah, eu sou o Geraldo, sou engenheiro, casado, tenho três filhos” e eu com isso, Geraldo!? O quê é que eu tenho a ver com a tua família, Geraldo!? Aí vem a dona Fátima e diz “é como diz o filósofo: ‘definir é limitar-se’” quem diz isso é o Orkut, dona Fátima, pelo amor de deus, não tem como a senhora ser menos brega, dona Fátima!? Desculpa, dona Fátima, eu não queria ofender a senhora, mas a senhora é brega pra caralho, dona Fátima! A senhora faz isso por sadismo, não é professora, a senhora quer ver o circo pegar fogo, quer pegar os alunos nervosos, os alunos que gostam de ficar quietos, assistir a aula e ir embora, quer me ver me borrando de medo, é assim que a senhora se diverte e depois fica olhando a gente gaguejar com um sorrisinho simpático, olha, professora não gosto do seu sorrisinho simpático, não, pra mim ele é tão falso quanto o “quem sou eu” da Rosana porque eu sei muito bem que Rosana não é médica coisíssima nenhuma, Rosana é prostituta profissional e atua sob o codinome de Sandrinha Sapeca, cobra setecentos paus pelo programa, fala pra eles como tu me extorquiu ontem à noite, Sapequinha, vamos nos conhecer agora, vamos colocar as cartas na mesa, ninguém esconde nada, quem mentir paga prenda. Vocês começam, eu vou bem ali no banheiro e já volto.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="1"&gt;Qualquer dia eu me junto com meus amigos pra gravar isso e colocar no Youtube. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-180793681279313246?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/180793681279313246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=180793681279313246&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/180793681279313246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/180793681279313246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/07/o-neto.html' title='O Neto.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-1013813907822549607</id><published>2011-07-09T03:35:00.001-03:00</published><updated>2011-07-09T17:42:01.002-03:00</updated><title type='text'>Babaca, mas nem tanto.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela estava sentada ao balcão tomando a segunda garrafa de cerveja. Eu a vi dando fora em três caras com jeito de só-tô-aqui-pra-beber-e-foda-se-você. Acho muito difícil crer que alguém que vai à boate, num sábado à noite e desacompanhada está atrás só de bebida e não quer ser incomodada por ninguém. Ainda que não fosse consciente, pra mim era mais do que provável que aquela menina estava atrás de pau. As probabilidades só não eram maiores porque considerei a possibilidade de ela ser lésbica. Mesmo no escuro, percebi que era muito bonita. Bom, isso é um pouco de exagero porque a pouca luz só me deixava ver o contorno do seu corpo. Mas achei que seria sacanagem da natureza presentear alguém com formas como aquela e contrabalancear isso com um rosto mal acabado, então não me preocupei muito. Além do mais, já havia duas horas que eu estava procurando uma mulher disponível, o Lucas e o Fábio já tinham se arranjado e eu mais um pouco desistia de conseguir diversão. Enfim, o rosto ocupava uma das últimas posições na minha escala de prioridades.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Depois de muito observar e constatar que ela estava realmente sozinha, fui lá me vender. Ela já tinha dispensado outros caras sem muita conversa e, confesso, eu fui meio desacreditado. Resolvi fazer uma abordagem agressiva porque qualquer coisa clichê que eu falasse não iria funcionar. Afinal, ela era do tipo que vai-beber-sozinha-em-boate-e-não-tá-nem-aí. É preciso certo grau de autoconfiança e desprezo pelos outros pra fazer algo assim, sem se importar com os julgamentos. Com certeza ela já estava cansada de receber cantadas babacas e ouvir papinhos cínicos, então era necessário fazer algo mais trabalhoso. Eu decidi fugir dos lugares comuns pra tentar surpreendê-la e fazê-la perceber que eu sou “diferente”. Risos. Como se qualquer homem solteiro e heterossexual que se dispõe a ir numa boate não tivesse a fim da mesma coisa... Somos todos iguais, o que nos difere é a forma que usamos pra conseguir o que queremos. O que eu queria fazer era arriscado: ela poderia ser burra demais pra me compreender ou inteligente o suficiente pra não cair na minha lábia.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Meu plano era chegar, me fingir de menino sem jeito e dizer coisas como: “Olha, eu já vi tu dispensando três caras, não te preocupa que tu não vai precisar fazer o mesmo comigo... Vim aqui porque não é todo dia que a gente vê uma mulher foda o suficiente pra sair de casa e beber sozinha, mas se tu tá aqui deve ter um motivo... Enfim, essa festa tá um tédio, meus amigos foram embora e, se tu não te importar, ficar aqui conversando seria mais legal do que dançar Lady Gaga”. Não é muito bom, porém: é o que tinha pra ontem. Eu me coloquei uma expressão de desinteressado e fui à luta. Sentado ao seu lado no balcão, dei uma olhada de canto de olho, cruzei os braços, respirei fundo, me virei... mas, eis que quando me preparava pra articular as palavras, arregalei os olhos, fechei a boca e quase não me contive quando vi a minha salvadora. Estampada na blusa da menina em preto-branco, reluzindo na luz negra e com um sorriso tosco à la Mona Lisa: Santa Clarice Lispector. Quase não pude segurar meu riso de satisfação. Com a maior calma do mundo, olhando contemplativo para uma garrafa do outro lado do balcão, disse alto suficiente pra ela me ouvir:  &lt;p align="justify"&gt;_ É estranho sentir saudades de algo o qual mal vivi ou evitava viver. (Havia visto no Twitter)  &lt;p align="justify"&gt;_ Oi? (Ela virou e vi que tinha o rosto quase tão bonito quanto o corpo)  &lt;p align="justify"&gt;_ Nada... Vi a Clarice na tua blusa e me lembrei dessa frase. É muito bonita. (Mentira, eu acho de uma forçação de barra triste)  &lt;p align="justify"&gt;_ Nossa, tu é fã dela? (Imediatamente me imaginei com meus amigos, tomando vinho e fazendo emocionadas leituras dos livros de Clarice)  &lt;p align="justify"&gt;_ Claro! Ela é uma das melhores escritoras que existem. Já li “A Hora da Estrela” e “A Paixão Segundo G.H”, e tu? (Eu li a capa)  &lt;p align="justify"&gt;_ Já li “As Pequenas Descobertas do Mundo” e “A Hora da Estrela”. (Pensei: “Ótimo, não leu nem metade do que a mulher escreveu, posso falar qualquer merda”)  &lt;p align="justify"&gt;_ Ela é demais, né? Consegue escrever de um jeito tão poético... me vejo muito nos textos dela. (De novo, quase não seguro o riso depois de dizer isso)  &lt;p align="justify"&gt;_ Eu também! Ela fala de solidão de um jeito único, muito profundo, parece que tá falando exatamente o que tu sente. (O horóscopo também)  &lt;p align="justify"&gt;_ Eu sei! Não é incrível o nível de compreensão que ela tinha? A habilidade dela de usar a linguagem pra explicar o inexplicável? De chegar ao inalcançável e ver o invisível? (Eu não consegui não rir nessa hora, mas dei a entender que eram risinhos de nossa-tô-muito-empolgado-olha-como-tô-feliz)  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mônica fazia aquele tipo de menina que só gosta de bandas semi-inexistentes que ninguém nunca ouviu falar por aqui. Era parte do clã que acha inaceitável alguém assistir Triplo X ao invés de um Laranja Mecânica da vida. Gente estranha que se veste igual e se acha mais inteligente que os outros porque assiste séries ao invés de novela e sonha em morar na Europa, mesmo nunca tendo ido à Europa. Além de Clarice, ela também idolatrava “divas do cinema” como Audrey Hepburn, Greta Garbo e Brigitte Bardot. Mônica disse que suas atividades favoritas eram: “Ler, escrever, fotografar, ouvir música, admirar a chuva, comer só o recheio dos biscoitos e ficar molhando os pés até enrugar antes de tomar banho”. Um minuto de silêncio... Quando saquei a dela, foi muito fácil falar exatamente o que ela queria ouvir. A menina era tão previsível quanto as piadas do Zorra Total. Falei meia dúzia de bosta sobre uns filmes do Kubrick; inventei umas curiosidades sobre os Beatles; disse que meu segredo ridículo era o sonho que eu tinha de viver um grande amor em Paris, falei dos cafés de Montmartre, da grama do Champ de Mars e dos cinemas da Champs-Élysées: foi mais do que o suficiente pra Mônica ficar encantada por mim. Nesse meio tempo ela já havia bebido mais duas garrafinhas e não foi difícil leva-la ao motel. Que ninguém me chame de aproveitador barato: no sexo casual há pelo menos duas pessoas diretamente envolvidas sentido prazer, eu nunca fui egoísta em relação a isso e até paguei a conta que, aliás, não foi nada barata. Felizmente ela era espetacular e valeu o investimento. Deu seu celular e me fez prometer que ligaria. Óbvio que não vou ligar, né, comer ela duas vezes seria muita sacanagem. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-1013813907822549607?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/1013813907822549607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=1013813907822549607&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1013813907822549607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1013813907822549607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/07/babaca-mas-nem-tanto.html' title='Babaca, mas nem tanto.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-1462055200709455458</id><published>2011-07-02T04:15:00.001-03:00</published><updated>2011-07-02T04:21:42.109-03:00</updated><title type='text'>Sinal Fechado.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Parado ao meu lado no semáforo, eu vi um homem borrifar a água usada para limpar para-brisas na cara de uma menina, ela tentava limpar o vidro do seu carro. Depois de fazer gestos negativos com a mão e diante da insistência dela, ele simplesmente jogou água em sua cara. A garota, mais surpresa que eu, ficou parada olhando através da película por uns cinco segundos. Fiquei observando espantando aquela expressão neutra, apática. Por um momento a vi irada, levantando seu pequeno esfregão e martelando com uma força sobrehumana o vidro até despedaça-lo. Mas, com vergonha de mim, admirei a criança enxugando o rosto com as mãos, baixando a cabeça e se dirigindo para o carro de trás. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu me senti tão escroto que foi como se eu mesmo tivesse humilhado a menina. Senti vergonha de estar dentro de um carro com borrifador de água, à disposição dos serviços dela. Surgiu uma repulsa tão grande de mim que quis sumir para não ter mais a minha companhia. Tive vontade de largar o carro no meio da rua, ir até o veículo do homem e perguntar se ele não tinha nojo de ser ele mesmo. Quis enfiar o esfregão no cu do cara, quebrar seus membros, atirar uma pedra em cada vidro do seu carro, botar fogo em sua casa. Mas aí o sinal abriu, respirei fundo e seguimos, como se nada tivesse acontecido, em direção opostas.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Depois ainda fiquei imaginando se a menina estudava, se tinha casa, se tinha o que comer, se tomava banho, se usava drogas, se tinha pais, uma boneca, roupas, alguma alegria. Fiquei me perguntando se o homem tinha filhos, se foi maltratado quando era criança, se acreditava em Deus, se era rico, se estava puto com alguma coisa, se pagava os impostos em dia, se conseguia dormir tranquilo à noite. No entanto, logo depois me consolava repetindo mentalmente que eu estava sendo dramático e que coisas assim acontecem todos os dias. Que a responsabilidade daquilo era dos idiotas que colocaram a menina no mundo, e eu não tenho nada a ver com isso. Que não faz sentido me martirizar por algo que não depende de mim pra acontecer ou acabar. E me tranquilizei tão facilmente quanto me emputeci.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um grande intelectual chamado Milton Santos disse que a humanidade nunca existiu e que só agora estamos fazendo ensaios do que será a humanidade. Eu concordo, ao menos em parte. A história humana é marcada por guerras, violência, brutalidade, disputas de poder, opressão. Se analisarmos dessa forma, é evidente que evoluímos ao longo dos séculos. A selvageria tornou-se inadmissível, a discriminação (ainda que teoricamente) é socialmente condenada, os índices de educação aumentam consideravelmente, as liberdades individuais passam a ser gradativamente mais respeitadas e um otimismo sadio é criado em torno da crescente popularização das novas tecnologias.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O problema é que a natureza humana é a mesma desde o início e não há previsão para que isso mude. Somos egocêntricos, vaidosos, egoístas. Há tempos vivemos no “salve-se quem puder”. A urbanização foi, é e continuará sendo só um pretexto pra deixar as coisas mais confortáveis pra quem tem o poder de aproveitá-las à custa dos que não podem. E ainda reclamamos das consequências dessa violência velada, dessa indiferença que julgamos inculpável. As cidades abrigam paranoicos, estressados, explorados, marginais, iludidos, babacas e todos disputam diariamente os mesmos espaços. As pessoas, as amizades, se tornaram apenas entretenimento barato. Compaixão e solidariedade saíram de moda. Nós nos perdemos no meio dessa letargia sem nem perceber. Não foi só por não ter feito nada em relação ao episódio da menina que eu me senti um merda: eu me senti realmente mal porque sei que há outros milhões como ela, e eu também não vou fazer nada por nenhum deles. Assim como os outros, estou ocupado demais preocupado comigo mesmo, tentando me salvar.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;div style="padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; width: 167px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:8589e9b7-6b93-46c0-a5ca-16ed75b4eb35" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="8bc26d88-c6e5-478c-b48b-6ff61fa23757" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=949SuBskT2U" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh4.ggpht.com/-TJ-JEhWmVmc/Tg7GpFklWnI/AAAAAAAAAas/qu2vKJJova8/videoc0ce8d6f0b20%25255B9%25255D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('8bc26d88-c6e5-478c-b48b-6ff61fa23757'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;167\&amp;quot; height=\&amp;quot;140\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/949SuBskT2U&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/949SuBskT2U&amp;amp;hl=en\&amp;quot; type=\&amp;quot;application/x-shockwave-flash\&amp;quot; width=\&amp;quot;167\&amp;quot; height=\&amp;quot;140\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/embed&amp;gt;&amp;lt;\/object&amp;gt;&amp;lt;\/div&amp;gt;&amp;quot;;" alt=""&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-1462055200709455458?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/1462055200709455458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=1462055200709455458&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1462055200709455458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1462055200709455458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/07/sinal-fechado.html' title='Sinal Fechado.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/-TJ-JEhWmVmc/Tg7GpFklWnI/AAAAAAAAAas/qu2vKJJova8/s72-c/videoc0ce8d6f0b20%25255B9%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-3881350110129333365</id><published>2011-06-26T01:06:00.001-03:00</published><updated>2011-06-26T01:06:55.750-03:00</updated><title type='text'>Um velho.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sou um velho. Não me defino como velho para evocar uma série de estereótipos e preconceitos que me limitem e me tornem previsível e, portanto, mais compreensível. Alguns dizem que devemos respeitar os mais velhos e eu, mesmo antes de ser velho, sempre achei babaquice respeitar qualquer um que não nos respeita. Portanto, não me afirmo velho para provocar qualquer empatia (ou mesmo antipatia) daqueles que nos generalizam como se fossemos simples feito crianças. Se me digo velho assim, logo de cara, não é para justificar minhas ideias, muito menos dar credibilidade à elas. Falo que sou um velho apenas porque é uma das poucas certezas que tenho a meu respeito. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Passei boa parte dos meus oitenta anos tentando me encontrar. Não que eu não saiba exatamente quem eu sou. O problema é que nunca encontrei alguém que aturasse o convívio comigo por muito tempo, logo, nunca tive com quem me reafirmar. Por passar a maior parte do tempo interagindo apenas comigo, acabo um pouco confuso às vezes. Eu sei que pareço ridiculamente dramático, do alto das minhas oito décadas, falando de crises existências. Mas, acreditem, depois de tanto tempo sem saber meu lugar no mundo, eu simplesmente aceitei minha condição como sendo uma consequência inevitável da decisão que tomei: permanecer vivo. Ser deslocado não foi uma escolha, eu não tinha outra opção.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Deixei minha esposa depois de dois anos de casado, e isso ocorreu há 52 anos. Ela levou nossa filha e nós nunca fomos muito próximos: o fato de eu considerar seu nascimento um erro deve explicar basicamente o porquê. Aliás, meu casamento foi um terrível equívoco. Me juntei porque estava terrivelmente apaixonado por uma mulher magnífica, linda, completamente alienadora. Era tão forte e novo meu sentimento que fui ao médico com medo de ter desenvolvido algum problema cardíaco. O problema foi que minha mulher mudou completamente depois do parto e se mostrou uma pessoa com a visão de mundo tão limitada quanto a de um peixinho dourado. Não a reconhecia mais e meu sentimento foi embora tão subitamente quanto acontecem as evacuações depois de um longo período de prisão de ventre. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Gastei praticamente todas as minhas horas trabalhando feito um escravo pra uma empresa de merda. Não gostava nenhum um pouco de trabalhar ali, coisa repetitiva, gente idiota, mas o dinheiro era bom e eu fiz um ótimo pé de meia. Já aposentado, pude viajar pelo mundo como sempre quis. Lembro da minha infância quando lia nos livros de geografia sobre terras longínquas, sonhava em visitar países distantes acreditando que bastava mudar de espaço pra que eu mudasse completamente minha vida. Nos primeiros meses foi maravilhoso, mas depois de algumas viagens, perdi a paciência pra aturar jet lags, turistas empolgados, quartos de hotéis, passeios óbvios e estresses desnecessários. Foi então que percebi que a humanidade fez o mundo ficar tão uniforme e sem graça quanto ela mesma e que realizar sonhos é uma babaquice. Agora vivo aqui, isolado e doente, mas não reclamo. Se eu fosse minha filha, me internaria do mesmo jeito. Os remedinhos ajudam a passar o tempo e, esquecendo de mim, não preciso me preocupar com quem eu sou.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-3881350110129333365?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/3881350110129333365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=3881350110129333365&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3881350110129333365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3881350110129333365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/06/um-velho.html' title='Um velho.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-1909770299416077874</id><published>2011-06-19T03:12:00.001-03:00</published><updated>2011-06-19T03:31:31.059-03:00</updated><title type='text'>Julieta.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Julieta, ainda moça, resolveu tomar uma drástica decisão que serviu como um marco em sua vida. Passou a dividir as pessoas que já conhecia, assim como as que ela conheceu posteriormente, em dois grandes grupos: as interessantes e o resto. Apesar de consciente do seu radicalismo, ela nunca foi de se importar com muitos seres humanos. Logo, ser reducionista e fazer julgamentos simplórios, ainda que sabidamente idiota, tornava sua vida social mais dinâmica e divertida. Julieta avaliava as pessoas a partir de detalhes extremamente bestas: de frases impensadas numa conversa informal ao modelo de calçado que a pessoa em questão estava usando. Sua pesquisa antropológica, ao invés de levar em conta critérios respeitáveis ou pelo menos sensatos, era baseada num achismo tão bobo que beirava a infantilidade. Ela era uma atriz incrível e poucos sabiam o quanto era prepotente e arrogante. Julieta se fingia tão bem de qualquer outra coisa que não fosse ela mesma que era querida por quase todos. Difícil não gostar de alguém que se adequa perfeitamente à personalidade da pessoa com que está interagindo, como se isso fosse simples feito dar descarga.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Se um desconhecido fizesse algo e Julieta desaprovasse, ele era posto imediatamente no grande grupo do “resto” e só poderia sair de lá se tivesse o desprazer de conviver ela. Julieta era falsa e ardilosa com quem não tinha amizade. Aproveitava-se da companhia dos outros para medir o quão divertidamente estúpidos eles conseguiam ser. Claro que estupidez era uma concepção distorcida na mente doentia de Julieta. Ela considerava estúpido, por exemplo, pessoas que sorriem demais, homens que usam chave do carro pendurada na cintura e mulheres que aceitam que os acompanhantes sempre paguem toda a conta. Seus amigos de fato cabiam em uma mão de quatro dedos e eram ouvintes dos piores de tipos de absurdos preconceituosos. Certa vez, em uma festa, Julieta disse à Nádia que havia adorado sua saia com estampa de onça, perguntando, inclusive onde ela havia comprado. Depois, rindo incontrolavelmente, comentou com Carlos como ela parecia uma “traveca pintada”.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sei destas coisas porque Julieta era minha melhor amiga. Respeitava seu mau-caratismo porque não conseguia levar aquilo a sério. Ela era tão intolerante e dissimulada que parecia uma super vilã de histórias em quadrinho. O lado sombrio era tão caricato que eu tentava não leva-lo em consideração. Para mim, Julieta só tinha um senso de humor excessivamente negro e nenhuma vergonha na cara. Fora isso, era uma pessoa compreensiva (acreditem), extremamente inteligente, que poderia conversar sobre quase qualquer assunto, além de ser naturalmente muito divertida e absurdamente engraçada. Passávamos um bom tempo juntos, erámos confidentes e cúmplices, falávamos sobre tudo e Julieta parecia realmente gostar mim. Ingenuamente, acreditei que conhecer as qualidades que ela simulava e ter sua companhia eram motivos suficientes para eu me considerar seu amigo. Depois fui descobrir que os “pequenos” desvios de caráter de Julieta eram, na verdade, mostras de uma mente psicopata e megalomaníaca.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na carta que Julieta deixou, ela confessou que todos, incluindo os amigos, a deixavam extremamente entediada. Contou que não via graça em ninguém e que fingir interesse estava lhe causando um esforço que não achava mais necessário. Segundo Julieta, ela estava “deveras cansada de procurar um único ser humano que provoque algo que não seja asco”. Falou que nós não conseguíamos despertar qualquer sentimento nela e a distração que proporcionávamos se tornou “repetitiva demais”. Julieta, sem pudor, expressava seu profundo desafeto por aqueles com os quais conviveu durante toda sua vida. Como ela pediu, todos nós, amigos próximos e família, lemos a carta e ficamos bestificados com tamanha desconsideração e frieza. Julieta se achava boa demais para nós. Para ela, todos erámos incorretos, sem sal, hipócritas e fracos. Sua insensibilidade era tamanha que a permitiu dissimular sentimentos ternos como se realmente fossem sinceros. Inconsequentemente, Julieta provocou depressão nos pais, no avô e nas duas irmãs. Ela foi embora porque considerava qualquer lugar uma ideia melhor que dividir este conosco. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-1909770299416077874?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/1909770299416077874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=1909770299416077874&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1909770299416077874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1909770299416077874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/06/julieta.html' title='Julieta.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-2742902610997538099</id><published>2011-06-12T06:37:00.001-03:00</published><updated>2011-06-13T13:56:05.791-03:00</updated><title type='text'>Bartolomeu.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-gNIyoIYaIfg/TfSI7Fbm58I/AAAAAAAAAac/08IcMs4KPO0/s1600-h/bartolomeu%25255B9%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="bartolomeu" border="0" alt="bartolomeu" src="http://lh3.ggpht.com/-NYjWSxuyk8Y/TfSI8COiU8I/AAAAAAAAAag/NC5tDrfB_I0/bartolomeu_thumb%25255B7%25255D.jpg?imgmax=800" width="315" height="256"&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O leão de pelúcia de João foi um presente de natal. Sua avó disse que ele era mágico e que ganhava vida quando ninguém estava olhando. Ela lhe contou que o leão não falava nada porque era muito tímido. João, que nunca ligou muito para bonecos, gostou imediatamente do bicho: primeiro porque ele era azul, sua cor favorita, e depois porque o menino também era muito introvertido, logo, achou que iria se dar bem com o novo companheiro. Batizou seu presente de Bartolomeu. Seu pai lhe contou uma vez que Bartolomeu era o nome de um homem que morreu faz tempo e foi o primeiro a andar de navio pelo fim da África. João viu na TV que os leões moram na África e achou Bartolomeu um nome engraçado para se por alguém, então seu Bartolomeu seria o único vivo em todo o mundo.&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Passavam o dia juntos em aventuras épicas que envolviam bruxas, bandidos, ETs, baratas gigantes, fantasmas e tudo que metia medo em João. Bartolomeu dava coragem ao menino e lhe protegia quando as coisas ficavam perigosas demais. João tinha medo de dormir no escuro antes de conhecer o leão, mas passou a dormir tranquilo, pois sabia que o amigo ficava vigiando o quarto durante toda a noite. Às vezes o garoto ficava acordado até tarde, fingindo que dormia, para ver se Bartolomeu brincava sozinho ou ia ao banheiro. João preferia a companhia do amigo de pelúcia a de outras crianças da sua idade. Quando sua mãe lhe chamou atenção para isso, ele disse a ela que gostava mais do Bartolomeu porque ele não fazia confusão e era um bom guardador de segredos.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O leão perdeu o olho esquerdo enquanto explorava as densas matas que ficam no fundo do jardim de inverno. Bartolomeu, guiado descuidadamente por João, seguiu o rastro até um formigueiro secreto quando foi atacado por uma flor espinhosa assassina. O menino correu choramingando e pediu à mãe para que transplantasse o olho do amigo de volta, mas ele sempre voltava a se desprender. Conformado com a tragédia, o garoto explicou a Bartolomeu que aquele era o seu destino e que era melhor aceita-lo e se acostumar com a ideia. João o consolou falando que havia gente com dois olhos sem que nenhum deles prestasse pra nada. Portanto, ele disse a Bartolomeu que não deveria ficar tão triste, já que ainda poderia ver as coisas com o olho que lhe restava.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um dia, João foi à praia com os pais e levou Bartolomeu junto para lhe mostrar onde fica a África. Durante a viagem, enquanto João segurava o bichinho pela janela, ele escorregou da mão do menino. Não era a primeira vez que fazia aquilo: na ida e na volta da escola, costumava segurar o leão do lado de fora do carro fingindo que ele era o Superman. João gritou e seu pai, assustado, freou forte quase provocando um acidente. Estacionaram no acostamento e acharam Bartolomeu espatifado no meio da pista, sem a cabeça e com as entranhas saindo do corpo. João chorou desesperado porque sentiu uma dor forte no peito. Passou algumas semanas dormindo com os pais, sem comer direito e mal falando nas aulas. As saudades faziam o menino sonhar com o leão correndo e, algumas vezes, até conversavam sobre a vida. João rezava para Deus cuidar do amigo e aproveitava para pedir um anjo da guarda. Ele havia voltado a sentir medo de dormir no escuro.&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Já crescido, João mal se lembra da infância. Ele superou a perda de Bartolomeu alguns meses depois quando ganhou um videogame novo. Revive os fatos através das histórias dos pais, mas é como se fosse ouvisse uma vida que nunca lhe pertenceu. João aprendeu a lidar com as crianças que faziam confusão e parou de brincar sozinho. Esqueceu-se como era tímido e inseguro e dos segredos que morreram junto com seu melhor amigo. Recorda apenas que tinha um leão encardido de juba azul que caiu do carro. O leão morreu cedo, antes que João pudesse lhe matar. Ficou para trás com a inocência e a fé do garoto e foi substituído por brinquedos mais caros e pessoas mais independentes. O espírito de Bartolomeu vive, agora sim em silêncio, guardado dentro de João. Em sua memória, só a felicidade do menino para quem ele tentou ensinar como não ter medo do mundo mesmo sem poder enxergar as coisas direito.    &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-2742902610997538099?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/2742902610997538099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=2742902610997538099&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2742902610997538099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2742902610997538099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/06/bartolomeu.html' title='Bartolomeu.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-NYjWSxuyk8Y/TfSI8COiU8I/AAAAAAAAAag/NC5tDrfB_I0/s72-c/bartolomeu_thumb%25255B7%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-8077501642053000920</id><published>2011-06-03T00:25:00.001-03:00</published><updated>2011-06-03T00:30:54.244-03:00</updated><title type='text'>Se dando com respeito.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Otávio estava suando frio desde às sete, quando desligou o celular e imediatamente se arrependeu de tê-lo usado. Quem lhe deu o telefone de Adriana foi Mauro. Ele assegurou que a moça era muito discreta, educada e que só atendia clientes classe A. Otávio há cinco meses estava divorciado. Seu casamento durou dez anos, terminou porque ele e a esposa simplesmente pararam de se suportar. Não tiveram filhos. Sem muita criatividade e com pouquíssimo tempo, pagar pensão para a ex pareceu lhe pareceu uma boa forma de gastar as excessivas sobras de seu dinheiro. Otávio sentia falta da mulher e não se relacionou com ninguém desde o dia em que saiu de casa. Mauro disse que ele precisava transar para aliviar o estresse do trabalho. Sabendo da inabilidade do amigo para conquistas e dos riscos de se envolver com aproveitadoras, indicou-lhe Adriana. “Ela é muito gostosa, tu não vai te arrepender!”, disse a Otávio.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Chegou a ligar novamente para desmarcar, mas desistiu antes de Adriana atender porque percebeu que estava muito intrigado. Nunca havia conhecido uma garota de programa até então. De repente, foi tomado por uma curiosidade quase infantil: “como será que ela é?”, “sobre que assuntos ela deve conversar?”, “será que ela é vulgar ou faz a linha fina?”, “será que ela fica triste depois do programa?”. Ele tinha quase certeza que não conseguiria transar com ela. A ideia de pagar para consumir sexualmente outro ser humano não lhe agradava. Julgou que, mesmo transpondo as barreiras morais, a disputa entre sua consciência e a vontade lhe renderia uma boa brochada. De qualquer forma, pagaria o combinado para passar o tempo conversando com Adriana. Pensou até em pedir um strip, se sua timidez permitisse, mas duvidava ter estômago para passar disso. Pensava nas possibilidades quando Adriana tocou a campainha pontualmente às 22h. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Adriana tinha cabelos loiros, muito lisos e era extremamente branca. Mauro não exagerou quando disse que a moça era gostosa, mas não tinha mencionado o quanto seu rosto era lindo. Otávio ficou olhando aquela menina que, pela idade, poderia ser sua filha e não sabia o que fazer. Adriana vestia uma calça jeans justa, uma blusa vermelha decotada e estava de salto. Ficou parada à entrada da porta esperando pelo convite de entrar, olhando desconfiada para Otávio. Pensou que havia errado de apartamento. Perguntou a ele se estava no lugar certo e, mesmo depois de receber a confirmação, continuou confusa porque Otávio não esboçava nenhuma reação. Ele ficou lá, parado, olhando com certo espanto para moça e se censurando pelo que fez. Não conseguia dizer nada, nem mesmo pedir para que ela se retirasse. Julgou que não era para tanto, mas sentia-se insuportavelmente constrangido. Adriana pediu para entrar e Otávio, tremendo, apenas virou o corpo para lhe dar passagem. &lt;p align="justify"&gt;_ Tu és o Otávio mesmo? &lt;p align="justify"&gt;_ Sou sim... &lt;p align="justify"&gt;_ Hum... É a primeira vez com uma garota de programa, né?  &lt;p align="justify"&gt;_ Hã? Como tu sabe? &lt;p align="justify"&gt;_ Haha. Experiência... &lt;p align="justify"&gt;_ Olha, foi um erro ter te chamado aqui. Vou te pagar e tu pode ir, tá? &lt;p align="justify"&gt;_ Como tu preferir... A gente pode só conversar, se tu quiser. &lt;p align="justify"&gt;_ Não sei se é uma boa ideia, sabe... &lt;p align="justify"&gt;_ Tudo bem, tu quem sabe.  &lt;p align="justify"&gt;_ É que eu não me sinto à vontade contigo. &lt;p align="justify"&gt;_ Eu entendo... Tem esposa? Te sente culpado? &lt;p align="justify"&gt;_ Tu é boa nisso mesmo, hein... Não tenho mais esposa, mas me sinto culpado do mesmo jeito.  &lt;p align="justify"&gt;_ Ah, não eu já me acostumei, sabe. Dei outro significado pro meu corpo, algo assim. &lt;p align="justify"&gt;_ Como assim? &lt;p align="justify"&gt;_ Perdi o pudor, entende? Meu corpo é como se fosse uma roupa que empresto pra os homens vestirem, às vezes. Haha. &lt;p align="justify"&gt;_ Sei… &lt;p align="justify"&gt;_ Não, tu não sabe. &lt;p align="justify"&gt;_ É que… É tua intimidade... Não acredito que não te incomoda ser usada como se fosse um objeto. &lt;p align="justify"&gt;_ Eu não. Tem gente que vende sapato, celular, carro, computador... Eu vendo meus buracos. Claro que o início foi difícil, mas me acostumei e agora até gosto. Dá uma puta grana. Haha. &lt;p align="justify"&gt;_ Não sente nojo? &lt;p align="justify"&gt;_ Nojo eu sinto de gente hipócrita e falsa moralista. Eu gosto mesmo de grana e de trepar. Acabou-se. Suor, pau e porra são besteiras pra mim. Tem alguma coisa pra beber aqui? &lt;p align="justify"&gt;_ Claro... &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Conversaram e riram até 1h. Depois de beberem, ele finalmente se soltou e conseguiu se sentir à vontade com ela. Teve vontade de transar, sim, mas deduziu que o papo seria mais prazeroso que sexo. Ela tinha um jeito estranho de ver as coisas e Otávio se esforçou sinceramente para compreendê-la. Otávio foi pondo de lado um a um seus preconceitos na medida em que Adriana foi lhe surpreendendo. Ela lhe contou que gostava de trabalhar com sexo, mas que não era iludida: sabia que seu corpo perde o valor conforme passa o tempo e que já estava a cinco anos fazendo uma poupança para montar uma sex shop de luxo. A princípio ele pensou que toda autoconfiança de Adriana era apenas um disfarce que usava para esconder suas mágoas. Depois percebeu que ela era realmente bem resolvida porque, diferente de quem a julgava, não levava seu trabalho a sério. Adriana tinha aquela sabedoria que adquirem os que se fodem muito antes de aprender como encarar a vida. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-8077501642053000920?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/8077501642053000920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=8077501642053000920&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/8077501642053000920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/8077501642053000920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/06/se-dando-com-respeito.html' title='Se dando com respeito.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-6329404367146119320</id><published>2011-05-27T04:12:00.001-03:00</published><updated>2011-05-27T04:12:06.622-03:00</updated><title type='text'>Verdades.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não te condeno por tentar omitir aquilo. É difícil manter o equilíbrio com tantas obrigações nos consumindo diariamente. Logo, não estar tranquila ou especialmente bem aquele dia poderia ser considerado normal e é mais fácil dizer “sim” do que prolongar uma conversa que só levaria a queixas bestas. Reclamações que poderiam mesmo ser de alguém imaturo que não quer ter responsabilidades nenhuma. Afinal, quem está realmente tranquilo ou especialmente bem a maior parte do tempo? No entanto, eu sabia que tu estavas com um mal estar digno de nota aquele dia. Estavas área, olhando pra baixo com mais frequência que o normal, respirando fundo mais vezes que o necessário. Talvez tu quisesses chamar minha atenção, me induzir a tentar esclarecer as coisas. Foi por isso que demorei de propósito a perguntar se estavas tranquila. Um pouco de sadismo de minha parte apreciar o aumento da tua impaciência. Poderia apenas perguntar “o que tu tem?”. Mas com uma pergunta direta assim, as chances de tu mentires seriam menores, porque eu já detonaria desconfia. E eu gosto de te ver mentir.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; As pessoas às vezes mentem até quando querem dizer a verdade. Mas tu não. Tu te conheces o suficiente pra distinguir exatamente o que tem ou não dentro de ti. Eu sabia que não estavas bem. Sabia do mesmo jeito que sei que mordes os lábios quando estás indecisa, do mesmo modo que entendo que finges não ouvir uma pergunta pra ter tempo de pensar na resposta. Eu já te observei o bastante pra compreender o que significam teus detalhes. Teus detalhes são tão sutis e particulares. Te faço mentir só pra te ver desviar o olhar e diminuir o tom de voz. Gosto de apreciar essas bobagens: sinto uma ternura tão grande que, apesar de sabê-la, não conseguiria explica-la. Acho engraçada tua insegurança. É como se teu medo maior não fosse não conseguir me enganar, como se teu receio de verdade fosse eu não perceber que estás justamente tentando me enganar. Gosto de te fazer mentir porque, no fundo, sei tu ficas feliz não conseguindo. Como se fosse uma boa prova de amor te conhecer mais do que tu gostaria que qualquer um conhecesse. Então eu disse: “Olha, sei que tu não tá bem, me conta...”. Segurei o riso e fiz cara séria porque ao invés de provar, eu só estava brincando de te amar.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-6329404367146119320?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/6329404367146119320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=6329404367146119320&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6329404367146119320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6329404367146119320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/05/verdades.html' title='Verdades.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-989542182910029245</id><published>2011-05-19T03:30:00.001-03:00</published><updated>2011-05-19T03:30:47.612-03:00</updated><title type='text'>O niilista.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Paulo trabalhava na supervisão de uma companhia de comércio eletrônico. Na hora do almoço, ia ao refeitório da empresa e comia sempre com os mesmos colegas. Eram sete empregados e eles se davam bem. Paulo, entretanto, era visto com desconfiança por todos porque sempre assumia uma postura indiferente e não participava dos debates e discussões do grupo. Quando a conversa assumia um tom demasiadamente sério e eles desandavam a falar dos problemas do mundo, Paulo respirava fundo e emudecia. Não importava qual era o tema em questão: ele se prontificava a ficar em silêncio, ouvindo paciente, mas visivelmente desinteressado. Seus colegas se incomodavam com o fato dele falar pouco, mas ninguém nunca comentou nada diretamente com ele e as queixas se resumiam a umas observações em tom de brincadeira. Uns achavam que ele era muito tímido para defender seus argumentos ou se pronunciar a respeito. Mesmo quando a conversa era leve, Paulo falava pouco. Porém, a maioria acreditava mesmo é que ele era lento demais para formar opiniões consistentes e não expressá-las era uma forma discreta de esconder sua burrice.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Lucas era o colega mais próximo de Paulo. Às vezes, quando os outros começavam a tocar em assuntos delicados e polêmicos, Lucas começava uma conversa paralela com ele a respeito de mulheres, música, futebol ou qualquer coisa mais leve. Paulo gostava dele porque era um dos únicos que não demonstrava impaciência com seu desinteresse. Mas odiava quando Lucas se metia no meio das discussões porque sempre defendia suas opiniões tentando desqualificar a todo custo a dos outros. Lucas achava Paulo um cara legal, apesar de um tanto estranho, e sempre teve curiosidade de saber a razão daquela antipatia programada. Naquele dia Lúcio, André, Mauro e Ricardo foram almoçar no restaurante italiano recém-inaugurado ao lado da firma. Convidaram os demais, mas nenhum deles se animou muito com a ideia porque não queriam gastar dinheiro podendo comer “de graça”. Paulo ficou lá com Lucas, Odair havia faltado porque estava doente. Comeram a carne assada tendo uma conversa agradável sobre comida estrangeira. Quando acabaram, ainda faltavam quinze minutos para começarem seus turnos. Então Lucas resolveu aproveitar o tempo para tentar esclarecer as coisas. &lt;p align="justify"&gt;_ Paulo, espero que tu não fique chateado com o que eu vou te perguntar agora. &lt;p align="justify"&gt;_ Haha. Porra, Lucas, se tu achasse que eu não tenho motivo pra ficar chateado, nem tinha começado com essa história de “espero que tu não fique chateado”... &lt;p align="justify"&gt;_ Pô, Paulo, deixa pra lá, então. &lt;p align="justify"&gt;_ Brincadeira, cara. Pode falar.  &lt;p align="justify"&gt;_ Bom... Tu já percebeu que o pessoal te enche o saco porque tu resolve ficar mudo às vezes, né? &lt;p align="justify"&gt;_ Haha. É, resolvo ficar mudo, sim. Acho que eles têm um pouco de razão até. &lt;p align="justify"&gt;_ Se tu acha que eles tem razão, por que tu não participa da conversa? &lt;p align="justify"&gt;_ Eu participo das conversas, sim! Não participo quando vocês resolvem discutir geopolítica, macroeconomia, políticas públicas, crise mundial, essas coisas. &lt;p align="justify"&gt;_ Mas por quê? &lt;p align="justify"&gt;_ Porque eu acho inútil e não me divirto. &lt;p align="justify"&gt;_ Hã? &lt;p align="justify"&gt;_ É inútil, cara. Vocês ficam se desgastando à toa falando o que vocês pensam sobre o mundo, defendendo argumentos, tentando compreender o que acontece na sociedade. Mas isso não serve pra nada. &lt;p align="justify"&gt;_ Como assim, Paulo? &lt;p align="justify"&gt;_ De que adianta a gente ficar discutindo se o país A vai ou não bombardear o país B por causa disso ou daquilo ou quais os interesses do prefeito por trás da construção do viaduto ou se a economia vai entrar em um novo colapso ou não? &lt;p align="justify"&gt;_ Tu quer ficar alienado, é? &lt;p align="justify"&gt;_ Haha! Não é porque eu não falo que eu não sei. Só acho desnecessário falar. O que essas coisas mudam na nossa vida? Diz aí, Lucas? O país sendo bombardeado ou não, o viaduto saindo ou não, saber se a economia vai quebrar ou não... A gente não pode fazer nada a respeito dessas coisas. Aliás, até pode, mas dá muito trabalho e a gente já tem um.  &lt;p align="justify"&gt;_ Bom... &lt;p align="justify"&gt;_ Eu sinceramente não entendo porque vocês gostam tanto dessas discussões. A opinião da gente não vale quase nada e vocês as levam a sério demais. &lt;p align="justify"&gt;_ Tu tá me ofendendo já, Paulo! &lt;p align="justify"&gt;_ Desculpa, Lucas. Tá vendo o que acontece quando eu finalmente resolvo manifestar minha opinião? &lt;p align="justify"&gt;_ A gente é feito de opiniões, cara! A gente é o que a gente acredita. Se tu não te manifestas então tu és um nada, eu acho... &lt;p align="justify"&gt;_ Mas que conversa doida é essa? Lucas, eu te dei liberdade pra me fazer uma pergunta meio indiscreta... Posso te fazer uma também? &lt;p align="justify"&gt;_ Claro, sem problemas. &lt;p align="justify"&gt;_ O que te faz pensar que eu vou me dar ao trabalho de ficar expondo o que eu penso pra ser julgado por gente que nem me interessa de verdade sabendo que isso não adianta de nada? &lt;p align="justify"&gt;_ O quê? &lt;p align="justify"&gt;_ A gente é colega de trabalho, só isso. Nunca fui à casa de ninguém, não tenho intimidade com nenhum de vocês, na verdade eu mal conheço vocês, o máximo que a gente faz é ir pra barzinho vez ou outra. Tenho um pouco mais de contato contigo, sim, mas a gente não é próximo o bastante e tu não me conhece direito pra eu poder te considerar meu amigo. &lt;p align="justify"&gt;_ Quer dizer que não somos amigos? É tu que não deixa a gente te conhecer, Paulo! &lt;p align="justify"&gt;_ Não mesmo e talvez não deixe vocês me conhecerem porque eu não acho que vale a pena. Tirando tu e o André, o resto é meio chato, viu.  &lt;p align="justify"&gt;_ Não acredito nisso...  &lt;p align="justify"&gt;_ É a vida. Tá vendo o que acontece quando eu resolvo dizer o que penso a respeito dela? &lt;p align="justify"&gt;_ Paulo, tu tem medo da vida... tem medo dos outros.  &lt;p align="justify"&gt;_ Tu não entendeu NADA! Posso te fazer outra pergunta, e dessa vez tu pode mesmo ficar ofendido... &lt;p align="justify"&gt;_ Depois de tudo isso? Duvido... &lt;p align="justify"&gt;_ Tu é fã de Augusto Cury ou algo do tipo? &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Paulo ficou esperando a resposta com um sorriso sacana, um riso que debochava de si mesmo. Coisa de gente que vê bem mais do que gostaria. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-989542182910029245?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/989542182910029245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=989542182910029245&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/989542182910029245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/989542182910029245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/05/o-niilista.html' title='O niilista.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-3798785951017959835</id><published>2011-05-14T02:47:00.001-03:00</published><updated>2011-05-15T20:45:40.980-03:00</updated><title type='text'>Reencontros.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não se veem desde o tempo da universidade. Da última vez que conversaram suas vidas não estavam bem definidas. Ainda havia planos irrealizáveis, projetos absurdos, esperanças inocentes, ideais que foram postos de lado quando tomaram de vez as rédeas de seus destinos. Assumir a responsabilidade de se sustentar leva embora coisas que não se adequam à vida prática. Depois de oito anos, qualquer reencontro vira uma experiência imprevisível. As duas pessoas estão mudadas, sim, e ambas sabem disso. Antes tão próximos, agora veem um ao outro como um daqueles semiconhecidos inconvenientes que aparecem nas horas mais inoportunas e insistem em conversar. Uma de minhas teorias favoritas é a da “contradição prática dos semiconhecidos” cujo postulado diz: se tu conheces alguém que não conhece direito, o desinteresse, mútuo ou não, em aprofundar a relação não justifica a criação de qualquer proximidade, com exceção aos casos especiais que incluem: prestação de serviços; simpatia forçada para manter o equilíbrio dentro de determinado grupo social e interesses de ordem profissional onde a puxação-de-saco, velada ou não, é prática socialmente reconhecida.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Como vai tua vida?”, “o que tem feito?”, “onde estás trabalhando?”, “casou?”, “tu ainda fala com o Daniel?”, “não acredito que eles ainda tão juntos!”. Sorriem simpáticos enquanto fingem ignorar a inutilidade daquelas respostas e disfarçam o desinteresse em saber detalhes a respeito de quem não faz mais parte de suas vidas. Já passaram por todos os clichês e perguntas prontas. A superficialidade e a breguice da conversa beira o ridículo e não é do feitio de nenhum dos dois levar este tipo de coisa adiante. Ou não era. Chegaram ao ponto em que os silêncios se prologam mais do que deveriam. Ele sua frio e está muito desconfortável. Ela acha que já falaram besteira o suficiente e pensa em um jeito de levar a conversa ao fim. Então ele, atrapalhado pelo nervosismo, julga que aquilo não pode piorar e respirando fundo faz uma manobra arriscada que ao mesmo tempo põe um fim no diálogo imbecil e cria a possibilidade de um embaraço ainda maior:  &lt;p align="justify"&gt;_ Só falei contigo porque eu achei que não falar contigo seria mais estranho que falar contigo.  &lt;p align="justify"&gt;_ O quê?  &lt;p align="justify"&gt;_ Só falei contigo porque eu...  &lt;p align="justify"&gt;_ Eu entendi!  &lt;p align="justify"&gt;_ Ufa, que alívio.  &lt;p align="justify"&gt;_ Eu acho que tu tomaste a decisão errada, hein.  &lt;p align="justify"&gt;_ Sim, acho que qualquer coisa seria menos estranha que isso.  &lt;p align="justify"&gt;_ A gente já pode ir embora?  &lt;p align="justify"&gt;_ Agora que tá tudo esclarecido, acho que sim.  &lt;p align="justify"&gt;_ Tu continuas estranho. Bom saber.  &lt;p align="justify"&gt;_ Pois é, mas eu mantenho isso em segredo.  &lt;p align="justify"&gt;_ Hahah. E tu ainda confias em mim depois de tanto tempo?  &lt;p align="justify"&gt;_ Na verdade não.  &lt;p align="justify"&gt;_ Ué, mas e o teu segredo?  &lt;p align="justify"&gt;_ Eu tenho um teu também, achei justo.  &lt;p align="justify"&gt;_ Hum? E qual seria meu segredo?  &lt;p align="justify"&gt;_ Tu gostaria de dar pra o Antônio Fagundes.  &lt;p align="justify"&gt;_ HAHAHAH!  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E eles riem enquanto se lembram dos motivos de terem sido tão próximos. Ele continua divertido, com a mesma intolerância caricata que combina bem com o senso de humor bizarro dela. Ela ainda possui o mesmo refino de antes para criar explicações absurdas: esclareceu o afastamento deles como sendo obra da “preguiça vinda do acúmulo de obrigações e da falta de contato diário agravado por comodismo por ambos com o passar dos meses”. Aos poucos redescobrem o que deixaram pelo caminho, o que tiveram de abdicar, as opções que suas escolhas anularam. Sentem saudade de quando não tinham muito rumo e achavam que as coisas se ajeitariam sozinhas. Recordam seus desejos que há tempos foram ignorados e debocham da ingenuidade que perderam. Trocam contatos, despedem-se felizes e combinam de se rever logo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em suas casas, repassam mentalmente as falas com sorrisos bobos pensando em como fazia falta ter conversas imprevisíveis como aquela. Ele queria falar mais sobre o caderno escondido em que ela havia criado teses a respeito do comportamento que assumia dependendo do ambiente que estava. Ela ainda sentia vontade de criticar, inutilmente, a vaidade e o egocentrismo que contaminavam a todos e o modo como ele tentava manter-se imune a isto. Em meio à nostalgia e comparando preocupados, percebem como eles próprios envelheceram progressivamente previsíveis e desinteressantes por pura falta de prática. Os anos lhes deram, além da estabilidade, uma preguiça aguda de agir de maneira oposta a mais conveniente. Ele era um estranho que se escondeu no armário e ela uma filósofa amadora que pendurou as chuteiras. Tornaram-se quase semiconhecidos de si mesmos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-3798785951017959835?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/3798785951017959835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=3798785951017959835&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3798785951017959835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3798785951017959835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/05/reencontros.html' title='Reencontros.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-7539495484561808407</id><published>2011-05-05T02:19:00.001-03:00</published><updated>2011-05-05T02:19:22.266-03:00</updated><title type='text'>Indiferença.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando amanhecer, fará exatamente o que fez hoje. Irá se aborrecer e se sentirá satisfeita pelos mesmos motivos. Passará as horas, sem perceber, apenas esperando a noite. Acordará cansada, desejará dormir mais, contudo já é tarde e é preciso merecer dinheiro. Ela quer mais grana, mais amigos, mais tempo. Não sabe ao certo o que faria com isso, mas luta diariamente para conseguir. Os dias repetem, se sobrepõe, ontem parece terça da semana passada e foi igual à depois de amanhã. Às vezes ela planeja fugir, fugir para canto nenhum, apenas ir embora, largar de mão. Tem vergonha dos próprios pensamentos: sente-se ridícula. E, no entanto, por mais que queira ignorar, mesmo se esforçando para se distrair, ainda que sorria sinceramente, ela sabe que tem algo errado com a sua vida. Algo lhe falta, alguma coisa lhe sobra, há detalhes importantes fora do lugar. Não sabe exatamente o quê ou onde é, queria consertar-se. Pensa que, talvez, não seja algo tão específico e que o problema seja a existência da própria vida. Não pensa por muito tempo: vai logo procurar o que fazer pra deixar de besteira. E ela se diverte quando dá e, quando percebe, já não dá mais: seu tempo livre está preso. Chega a segunda, passa a semana, o mês, o ano. E a única coisa que acontece são dias virando noites e noites virando dias. Quando perguntam a ela “tudo bem?” ela responde simpática “tudo!”, como a naturalidade de quem poderia dizer “tanto faz!”. Ela sente-se automática. Ela é uma máquina rebelde que, de repente, aprendeu a imaginar como seria ser outra coisa e agora faz força para desaprender. Chega a sua casa exausta e dorme tranquila. Faz tempo que não lembra o que sonhou, acha melhor assim.&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;/font&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;/font&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="1"&gt;Deu vontade de escrever depois que eu vi isso:&lt;/font&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="padding-bottom: 0px; margin: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: none; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:2ca0117e-c9e5-46ad-b2c5-982232dfe3bb" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="7259be31-1cfd-480e-9ecd-d4d23bbafb62" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=fqbt1HfrRtc&amp;amp;feature=player_embedded" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh6.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/TcIzWDHDcWI/AAAAAAAAAaY/3H5-QVGQstc/video1c5ca3ba23c3%5B3%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('7259be31-1cfd-480e-9ecd-d4d23bbafb62'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;468\&amp;quot; height=\&amp;quot;390\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/fqbt1HfrRtc&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/fqbt1HfrRtc&amp;amp;hl=en\&amp;quot; type=\&amp;quot;application/x-shockwave-flash\&amp;quot; width=\&amp;quot;468\&amp;quot; height=\&amp;quot;390\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/embed&amp;gt;&amp;lt;\/object&amp;gt;&amp;lt;\/div&amp;gt;&amp;quot;;" alt=""&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt;&lt;font size="1"&gt;Sei que não tem muito a ver uma coisa com a outra, mas o video é muito bonito e só por isso já valeria um post só dele. :)&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-7539495484561808407?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/7539495484561808407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=7539495484561808407&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7539495484561808407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7539495484561808407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/05/indiferenca.html' title='Indiferença.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/TcIzWDHDcWI/AAAAAAAAAaY/3H5-QVGQstc/s72-c/video1c5ca3ba23c3%5B3%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-1164662272651180358</id><published>2011-05-01T13:45:00.001-03:00</published><updated>2011-05-01T13:57:09.764-03:00</updated><title type='text'>Dialética.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não há como ultrapassar a barreira da superficialidade até que um dos lados tenha ousadia suficiente para ceder e se expor. Para isso, no entanto, é necessário um estímulo, um sinal da outra parte capaz de originar na primeira este interesse sincero em aprofundar o diálogo. Diferente daquelas pessoas, eu não possuo paciência tão pouco me divirto com conversas banais. Levo a sério minhas opiniões e formá-las me dá certo trabalho mental. Porém, pasmado com os absurdos que ouvia, não tive vontade ou encontrei motivos para me expressar, argumentar e me esforçar para ser compreendido. De fato, aquela gente parecia excessivamente preocupada em revelar suas próprias ideias e pouco disposta a ouvir a dos outros. Sem muitas opções e contrariado, dei atenção a eles. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Após uma hora observando a interação entre os indivíduos, constatei que os assuntos variavam de forma caótica. Depois de quinze minutos, por exemplo, o assunto do momento não dizia o menor respeito ao de dez minutos atrás e eu me perguntava como eles haviam chegado aquele ponto. A conversa era baseada, principalmente, na troca de impressões, partilha de experiências pessoais e relatos da vida de terceiros que nem se encontrava ali. Os temas mudavam sem muita lógica. Aparentemente, ninguém estava interessado em nada em específico e a preocupação era tão-somente falar não importando sobre o quê. Pelo que percebi, as pessoas se divertiam mais tagarelando e tentando chamar atenção do que simplesmente ouvindo. Se ficassem a repetir “me olhem, me olhem, me olhem...” e conseguissem o efeito desejado, elas ficariam. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Fato curioso era a prontidão com que os membros da mesa se dispunham a opinar independente de qual fosse o assunto levantado. Todos tinham algo a dizer e diziam como se aquilo fosse verdadeiramente relevante. Se o tópico fosse energia nuclear, por exemplo, as pessoas se afobavam para expressar o que pensavam a respeito. Reproduziam discursos prontos e simplórios com uma veemência desnecessária. Buscavam sempre dar a última palavra antes de partir para o assunto seguinte. Pareciam não perceber o quanto aquele debate ingênuo era, no fundo, deveras inútil. Esforçavam-se para defender suas falas como se fossem chefes de Estado regendo o mundo e precisassem conduzir a opinião pública a fim de fazê-la apoiar as manobras importantes que estavam fazendo. Era ridículo e eu fiquei entediado. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Uma hora e meia depois, eu já estava profundamente estressado e constrangido com aquela gritaria. O álcool havia inflado ainda mais o ego e a vaidade deles. Há vinte minutos estavam fazendo fotos e posando com suas bebidas enquanto forçavam sorrisos com uma naturalidade que me enojava. Nunca entendi porque as pessoas precisam estar necessariamente sorrindo em fotografias. Vai ver é a necessidade de provar aos outros o quanto se estava feliz naquele momento. Não me importo com o que pensam os outros e não acho que felicidade tenha a ver com sorrisos cheios de dentes. Além do mais, aquilo era só euforia forçada e eu não fui contagiado por aquele espírito. Enfatizo isso não para me justificar, mas para atenuar minha culpa. Quando finalmente tomaram coragem para reclamar por eu estar muito calado, aproveitaram o ensejo para protestar juntos contra minha seriedade nas fotos. Levantei-me e pedi encarecidamente para que todos tomassem em seus respectivos cus. Voltei para casa e dormi em paz.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-1164662272651180358?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/1164662272651180358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=1164662272651180358&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1164662272651180358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1164662272651180358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/05/dialetica.html' title='Dialética.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-7029265486060509132</id><published>2011-04-21T18:20:00.001-03:00</published><updated>2011-04-21T18:20:18.502-03:00</updated><title type='text'>Branca de Neve.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Henrique abriu a caixa de entrada e surpreendeu-se com a quantidade de mensagens. Ele não costumava receber tantos e-mails e, por alto, viu mais de cinquenta. Quando percebeu que a maioria deles era de conhecidos, pressentiu que algo muito ruim havia acontecido. Depois de respirar fundo, clicou em uma das mensagens e anexado a ela estava uma foto. Seu coração acelerou, gotas de suor escorriam pela sua testa e seus pés começaram a tremer. Então Henrique teve o pensamento mais profundo, inteligente e lógico que poderia ter no pico de seu estresse emocional: “Fodeu tudo”. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele tinha trinta anos, morava com os pais numa cidade do interior, era formado em computação e estava desempregado. Uma tragédia daquelas não era exatamente o que ele esperava para sua vida. Henrique ainda não tinha aprendido que é inútil esperar coisas específicas do futuro, mas depois entendeu que não se deve confiar no destino. As suas fotos, mais o vídeo que ele descobriu depois, circulavam em correntes de e-mails, viravam posts de blogs famosos, entraram no trendig topic do Twitter, serviam de inspiração para montagens bizarras e para uns e outros pervertidos secretos. Henrique, que era um cara acomodado e nunca sabia exatamente a hora certa de começar a se preocupar, estava desesperado.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Semanas atrás ele havia transado com a Carlinha. Carlinha era uma moça conhecida na cidade de Henrique. Todos falavam que ela era garota de programa. Apesar de a informação ter sido apurada e confirmada, ela nunca foi divulgada abertamente por alguém com muita credibilidade. Havia pouco mais de cem mil pessoas ali, a maioria delas se conhecia de vista e era conveniente a discrição. Ninguém lúcido delataria Carlinha porque a maioria de seus clientes eram senhores casados e ela era conhecida por ser impulsiva e meio doida. Colocando em pratos limpos: comer o rabo dela deixava quem comia de rabo preso. Henrique comeu e não pagou. Não tinha dinheiro. Ela disse que ele iria se arrepender da canalhice, mas isso aconteceu só no início. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não sei o que Henrique tinha na cabeça nem as neuroses que o motivaram a ter um desejo daqueles e, sinceramente, não quero saber e tenho medo de descobrir. Fato é que ele transou com Carlinha vestido de Branca de Neve. Usou a fantasia completa que a irmã tinha comprado para o carnaval anterior: um saião amarelo com a blusinha azul, simulando um vestido, mais a peruca chanel com a travessa vermelha. Henrique estava com a barba por fazer, acima do peso e aquela roupa não lhe caia nada bem. Carlinha gargalhava e pediu para fazer fotos e é evidente que Henrique não teria deixado, teria inclusive atirado o celular pela janela, mas ele havia bebido muita vodka. Sua foto com o dedinho na boca, ereto, cruzando as pernas e com o vestido levantado foi uma das mais comentadas e o vídeo onde ele aparecia fazendo uma dancinha bizarra tornou-se o mais visto do Youtube por semanas. Henrique ganhou o mundo. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele permaneceu dias trancado no quarto, chorando, não conseguia nem levantar a cabeça para falar com os pais. Sentia-se completamente humilhado e só conseguia pensar em suicídio. A cidade inteira ficou sabendo do episódio, mesmo quem nunca havia se conectado à internet assistiu o vídeo. Ele foi o assunto mais comentado por semanas. Seus pais permaneceram muito constrangidos e envergonhados mesmo meses após sua partida. Sem muitas opções e vendo-se perdido, Henrique aceitou um convite e foi para os Estados Unidos. Uma grande produtora de filmes pornôs percebeu na repercussão do caso a possibilidade de fazer uma excelente campanha de marketing e acharam improvável aquilo não dar certo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O filme de Henrique foi realmente um sucesso. Ele tornou-se um ator famoso e hoje mora em Los Angeles. Às vezes se sente um pouco deprimido, com saudades de casa, com pudor do corpo e com um pouco de pena das suas colegas de trabalho. Mas a internet já havia lhe tirado a dignidade e agora ele pode chorar enquanto toma champanhe numa Jacuzzi. Se pudesse voltar atrás, Henrique não voltaria. Passou a encarar o sucesso e a fama que a exposição desnecessária lhe deu como sorte. Evidente que transar bêbado foi um erro, mas acredito que nós somos resultados mais de nossos erros que dos acertos. Ao menos a intimidade pública de Henrique lhe rende, além de alguma vergonha, uma vida confortável ao invés de apenas entretenimento barato para os outros. No meio de tanta gente mendigando audiência e querendo se promover exibindo-se inutilmente, Henrique conseguiu garantir o dele sem muito esforço. Ele obteve, sem querer, o que desejam tantas pessoas sedentas por alguém para condenar apenas por diversão e pela oportunidade de tentar chamar atenção falando coisas estúpidas e ofensivas. Mais idiotas que um bêbado dançando vestido de Branca de Neve que só consegue insultar a si mesmo. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-7029265486060509132?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/7029265486060509132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=7029265486060509132&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7029265486060509132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7029265486060509132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/04/branca-de-neve.html' title='Branca de Neve.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-4194469022626977310</id><published>2011-04-16T15:54:00.001-03:00</published><updated>2011-04-16T16:56:18.302-03:00</updated><title type='text'>Agradecimentos, blá blá blá e Smiths.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A &lt;a href="http://twitter.com/#!/beletristica"&gt;Luciana&lt;/a&gt; fez uma homenagem muito legal ao blog essa semana. Vocês podem &lt;a href="http://www.artnativa.com/literatura/vago/"&gt;ler aqui&lt;/a&gt;, se quiserem.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu confesso que achei muito estranho o que ela escreveu e fiquei meio sem reação. Primeiro porque eu não me considero escritor e depois porque eu não acho justificativa pra tantos elogios, mesmo sendo sinceros como sei que são. Acho que escritor é alguém que se mantém financeiramente do que escreve (não?), que depende da escrita pra viver, e eu penso que não me enquadro nessa categoria. Eu escrevo por hobby, às vezes tédio, e certa arrogância por achar que eu tenho algo relevante a ser dito.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando eu criei o blog, há três anos (estranho pensar nisso agora), eu não era muito como sou agora. Hoje eu tenho vinte e, convenhamos, dois anos na adolescência podem provocar muitas mudanças. Mais internas que externas. Foram os anos de crise. Eu era dramático, exagerado. Escrever era uma forma de exteriorizar sentimentos e sensações que não me dizem mais respeito. Não acho que eu tenho me tornado insensível, eu só... Amadureci. Experimentar a intensidade dos sentimentos tristes que eu criava me deu certa experiência de vida. Acho que eu fiquei um pouquinho sábio.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E é justamente por estar equilibrado que eu não vejo mais sentido em muito do que eu escrevia. Coisas parecem desnecessárias e eu sinto até uma pequena vergonha lendo alguns textos. Eu escrevia por impulso, de uma só vez, quase involuntariamente. Agora desenvolvi certa técnica e até algum estilo. Nada demais. Dos textos que a Luciana destacou, eu gosto de todos. Eu gosto porque desvelam a solidão. E é isso que eu tento (prepotentemente) fazer agora: falar de coisas que as pessoas guardam pra si. Eu escrevia muito sobre (e com) paixão, isso aliena qualquer um.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu, francamente, sem nenhuma falsa modéstia, não considero nenhum dos meus posts grandes peças literárias. Eu já li um monte de coisas e é inevitável fazer comparações. Eu sei que escrevo razoavelmente bem e, pra mim, é o suficiente pra dar forma às minha ideias e teorias. Não tenho grandes pretensões. Não espero me tornar um escritor. Não acho que eu vá ficar famoso muito menos ganhar dinheiro (o que eu realmente queria) com este blog. Mas é inevitável me sentir realizado e gratificado quando alguém vê valor nos meus humildes escritos e consegue tirar coisas boas deles. Se eu conseguir me aproximar de quem está lendo, então já vai ter valido a pena.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Faz tempo que deixei de me importar muito com os comentários. Como eu disse, não tenho pretensões e se eu me sinto satisfeito com meus textos, então tudo bem. Não sei quantas pessoas, além da Luciana, leem e não comentam. Quero agradecer demais a ela pelo texto, a divulgação, os elogios e tudo mais. Vou aproveitar para dar meu obrigado a todos que dão atenção e acompanham o blog. Não acho que vocês estejam fazendo um favor ao me ler, mas é difícil se concentrar em algo com tantas coisas distrativas e eu agradeço a consideração.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pra ~discontrair~ :  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;div style="padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; width: 425px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:caaa6e68-6b98-4da3-a315-8de830deca5e" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="83602c1c-f158-45dd-a4e2-68acc75cf85c" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=0-HW_2c3JTw" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh6.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/Tan0XLMUwHI/AAAAAAAAAZs/A2WDIypTY1w/video8e5f0dcf18ee%5B2%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('83602c1c-f158-45dd-a4e2-68acc75cf85c'); 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&lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; width: 425px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:6c6b685b-86fe-4ec8-ac26-ee3ca01f0c91" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="59943a57-9479-44f1-9c37-ab7856b4b70b" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=kGnjrTkv1gs" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh3.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/Tanl6bkoOxI/AAAAAAAAAZ0/0d00yVwE1ic/videoe02231ad8256%5B2%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('59943a57-9479-44f1-9c37-ab7856b4b70b'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/kGnjrTkv1gs&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/kGnjrTkv1gs&amp;amp;hl=en\&amp;quot; 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Luiza brincava de prender o fôlego enquanto os outros brincavam de falar besteira. Ela tagarelava há horas e, de repente, percebeu que estava muito cansada. Respirou fundo, não expirou o ar e contou até dez, depois até treze, dezessete até chegar a vinte e cinco. Ficou contente com os seus progressos. Três horas da manhã e o barzinho continuava lotado. A noite estava muito agradável e era divertido esperar para sorver o sereno só quando ele fosse vital: o oxigênio quase ganhava gosto. Inventar necessidades é uma boa tática para deixar as coisas mais intensas. Luiza gostava de observar pessoas, principalmente as do sexo masculino, e havia uma grande variedade delas ali. Ela sentia-se extremamente bem partilhando seu tempo com os amigos porque eles não se incomodavam com seu silêncio. Eles a divertiam sem esforço e eram especiais porque havia confiança mútua e uma compreensão recíproca no grupo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na mesa, falavam sobre algum programa idiota de Tv. Luiza passou a prestar atenção na conversa e percebeu que ela não fazia o menor sentido porque as pessoas riam todas ao mesmo tempo e mal conseguiam falar. Luiza olhou para cara vermelha de Fabiana, reparou na crise de risos silenciosa assustadora de Marcus e nas lágrimas alegres de Bruno e logo estava gargalhando também. E quanto mais se olhavam e tentavam comentar algo, mais achavam graça. Passaram um minuto fazendo caretas enquanto procuravam articular palavras. Fabiana conseguiu recuperar o equilíbrio e disse que já nem se lembrava do por que de estarem rindo. Luiza, num rompante de meiguice, falou que as risadas vinham da felicidade sincera que todos sentiam. Depois de um silêncio estranho, Bruno disse que aquilo tinha sido muito bonito, Marcus concordou, Fabiana sugeriu um abraço grupal e Luiza, sorrindo e se levantando, sugeriu a todos que tomassem no cu enquanto ela ia fazer xixi.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No caminho para o banheiro, Luiza chamou a atenção de alguns caras, mas eles não se atreveram a chegar numa mulher armada com um sorriso daqueles. Um destes rapazes, porém, mais audacioso e otimista que os outros, a seguiu. Para ele, ela tinha namorado. Não que ele levasse a sério a teoria da improbabilidade que contestava a solteirice de moças tão bonitas: apenas achou que Luiza tinha cara de quem estava amando e sendo correspondida. Ele a esperou sair do toalete encostado à parede, pensando no que dizer. Sua autoestima não ficaria muito abalada se levasse um fora de uma desconhecida, mas se sentiria péssimo se não tentasse nada com uma mulher tão radiante sem ter bons motivos para isso. Lá dentro, Luiza mijava enquanto cantarolava um sambinha do Cartola. Limpou-se, lavou as mãos e mandou um beijo para seu reflexo no espelho antes de sair. O moço ainda não tinha decidido o que dizer e, quando viu Luiza sair do banheiro, seu instinto o impulsionou a aborda-la de qualquer jeito.  &lt;p align="justify"&gt;_ Oi! Disse ele.  &lt;p align="justify"&gt;_ Oi. Disse Luiza.  &lt;p align="justify"&gt;(...) Nada disseram os dois.  &lt;p align="justify"&gt;_ Bom, se tu não vai falar nada, eu vou voltar pra minha mesa, tá?  &lt;p align="justify"&gt;_ Tu é linda pra caralho. Luiza gargalhou de novo.  &lt;p align="justify"&gt;_ Como assim, cara? Que bosta de cantada é essa?  &lt;p align="justify"&gt;_ Ué... Não é uma cantada propriamente dita, eu só tô constatando tua beleza.  &lt;p align="justify"&gt;_ Ah, tá bom, e tu tá constatando a minha beleza sem esperar nada em troca?  &lt;p align="justify"&gt;_ Eeer...  &lt;p align="justify"&gt;_ Huuuum?  &lt;p align="justify"&gt;_ Qual teu nome?  &lt;p align="justify"&gt;_ Luiza.  &lt;p align="justify"&gt;_ Bonito... Tem uma música do Tom Jobim muita linda com teu nome.  &lt;p align="justify"&gt;_ Sim! É linda pra caralho, né?  &lt;p align="justify"&gt;_ É...  &lt;p align="justify"&gt;_ Olha, tu quer transar?  &lt;p align="justify"&gt;_ Hã? Como assim?  &lt;p align="justify"&gt;_ Se tu disser que sim, eu posso até te explicar.  &lt;p align="justify"&gt;_ Mas... Assim?  &lt;p align="justify"&gt;_ Te achei muito bonito, tu parece ser legal, é meio bobo, engraçado, gosta de Tom Jobim...  &lt;p align="justify"&gt;_ Tá falando sério?  &lt;p align="justify"&gt;_ Tô. Transar é bom, né?  &lt;p align="justify"&gt;_ Acho que sim.  &lt;p align="justify"&gt;_ Então tá bom. Vou ficar mais meia hora com meus amigos daí a gente vai.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela aproveitou aquela noite bem mais que o pobrezinho, assim como a seguinte e a depois daquela. Cortaram relações porque, inocentemente, ele apaixonou-se. Mas a felicidade de Luiza a distraia do que poderia lhe tirar dos eixos e essa história de paixão, naquele momento, soava complicada demais para ela. Sua vida parecia seguir prática e leve e, na verdade, prossegue assim até agora. A sério mesmo, só umas poucas coisas e apenas algumas pessoas. Não que Luiza seja uma tapada, longe disso, mas ninguém pode culpa-la por ter conseguindo o que a satisfaça. Ela não quer muito além de manter o que já conseguiu. Luiza é rica, mas não esbanja grana. É feliz, mas poucas vezes deixa isso explícito e só quem a conhece percebe. Às vezes fica triste ou mal humorada, no entanto, considera um privilégio poder sentir-se mal em paz, livre de censuras. E ela é tão fascinante que se tu não prestar atenção vê somente como ela é bonita. Luiza se orgulha de ter se tornado alguém que diz respeito a pouca gente. &lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;div style="padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; width: 425px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:c86f23de-3d0c-42a8-ad12-445aad01a5fc" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="7f53d000-7611-4072-a732-ea2b70d1e5b5" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=wjsr271XDT0&amp;amp;feature=related" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh4.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/TaRdJX42jJI/AAAAAAAAAZc/PqPQCrEnbhQ/video15dd1865901e%5B2%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('7f53d000-7611-4072-a732-ea2b70d1e5b5'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/wjsr271XDT0&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/wjsr271XDT0&amp;amp;hl=en\&amp;quot; type=\&amp;quot;application/x-shockwave-flash\&amp;quot; width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/embed&amp;gt;&amp;lt;\/object&amp;gt;&amp;lt;\/div&amp;gt;&amp;quot;;" alt=""&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;font size="1"&gt;Faltou isso. :)&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-3448543984180400985?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/3448543984180400985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=3448543984180400985&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3448543984180400985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3448543984180400985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/04/luiza.html' title='Luiza.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/TaRdJX42jJI/AAAAAAAAAZc/PqPQCrEnbhQ/s72-c/video15dd1865901e%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-6125176786910943910</id><published>2011-04-03T13:28:00.001-03:00</published><updated>2011-04-03T13:37:00.445-03:00</updated><title type='text'>Besteirinha.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp; &lt;p&gt;_ Sabe a festa que teve sábado? Olha a foto no Facebook dele... O cara tá se orgulhando porque ele tava caindo de porre... Puta que o pariu...  &lt;p&gt;_ Rita, tu não pode levar as coisas tão a sério...  &lt;p&gt;_ Eu não levo, porra!  &lt;p&gt;_ Claro que leva! Vive reclamando! Relaxa...  &lt;p&gt;_ Eu reclamo porque as coisas são absurdas demais pra eu ficar calada!  &lt;p&gt;_ Tá vendo?  &lt;p&gt;_ Vendo o quê!?  &lt;p&gt;_ Tu fica te incomodando com bobagens...  &lt;p&gt;_ Desculpa, mas eu não acho bobagem ver alguém se orgulhar de seu estado lamentável.  &lt;p&gt;_ Os defeitos são teus?  &lt;p&gt;_ Não, caralho, mas eles são públicos e isso me dá o direito de falar deles.  &lt;p&gt;_ Tu precisa ser mais tolerante...  &lt;p&gt;_ E tu precisa tomar no cu.  &lt;p&gt;_ Tô tentando te ajudar!  &lt;p&gt;_ Me ajudar como!? Tu me dá um conselho idiota do nada e...  &lt;p&gt;_ É porque tu leva as coisas a sério demais!  &lt;p&gt;_ Só porque eu percebo a idiotice da pessoa e me dou o trabalho de comentar não quer dizer que eu levo isso a sério!  &lt;p&gt;_ Tu julga a pessoa como idiota por besteira!  &lt;p&gt;_ Expor seu estado deplorável, sem necessidade nenhuma, pra quem quiser ver é besteirinha? Beleza… &lt;p&gt;_ Até parece que tomar um porre é algum pecado...  &lt;p&gt;_ Pecado não é, mas fazer questão de que os outros tomem ciência disso é, no mínimo, babaquice. O cara acha bonito ser feio.  &lt;p&gt;_ Qual o problema, menina!?  &lt;p&gt;_ O problema é que a embriaguez deixa as pessoas lesas e o cara tá fazendo questão de expor o quão leso ele estava! Isso é leseira!  &lt;p&gt;_ Eu não vou mais discutir isso...  &lt;p&gt;_ Tá bom... Vâmo acabar o assunto... Ei, esse outro porre com ele aqui nessa foto é tu… Caralho! HAHAHA!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; width: 425px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:eb44d3d8-ab60-4c94-a246-b98e1cabe6d9" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="3fc706b4-d60f-4e4e-b72e-2a2ee9ee3a9a" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=bMGtGVJiTfg" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh4.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/TZiiHu5lsEI/AAAAAAAAAZU/Ul7XT_hwuaA/video63d9eabc4945%5B2%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('3fc706b4-d60f-4e4e-b72e-2a2ee9ee3a9a'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/bMGtGVJiTfg&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/bMGtGVJiTfg&amp;amp;hl=en\&amp;quot; type=\&amp;quot;application/x-shockwave-flash\&amp;quot; width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/embed&amp;gt;&amp;lt;\/object&amp;gt;&amp;lt;\/div&amp;gt;&amp;quot;;" alt=""&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-6125176786910943910?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/6125176786910943910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=6125176786910943910&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6125176786910943910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6125176786910943910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/04/besteirinha.html' title='Besteirinha.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/TZiiHu5lsEI/AAAAAAAAAZU/Ul7XT_hwuaA/s72-c/video63d9eabc4945%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-3732230115654431351</id><published>2011-03-30T13:26:00.001-03:00</published><updated>2011-03-30T13:26:51.857-03:00</updated><title type='text'>Olhar o mar.</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Acho que descobri a razão de ser tão agradável olhar o mar. Simples: é prazeroso porque se trata só de um monte de água se mexendo. Ainda que tenhamos conhecimento dos bichos, florestas subaquáticas, navios mortos, fendas infinitas, mistérios... Não vemos nada. O mar é um grande pedaço de nada indo e vindo. Alheio às preocupações, aos afazeres, à pressa, às vontades, às dúvidas, à poesia... O mar não precisa de justificativas, provas ou razões para fazer isso ou aquilo. Ele simplesmente está lá, e ninguém lhe cobra coisa alguma por isso. O mar se basta porque ele cabe em si mesmo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A nós, tão cheios de si que mal nos suportamos sem alguém que nos ouça, nos resta contemplar a ingenuidade do mar. Respirar a maresia procurando no horizonte infinito a paz que não achamos dentro de nós. Como se a tranquilidade estivesse escondida num lugar que não podemos alcançar. E é aí, precisamente no momento que nos damos conta da nossa pequeneza, que nasce um bem estar minúsculo e sutil. E ele é tão acanhado e discreto que precisamos nos concentrar para senti-lo. Daí ele cresce. E nos pegamos sorrindo para as ondas sem esperar mais nada. Com sorte, talvez, ainda aparece uma garrafa velha com um alô de Deus.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;div style="padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; width: 425px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:ef5bfcd6-f901-4c8f-b827-05205b206c24" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="784bc785-265e-4c4c-9df2-1a7bc212d7ac" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=mggcqph8_v8" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh3.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/TZNZyd7-aFI/AAAAAAAAAZM/ttP4cWHWplk/video37985839a08b%5B3%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('784bc785-265e-4c4c-9df2-1a7bc212d7ac'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/mggcqph8_v8&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/mggcqph8_v8&amp;amp;hl=en\&amp;quot; type=\&amp;quot;application/x-shockwave-flash\&amp;quot; width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/embed&amp;gt;&amp;lt;\/object&amp;gt;&amp;lt;\/div&amp;gt;&amp;quot;;" alt=""&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="center"&gt;:)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-3732230115654431351?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/3732230115654431351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=3732230115654431351&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3732230115654431351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3732230115654431351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/03/olhar-o-mar.html' title='Olhar o mar.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/TZNZyd7-aFI/AAAAAAAAAZM/ttP4cWHWplk/s72-c/video37985839a08b%5B3%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-3593420293103736205</id><published>2011-03-20T20:54:00.001-03:00</published><updated>2011-03-20T20:54:58.698-03:00</updated><title type='text'>A Barraqueira.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Gabriela integrava o pequeno grupo, mas muito legal, dos maníaco-depressivos que encontram foças suficientes no orgulho para esconder sua patologia. Gabi trabalhava, sorria, comia, conversava, mentia, passeava e todas as demais coisas que as pessoas saudáveis fazem. Internamente, porém, ela vivia conflitos absurdos contra os quais lutava diariamente. A maioria deles tentava convencê-la, com sucesso, que sua vida estava muito errada e que tinha excelentes motivos para se sentir triste. Ela foi à festa porque achou que era o certo a se fazer. Não vou entrar em discussões metafilosóficas inúteis a respeito do que é correto ou errado. Qualquer um com um pingo de bom senso tem consciência de que está agindo de forma equivocada, o problema é que alguns acham justificativas para isso. Neste caso, as escolhas, independente de quais fossem, não afetariam negativamente ninguém, a não ser à Gabriela. Então, certo, aqui, é o que faria melhor a ela. Mas fez muito mal. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Era uma daquelas festas de confraternização que empresas promovem para mostrar aos funcionários o quanto eles são muito importantes, apesar de substituíveis. Tânia insistiu muito para que Gabriela a fizesse companhia. Eram colegas. Gabi tinha muitos colegas: da época da escola, do tempo da faculdade, dos cursos de idioma, do condomínio, da academia... Achava quase todos muito desinteressantes e, considerando que eram umas quarenta pessoas, sete exceções é um número bastante razoável. As pessoas gostavam dela. Ela nunca conseguiu identificar o porquê, era apenas educada e ouvia pacientemente. Às vezes falava o que queriam escutar e ficava impressionada na maneira em que todos pareciam um tanto carentes de atenção. Como eu disse, Gabriela fazia essas coisas por educação. Se pudesse, falaria só quando quisesse, mas aí pensariam que ela era muda e o que Gabriela queria mesmo é ter audição seletiva.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A banda tocava forró, algumas pessoas dançavam enquanto outras gritavam e umas senhoras pulavam. Grupinhos tagarelavam e, assim que colocou os pés no salão, Gabriela sentiu um impulso quase irreprimível de sair correndo e se atirar pela janela. Mas isso chocaria muita gente e aquelas pessoas já estavam se divertindo o suficiente. Então Gabriela fez o que lhe pareceu ser o mais sensato: ficar porre. Era isso ou começar uma crise de choro ridícula. Tratava-se de sua tática padrão para aguentar as conversas quando a convidavam para ir a barzinhos, sempre funcionava. Nunca fez barraco ou deu vexame. Falava mais, sim, dizia algumas besteiras idiotas, mas em meio à dos outros elas nem era notadas. Quando viram Gabriela na entrada, umas dez pessoas saíram correndo para cumprimenta-la. Uma hora depois, essas mesmas pessoas tentavam tirá-la de cima de uma mesa enquanto eram insultadas. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Gabriela, obviamente, perdeu o controle. Acostumada apenas com cevada, depois de misturar uísque, vodka e cerveja, ela entrou no piloto automático. Foi de propósito. Gabriela queria ver o que faria se não soubesse o que estava fazendo. Sabia que era uma experiência perigosa, mas naquele momento, com a crise deixando seu estado emocional destroçado, ela concluiu que não valia a pena ter medo de perder o que ela não queria ter. Com o superego em off, Gabi subiu na mesa, pediu atenção e começou seu desabafo. Era o intervalo da banda e a música ambiente estava baixa, o salão inteiro ouvia a bêbada. Primeiro chamou dona Roberta que, apesar da fama, nunca tinha ouvido da boca de alguém que era uma velha mal comida. Depois disse que Reginaldo, seu chefe, era um babaca que não prestava atenção em nada além da bunda da secretária. Em seguida contou que a tal secretária empinava a bunda de propósito e que passava tempo demais na sala do homem. Depois berrou que Celso, filho de Reginaldo, só trabalhava na empresa porque o pai tinha pena por ele ser tão burro. Todos ficaram perplexos e chocados, então demoraram a tomar alguma reação. Por fim, tiraram Gabriela da mesa enquanto ela xingava e se debatia.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Gabriela foi demitida naquela mesma noite. As pessoas foram embora lamentando o ocorrido com caras de espanto e, em suas respectivas casas, gargalhavam repassando as cenas. A festa foi o comentário dos corredores por semanas. Ninguém entendeu como uma moça tão equilibrada e gentil como Gabriela foi capaz de fazer uma barbaridade daquelas. Todos cochichavam que dona Roberta era uma cobra, que Reginaldo era tarado por secretárias, que as secretárias tinham jeito de garotas de programa e que Celso era um animal, mas isso não é coisa que se diga de cima de uma mesa no meio de uma festa. A existência de Gabriela passou a ser desconsiderada e ela era lembrada somente pelo escândalo. Nem mesmo Tânia a procurou. O assunto foi esquecido quando Nádia, irmã de Celso, foi contratada para substituir Gabriela. Não se sabe o que aconteceu com ela. Não que ninguém quisesse saber. Algumas pessoas vez ou outra perguntavam: “O que será que aconteceu com a Gabriela?”. Porém, era tão-só aquela curiosidade desimportante que sentimos quando nos indagamos despretensiosamente: “Será que vai chover?”. E quando chove nem lembramos que levamos isso em consideração: a vida segue de qualquer jeito.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-3593420293103736205?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/3593420293103736205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=3593420293103736205&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3593420293103736205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3593420293103736205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/03/barraqueira.html' title='A Barraqueira.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-5224177396119443019</id><published>2011-03-13T17:37:00.001-03:00</published><updated>2011-03-13T18:20:31.028-03:00</updated><title type='text'>Evolução.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há milhões de anos atrás, alguns primatas passaram a se balançar sobre as árvores em bandos. Eles precisavam constituir famílias e uma organização política rudimentar para se protegerem porque, diferente de seus antecessores, viviam à luz do dia e isso os tornava alvo fácil de seus predadores. Essa necessidade de atenção constante e a hierarquia cada vez mais complexa exigiam daqueles bichinhos mais capacidade cognitiva do que eles dispunham. Elucubrações, preocupações, tentativas de comunicação, a ausência de vícios modernos além de outras coisas mais trabalhosas e mortalmente mais importantes do que as que fazemos hoje, fizeram os seus cérebros crescerem. Geração após geração, eles tornavam-se mais espertos. Até que numa bela tarde de sol um desses animais teve a brilhante ideia de descer de seu frondoso baobá. Para completar, ele chamou alguns de seus amigos para acompanha-lo em seu passeio. A experiência foi um sucesso e eles subiram de volta excitadíssimos.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os desbravadores fizeram muita propaganda para os outros e aconselharam todos a fazerem o mesmo emitindo rugidos que significavam coisas como: “Lá embaixo é muito divertido, aqui em cima tá muito caído, vamos todos descer, não sejam caretas”. Eles, aparentemente, adoraram o chão e cada vez mais e mais macacos desciam das árvores. Um grupo receoso se recusou a participar daquela aventura suicida, mas eles eram minoria. Na savana, eles tinham que lidar com leões, hienas, leopardos, tigres dentes de sabre e todo tipo de feras que adoravam comer aquelas coisinhas peludas e indefesas. Nossos amiguinhos precisavam se proteger melhor e isso lhes deixou ainda mais inteligentes e sociáveis. A vida em terra firme era difícil e, para se movimentar melhor, logo passaram a andar numa postura ereta. Eles ainda eram muito burros, mas, a partir, daí os cientistas dizem que eles já podem ser comparados a algumas pessoas e isso lhes dava o status de hominídeos.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Esses homens primitivos sofreram algumas mutações ao longo de centenas de anos e isso foi os tornando um pouco mais parecidos com o Ricardo do que com um chimpanzé. Ricardo é um descendente direto desses animais espertos e de natureza muito sociável, assim como a grande maioria das pessoas que o cercam. Ricardo tem consciência da finitude de sua existência, possui o poder de resignificar as coisas e sabe usar a internet. Ele acredita que isso seja suficiente para se considerar um animal racional. Porém, ao longo de sua vida, uma série de acontecimentos frustrantes e experiências desagradáveis fez com que nosso herói acabasse por se tornar um humano que não se sentia como os outros da sua espécie. Ele era muito deslocado por uma razão que à primeira vista pode parecer besta, mas, se você pensar melhor a respeito, verá que ela chega a ser ridícula de tão simples: Ricardo não gostava muito de pessoas e não tinha paciência para relações superficiais. Contrariando sua natureza moldada a milhões de anos de evolução, indo de encontra com os valores que movem e sustentam a sociedade, resistindo às pressões sociais que o colocavam em situações muito embaraçosas, Ricardo não gostava de se juntar às outras pessoas.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele não era autossuficiente, longe disso. Ricardo tinha alguns amigos com quem realizava atividades relacionadas ao lazer quando se sentia muito entediado e obrigava-se a sair de casa em um final de semana qualquer. Eles trocavam impressões a respeito da vida e riam bastante, essas companhias eram fundamentais para a manutenção de seu equilíbrio psicológico. Ricardo não sentia ódio ou aversão pelos outros indivíduos, o que ele tinha era uma indiferença sadia. Evita socializar não por repudio, mas porque não achava isso mais divertido que assistir a um bom filme. Suas tentativas de participar de ciclos sociais com muita gente resultaram em arrependimento amargo. Ele não entedia como as pessoas tinham aquela facilidade para falar espontaneamente com estranhos porque não os achava interessantes ou confiáveis a ponto de despertarem nele o mesmo estímulo. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Certo dia os parceiros de Ricardo o convidaram para um jantar onde o apresentariam a seus outros amigos. Ele relutou, mas pensou bem e decidiu confiar nos seus conhecidos acreditando que só poderiam formar laços de amizades com pessoas igualmente atraentes e divertidas. Mas Ricardo falou apenas uma dúzia de palavras neste jantar que foi um fracasso. Ele não se interessava pelos assuntos discutidos, ficou com muito medo de opinar e ser incompreendido, não conseguia rir das piadas contadas, não se animava com as histórias e achou todos muito efusivos e vaidosos mais preocupados em falar do que em ouvir. Obviamente ele causou uma má impressão terrível nos desconhecidos.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em sua casa, Ricardo ficou repassando as cenas da noite e pensando nas razões que não o levam àquela felicidade aparente que todos demonstravam. Não havia gostado particularmente de uma moça que tagarelava a respeito de sua vida, nada relevante, e não deixava ninguém falar enquanto todos ouviam com um sorriso no rosto. Também não gostou nada de um rapaz que discursava como se dissesse as coisas mais importantes e originais do mundo e ironizava quem se atrevia a discordar dele. E não foi com a cara de uma senhora simpática que ria demasiadamente de tudo e estava sempre preocupada em não contrariar ninguém. Estava tentando decidir de quem havia gostado menos quando o telefone tocou.  &lt;p align="justify"&gt;_ Ah... Oi, Beto. &lt;p align="justify"&gt;_ Porra, Ricardo... Que merda foi essa? &lt;p align="justify"&gt;_ Falei que não era uma boa ideia, não era pra vocês terem insistido. &lt;p align="justify"&gt;_ Tu nem te esforçou, cara. &lt;p align="justify"&gt;_ Me esforçar pra quê, Beto? Eu vou bem sem aquelas pessoas... &lt;p align="justify"&gt;_ Quantos anos tu tem, Ricardo? &lt;p align="justify"&gt;_ O quê? &lt;p align="justify"&gt;_ Quantos anos tu tem? &lt;p align="justify"&gt;_ Er... trinta. Por quê? &lt;p align="justify"&gt;_ Depois de trinta anos tu não aprendeu a fingir? &lt;p align="justify"&gt;_ Fingir? &lt;p align="justify"&gt;_ É, porra. Fingir interesse, fingir sorriso, fingir que tu te importa. &lt;p align="justify"&gt;_ Er... &lt;p align="justify"&gt;_ Porra, Ricardo. Tu sabe que eu gosto de ti de graça, cara. Mas tu é muito ingênuo. &lt;p align="justify"&gt;_ Explica melhor isso aí. &lt;p align="justify"&gt;_ Tu acha que aquelas pessoas tão muito preocupadas umas com as outras? &lt;p align="justify"&gt;_ Eu sei lá, porra, explica melhor essa história pra mim. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E o Roberto explicou para o Ricardo a importância de saber se portar socialmente e como aquilo poderia ser divertido, se ele não levasse as outras pessoas a sério. Naquela noite, Ricardo conversou horas a respeito de cinismo, falsidade e hipocrisia. Rio bastante das histórias que Roberto contou sobre conhecidos seus falando mal de outros conhecidos seus pelas costas e confirmou sua suposição de que ele não valia nenhum centavo. A teoria de Ricardo era que as pessoas tinham bastante necessidade das outras porque eram incompreendidas e se sentiam muito sozinhas. Mas Roberto riu disso e o convenceu de que as pessoas simplesmente usam umas as outras para se divertir ou para conseguir alguma outra coisa. Ele também lhe disse que ser cínico poderia ser muito útil para sua vida profissional e até que não era tão chato assim. Então Ricardo decidiu que entraria no jogo que evitava jogar por preguiça e comodismo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele está se saindo muito bem até agora. Tornou-se um cidadão simpático, solicito e até conseguiu alguma popularidade graças ao seu novo bom humor. Seu desempenho no trabalho também melhorou muito. Ricardo é visto agora como uma pessoa muito interessante. Ele realmente está se divertindo, como previu Roberto. Às vezes se sente culpado por estar sendo um pouco fingido, mas pensa na quantidade de novos amigos que também estão sendo falsos com ele e logo deixa esses pensamentos de lado. Ricardo descobriu que mesmo as pessoas mais desinteressantes podem ser divertidas, se você der uma chance a elas. Aprendeu a ter paciência com a diferença gritante que o separava dos outros e a ser mais compreensivo com quem antes o deixava irritado. Ele é inteligente o suficiente para ser falso da forma mais natural possível e todos o admiram por isso. Afinal, o aumento da massa cinzenta graças a desgastante vida em sociedade serviu para alguma coisa útil.  &lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;/font&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;/font&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="3" face="Perpetua"&gt;Quero dedicar este texto ao &lt;a href="http://ascoisaseeu.blogspot.com/"&gt;Rapha&lt;/a&gt;. Ele faz aniversário hoje e, sei lá, se não fosse por ele, acho que eu não escreveria metade das coisas legais que escrevo hoje porque, provavelmente, eu não me tornaria a pessoa que me tornei. ‘Brigado.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-5224177396119443019?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/5224177396119443019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=5224177396119443019&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/5224177396119443019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/5224177396119443019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/03/evolucao.html' title='Evolução.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-4106041871375696734</id><published>2011-03-06T14:37:00.001-03:00</published><updated>2011-03-07T20:36:30.941-03:00</updated><title type='text'>Deus existe, mas isso não é muito importante.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Durante a maior parte da minha existência, desconfiei que houvesse algo muito estranho com ela. Não me refiro a mim: de modo geral, faz tempo que existir começou a soar um tanto quanto absurdo. São quase sete bilhões de seres humanos coexistindo e, para cada um de nós, a visão que temos da vida corresponde a uma realidade diferente de qualquer outra. Somos o centro de nossas vidas e, no entanto, elas não significam nada para todas as outras que permanecem independentes de nós. Essas constatações determinaram a forma cínica com que passei a encarar as coisas. Exemplo: a manchete do Jornal anunciava “Estudante mata vinte em escola pública” e, enquanto todos comentavam que a humanidade estava perdida, eu dizia rindo: “A humanidade está perdida desde que se deu conta de si”. Esse tipo de comportamento afasta as pessoas de mim, mas eu me divirto bastante.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; As religiões seduzem com dogmas que nos tranquilizam dando um sentindo maior a tudo isso. Desta forma, temos que nos preocupar apenas em ser subservientes e covardes. Francamente, entre um ser um desiludido e um tapado, eu prefiro a primeira opção. Como eu disse, o fato de eu achar a existência bizarra me permitiu complacência para ficar praticamente imune às surpresas desagradáveis que surgem pelo caminho. Ora, se não há sentido na vida, não poderia exigir dela acontecimentos lógicos. De tal forma que a visão daquele homem só fez com que eu ratificasse a minha teoria de que, se há algum sentido, ele está além da minha capacidade de captá-lo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sou aposentado, divorciado e um pouquinho alcóolatra. Faz tempo que moro sozinho e nunca presenciei acontecimentos sobrenaturais de natureza alguma. Acredito que o fato de eu não crer em nada do gênero contribuía muito para isso. Para mim, a crença cega tornava suscetíveis às pessoas a terem essas experiências paranormais. Esquizofrenia também. Como eu não tinha fé alguma e apresentava um quadro psicológico estável, pensava ser impossível ver qualquer coisa que nem achava admissível existir. Bom, eram estas minhas suposições presunçosas até aquela noite. Não costumo receber visitas inoportunas. Meus filhos sempre ligam com antecedência assim como meus amigos e, enfim, eu não esperava ninguém vindo do outro plano naquele momento em especial.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele era bem negro, muito velho e tinha os cabelos tão brancos quanto os dentes. Vestia uma túnica azul clarinha que emitia uma luz estranha e contrastava bastante com seu tom de pele. O infeliz brotou no ar sorrindo, feito criança que faz arte. Logicamente fiquei sem reação e meus batimentos cardíacos devem ter cessado por uns quatro ou cinco segundos. Por quatro ou cinco segundos meus pensamentos pararam e eu virei um bicho muito assustado. Meu sistema nervoso, com certeza, ficou sem saber que resposta dar aquele estímulo e decidiu entrar em curto. Estava em choque. O coração batia muito forte quando consegui perceber um pouco o que estava acontecendo. Dei-me conta do seguinte: primeiro que meu coração estava aceleradíssimo e depois que tinha um ancião aparecido de canto nenhum no meio da minha sala. Levei calmamente o copo de uísque à boca, pois achei que aquilo era a coisa mais sensata a se fazer. Então Deus disse:  &lt;p align="justify"&gt;_ Oi!  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu estava justamente pensando no quanto o achava um escroto quando o safado me apareceu. Eu apenas estava me divertindo, reclamando inocentemente e tendo ponderações idiotas. Eu não o chamei, nem mesmo acreditava na sua improvável existência. Minhas críticas se dirigiam à ideia que o senso comum faz de sua pessoa. Eu não consideraria uma ofensa pessoal grave ao ponto de justificar sua vinda. Porém, Ele veio mesmo assim. Não foi uma aparição como aquelas que escreveram naqueles livros. Ele simplesmente se materializou, indiscretamente, diante de mim sem prévio aviso. Não esperava um sinal luminoso abrindo o céu, nem uma sarça em chamas ou um mensageiro marcando hora. Mas, poxa, um vento estranho soprando as cortinas ou um calafrio na espinha prepararia meu espírito. Eu assistia a uma dessas tragédias naturais, que sempre rendem boas imagens para a Tv, e bebericava meu Green Label quando o Homem surgiu.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu estava numa situação muito delicada. Naquele momento eu não sabia que a aparição era Deus. Para mim, era um espírito qualquer que não tinha coisa melhor para fazer. Minha pressão estava altíssima, quase desmaiei, mas tentei me manter o mais calmo que pude. Sou um homem frio e muito orgulhoso. Considerei inadmissível a ideia de ter um piripaque à custa de uma alma penada intrometida. Sim, vocês podem argumentar afirmando que todas as minhas crenças (ou descrenças) a respeito da vida após a morte e demais questões metafísicas caíram por terra e que qualquer um ficaria psicologicamente abaladíssimo. Porém, não sou qualquer um.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A vinda daquele fantasma simpático de não sei onde para dentro da minha casa me incomodou demais e eu só queria que ele fosse embora. Eu não tive uma boa impressão: era uma assombração e, pior, era efusivo! Quando consegui sossegar o suficiente para que meus pensamentos fluíssem de forma organizada, decidi tomar uma atitude para me livrar dele. Talvez alguém mais sagaz no meu lugar esclarecesse os grandes mistérios da humanidade num bate-papo informal com aquele velhinho desencarnado. Eu estava sem paciência, relativamente bêbado, com sono, e não gostei de ter sido perturbado. Quem sabe tenham sido esses os motivos que inibiram minha curiosidade. Não me arrependo das perguntas que não fiz, é quase certo que suas respostas me fossem inúteis. Aliás, quase tudo aquilo foi inútil, incluindo aí minha tentativa de manda-lo embora.  &lt;p align="justify"&gt;_ O senhor, por favor, quer fazer o favor de se retirar do meu apartamento.  &lt;p align="justify"&gt;_ Como assim, Gilberto!? Isso lá é jeito de tratar uma visita?  &lt;p align="justify"&gt;_ Minhas visitas nunca são indesejadas justamente porque avisam antes de me visitarem.  &lt;p align="justify"&gt;_ Eu sou Deus, meu filho. Sou onisciente, onipresente e onipotente. Eu tô aqui mesmo sem você saber que eu tô.  &lt;p align="justify"&gt;_ Então o senhor é Deus?  &lt;p align="justify"&gt;_ O próprio.  &lt;p align="justify"&gt;_ Prove.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E a minha sala foi inundada por lírios brancos que nasciam do ar e exalavam um perfume doce enjoativo.  &lt;p align="justify"&gt;_ Então o Senhor é mesmo Deus...  &lt;p align="justify"&gt;_ Sim, Gilberto.  &lt;p align="justify"&gt;_ Então, por favor, o Senhor pode sumir pra eu tentar fazer de conta que tenho alguma privacidade?  &lt;p align="justify"&gt;_ Gilberto, eu não tô acreditando!  &lt;p align="justify"&gt;_ Eu é que não tô acreditando! Aliás, eu nunca nem acreditei no Senhor! O que o Senhor quer que eu faça? Me ajoelhe e comece a lhe adorar!? E o livre arbítrio?  &lt;p align="justify"&gt;_ Não... Eu achei que seria bom pra você saber que eu existo e... Bom, pensei que faria bem a você.  &lt;p align="justify"&gt;_ Olha aqui, Deus, eu sei que o Senhor é uma pessoa muito popular e bem quista. Tem muitos fieis, não precisa de mais um.  &lt;p align="justify"&gt;_ Gilberto!  &lt;p align="justify"&gt;_ Desculpa duvidar do Senhor, mas era o mínimo que eu poderia fazer, dada a sua timidez crônica.  &lt;p align="justify"&gt;_ O quê!?  &lt;p align="justify"&gt;_ O Senhor poderia aparecer na televisão, ou num estádio de futebol, ou mesmo em uma praça movimentada. Mas não! Decidiu se mostrar pra um velho que não tem nenhuma credibilidade e mal sabe usar uma máquina digital! Como vou provar que o Senhor existe?  &lt;p align="justify"&gt;_ Não vim aqui pra você provar pra alguém que eu existo! Eu vim provar pra você que eu existo!  &lt;p align="justify"&gt;_ Pois já conseguiu. Infelizmente, isso não muda nada. O mundo continuará o mesmo e a imagem do Senhor ainda será cercada de polêmicas. Pode se retirar agora?  &lt;p align="justify"&gt;_ Gilberto...  &lt;p align="justify"&gt;_ Olha Deus, o Senhor pode aparecer outra hora se quiser conversar, mas eu não gostei da forma como o Senhor chegou como se fossemos amigos íntimos.  &lt;p align="justify"&gt;_ Eu realmente não acredito... Tudo bem, Gilberto, você me surpreendeu novamente. Suas ações terão um preço.  &lt;p align="justify"&gt;_ Isso foi uma ameaça? Ora Deus, não seja vaidoso. Agora dê licença que eu preciso continuar minha vida. E limpe minha sala, por favor.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E Deus foi embora com os lírios. Sumiram do mesmo jeito que apareceram. Em seu lugar, eu também ficaria magoado como Ele aparentou estar. Fui muito mal educado e desnecessariamente duro. Está certo que entre nós existem diferenças, mas creio que Ele veio para tentar resolvê-las. A questão é que eu não queria resolver coisa alguma. Estava tudo bem do jeito que estava: Ele no seu canto e eu no meu. Não quero desmerecer uma figura tão grandiosa, mas é fato que minha vida prosseguia normalmente sem Ele da mesma forma que sua existência não dependia da minha crença.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Reconheço que fui imprudente ao ser arrogante confrontando alguém que, não sei, poderia me desintegrar com um raio laser saído da mão. Deus provou sua fama de misericordioso. Creio que Ele lê isso agora e quero pedir perdão pelo meu comportamento descortês. Ele é uma boa entidade. Reitero aqui meu convite para termos uma discussão filosófica amigável cuja pauta será à sua escolha. Mas, olhe, o Senhor vê a tudo e a todos e ninguém o vê. Se ter bom senso para não crer cegamente em sua existência duvidosa me coloca em débito mortal com Senhor, não quero mais vê-lo nem depois de morto! Dê-me uma caixa de uísque e me mande para o inferno ou para qualquer lugar regido por alguém menos totalitário e mais democrático. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-4106041871375696734?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/4106041871375696734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=4106041871375696734&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/4106041871375696734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/4106041871375696734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/03/deus-existe-mas-isso-nao-e-importante.html' title='Deus existe, mas isso não é muito importante.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-7529854169244611022</id><published>2011-02-24T00:21:00.001-03:00</published><updated>2011-02-24T23:05:23.212-03:00</updated><title type='text'>Danielas</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Daniela se encaixava perfeitamente num dos perfis de seres humanos que mais me despertam asco. Tinha nojo de Daniela porque, desde o primeiro dia, tive uma má impressão gigantesca a seu respeito. O pré-conceito era lógico o bastante para que eu procurasse me manter afastado. Permanecia no meu canto, sentindo minha aversão em paz. Nunca confiei em Daniela. Assim, entre a incerteza que eu tinha sobre o caráter da moça e a certeza de que ela não valia um centavo, eu preferia simplesmente me manter longe. Minha ojeriza tornava isso muito prático. Aliás, eu prefiro me manter distante de várias pessoas, pois considero raríssimas aquelas, de fato, relevantes. Contudo, Daniela era um caso especial.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Se eu entendesse de sentimentos intensos, arriscaria afirmar que odiava Daniela. A raiva que sentia parecia alimentar-se de si mesma. Porém, havia motivos que a justificavam. Razões que, para alguns, podem soar idiotas, mas que para mim são extremamente válidas e eram mais do que suficientes: Daniela sorria em demasia para todos, ela falava demais com qualquer um, ela fazia montes de perguntas bobas como se estivesse mesmo interessada nas respostas e, sobretudo, ela não tinha vergonha de parecer exageradamente estúpida.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Obviamente, todos no escritório gostavam de Daniela. Bom, quase todos. Algumas pessoas, como eu, sabem fingir muito bem esse tipo de coisa e, provavelmente, havia outras. Falsidade é um pré-requisito subentendido que se exige quando se é contratado para fazer um trabalho que não depende essencialmente de um indivíduo e demanda convívio social, como o meu. Contudo, creio que não desenvolvi esta habilidade tanto quanto deveria e não receber nenhuma promoção há tempos deve ser sinal disto.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O maior problema, entretanto, não é fazer o mesmo trabalho há tempos, ou fato dele não depender só de mim ou mesmo o seu resultado, que raramente me agrada. Como disse, eu faço o serviço há anos, estou acostumado à frustração. Estou lá apenas porque tenho que pagar contas. O que me desagrada de verdade é ter que passar o dia naquele ninho de cobras. A vaidade parece mover as pessoas mais do que o próprio dinheiro. Eu sei porque falo pouquíssimo, ouço muito e não gosto de praticamente nada do que escuto.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Daniela trabalhou um ano e pouco conosco. Jovem bonita, simpática, sorridente, sempre prestativa e bem humorada. O inacabável bom humor de Daniela me incomodava a ponto de eu frequentemente ter uns delírios homicidas com requintes de extrema crueldade que, acreditem, me assustavam muito. Porém, eram tantos sorrisos injustificados que eu tinha impressão de que ela havia feito alguma espécie de treinamento para exibir a arcada dentária, da forma mais natural possível, ainda que estivesse prestes a borrar as calças. Pensava nessas coisas e, rapidamente, a culpa por querer costurar a boca de Daniela com arame farpado depois de quebrar seus dentes com uma britadeira se esvaia.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Evidentemente, não me atrevia a fazer comentários maldosos a respeito da menina com ninguém daquele lugar. Pensamentos assim são íntimos demais para serem compartilhados num ambiente tão promíscuo. Lá, confio totalmente apenas em mim e na velha máquina de fazer café que jamais me decepcionou. Além disso, eu não fazer quase nada fora minhas obrigações já é suficiente para me tacharam de antipático e boçal. Falar mal de Daniela só daria um motivo a mais para dizerem coisas piores de mim pelas costas: “Aquele invejoso tem raiva da Dani só porque ela é muito legal e tem uma carreira linda pela frente”, diriam.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Uma bela manhã, eu cheguei atrasado ao escritório. Dormi tarde por conta de um filme que me prendeu enquanto zapeava os canais da televisão. Eu saí de casa apressado, não tive tempo de tomar café, me esqueci de escovar os dentes e arranhei a porta do carro. Aquilo parecia um prólogo anunciando as horas terríveis que viriam. Cheguei ao trabalho ofegante e notei imediatamente que Daniela, que nunca faltara ou se atrasara, não estava lá. Procurei logo por ela porque aquele dia provavelmente seria péssimo. Manter-me bem distante da garota era necessário para não colocar em risco sua integridade física e, o mais importante, minha liberdade.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O que me deixou realmente intrigado foi aquele bando de gente que se virou para mim quando adentrei o prédio. Olhavam-me com uma mistura de espanto e desolação. Lembro-me que pensei: “Eu me atraso um dia e esses babacas querem me fuzilar por isso”. Perguntei se havia acontecido algo, e alguém, muito inteligente, me perguntou se eu não sabia o que havia acorrido, respondi pacientemente que não. Então, mostraram-me o jornal do dia estampando a manchete: “Jovem advogada e amante são presos após matarem o marido”. Logo abaixo, uma foto de Daniela algemada. Incrédulo, eu li a matéria o mais rápido que pude.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sem grandes detalhes. Aparentemente, Daniela havia matado o esposo por conta de herança. Um vizinho ouviu tiros, ligou para policia e ela foi presa com o amante antes de conseguirem fugir. Possivelmente, haviam premeditado o crime e foram estúpidos demais para fazer com que a situação parecesse um assalto. Mas a notícia não dizia nada disso, porque foi feita por um jornalista igualmente estúpido. Quando terminei de ler e levantei os olhos, encontrei um monte de rostos indisfarçadamente ansiosos esperando minha reação. Eu respirei fundo, baixei a cabeça e disse com voz pesada: “Quem diria, uma moça que parecia ser tão legal com uma carreira tão linda pela frente... Que pena...”. Aquele dia foi simplesmente magnífico. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-7529854169244611022?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/7529854169244611022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=7529854169244611022&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7529854169244611022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7529854169244611022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/02/danielas.html' title='Danielas'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-8389478476881714769</id><published>2011-02-20T05:39:00.001-03:00</published><updated>2011-02-20T08:16:11.595-03:00</updated><title type='text'>Os vivos.</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; À noite as coisas existem com mais intensidade. As pessoas dão utilidade às coisas e as usam como objetos que, ironicamente, se tornam mais úteis que as próprias pessoas. Durante o dia, o mundo existe resignado à sua condição de habitat. Mas, quando todos dormem, o silêncio vem acordar paredes, quadros, móveis e outros fantasmas. No escuro, podem-se ouvir alguns suspiros e uma alegria contida entranha o ar. Eles passam horas fofocando sobre como todos são uns ingênuos e alguns até contam boas piadas. Compreendem-se e se respeitam tanto que acabam leves e muito felizes. Tão estranhos que, convenientemente, se tornam imperceptíveis. A vida pulsa devagarzinho enquanto todos se esquecem dela. Eu rio sozinho.&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2" face="Times New Roman"&gt;&lt;/font&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2" face="Times New Roman"&gt;A quem interessar possa, &lt;/font&gt;&lt;a href="http://eguadoido.blogspot.com/2011/02/metalinguistica-ou-outro-titulo-sua.html"&gt;&lt;font size="2" face="Times New Roman"&gt;tem outro texto no outro clicando nesse link&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;font size="2" face="Times New Roman"&gt;. ‘Brigado pela atenção. :)&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-8389478476881714769?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/8389478476881714769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=8389478476881714769&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/8389478476881714769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/8389478476881714769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/02/os-vivos.html' title='Os vivos.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-4693569838831441848</id><published>2011-02-16T20:00:00.001-03:00</published><updated>2011-02-16T20:00:28.396-03:00</updated><title type='text'>Coisas que se escreve quando se ama.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nos olhos dela eu descubro segredos que só eu consigo ver. São palavras com significados estranhos que nem existem de verdade. São respostas pra perguntas que eu nunca fiz, mas que me dizem tudo que eu preciso saber. E, já que não preciso saber de mais nada, eu fico sem saber o que fazer. A calma que me invade vem de canto nenhum. A paz é tão legítima que sua única justificativa é o fato dela morar em mim desde antes de eu me dar conta de mim. Meu amor me faz querer só o meu amor e desenterra minha felicidade. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O sossego é como ondas em uma praia deserta que vem devagarzinho acalmar meus pés cansados. Minha praia deserta é qualquer lugar que eu divida com ela. Seus olhos brincam comigo e, enquanto me desconcertam, essa se torna minha única utilidade: entretê-la. E ela se diverte com minha incompreensão. Não sirvo pra outra coisa, esqueço a minha natureza. Porque a lógica se esvai junto com meus pensamentos duros, coesos, pesados. Viro coisa desmontada, caixinha de música, poeta, bobo da corte, apaixonado. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-4693569838831441848?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/4693569838831441848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=4693569838831441848&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/4693569838831441848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/4693569838831441848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/02/coisas-que-se-escreve-quando-se-ama.html' title='Coisas que se escreve quando se ama.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-7933780729834434806</id><published>2011-02-13T07:54:00.001-03:00</published><updated>2011-02-13T07:54:04.339-03:00</updated><title type='text'>Frangos assados.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Gostar não carece de provas, não. Gostar é um estado de espírito: se gosta e pronto. É que nem quando a gente tá triste e guarda a tristeza pra si, porque tristeza é uma coisa muito íntima. Gostar também é, apesar de algumas pessoas insistirem em tentar convencer as outras do contrário. Tem gente que gosta de ouvir a chuva, tem gente que gosta de dormir, de ficar horas no banho, de comer coxa de frango com a mão e tem gente até que gosta de outras gentes. Eu aprendi que compartilhar nossos gostos só vale a pena se for com quem a gente realmente gosta. Nunca entendi direito essa necessidade que as pessoas têm de muitas outras pessoas. Só sei que realmente gostar de alguém não é tão fácil quanto gostar de coisas mais simples, como comer coxa de frango com a mão, por exemplo. Frangos assados são incrivelmente parecidos.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-7933780729834434806?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/7933780729834434806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=7933780729834434806&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7933780729834434806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7933780729834434806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/02/frangos-assados.html' title='Frangos assados.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-5193639956147942527</id><published>2011-02-06T14:18:00.001-03:00</published><updated>2011-02-07T03:12:28.776-03:00</updated><title type='text'>A Egolátra</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela possuia milhares de convicções. Era prepotente, então tinha muita fé nas certezas em que acreditava. Eram verdades tão bem construídas, tão convenientes, que ela havia praticamente descartado a hipótese de ser surpreendida por quem as desmentisse. Um de seus dogmas mais importantes que, na verdade, só é importante para dar o andamento desta história, afirmava que: para um sujeito A sentir atração, recíproca ou não, por um sujeito B existe uma série de características intrínsecas aos dois que, quando combinadas, geram o tal fascínio. Isso parece muito óbvio, e na verdade é mesmo, mas ter consciência das tais características a fazia perceber o quanto eram irrelevantes e não justificavam algo tão forte quanto paixão ou amor. Isso transformava seus relacionamentos afetivos em relacionamentos sem afeto que nunca duraram muito. Ou porque a outra pessoa envolvida se cansava daquilo e queria algo mais sério, ou porque ela se enjoava da pessoa envolvida, o que era bem mais comum. Muitos dirão (como se muitos fossem ler isso kkk) que ela era uma medrosa e boboca, enquanto outros muitos dirão que ela era uma filha-da-puta metida à espertona, convenhamos que os quatro adjetivos lhe servem bem.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Carência, empolgação com a descoberta, identificação, necessidades fisiológicas, admiração... Qualquer coisa virava desculpa para ela não se envolver: não que ela não quisesse, evitava se envolver porque achava que quando fosse realmente necessário, não conseguiria evitar. O problema é que ela não acreditava que fosse realmente necessário. Achava-se evoluída demais para construir laços de dependência assim. Até que apareceu ele. Apareceu porque veio de um lugar perto do nada, num desses acasos da vida que nos tentam a quase acreditar em destino porque geram consequências muito boas. Extremamente apropriado, ninguém quer crer que seu destino é trágico. Eles viraram melhores amigos. Nesse ponto ele já pode ser considerado um herói porque ela não era a pessoa mais sociável do mundo, era verdadeiramente chata. Só não foi marginalizada socialmente porque era linda e, já que a sociedade é movida pela superficialidade das coisas, ela não foi discriminada por ficar cagando conhecimento com epifanias tão irrelevantes quanto a que eu acabei de soltar.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Era um cara realmente legal e até bem bonito e dele ela não conseguiu fugir. Dele, não, do sentimento, ele era gay e não iria correr atrás dela. Como quase todos sabem, a grande maioria dos gays não costumam se interessar em ter contatos físicos muito íntimos com mulheres. Então ela foi atingida no ponto fraco de quase todos os medrosos-bobocas-filhos-da-puta-metidos-a-espertões: o Ego. O ego dela era imenso: acreditava ser muito boa no que fazia e ela fazia um pouco de muitas coisas, incluído aí despertar o interesse de caras realmente legais. Ela era boa de verdade na arte milenar da antipatia, habilidade que lhe proporcionava inimizades por causa da sua sinceridade arrogante e exagerada. Quanto mais ela pensava, menos fazia ou sentia. E mais se achava a tal. Mas isso foi antes de seu amigo não se declarar num surto de heterossexualismo que só poderia ser provocado por uma mulher como ela. Apenas alguém com a estupidez maior que o ego encararia isso como uma ofensa.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O ego, como quase todos sabem, é o grande responsável pela maioria das coisas absurdas e extremamente idiotas que a gente vê em lugares estranhos, como a internet. Um ego descontroladamente superdesenvolvido te faz ter a ilusão fantástica de que entre outros bilhões de pessoas que dividem esse pedacinho de espaço perdido na imensidão do universo, és especial. Essa ilusão só não é maior e menos fantástica do que a outra que faz o ególatra crer que o mundo tem a necessidade de saber (e ele o dever de mostrar) o quanto ele é especial para, contraditoriamente, receber uma aprovação necessária para ratificar que ele é ególatra por um “bom motivo”. Isso tem como consequências muita autoafirmação e paranoia. Ela tinha um ego tão grande que só se importava com o que achavam as pessoas pelas quais ela tinha alguma consideração, porque, para ela, a opinião de quase todas as outras era tal qual merda.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Escondeu sua paixão porque era orgulhosa demais e porque era fundamental reprimi-la para que a lavagem cerebral que ela estava fazendo em si mesma desse certo. Eles eram amigos há um ano e há um ano ela estava perdidamente apaixonada tentando enlouquecidamente se encontrar. Tentou de alienação por meio trabalho a terríveis três meses de piriguetagem barata, passando até pela ressureição do namorado que a havia pedido em casamento meses antes. Evidentemente esse plano era tão arriscado quanto babaca e não deu certo, transformando a coisa numa obsessão. Então, após uma semana de reflexão profunda, na qual a maior parte do tempo ela passou porre na casa da melhor amiga, decidiu revelar a ele o que sentia. Uma tentativa dramática de anular o sentimento por meio da total aceitação.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Falou como quem anuncia o resultado de um exame de fezes. Ela olhou fundo nos olhos dele e disse com voz firme: “Tô apaixonada por ti, não te preocupa que vai passar. A gente vai ficar um tempo sem se ver”. Ele primeiro ficou sem entender, depois ficou sem saber o que fazer e decidiu que a melhor opção seria ficar feliz. Para a surpresa dela, ele lhe disse, ou melhor, ele tentou dizer, tremendo e enrolando as palavras, que, desde que havia conhecido ela, estava colocando em xeque questões referentes à sua sexualidade que havia resolvido faz tempo. Contou que só não falou nada por causa do namorado dela e porque pensava que ela nunca olharia com outros olhos para ele. Disse que não parava de pensar nela, que estava confuso com o sentimento e a amizade e todo esse blá blá blá clichê e piegas, mas verdadeiro, que as pessoas falam quando estão apaixonadas. Namoraram quatro meses e depois de ele ficar na fossa por uns três, voltaram a ser bons amigos.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela achou inadmissível ele gostar dela mais do que ela gostava dele. Achou até que ele gostava dela mais que ela mesma, isso era mais do que inadmissível, era quase imperdoável. Passou a o achar desinteressante e se enjoou, ficando muito aliviada com isso. Ele lidou mal com o fim, mas depois que começou a namorar outro rapaz viu que tudo não passou de carência, empolgação com a descoberta, identificação, necessidades fisiológicas, admiração e reticências. Seu namorado era um cara igualmente legal e atraente, respeitando a lógica de que pessoas interessantes tendem a se juntar com pessoas interessantes. Quando ele lhe disse isso ela ficou um pouco desapontada porque lhe agradava a ideia de alguém legal sofrendo de amores por ela. Depois ficou feliz pela felicidade do amigo porque não era uma escrota tão grande assim. Ou porque isso era muito justo e a fazia se sentir o máximo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Seu ego era tão imenso que só a rejeição de quem ela admirava muito poderia feri-lo, fazendo nascer algo próximo à paixão. Ela concluiu, afinal, que gostava tanto dele apenas pela convicção de que ele não gostava dela. Todo problema seria resolvido se ela tivesse confessado a paixão antes das coisas ganharem tanta proporção e drama. Mas aí ela passou a olhar com outros olhos para o namorado recém-adquirido do amigo. E a moça quase acreditou que destino existe e que o dela era realmente trágico. Mas desistiu de crer nisso porque era egocêntrica demais para compartilhar o mesmo destino com grande parte da humanidade. Ela achava que merecia um sentimento insuportavelmente grande. Conseguiu doses gigantes de frustração. Casou-se com alguém muitíssimo parecido à ela e levou uma vida razoavelmente boa. Nunca foi feliz por muito tempo: se achava boa demais para ser feliz.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-5193639956147942527?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/5193639956147942527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=5193639956147942527&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/5193639956147942527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/5193639956147942527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/02/egolatra.html' title='A Egolátra'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-1157106790680364767</id><published>2011-01-29T05:37:00.001-03:00</published><updated>2011-01-29T06:02:28.048-03:00</updated><title type='text'>Brincadeira.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele pensou em dizer gentilmente que queria comê-la e depois ficar lá, parado, esperando qualquer coisa. Refletiu melhor e chegou à brilhante conclusão de que não existe um jeito gentil de dizer isso e, mesmo assim, decidiu dizer de qualquer jeito. O coitado foi vítima de uma daquelas vontades urgentes (e por isso sinceras, mas nem por isso menos raras e estranhas) que nos procuram quando estamos distraídos pensando em obrigações importantes. Sentiu como se estivesse segurando o xixi por semanas, meses, e, de repente, lembrasse que precisa urinar. Já tinha visto dezenas de mulheres mais bonitas e, aparentemente, mais interessantes que aquela e não entedia ao certo o porquê daquela ânsia. Não que ela fosse feia, pelo contrário, era linda. Mas a beleza, felizmente, não é um bem mesquinho que escolhe ser pertencido por poucos. Mas é claro que você pode ter a impressão de que isso é a maior idiotice que já leu, dependendo do quanto do globo terrestre você já explorou e do seu grau de otimismo. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Fato é que os únicos objetivos de vida daquele pobre coitado antes de vê-la eram: terminar seu salgado xexelento, voltar para casa, sentir sono e dormir. Depois de ser abalado pela visão dela, ele incluiu entre terminar o salgado xexelento e voltar para casa se decepcionar. Era realista e tinha bom senso suficiente para saber que não conseguiria sexo, se contentou em apenas tentar conseguir sexo porque “isso era melhor do que nada”. Bom, isso foi o que ele pensou, eu, particularmente, não vejo lógica nesse raciocínio doentio. Eu acho o benefício da dúvida e a preservação do bom senso melhor que uma certeza muitíssimo provável, principalmente quando essa certeza muitíssimo provável muitíssimo provavelmente vai custar tua dignidade. Voltando. Ele não sabia quais eram os objetivos de vida dela, mas queria que se apaixonar por ele fosse um deles. Ele sentiu que estava apaixonado por ela. Se formos analisar as reações biológicas (garganta seca, frio no estômago, aceleração do batimento cardíaco) vamos perceber que ele estava mesmo apaixonado por ela. Uma paixão que, possivelmente, duraria menos de meia hora, mas ainda assim uma paixão. Não vamos desmerecer as coisas só por causa do seu tempo de vida.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela estava comendo um salgado xexelento diferente do dele. Ele já estava quase acabando o seu e decidiu pedir outro. Estavam sentados no balcão, separados por duas cadeiras. Ela entrou na padaria fugindo da chuva, era uma daquelas chuvas fortes e assustadoras que devem ser iguais a chuva do fim do mundo. Tinha o vestido encharcado, os cabelos encharcados, as sandálias encharcadas e a bolsa encharcada. Resumindo, ela estava muito encharcada. Ele achou divertido o modo como ela entrou correndo. Depois achou divertido pensar em como poderia se divertir junto com ela. Estava tendo muito trabalho tentando encontrar um jeito de falar com ela e, quando percebeu que não se atrevia nem a olhá-la diretamente, descobriu que seria mais difícil do que imaginava a princípio. O nervosismo, a chateação, a sensação de impotência e o seu bom senso (que resolveu acordar) fez as coisas ficarem menos divertidas e ele resolveu apenas esperar a chuva passar para ir embora. Mas aí ele pensou “foda-se” e foi lá falar com ela. Parece absurdo, porém coisas assim acontecem todos os dias, só as achamos absurdas porque não sabemos que elas acontecem com mais frequência do que o necessário para serem classificadas como realmente absurdas. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele sentou-se na cadeira ao lado da dela e disse de cabeça baixa: Acho que tô apaixonado por ti. Imediatamente se arrependeu e pensou que seria menos ridículo ter dito queria comê-la. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela estava comendo e se engasgou com o susto, depois se virou, franziu as sobrancelhas e perguntou o que quase qualquer um no lugar dela perguntaria: Quê!? &lt;p align="justify"&gt;_ Er... Acho que tô apaixonado por ti. &lt;p align="justify"&gt;_ Er... Tenho namorado, desculpa. &lt;p align="justify"&gt;_ Hã? &lt;p align="justify"&gt;_ Tenho namorado. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nesse momento, por um milésimo de segundo, ele se sentiu como deve se sentir alguém que é jogado num buraco negro: não foi nada divertido, ele ficou um pouco triste e se sentiu levemente despedaçado. Permaneceu uns cinco segundos calado antes de se recuperar do choque e perguntou rápido, sem raciocinar, com o orgulho ferido: &lt;p align="justify"&gt;_ E daí? &lt;p align="justify"&gt;_ Como assim, cara? O que tu quer? &lt;p align="justify"&gt;_ Nada, ora, só queria falar contigo. &lt;p align="justify"&gt;_ Já falou. Posso terminar meu lanche? &lt;p align="justify"&gt;_ Tu é antipática, hein. Uma pessoa diz que tá apaixonada por ti e tu trata com essa indiferença toda. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vale salientar que nesse momento ele já não sabia mais o que estava dizendo porque, subitamente, se deu conta do que estava fazendo e isso o fez ficar parcialmente descontrolado. Tudo o que ele começou a dizer a partir de quando ela disse que tinha namorado foram palavras impensadas que vinham de um lugar perto do seu inconsciente e eram articuladas pela sua boca sem que ele desse aprovação. Ele estava nervoso para caralho. Ela estava perplexa e assustada a ponto de cogitar sair correndo. Talvez ela só não tenha saído correndo porque cogitou a possibilidade dele correr atrás dela.  &lt;p align="justify"&gt;_ Desculpa, olha, não quis te ofender. Mas eu realmente não tô interessada. Posso continuar comendo, por favor? &lt;p align="justify"&gt;_ Claro. Posso ficar te olhando? &lt;p align="justify"&gt;_ Er... pode... Ou melhor, não pode, não. Cara, tu é muito estranho. &lt;p align="justify"&gt;_ Eu? Não sou, não. A situação que eu criei é que é estranha. &lt;p align="justify"&gt;_ Pessoas estranhas fazem coisas estranhas. &lt;p align="justify"&gt;_ Ahn... tens razão. Ei, tu é legal. &lt;p align="justify"&gt;_ Valeu. Olha, não tô de bom humor, tô toda molhada, cansada, e ainda tenho que lidar com um desconhecido me assustando dizendo do nada que tá apaixonado por mim. Não quis te ofender, tá? Se fosse outra hora e tal. &lt;p align="justify"&gt;_ Tu tem namorado. &lt;p align="justify"&gt;_ Não tenho, não. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Então foi como se tudo fizesse sentido para ele. Não que as coisas tivessem perdido completamente o sentido, mas ele estava vivendo uma situação dramática e as situações dramáticas exigem sensações à altura. Ele notou que tinha um sorriso infantil no rosto e se ele se olhasse no espelho perceberia que seus olhos estavam brilhando. Na verdade eles não estavam, mas a felicidade nos faz enxergar essas coisas. &lt;p align="justify"&gt;_ Ah! Sua mentirosa! &lt;p align="justify"&gt;_ Ora, o que tu queria que eu dissesse? &lt;p align="justify"&gt;_ “Tô apaixonada por ti também”, seria legal. &lt;p align="justify"&gt;_ Haha. Tu não tá apaixonado por mim. Para com isso. &lt;p align="justify"&gt;_ Tu quer saber dos meus sentimentos mais do que eu que tô sentindo eles? &lt;p align="justify"&gt;_ Hum... Touché. Olha, a chuva tá passando, eu vou indo. &lt;p align="justify"&gt;_ Tu vai embora assim? &lt;p align="justify"&gt;_ Vou. Tu é legal, mas eu realmente não tô interessada. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Então ele se sentiu de volta ao buraco negro. Foi pior desta vez porque, já que a moça não tinha namorado, ele deduziu que o único motivo que motivaria seu desinteresse era sua condição desinteressante. O que, convenhamos, é um pensamento válido, apesar de muito egocêntrico e um pouquinho futil. Se há alguns segundos ele estava feliz, passou a ficar magoado e ressentido. Já estava cansado de experimentar tantas sensações diferentes em um intervalo tão curto de tempo e resolveu acabar de vez com aquilo. &lt;p align="justify"&gt;_ Só falei contigo porque não consegui ficar indiferente à tua presença. Senti uma atração muito forte e fiquei com vontade de ter aqui nessa merda de balcão e depois pro resto da vida. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Então ele se sentiu em paz. Baixou a cabeça para rir e se acostumar com aquilo. Não sabia qual seria a reação dela, mas não esperava aquela reação dele. Essa sensação ele ainda não havia experimentado no meio de tudo aquilo e estranhou quando seu coração desacelerou. Sentiu saudades da adolescência, lembrou dela e riu de novo. Ela o olhava franzido a testa, talvez estivesse sem jeito ou constrangida, ou talvez estivesse esperando que ele arrancasse sua roupa. Mas ele balançou a cabeça, tirou uma nota de cinco reais do bolso, colocou no balcão, respirou fundo e saiu andando na chuva.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela ficou um minuto estática, assimilando tudo aquilo, depois saiu correndo atrás dele como uma louca desesperada. Colocou as sandálias nas mãos, pisou em poças e o encontrou ofegante, quase dobrando a esquina. Depois o beijou sem fôlego, sem pudor e sem razão... Não, isso não aconteceu. Ela só pensou “cada louco” e continuou comendo seu salgado xexelento, balançando a cabeça. Mas ele imaginou que isso poderia ter acontecido e voltou para casa com um novo sorriso infantil. Antes de dormir, relembrou como ele havia sido corajosamente idiota e se sentiu muito bem por isso. Ele teve consciência de que foi ingenuidade. Depois, tendo terminado de passar mentalmente as cenas, cogitou sorrindo que ela poderia ter se arrependido e decidiu voltar à padaria no dia seguinte. Sabia que pensar isso era igualmente estúpido e que as chances de revê-la eram bem pequenas. Então ele se permitiu fazer voluntariamente o que muita gente faz sem perceber: se fingir de burro e brincar com a sua esperança.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-1157106790680364767?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/1157106790680364767/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=1157106790680364767&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1157106790680364767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1157106790680364767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/01/brincadeira.html' title='Brincadeira.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-7077941454976486986</id><published>2011-01-20T06:34:00.001-03:00</published><updated>2011-01-20T06:50:31.111-03:00</updated><title type='text'>Casualidades Cruzando Fatos Demasiadamente Triviais E Os Levando A Consequências Totalmente Desimportantes.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “A verdade é uma faca de dois gumes”. Disse ele, pessimamente porre. Um dos piores tipos de porres são os terrivelmente filosóficos. Os amigos o olharam com aquela expressão de descaso que recebem os porres e um deles o aconselhou a parar de beber. Mas ele entornou outro copo de tequila e enfiou o limão no nariz antes de dizer num tom solenemente exagerado: “Vocês não aguentam a verdade, isso sim!”. Se levarmos em consideração que a existência da grande maioria das pessoas, incluindo aquelas presentes naquele bar/boate/antro, não diz respeito e não afeta significativamente a quase ninguém e considerarmos quase-ninguém um número fictício originário a partir da comparação da quantidade gigantesca de pessoas que dividem o mesmo planeta (talvez universo) que nós com o produto formado pela soma do número de nossos amigos/familiares/colegas-de-trabalhos/pessoas-que-podem-fazer-exatamente-o-mesmo-ou-melhor-aquilo-que-fazemos/conhecidos/seguidores-do-twitter, podemos considerar: a vida não passa de casualidades cruzando fatos demasiadamente triviais e os levando a consequências totalmente desimportantes. Em outras palavras, a vida é um troço muito louco.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Por acaso, no exato momento em que ele proferiu aquelas palavras, uma moça tremendamente alcoolizada passou por trás de sua cadeira, esbarrando nas pessoas que dançavam e borrando sua maquiagem com lágrimas de bêbada. Outro dos piores tipos de porres é aquele formado pelos tremendamente melancólicos. Ela teve um insight e, subitamente, parou de chorar, parou de andar e disse, enrolando as palavras num momento de total falta de lucidez: “Eu sempre disse isso!”. Ela ficou lá, imóvel, estática. Não queria nem mesmo respirar, com medo de que a menor perturbação no ar estragasse aquele momento que ela julgava ser um daqueles mágicos que precedem as coisas muito especiais. Ela sabia que aconteceria algo muito especial porque além de pertencer ao grupo dos bêbados melancólicos, pertencia ao subgrupo dos tristes bêbados otimistas que acham que sabem de tudo. Uma amiga do carinha, o primeiro bêbado, riu e comentou com o resto da mesa: “Gente, a verdade não está lá fora, ela tá dentro das garrafas de tequila”, então ela virou outro copo e aconselhou o resto da mesa a fazer o mesmo para aquela coisa toda fazer mais sentido. Ele levantou-se. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O rapaz era um rapaz normal, daqueles rapazes normais que tem de monte por aí e costumamos ver sem reparar*. A moça era mais chamativa: tinha uma beleza tão estranha que, de tão estranha que era, se parecia muito com feiura. Ele havia se levantado rápido, reagiu automaticamente à fala dela. Estava tão ansioso e frustrado por ninguém dar atenção às suas frases de impacto que nem notou que não conhecia quem disse aquela coisa simpática. Ele estava bêbado demais para distinguir traços fundidos aos borrões multicoloridos criados pelas luzes da boate, desistiu no milésimo de segundo que tentou fazê-lo: sentiu que ficaria com dor de cabeça, ou vomitaria, ou choraria ou talvez até acontecesse algo bem pior. Ela o olhou no fundo dos olhos, ou ao menos era isso que acreditava estar fazendo. Passado uns dez segundos, depois que ele finalmente se acostumou a ficar ereto sem sentir que iria cair, ele falou. O que aconteceu a seguir foi admirável: um dos diálogos mais bizarros, quiçá o mais nosense e babaca, que já aconteceu ou acontecerá naquele lugar que costuma abrigar os tipos mais variados de bêbados, idiotas, pessimistas, sonsos, poetas, escritores, porra loucas, intelectuais e outras pessoas que costumam se classificar e/ou agir de acordo com as características típicas e socialmente reconhecidas de gêneros humanos preconceituosamente definidos tão estranhos quanto os já citados.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _ Tu me entende... Disse ele com cara de quem é compreendido. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _ Claro que eu te entendo... Disse ela com cara de quem compreende. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _ A vida toda... Eu fiquei esperando... Alguém que realmente me compreendesse. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _Pra completar o vazio sem nome que tu não consegue preencher com nada? &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _Com nada... Porque nada é o que são todas as coisas agora. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _Hã... Que coisas? &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _As coisas! O resto de tudo sabe? &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _Ah, agora eu sei. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _Tu sente o mesmo, não é? Sabe que ninguém te conhecia até agora, agora que a gente tá aqui.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _ Claro! Eu vivo dizendo isso pra minha mãe, sabe. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _ Tua mãe? &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _ É! Eu digo pra ela pra ela largar do meu pé porque ela não me entende. HAHAH  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _ Ah... Tu é muito legal, sabe?  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _ Eu sei!  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; (...) &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _ Mas tu me entende, né? Tu sabe a verdade? &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _ Claro que eu sei. Ninguém te entende, eu não me entendo, as pessoas não se entendem, a sociedade é hipócrita, abaixa o capitalismo, essas coisas todas. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _ Isso foi engraçado. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _Eu sei! Tu me entende também. Eu te amo, cara. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _ É! Eu te amo também, cara. Vamos sair daqui e se amar longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _Porra, Legião! Eu te amo mesmo! &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _Vou vomitar. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; _Não em mim, seu merda! &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os dois saíram cambaleando, agarrados. Os amigos do rapaz tentaram impedir, mas ele mandou eles irem para perto da casa do caralho e já estava todo mundo meio sem paciência/meio bêbado então deixaram por isso mesmo. Uma amiga da moça estava vomitando no banheiro, a outra estava sentada num lugar isolado, arrependida de ter saído de casa, enquanto as outras duas estavam dando apoio moral à primeira, então ninguém deteve ou viu quando a garota saiu atracada com o carinha. Foram até o carro dele e o carro dele os levou até perto do quarto dele e lá eles se “amaram” (transaram loucamente). No outro dia, ela acordou assustada e só não gritou porque imaginou que o barulho do grito pioraria sua dor de cabeça e porque sentiu um pudor que há tempos não sentia. Não se lembrava de nada. Um estranho, nu, babava no travesseiro. Ela se sentiu dolorida, invadida, arrependida e suja. Sentiu vontade de chorar e chorou. Um fato curioso causado pela amnésia alcoólica é que ela transforma memórias recentes, geralmente da noite anterior, em coisas parecidas a fragmentos de sonhos estranhos: por mais que tentemos ligar, esticar, copiar e colar, não deixam de ser fragmentos. Outro fato curioso é que sonhos, mesmos aqueles que não são tão estranhos, são estranhos por natureza.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A verdade é que naquele dia, após meses adiando, ele fez o teste para HIV e o resultado deu positivo, então resolveu chamar os amigos e abrir o jogo. Ele não imaginava que teria que ficar bêbado para fazer isso e também não imaginava que fosse tão difícil contar isso mesmo bêbado. A morte é um troço tão louco quanto a vida: uma das diferenças básicas é que da morte não sabemos nada, no caso da vida pensamos que sabemos alguma coisa. Outra é que na vida costumamos nos mexer muito mais do que na morte. Voltando, pela lógica, podemos considerar que o fim da vida do rapaz, como o fim da vida da grande maioria das pessoas é: um fato demasiadamente trivial causado por uma casualidade que afeta significantemente a vida de quase ninguém. A não ser, é claro, que ele fosse a reencarnação de Jesus e ressuscitasse no terceiro dia, o que é muitíssimo improvável, já que isso desrepeita muitos dogmas e seria inaceitável para igreja Jesus morrer de AIDS, eu acho. De qualquer forma, algumas pessoas sofrerão e/ou sofreram. Não é o nosso caso, graças a deus. Porém, também não é o caso de nossa intrépida heroína que se recordou num momento pífio de lucidez, causado por uma sinapse neuronal muito oportuna que a lembrou de ter tido suspeito de gravidez a umas semanas, de usar a bendita camisinha. Ela nunca mais viu o cara e nem desconfiou que fosse porque ele havia morrido meses mais tarde: uma consequência tão desimportante para ela quanto para o resto de todos nós. &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp; &lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="1"&gt;*Saramago escreveu “se podes olhar vê, se podes ver, repara”.&lt;/font&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="1"&gt;Não sei porque o diálogo ficou tão fora de formatação, tentei ajeitar e não consegui. ):&lt;/font&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="1"&gt;Me diverti muito escrevendo isso. Espero que alguém também se divirta. Obrigado por ler até aqui… Ou obrigado pela curiosidade que fez você ler só isso aqui.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-7077941454976486986?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/7077941454976486986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=7077941454976486986&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7077941454976486986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7077941454976486986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/01/casualidades-cruzando-fatos.html' title='Casualidades Cruzando Fatos Demasiadamente Triviais E Os Levando A Consequências Totalmente Desimportantes.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-2073035539451212110</id><published>2011-01-09T02:24:00.001-03:00</published><updated>2011-01-09T02:44:32.663-03:00</updated><title type='text'>Totó</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Meu cachorro morreu na madrugada de segunda pra terça-feira (03/01/2011), aos 17 anos, vítima de uma terrível doença incurável que eu não sei qual é. É uma doença que estroncheia, e nos últimos meses o Totó (levem em consideração que eu tinha só uns 4 anos quando o batizei e por pouco ele não se chama Mocotó em homenagem ao cara da Malhação) estava muito troncho e gagá. Era um vira-lata quase-pequeno preto. Teve uma morte dolorosa: não conseguia comer, beber ou ficar de pé nas quatro patas. Ele latiu muito durante umas duas semanas porque estava com dor. Nas últimas horas só teve forças pra chorar. Desconfio que ele não queria morrer, mesmo não sabendo exatamente que iria morrer, o que é morte, se existe Deus, qual o sentido da vida, pra onde se vai depois que se morre e se lá tem Coca-cola. Ele gostava de Coca-cola. Eu não sei se Coca-cola mata, mas ele morreu de uma terrível doença incurável que eu não sei qual é, não de beber Coca-cola. Espero, sinceramente, que essa terrível doença não seja provocada pela ingestão de Coca-cola porque eu não quero morrer e também não sei se há Coca-cola depois da morte.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sua biografia tem poucos fatos marcantes, tendo em vista que o bicho vivia no quintal de casa só saindo em acasiões muito especiais, como as campanhas de vacinação. Quintais não são lugares muito animados quando não tem criatividade pra brincar ou inventar histórias. Totó estimulava sua primitiva imaginação praticando entusiasticamente fitofilia com as folhas do açaizeiro que caiam em nosso quintal. Há uns anos, nós cortamos o açaizeiro e o Totó teve que se contentar com vassouras inocentes esquecidas por engano no quintal. Felizmente, faz um tempo que ele já havia perdido sua libido sexual poupando-nos do baralho constrangedor ecoando pela madrugada gerado por um cachorro comendo uma vassoura. Especulasse que morreu “virgem”: na única tentativa de acasalamento com outro sujeito da mesma espécie de gênero oposto que temos conhecimento, encontramos a pobre cadela assustada e encolhida na lavandeira. Ninguém sabe o que aconteceu naquela madrugada, mas a pobre cachorra nunca mais foi a mesma.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Todos os dias alguém ia ao quintal e dava atenção a ele, mas Totó não recebeu carinho o suficiente pra crescer como um cachorro sem complexos. Ele não era muito amistoso com estranhos e por causa disso tinha fama de brabo. Na verdade, ele era mesmo brabo e em seu histórico criminal constam tentativas de homicídio. Totó já provou o sabor do sangue humano. Mas no fundo ele tinha bom coração (eu acho). Um dos fatos mais marcantes e curiosos de sua vida foi uma automutilação provocada sem motivos aparentes: Totó, após anos de tentativas frustradas, conseguiu morder e comer seu próprio rabo. Fez isso a sangue frio, sem emitir gemidos de dor. O único barulho que se ouvia era dos dentes esmagando ossos. Presenciei a cena chocado, mas à época eu ainda não era esperto o suficiente pra filmar, colocar no Youtube e tornar Totó mundialmente famoso. Um terapeuta canino diria que ele era esquizofrênico e estava sendo vítima de estresses insuportáveis, mas eu digo que ele fez aquilo porque não gostava do rabo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Minha relação com Totó era muito pacífica: ele ficava no canto dele e eu no meu. Às vezes eu aparecia por lá, falava com ele, jogava um biscoito e em algumas ocasiões até passava a mão em sua cabeça. Sentia um pouco de nojo porque Totó, apesar de não se importar em tomar banhos de chuva, só tomou dois meio-banhos em toda sua vida. Ele odiava que jogassem água nele e algumas das tentativas de homicídio mencionadas anteriormente foram motivadas por isso. Se Totó fosse católico e supersticioso, talvez tivesse vontade de morder São Pedro. Eu, particularmente, não entedia porque o cachorro não entrava na casinha que construímos especialmente pra ele. Acho que não o agradava o lugar no quintal em que ela foi erguida, mas, quem sabe, o problema fosse a arquitetura: às vezes ele gostava de ficar embaixo dela. A casinha foi demolida a fim de evitar recordações que possam provocar nostalgia, melancolia ou algum tipo de tristeza. Uma parte de mim achou isso de uma frescura sem tamanho.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu gostava do Totó porque eu havia me acostumado com a presença dele no quintal e porque fui psicologicamente estimulado durante vários anos a considera-lo uma parte da família. Antes de ficar idoso, ele sempre latia ao ouvir o barulho do carro quando chegávamos em casa e parecia se alegrar sinceramente quando nos via. Acho que ele gostava da gente: em parte porque erámos sua única família e ele não tinha escolha e, principalmente, porque o alimentávamos. Às vezes eu ia lá e falava coisas pessoais e ele me olhava com aquela cara de bunda que algumas pessoas interpretam como clara compreensão dizendo coisas do tipo: “ele me entende, parece gente”. Eu interpreto como total incompreensão criando uma expressão neutra que, se formos reparar bem, se parece muito com perplexidade. Pessoalmente, se eu fosse um cachorro e alguém viesse falar comigo pensaria algo como: “o que essa gente tá tentando me fazer entender!? Eu sou um cachorro, caralho... Tô com fome. Será que ele vai me dar comida? Quero comida, porra! *latido feliz*”. Eu olhava o Totó nos olhos enquanto ele me olhava de volta e certas vezes até tentava me comunicar telepaticamente com ele, mas o Totó era só um cachorro como outro qualquer e não uma mascote do Professor Xavier. Eu gostava da sua cara simpática e do jeito imbecilmente fofo que as patas traseiras dele ficavam quando se deitava. Suas atividades favoritas eram: comer, beber e olhar pra o nada. Foi enterrado no terreno ao lado de casa e eu espero que não vire uma assombração, dada à proximidade com o meu quarto. Teve uma vida tranquila e eu vou sentir sua falta.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-2073035539451212110?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/2073035539451212110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=2073035539451212110&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2073035539451212110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2073035539451212110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2011/01/toto.html' title='Totó'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-6280078031355875007</id><published>2010-12-17T02:10:00.001-03:00</published><updated>2010-12-17T11:49:01.950-03:00</updated><title type='text'>Joana</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Joana, desde menina, sonhava em fazer revoluções. Aos oito, queria mudar o mundo todo porque ele era cinza demais. O mundo de Joana era um quintal cimentado. Lá, só tinha verde balançado nos galhos de uma goiabeira solitária. A garota teimou que queria um gramado pra rolar que nem o labrador que tinha visto no comercial de ração. Usando tinta guache, folhas amassadas e Tylenol, ela inventou um produto químico para transformar folhas em grama. A menina pintou um quadrado torto grande o suficiente para sentar com suas cinco bonecas e decretou que ali ela reinaria. A goiabeira morreu quatro dias depois, quase nua. Joana chorou e batizou seu quadrado de Império da Goiaba. Brincou lá sete tardes e rezou sete Pais-Nossos pra árvore. Mas daí choveu fino numa noite e no outro dia só restou do reino de Joana uma mancha verde clara e disforme.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; A garotinha ficou sem comer por três dias e seus pais, preocupados, queriam levá-la ao hospital. Quando foram conversar com ela sobre a situação, Joana surtou. Num excesso de fúria, a menina chamou Deus de irresponsável, injusto e filho de uma puta, quebrou um copo de vidro no chão, chutou paredes e gritou pedindo a árvore de volta. Depois de alguns minutos, ela correu para seu quarto e se deitou soluçando até dormir. Seus pais ficaram atordoados, não sabiam direito com quem ou como a menininha tinha aprendido aquelas coisas. A mãe culpou a Tv, o pai culpou a mãe e a empregada disse que ela estava com o capeta no corpo. Na dúvida, ninguém fez nada. Joana acordou duas horas depois, abraçou os pais, pediu desculpas a eles e a Deus e foi assistir desenhos. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Os pais foram conversar com ela e Joana explicou que estava doente de tristeza e que tinha o direito de não comer. Ela disse que matou uma árvore pra nada e que morrer por uma causa inútil é muito dramático, logo, precisava agir à altura. Contou que quando a tristeza é muito grande, ela precisa ser exagerada pra ser bem compreendida. A mãe de Joana, espantada, perguntou onde ela tinha ouvido aquilo e a menina disse que sabia porque sabia. O pai insistiu, mas a garotinha só falava que não ia acontecer de novo porque já aprendeu. Angustiados, os dois pediram pra ela explicar de novo. Então, Joana disse que só fez aquilo porque estava com raiva. Os pais fingiram que entenderam, abraçaram a garota e pediram pra ela não fazer mais nada parecido. A mãe foi ver novela, o pai foi fazer relatórios. A menina ficava muito tempo com ela mesma. Quando nos conhecemos bem demais, ficamos meio estranhos aos olhos dos outros.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-6280078031355875007?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/6280078031355875007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=6280078031355875007&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6280078031355875007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6280078031355875007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/12/joana.html' title='Joana'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-1940418503306572570</id><published>2010-11-25T06:29:00.001-03:00</published><updated>2010-11-27T18:30:04.230-03:00</updated><title type='text'>Memórias Póstumas De Um Quase-Anônimo Qualquer.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Enquanto os outros corriam, gritavam, corriam e gritavam ao mesmo tempo, eu bocejava. E a pressa que impulsionava todo mundo esqueceu de me dar corda. Daí sobrou pra mim ficar reparando a bagunça. E eu achava engraçado: era uma ânsia tão grande de viver, que as pessoas iam vivendo de qualquer jeito. Eu preferia ficar parado até eu saber onde eu queria chegar. Mas eu acho que, pra eles, não importava muito onde se queria chegar, o importante era ir. Mas eu não ia: quase ninguém se importava com as coisas que me importavam, eu é que não ia ficar supervalorizando as importâncias dos outros. Eu via o pessoal indo, indo, indo… E dava vontade de dizer: “Calma!”. Eu queria falar que, vivendo todas aquelas coisas ao mesmo tempo, ninguém ia conseguir aproveitar direito nenhuma delas. Eu acho que as coisas necessitam de paciência e dedicação. Se tu vive uma coisa de qualquer jeito, acaba que não vive ela direito. Mas se eu dissesse isso iam me chamar de louco, e eu podia ser preguiçoso, mas louco eu não era. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Também notei que todo mundo queria aparecer. Tiravam fotos, twittavam, berravam, dançavam… E, sabe, eu nunca entendi isso direito. Eu toda vida achei que mais importante do que quem tu é, é o que tu faz. Bom, eu sempre procurei dar atenção às coisas que eu fazia, até porque eu era mais tímido do que interessante. E, além disso, ora, minha vida só dizia respeito a mim. E, meus deus, por que as pessoas queriam ser vistas se elas não tavam fazendo nada? Elas só tavam vivendo, viver todo mundo vive. Acho que era pra fazer inveja: pra mostrar aos outros que, enquanto eles seguiam suas vidinhas paradas ou não podiam viver daquele jeito, ali estavam elas: eufóricas e afobadas. Mas a minha vidinha foi bem parada e eu nunca me importei com isso, não. Porque, sabe, eu gostava de observar, de interpretar, de ouvir… Como é que eu ia enxergar se eu estivesse sempre preocupado em ser visto?&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Eu lembro como se fosse hoje. Acho que eram umas dez ou onze da manhã e o céu tava azul, azul, azul. Assim mesmo, três vezes azul. Era um azul tão bonito que eu não conseguia tirar os olhos dele. Não sei quanto tempo fiquei lá em pé no meio de tudo, encantado com aquele céu. As pessoas me olharam, depois olharam pra cima e não entenderam nenhum de nós dois. Eu disse que eu iria ficar ali um pouquinho. E, sim, eu sei que o céu tá em todo canto, mas eu gostei daquele pedacinho. Eu tava cercado de gente, mas eu acho que se cansaram de mim e foram embora. Eu lembro de ter ouvido alguém me chamar sem muita esperança de eu ir&amp;#160; e eu não fui mesmo. Fiquei sozinho olhando o azul. Se eu me concentrar bem, ainda consigo sentir o cheiro de maçã-do-amor misturado com o de pipoca. Era um cheiro tão bom que eu fechei os olhos pra cheirar direito. Então eu ouvi o grito que foi a última coisa que eu ouvi. Quando eu abri os olhos já não tinha mais jeito. O carrinho de algodão-doce já tava a toda velocidade descido da ladeira, com pressa de me matar.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Às vezes eu penso que se eu fosse um pouquinho menos lerdo eu estaria vivo. Mas fazer o quê, né? A vida era imprevisível demais, uma loucura. Pelo menos eu tive uma morte&amp;#160; memorável. Não me perguntem como, mas alguém filmou e colocou no Youtube. Quase todo mundo já viu! Eu aparecei até em programa americano. Tenho crises de risos quando penso nisso. Ando rindo mais. Morrer melhorou muito meu humor. Ora, se eu não sou lembrado pelo o que eu fiz, pelo menos sou lembrado pelo jeito que eu morri. Por mim tudo bem: só tinha medo que me lembrassem por quem eu fui, porque quase todos me achavam meio chato. Mas, sabe, até que desse lado não é tão ruim: tenho tempo de sobra pra olhar os outros, e, mesmo se eu tivesse pressa, ela seria inútil aqui em cima. Ainda não descobri se vou ter que viver outra vida ou não, mas essa é minha única preocupação: me manter morto. Ah! O pessoal até chorou! Depois eles riram, mas não tem importância. Felizmente estavam todos seguros na montanha-russa.&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-1940418503306572570?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/1940418503306572570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=1940418503306572570&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1940418503306572570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/1940418503306572570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/11/memorias-postumas-de-um-quase-anonimo.html' title='Memórias Póstumas De Um Quase-Anônimo Qualquer.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-2676155889203296239</id><published>2010-11-19T00:43:00.001-03:00</published><updated>2010-11-19T00:43:01.932-03:00</updated><title type='text'>Mini-tragicomédia moderna.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Quarta-feira. Noite. Restaurante italiano. Mesas vazias. Dois caras de terno e gravata. Pratos de espaguete. Copos de Coca-cola. Garçons entediados observando o trânsito parado. Cheiro de vinho tinto. Novela na LCD. Dores de cabeça. Preocupações. Dois pontos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;_ Porra, cara, às vezes fica foda, né? Respira fundo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;_ Hã? Pensando em uma resposta.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;_ Lá... Às vezes fica foda. Esperando o silêncio.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;_ Às vezes fica, mas a gente é pago pra se ferrar também. Esboço de riso.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;_ Preciso viajar, tirar umas férias. Desfaz a postura.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;_ Isso todo mundo precisa... Mas sem grana não tem férias, é por isso que a gente se ferra. Gole de coca.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;_ Se fode. Corrigindo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;_ É, a gente se fode... Corrigindo-se.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;_ A gente se fode pra parar de se foder um poquinho? Segurando o riso.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;_ Caralho... Não sabia que tu também é filósofo. Gargalhando tímido.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;_ E eu não sabia que tu falava “caralho” e conjugava o verbo “foder”. Soltando o riso.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Conversas. Saídas. Revelação. Alegria. Três meses. Tiraram férias. Viajaram. Se foderam. Tudo ao mesmo tempo. Casaram na Argentina. Adotaram um vira-lata. Foram discriminados. Um se matou. O outro entrou em depressão e morreu. Ponto final.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-2676155889203296239?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/2676155889203296239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=2676155889203296239&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2676155889203296239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2676155889203296239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/11/mini-tragicomedia-moderna.html' title='Mini-tragicomédia moderna.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-948447640467488177</id><published>2010-11-17T01:16:00.001-03:00</published><updated>2010-11-17T01:19:00.300-03:00</updated><title type='text'>Cartinha ao leitor.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Tempão, hein? Lembro da época em que eu ficava angustiado quando não tinha post novo toda semana. Lembro que eu me espremia até sair qualquer coisa... Bom, não era difícil: Eu vivia carregado de coisas (ruins, a maioria). Lembro que eu comecei dois livros intermináveis e uns quatro casos sem solução. E eu era dramático e ingênuo. Complicava coisas simples de um jeito tão sincero que até ficava bonito. Eu era esperto como sou esperto agora, mas era teimoso inventando verdades que eu não podia acreditar. Eu escrevia pra me libertar, pra me compreender, pra me fazer entender, pra ferir, me ferir... Escrevia por vaidade. Pra mostrar que eu sei fazer. Por sadismo e um pouquinho de masoquismo também. Pra me sentir útil e pra eu reconhecer o meu valor. Pra receber elogios e amenizar minha insegurança. Pra desconstruir neuroses criando outras. Acho que eu escrevia porque era necessário. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Agora não é mais necessário. Eu gosto de escrever, mas, aparentemente, gosto mais de fazer outras coisas. Preciso aprender a fazer o blog sobreviver a isso. Eu acho que curei minha insegurança crônica (ou quase isso). Resolvi dramas que eu pensava que eram mortais. Passei a conviver e a aceitar meus sentimentos sem supervalorizar besteiras. Descobri que muita gente já disse o que eu já disse antes de mim de um jeito bem melhor que o meu (opinião pessoal). Não sinto mais falta de elogios de estranhos pra me provar que eu faço isso bem. Faz tempo que não sinto o impulso de escrever que vinha, geralmente, quando eu tava melancólico e introspectivo me entregando ao tédio, quase que de propósito, pra me lamuriar depois aqui. Aprendi a dizer o que eu quero dizer sem ser prolixo, sem envolver tudo numa trama absurda ou numa construção poética cheia de sinestesia e metáforas loucas, como se o meu ponto de vista fosse importante ao ponto de justificar tantas palavras. Devo ter amadurecido.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Escrever dá trabalho e exige uma disciplina que eu não tenho. Eu faço com certa naturalidade, mas não é simples. Faz quase duas horas que to digitando e apagando e só sobraram dois parágrafos. É um trabalho que eu não preciso ter, ainda. Vou ser jornalista, sabe? Aí vão me pagar pra eu escrever. Não quero desmerecer os comentários de quem comenta, eu valorizo muito isso. Milhões de coisas distraem a gente na internet, dedicar dois minutos pra emitir uma opinião é algo muito significativo. Mas eu tenho outras prioridades. Tipo... Sei lá, jogar videogame. É mais divertido que escrever. Me cobro quando digito. Eu sou muito autocrítico. Aliás, to achando isso tudo uma merda e se tu estás lendo isso agora é porque eu já liguei o foda-se e isso era pra ser uma conversa... O que é meio ridículo, porque eu to falando sozinho faz quase duas horas... Enfim, o que vocês tem a dizer? O que vocês querem ler? Perguntas é que não é, né? Se eu fosse vocês só responderia: “Algo melhor que isso”… Mentira, não falaria nada, tenho preguiça. Até mais.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-948447640467488177?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/948447640467488177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=948447640467488177&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/948447640467488177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/948447640467488177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/11/cartinha-ao-leitor.html' title='Cartinha ao leitor.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-2708480215024170653</id><published>2010-10-28T04:36:00.001-03:00</published><updated>2010-10-28T04:40:36.305-03:00</updated><title type='text'>Preenchimento.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Quando ouviu o “tac” da porta atrás dela, teve quase certeza que a vida havia mudado. Ela ficou estática na entrada da sala ouvindo a própria respiração, sentindo o mundo girar. Prestou atenção no silêncio esperando ele ser quebrado por alguém escondido em um dos quartos. Ela não ouviu qualquer som além dos ruídos que as coisas fazem quando estão sozinhas. Os olhos dela vagaram pelos móveis durante alguns segundos enquanto seus lábios se afastavam um do outro devagar. Abriu a boca a ponto de poder meter, sem esforço, uma bolinha de ping-pong goela abaixo. Ficou admirando o quão idiota estava seu reflexo na LCD. Não que ela estivesse espantada ou aterrorizada ou surpresa: só queria engolir aquele momento. Ela acreditava que quando comemos aproveitamos a parte boa das coisas. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; O silêncio da sala se estendia feito um véu fino até os outros cômodos do apartamento. Eram duas horas e o mormaço se espalhava envolvendo os sofás, as estantes, a Tv, o home theater, porta-retratos, relógios, vasos, fantasmas, lembranças, os quadros, a mesa, objetos-terrestres-não-identificados, cadeiras e ela. A janela estava semi-aberta e as cortinas brancas dançavam com o vento. O feixe de luz vindo da varanda andava pra lá e pra cá de acordo com a posição do tecido branco. Ela permanecia calada, imóvel, observando como sua casa é quando ninguém mora lá. Pensou na quantidade de lugares assim, espaços que existem sem alguém ou algo existindo neles. Questionou-se a respeito da necessidade de haver pessoas ocupando casas como aquela, ocupando lugares que estavam bem antes de serem ocupados. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Descalçou-se, deitou-se no tapete de peito para cima e ficou procurando detalhes no teto ampliado pela distância. “O teto só parece sempre igual, mas tá cheio de pequenas nuances, sujeirinhas, rachaduras... Nada é totalmente igual. Merda.”Ela pensava em coisas aleatórias como o teto, o lixo, o barulho, pessoas mal educadas, poluição, falta de espaço, pobreza, até que subitamente lembrou que queria entrar na internet e pensou em checar os emails, baixar uma série, terminar o trabalho, talvez falar com alguém e ouvir uma música qualquer, mas falar com quem e ouvir o quê? Queria dizer que estava sozinha. Só isso: “Estou sozinha. Tchau”. Achou que precisava auto-afirmar sua solidão para deixá-la bem grande. Ficou deitada no chão, porque era mais fácil.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Aí ela sentiu necessidade de música e levantou-se.&amp;#160; Ligou o som e a sala passou a ecoar o violão e a voz doce do Caetano Veloso. Coisa mais bonita é você, assim, justinho você, eu juro, eu não sei por que você, você é mais bonita que a flor, quem me dera a primavera da flor tivesse todo esse aroma de beleza que é o amor, perfumando a natureza numa forma de mulher... E ela cantou baixinho, sorrindo, dançando abraçada a si mesma: se amando como se fosse outra, como se fosse um príncipe, fingindo que se bastava. E era verdade, porque não havia quem a desmentisse. E não havia o que fazer porque ninguém a cobrou nada. Não havia o que querer, pois não havia ninguém para dar. E nada aconteceu fora ela, livre para ser ela. E viver realmente havia mudado: vivendo a ausência dos outros, ela teve a fantástica ilusão de que toda sua vida dependia apenas dela. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-2708480215024170653?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/2708480215024170653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=2708480215024170653&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2708480215024170653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2708480215024170653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/10/preenchimento.html' title='Preenchimento.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-9170785852152524665</id><published>2010-10-14T01:46:00.001-03:00</published><updated>2010-10-14T01:51:42.776-03:00</updated><title type='text'>Para a Menina-que-fez-meu-coração-crescer.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Não sabia conhecer assim, aos poucos. Com calma, prestando atenção mais nas pequenas partes que no todo. Os erros sucessivos que cometi vieram sempre da afobação de desvelar essências sem cuidado, como se fossem bombas e eu tivesse que explodi-las pra senti-las inteiras. E eu tentava devorar tudo de uma vez, quebrando, sem provar o sabor das pequenas descobertas. Me enganei acreditando que escancarar o que está implícito é a única forma de conhecer por inteiro. Achava que a pressa era justificável, mas ela perde o sentido quando o tempo fica dilatado. Quando as horas ficam suspensas e tudo que ocupa lugar no espaço se cala. Tu me fez compreender que as coisas grandes exigem cuidado. Que é preciso delicadeza pra descobrir segredos e paciência pra dar atenção merecida aos detalhes. Que não é preciso forçar o que ocorre naturalmente. Que pra compreender é preciso respeitar. Que a felicidade e a simplicidade são irmãs. Agora eu entendo que conhecer é uma conquista recíproca, não uma invasão. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Ao mesmo tempo em que já sabemos o fundamental, ainda falta tanto. Coisas a serem ditas, histórias a serem contadas, manias bestas, gostos estranhos, medos secretos, partes ocultas, palavras indizíveis... E cada pedacinho teu é tão bonito de se ver. A certeza de que a gente se faz muito bem deixa o futuro um pouco menos improvável. Sei que tu vai continuar cheirando a ti, com teu mesmo gosto doce, o riso fácil e a grandiosidade por trás dos teus olhos quase-verdes. Mas o que importa é agora. Agora que minhas ambições ficaram menos urgentes que a vontade de ti. Agora que sinto essa paz estranha contigo perto. Quando a gente se tem de forma tão singela que o silêncio fala baixinho por nós. Agora que percebi que tua dor me dói do mesmo jeito que teu sorriso se estende até minha boca. Depois... Depois eu não sei, mas agora eu queria que ainda estivesses do meu lado quando eu descobri.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;Dedicado à Thayna,&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;Pra ela ficar mais feliz. E eu também.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-9170785852152524665?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/9170785852152524665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=9170785852152524665&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/9170785852152524665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/9170785852152524665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/10/para-menina-que-fez-meu-coracao-crescer.html' title='Para a Menina-que-fez-meu-coração-crescer.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-990875514944596324</id><published>2010-09-24T01:28:00.001-03:00</published><updated>2010-09-24T08:08:57.198-03:00</updated><title type='text'>Vago.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Tranca a porta e suja os papeis. E inventa, mesmo que seja errado, inventa. Lá fora as pessoas se agrupam, mas não se compreendem. Falam, mas não se explicam. Mas tu podes justificar a incompreensão e matá-la. As coisas ficam meio sem sentido, às vezes, eu sei. Daí tu precisa criar o sentido, ainda que seja só teu, faz dele tua verdade. Vai, basta olhar em volta e descrever como deveria ser. Nem é tão difícil. Só é te ouvir, ouvir teu silêncio. Longe do barulho desnecessário que tanta gente faz. Aproveita a agonia doce da liberdade. Porque tu és livre, mas não sabes o que fazer contigo. Sente o peso da tua sinceridade desvelando medos. Os medos são sagrados. A luz que entra pela janela ilumina quase nada. E o importante é a luz, não o que ela quase ilumina. Deixa a luz te comover com a fraqueza dela, a inutilidade dela. A pobre claridade tentando mostrar o que não dá pra ser visto. Como as palavras que tu desperdiças tentando expressar o que não tem definição ou forma. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; É só um rio de letras fluindo sozinho, por vontade imprópria. Agora que tu já mergulhaste nele, deixa a correnteza fluir dentro de ti. Brinca com a sensatez que tenta dar coerência às sensações e metaforizar o inexplicável. Ela só serve de desculpa pra ti não te afogar. Sente os poros se abrindo na tua respiração profunda e te entrega à loucura. Não há sanidade quando se perde a lógica. E tu não tens mais nexo. Tu ficas sem coesão e desistes de achar sentidos. Até que apático e quase sem temores, tu morres com o rio. E tu te desfazes indefeso e frustrado. No entanto, não tenho piedade de ti. Eu sinto que algo é belo quando percebo que as coisas que o compõe estão como deveriam estar. A beleza é a única desculpa válida pra vida. Acho bonito teu corpo assim, perdido.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;Aproveitem. Coloquem uma música delicada e leiam três vezes. Não queria dizer nada de novo, só queria dizer. Na verdade, eu escrevi porque não sabia mais o que fazer. Não que eu esteja desesperado, muito pelo contrário, é que eu fico meio confuso vezenquando. Sei que tem gente que só quer ouvir. Se bobear, alguém vê até beleza nisso. E, como a beleza vai ser pra sempre essencial, talvez isso seja útil de algum jeito. Esse é o meu “alô” pra quem, como eu, acha esse negócio de existir muito estranho.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-990875514944596324?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/990875514944596324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=990875514944596324&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/990875514944596324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/990875514944596324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/09/vago.html' title='Vago.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-4819356424934228378</id><published>2010-09-18T13:39:00.001-03:00</published><updated>2010-09-18T13:42:07.780-03:00</updated><title type='text'>Sobre imprevisões.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Não dá pra saber o que vai acontecer. O tempo é uma ideia tão abstrata que qualquer coisa que foge do agora se torna invenção. É inútil ficar analisando, revirando ou discutindo consequências que nem existem ainda. Qualquer suposição, mesmo baseada em uma cadeia infinita de repetições, não passa de hipótese provável. As previsões são apenas brincadeira de adivinhar. A certeza é superstição. A gente não é número pra virar fórmula e variáveis produzindo resultados lógicos e inalterados. Somos mutáveis, inconstantes, surpreendentes, humanos. Os humanos são animais que aprenderam a controlar os instintos e a contrariar a natureza. Somos cheios de defeitos e contradições, mas tomar consciência disso e tentar melhorar foi o que nos faz manteve e nos manterá vivos. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Sei que muitos de nós causam vergonha e asco e, às vezes, lamentamos por pertencermos a esta raça, mas há outros que compensam os primeiros e nos dão esperança e força. A gente precisa se unir com quem nos compreende pra viver em paz e fazer a nossa parte pra melhorar a merda toda. Uns erros que eu cometi ficaram pra trás junto à parte minha que eles me custaram. A gente muda quando mudamos nossos valores. E eu não pretendo desequilibrar minha balança de novo desvalorizando coisas que me fizeram falta no passado. Sei lá se vou conseguir ou não, mas vou fazer o meu melhor (ou menos pior). Sei que não adianta se preocupar com futuro porque ele é o medo de algo inexistente. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Viu, migs?&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-4819356424934228378?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/4819356424934228378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=4819356424934228378&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/4819356424934228378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/4819356424934228378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/09/sobre-imprevisoes.html' title='Sobre imprevisões.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-2132481728639096948</id><published>2010-09-05T06:16:00.001-03:00</published><updated>2010-09-05T06:23:02.586-03:00</updated><title type='text'>Chuvinha.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; A menina corre pela chuva com a barra do vestido nas mãos. E ela vai desabalada pisando em poças, carros e pessoas. Corre tão despreocupadamente que poderia correr de olhos fechados. E se, por acaso, acontecesse de dar com a cabeça numa árvore desavisada ou de esbarrar com um passante e seu guarda-chuva super-protetor, bom, ela os derrubaria sem piedade e seguiria sua correria como se não fosse nada. Ela não sabe exatamente pra onde vai, mas vai indo assim mesmo. Nem vou tentar entender como ela aguenta carregar essa solidão encharcada. Nem a garotinha sabe. Só sabe que chove e que é gostoso sentir a chuva batendo na cara. Segue nadando, comendo o vento e fazendo calor. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Mas, de repente, igual a tudo que acontecesse de repente, para de chover. A menininha também para de correr. E ela se vê tão perdida que o desencontro acaba virando tristeza. Ah, se eu fosse o mundo, eu me arranjava e fazia outra chuva bem rapidinho só pra ela voltar a caber em mim direito. Porque agora ela chora um choro imenso e quieto. Um chorinho tão grande e molhado&amp;#160; que faz a&amp;#160; garotinha se lavar todinha da chuva. Então, antes que as lágrimas se acostumassem a nascer sozinhas, ela começa a soltar risos pra acompanhar a choração. E eu fico pensando: ela ri porque não pode fazer nada mais que isso ou porque descobriu que não precisa do céu pra chover? Vai ver é os dois…&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-2132481728639096948?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/2132481728639096948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=2132481728639096948&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2132481728639096948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2132481728639096948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/09/chuvinha.html' title='Chuvinha.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-9012337573070606755</id><published>2010-08-30T01:46:00.001-03:00</published><updated>2010-08-30T01:46:08.299-03:00</updated><title type='text'>Despedaços.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Há segredos nos minutos que antecedem o sono. Quando a nossa mente vaga meio sem rumo, mareando águas passadas, buscando se afogar. A gente começa a lembrar de coisas gastas, coisas de longe, agora já são quase rabiscos de coisas. Memórias quebradas cujos cacos a gente não mostra pra ninguém. São nossos quebra-cabeças inúteis, são peças teimosas que não ficaram pelo caminho. Cenas, falas, passeios, risos, dores, umas lágrimas. Qualquer coisa assim que veio junto com alguém que já foi embora. Gente com as quais dividimos uma parte da vida. Dividimos, na verdade, pra multiplicar, pra intensificar. Pra nos permitirmos sermos mudados, pra vermos tudo de outro jeito. Pra nos reafirmarmos sendo diferentes.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; De repente, acontece do que nos mudou se mudar da gente. Ir pra outro lado de um jeito tão estranho quanto veio pra o nosso. E descruzamos nossos caminhos, como se fosse normal, porque a vida é assim mesmo: cheia dessa normalidade aparente pra disfarçar toda nossa incompreensão. E aquele pedaço de vida vira memória. Quem era presente vira lembrança. Às vezes a gente pensa nessas coisas pra ajudar a dormir: tentando enganar o tempo pra ver se ajudamos ele a enganar a gente. E os pensamentos vêm tortos, desfocados. São segredos porque quem os fez foi embora e não pode mais ouvi-los. Daí sobra esse apertinho no peito, uma agoniazinha besta e a vontade de voltar atrás juntando caquinhos. Porque a vida é assim mesmo, toda despedaçada, despedaçando aos pouquinhos a gente. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-9012337573070606755?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/9012337573070606755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=9012337573070606755&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/9012337573070606755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/9012337573070606755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/08/despedacos.html' title='Despedaços.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-4667124024083916705</id><published>2010-08-25T02:56:00.001-03:00</published><updated>2010-08-25T02:58:45.009-03:00</updated><title type='text'>Saber comer.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Eu gosto da vida porque ela é imensa. Se a vida fosse pequena, repetitiva e entediante, eu não a suportaria. Imagina ter que ver os mesmos seis filmes todo o tempo. Ou ouvir sempre as mesmas oito músicas de um único CD. Ou falar só com as mesmas dez pessoas, entre gente da tua família e colegas desagradáveis da tua pré-escola. Ou passar a vida viajando entre três cidades minúsculas onde não há nada além de duas pracinhas sem nenhuma árvore e uma igreja evangélica extremista em cada uma delas. Ou ler sempre o mesmo livro, um livro universal e sem concorrentes, mais chato que a Bíblia, um maldito livro de autoajuda te ensinando a ser feliz num mundo com poucas coisas pra te fazer feliz, um livro escrito pela Ana Maria Braga! O inferno deve ser assim: um tédio eterno, entre sessões de sadomasoquismo e shows de rock... Ou talvez o céu seja até pior: cheio de anjinhos assexuados (e ainda sim afetados: purpurina rosa, cachinhos dourados irritantes e um sorriso de cu que só representa apatia) tocando harpa 24h por dia dividindo espaço com bilhões de almas morféticas jogando dama numa paisagem feita de nuvens fofinhas que não muda nunca. Por via das dúvidas, prefiro ficar por aqui mesmo. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Apesar dos pesares, eu pelo menos tenho certeza de que amanhã vai ser inédito. Tá certo que a vida às vezes fica previsível demais. A rotina vira uma sucessão de probabilidades que dificilmente não se concretizam. Mas eu tento sempre colocar algo novo no meu dia: um filme, um cantor desconhecido, um texto, um livro, uma conversa bizarra&lt;i&gt;, &lt;/i&gt;um caminho diferente, uma merda qualquer que mantenha meu bom humor. O dia vale a pena por pequenas descobertas. Pequenos prazeres, como cantar no banho. Além do mais, as probabilidades são incertezas, e como diz aquela música do Acioli Neto: “se avexe não, que amanhã pode acontecer tudo e inclusive nada&lt;em&gt;&amp;quot;.&lt;/em&gt; O futuro é indecifrável e pode sim surpreender a gente se estivermos abertos e nos oportunizarmos a isso. É preciso ter fé na gente, no acaso, nessa expectativazinha saudável de esperar pelo desconhecido. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Até bem pouco tempo atrás, eu não me permitia e não me ajudava a ser feliz porque achava que se eu não devorasse o mundo todo de uma só vez, eu estaria sendo medíocre. Mas a pior mediocridade não tá no que tu não vives e sim em como tu não vives. Tá certo que eu não tô viajando pelas Europa (ainda!), mas pelo menos eu não sou um idiota com a mente fechada que é totalmente avesso ao novo e ao que não compreende. Entendi que a gente precisa comer o mundo aos pouquinhos pra ir aproveitando direito o gosto das coisas. Hoje comi &lt;a href="http://filmow.com/filme/2491/desconstruindo-harry/"&gt;um filme fodástico do Woody Allen&lt;/a&gt; e um &lt;a href="http://umquetenha.org/uqt/?p=6919"&gt;CD lindo da Nara Leão&lt;/a&gt;. E eu posso ficar despreocupado porque vai ter sempre coisa pra comer. Afinal, somos mais de seis bilhões, né? :D &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;Extras:&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Hoje eu acordei indisposto e meio puto. Eu estudo de manhã, durmo poucas horas à noite e quase todos os dias da semana eu acordo assim, normal. Mas hoje aconteceu uma coisa engraçada. Bom, não muito... Foi divertido, vai. Enfim, na saída eu cumprimentei meio emburrado o porteiro e passei apressado pelo portão. Só que o porteiro não tinha aberto totalmente o portão e eu dei uma cabeçada filha-da-puta nele. Aí o cara ficou me olhando com uma cara de preocupado, eu olhei pra ele e tive uma crise de riso! Eu fiquei rindo passando a mão na cabeça e o porteiro ficou sem saber o que fazer. Acho que ele ficou indeciso entre o gelo e o psiquiatra e escolheu só dizer ‘’cuidado’’. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Esse negócio que aconteceu hoje de manhã me fez perceber que eu to muito bem. Eu to realmente em paz e equilibrado. Seis meses atrás eu voltaria pra casa e escreveria um texto depressivo praguejando a vida por uma merdinha superestimada. Hoje eu percebi que eu aprendi a ser feliz. Vocês tem culpa nisso, acreditem. Pois então, olhando o layout do blog, eu percebo que ele não combina mais comigo, sabe? Não me identifico mais com esses tons de cinzas pesados, essa coisa densa, dark, melancólica, esse carinha sentado aí, cabisbaixo... Quero mudar. Não o nome do blog, porque ele é ótimo e é desnecessário mudar o nome se eu o fizer significar outra coisa mudando só a aparência do site. Com receio de que seja inútil, vos pergunto: o que acham da ideia? (não que eu não vá mudar de qualquer jeito, mas seria legal ler a opinião de quem se importa com o blog :)&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;A tal da música é essa, ó:&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;div style="padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; width: 425px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:91a3ceb0-77f3-4cd2-897f-c453e825510b" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="9a17b25a-faab-4857-82d3-107d956b1a9e" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=OCYYSqn-NMs" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh6.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/THSwlN-dKRI/AAAAAAAAAXs/tiD0RjBS_0M/videod35135aa1281%5B5%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('9a17b25a-faab-4857-82d3-107d956b1a9e'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/OCYYSqn-NMs&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/OCYYSqn-NMs&amp;amp;hl=en\&amp;quot; type=\&amp;quot;application/x-shockwave-flash\&amp;quot; width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/embed&amp;gt;&amp;lt;\/object&amp;gt;&amp;lt;\/div&amp;gt;&amp;quot;;" alt=""&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; (forropop é um cu, forró de raíz é muito, muito legal :)&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-4667124024083916705?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/4667124024083916705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=4667124024083916705&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/4667124024083916705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/4667124024083916705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/08/saber-comer.html' title='Saber comer.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/THSwlN-dKRI/AAAAAAAAAXs/tiD0RjBS_0M/s72-c/videod35135aa1281%5B5%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-6836142932026093592</id><published>2010-08-18T04:14:00.001-03:00</published><updated>2010-08-18T04:14:30.722-03:00</updated><title type='text'>Ao meu amigo tempo.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Quando eu era criança, o tempo pra mim não existia. Não existia porque eu simplesmente o ignorava. Exceto quando as aulas estavam chatas demais, claro. Mas até hoje demoro uns segundos pra ler as horas nos relógios de ponteiro. Nunca usei relógios eletrônicos. Não media o tempo dos meus programas de Tv favoritos. Sabia mais ou menos em que ponto estava o dia pela quentura, vantagens de morar perto do equador. Vez ou outra a noite me surpreendia no meio da tarde. Eu brincava até depois da hora de voltar pra casa. Brincava toda hora. Mesmo quieto, lendo, desenhando ou inventando histórias em papeis amassados, eu tava brincando. Tudo era brinquedo: um carrinho, uma cadeira, um açaizeiro, o espaço entre a cama e o chão, amigos que não existiam... E eu nem sabia, mas meu brinquedo favorito era o tempo. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; A vida fluía tão naturalmente que eu acho que não fazia sentido me preocupar pra onde ela ia. Era tudo tão simples, fácil, divertido. E, apesar da repetição, os dias nunca ficavam entediantes. As coisas, pequenezas, pareciam novas todos os dias porque eu sabia muito, muito pouco delas. Lembro que eu ficava observando formigas: admirando como aqueles bichos tão pequenos, andavam, carregavam coisas, se batiam e moravam na minha casa, igualzinho a mim! Eu queria ser paleontologista pra criar dinossauros. A vida me saltava aos olhos. Às vezes eu olhava pra o céu e ficava esperando uma estrela cair. Meu olhar curioso fazia tudo ficar empolgante e mágico. Ainda não tinha compreendido como funcionavam as coisas, e eu me incluo nelas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Bom, se tu leste a atualização do twitter, sabe que eu tô escrevendo isso porque assisti “O Menino Maluquinho”: um dos filmes que marcaram minha infância (“Meu Primeiro Amor” foi outro hahah). Minha infância foi muito parecida a do personagem: dezenas de amigos de rua, um bom lugar pra brincar, invencionices, traquinagens (palavra meiga, hein?), etc etc. Mas, à medida que a gente vai percebendo melhor o tempo, também vai descobrindo que ele leva embora as coisas. Acho que a inocência é a pior das perdas. O mundo não é tão mágico e bonito quanto eu imaginava que fosse quando queria ter uma fazenda de Tiranossauros Rex. Descobri, por exemplo, que diferente das formigas, tem gente que não tem casa nem nada pra carregar, além da própria sorte. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Mas, sabe, no fundo, eu continuo o mesmo. Como o Menino Maluquinho, que era maluco porque era feliz, eu cresci e me tornei um cara legal. Eu sigo inventado, criando, me divertindo, procurando manter o bom humor e o otimismo, tentando redescobrir velhas coisas (e as pessoas, e me incluo aqui também), me esforçando pra acreditar nelas e no futuro. Apesar de ter tomado consciência Dele (praticamente Deus) e do que pode fazer, continuo brincando com o tempo. São 3:40 da manhã, eu acordo 7:40 e já tô com sono desde as 2. Daqui a pouco vou sair, passar pela pracinha que eu brincava quando criança e olhar o mundo, por mais outro dia, como se estivesse fazendo pela primeira vez. Porque a gente não pode carregar o tempo e não sabe até quando ele vai carregar a gente, então é preciso prestar bem atenção na vida. Ela também continua a mesma: ainda que não sejam felizes todas as horas, viver é legal.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Ó que bonito:&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;div style="padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; width: 425px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:c5169d75-b3d2-4238-8d80-e21d66c3fd1a" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="c1e7b314-43de-45b0-975b-617673023fdf" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=cdoFqnHiKFc" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh6.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/TGuITPgqtOI/AAAAAAAAAXk/U_654Hi0ABI/video59a6998f0f1c%5B3%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('c1e7b314-43de-45b0-975b-617673023fdf'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/cdoFqnHiKFc&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/cdoFqnHiKFc&amp;amp;hl=en\&amp;quot; type=\&amp;quot;application/x-shockwave-flash\&amp;quot; width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/embed&amp;gt;&amp;lt;\/object&amp;gt;&amp;lt;\/div&amp;gt;&amp;quot;;" alt=""&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-6836142932026093592?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/6836142932026093592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=6836142932026093592&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6836142932026093592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6836142932026093592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/08/ao-meu-amigo-tempo.html' title='Ao meu amigo tempo.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/TGuITPgqtOI/AAAAAAAAAXk/U_654Hi0ABI/s72-c/video59a6998f0f1c%5B3%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-7593857097606072</id><published>2010-08-06T04:04:00.001-03:00</published><updated>2010-08-06T04:07:31.641-03:00</updated><title type='text'>Insônia.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Tu és o zumbido de antes de dormir. E a bala que me acerta a cabeça quando eu recobro a consciência, às vezes assustado por descobrir estar sonhando contigo. Tua sombra é extensão da sombra dos móveis da sala e eu tomo cuidado pra não pisar em ti, cambaleando de cansaço enquanto caminho à cozinha procurando distrair os sentidos com sensações diferentes do aperto que tu me causa no peito nessas horas estranhas. Mas teu gosto tá na pasta de dentes e o teu cheiro no sabonete. E na coca-cola, no chocolate, na maçã, no biscoito, na batata frita, na Tv, debaixo dos lençóis. Tu ocupas os espaços vazios da casa e eu não tou mais sozinho em lugar nenhum. Te encontro quando fecho as palpebras tentando te perder, em vão. Te ouço em músicas que falam de fugas, de alegrias, de descrenças e de ódio. Te leio em crônicas sobre qualquer coisa. Agora todas as palavras, cantadas, faladas, escritas e pensadas te escondem por trás de significados que não tem nada a ver contigo. Tu significas todas elas porque meus pensamentos, minhas palavras, sempre dão um jeito de desaguar em ti. Eu penso em aulas, gente engraçada e cocô, e,&amp;#160; de repente, penso em ti. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Contudo, tu és só um passatempo. Uma lembrança requentada. Lixo reciclado. Outra das minhas divagações complexas e inúteis que não me servem de nada. Tu és um ponto de vista pra as músicas do Smiths. Um caleidoscopio que eu montei pra admirar o que eu posso fazer. Uma pergunta que eu já respondi, mas escolho ignorar a resposta. Na verdade, nem embrulho no estômago eu sinto por causa de ti: eu só coloco o dedo na gargante e vomito essas coisas. Tu és só uma desculpa pra eu escrever textos repetidos. Meu novo faz-de-conta favorito. Uma desculpa pra eu dar valor a beijos idiotas. Uma causa poética. Uma mentira conveniente. Uma brincadeira autodestrutiva e divertida que eu posso abrir mão quando eu quiser. Um motivo besta pra assistir filmes delicados. No fundo, tu não tens mais importância que aqueles sonhos bons e estranhos que a gente tem quando dorme com fome e, quando acorda, lembra só de umas partes. Daí a gente inventa as lacunas e&amp;#160; uma continuação pra compensar a frustração de acordar aqui. E eu espero que assumir tudo isso assim, cinicamente, te silencie na minha cabeça e acabe com essa insônia filha-da-puta. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-7593857097606072?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/7593857097606072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=7593857097606072&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7593857097606072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7593857097606072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/08/insonia.html' title='Insônia.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-3938994452271344042</id><published>2010-07-31T07:45:00.001-03:00</published><updated>2010-07-31T07:48:44.180-03:00</updated><title type='text'>Sobre descobrir.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Não liga pra minha falta de jeito, eu sei que eu sou indelicado e até meio antipático. Mas, às vezes, a educação e euforia soam tão falsas... Parecem escudos, sabe? Eu sei bem quando usar elas e sei quando são desnecessárias. Sinceridade é uma droga viciante que eu uso sempre que acho que vale a pena. E tu vales a pena. Não tenho porque me defender de ti. Talvez tu tenhas motivos de sobra pra fazer o contrário comigo, mas eu os ignoro por egoísmo e inconsequência. Eu sei o quanto as pessoas podem afetar a gente, podem transformar tudo em um inferno escroto ou num sonho lindo. Sei que é mais seguro entupir a vida de gente e manter certa distância de todo mundo, permanecer nas aparências e se divertir com besteiras. Guardar no fundo, longe de todo mundo, o que a gente esconde até de nós mesmos: os sentimentos ruins, as dúvidas assustadoras, o medo do desconhecido, os gostos secretos, os pensamentos indizíveis, as teorias mirabolantes... Eu gosto das tuas profundezas como gosto dos teus detalhes mais aparentes. É tudo tão grande e novo e surpreendente. Eu compreendo a falta de costume de falar sobre essas coisas, mas intimidade não é uma questão de tempo: é só coragem e confiança. O medo de ser incompreendido é horrível, eu sei, mas eu levo jeito pra coisa. Por isso eu não peso palavras pra desenterrar sentimentos que te obriguem a falar. Por isso eu partilho minhas teorias-sociais-conspiratórias-bizarras-bizarras-e-engraçadas. Por isso arrombo portas e solto teus fantasmas. Porque essas palavras são tão concretas que tu podes senti-las descendo pela tua garganta e esquentando teu coração. Elas tocam na tua essência e a fazem brilhar me cegando com uma beleza que ninguém vê. Então não liga se eu te assustar falando algo que tu nunca ouviste: eu sei aonde as pessoas se escondem e sei que é assim que se chega lá. A poesia não é mais importante do que explicar o porquê de gostar ou não dela. Daí vou te escrever versos melodramáticos infantis, metáforas ridículas e rimas pobres só pra tu rir do quanto são idiotas e amá-los porque terei aprendido a te amar e não precisarei explicar o porquê.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-3938994452271344042?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/3938994452271344042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=3938994452271344042&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3938994452271344042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3938994452271344042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/07/sobre-descobrir.html' title='Sobre descobrir.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-4392534322012080340</id><published>2010-07-23T18:57:00.001-03:00</published><updated>2010-07-25T23:43:51.833-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 1 – Causa e efeito (parte 1)</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;Seguinte, rapaz, to escrevendo um livro. Só não sei se termino, né. Isso é pra ser uma &lt;a href="http://va-go.blogspot.com/2010/02/oi-primeira-e-talvez-ultima-parte.html"&gt;continuação disso (clique aqui)&lt;/a&gt;. Então, caso não tenho lido a primeira parte ainda e não queria ler, esse negócio aí embaixo não vai fazer muito sentido. Não vou postar os capítulos todos de uma vez porque ficou grande e eu sei que dá preguiça de ler em computador. Vou postar em partes, esporadicamente. Mas eu preciso da ajuda de vocês, tá? Por favor, comentem e digam o que acham. Isso é importante pra mim. Arte é comunicação, não autoafirmação. Em relação a essa história, isso faz mais diferença ainda. Eu vou me sentir mais seguro pra escrever e continuar. Então, quem ler até o final, faça uma boa ação e dê seu pitaco porque é grátis e faz bem pro o coração ajudar pessoas. haha. Ah! leiam o &lt;a href="http://eguadoido.blogspot.com/"&gt;Égua, doido&lt;/a&gt; que tem coisa nova por lá também. Boa leitura. (nem sei o que isso significa direito, mas é uma expressão legal :).&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;________________________________________________________________________________________________&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Ele agora sonha com ela. Sonha sem querer e acorda meio perturbado. Já se passaram duas semanas. Nada mudou de significativo na vida de nenhum dos dois. Ambos continuaram suas rotinas bestas e elas não se cruzaram em nenhum momento. Eles viraram uma curiosidade sadia, alegre, e um pouquinho frustrante por não poder ser saciada. Vou contar o que aconteceu porque eu sou um narrador bonzinho. Mentira, eu não sou, mas eu tenho que contar a história de forma que ela tenha alguma lógica. Que ninguém me cobre sentido: isso é com vocês. Enfim, foi assim: depois de entregar o papel umedecido de suor, ele correu. Correu sorrindo, desajeitado, louco e feliz. Correu como uma gazela assustada, a moça ficou olhando ele se afastar sem entender porra nenhuma. O rapaz chegou à parada ofegante e pegou o primeiro o ônibus que passou, depois colocou os fones de ouvido e voltou pra casa com o coração socando o peito e um sorriso idiota. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Tudo que ela lhe deu foi um olhar surpreso. “As sobrancelhas reprovaram tudo... Ela me achou ridículo... Foda-se... Mil vezes foda-se”, enquanto ele pensava nisso, os “fodasses” vibraram baixinho em palavras e a senhora que estava sentada do seu lado, que tinha lá seus sessenta anos, o olhou espantada. Ele a encarou sorrindo de volta e deu uma piscada. Então ela arregalou os olhos, se levantou e foi sentar na cadeira da frente. Ele ficou gargalhando e se divertindo sozinho. Pensou que faria mais sucesso se tivesse um papel, uma caneta e entregasse um bilhete à senhora dizendo que curte loucas-aventuras-sexuais-sadomasoquistas com mulheres grisalhas, enrugadas, com sobrepeso e que já entraram há tempos na menopausa. Alguns passageiros o olharam com pena e ele sentiu pena de volta por eles não estarem rindo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Nenhum número de telefone, nenhum nome próprio, nenhuma arroba de nenhum email. Só as palavras injustificadas de um delírio bobo. Um querer tão sincero que ele não conseguiu querer em silêncio. Vocês já fizeram algo só pra não saber o que fazer depois? É como se embebedar: tu ficas eufórico e livre porque acaba desconcertado. Ele até pensou em ir até ela e roubar um beijo de língua, só pra levar uma tapa na cara e ficar gargalhando depois. Mas ela daria a tapa antes dele conseguir enfiar a língua nela e isso não seria muito elegante, da parte dos dois. Além do mais, ele não queria um beijo roubado, queria um beijo pedido. Por isso entregou a carta, pra ela se apaixonar por ele e sofrer desejando seus beijos. Porque ele se apaixonaria se alguém o entregasse algo daquele tipo. E, como ele se acha muito interessante, alguém igualmente muito interessante teria sentimentos semelhantes à paixão despertados. Ele se acha, né, vâmo combinar. Esse cara deve sentir mais prazer tentando beijar de língua os próprios cotovelos do que as bocas de quem não o ache, no mínimo, o máximo. Talvez seja por isso que ele não deixou nenhum contato, afinal: não suportaria a ideia de que alguém que ele superestimou tanto quanto aquela moça o desprezasse. Ele é prepotente: costuma relevar a opinião da maioria das pessoas, porque não leva a sério a maioria das pessoas. Ser ignorado por alguém pelo qual ele teve tanto e tão puro apreço, seria uma merda. Ele preferiu dar-se o benefício da dúvida. Beijar ela não era o mais importante, o importante era ela saber o que ele queria. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Centenas de hipóteses, conjecturas e suposições passaram pela sua cabeça de vento que teimou em ficar inventando coisas improváveis. Só houve ela durante umas horas, o resto do mundo foi reocupando seu espaço pouco a pouco. Depois de uns dias, ele começou a pensar nela como um brinquedo descartável: ele brincou sozinho só pra quebrá-lo. Contou a história orgulhoso pra seus amigos, mais do que acostumados com suas esquisitices, e as opiniões foram contraditórias: uns o acharam idiota, outros o acharam romântico, idealista, uns disseram que ele foi corajoso e outros o recriminaram por ter sido tão bunda mole. Todos riram e se divertiram muito. Ele se divertia contando e concluiu que, de um jeito torto, aquela moça o fez bem. Fez ele fazer poesia, ainda que feia. Ele já a reviveu narrando a mesma saga sentimental pra umas quinze pessoas diferentes. Sabia que contaria aquilo pra seus netos um dia e daria um conselho melodramático do tipo: “sempre sonhem porque é aí que tá a graça da vida”. E seus netos o achariam um velho esclerosado. Apesar de tudo, ele não ficou obcecado nela. Ela vem em sua cabeça de vez em quando, num daqueles pensamentos bobos que surpreendem a gente vindos de lugar nenhum. Ele pensa, sorri, se recrimina e depois fala baixinho que valeu a pena. Fez o que não precisava ser feito, fez porque quis e sentiu a alma leve depois. Há anos ele não corria. Ela foi um quadro que ele ousou tocar e depois fugiu pra não ser preso. A verdade é que ele foi frouxo e não teve coragem pra rabiscá-lo. Mas ele segue muito bem: até beijou de língua duas outras meninas depois do acontecido pra provar a si mesmo que moça com a camisa do Snoopy foi um jogo que ele jogou e abriu mão de saber o resultado. “A língua dela era só um músculo feio como qualquer outra língua. Além do mais, ela é bem mais encantadora desconhecida, parece perfeita”, falou à Beatriz. Nisso a gente tem que concordar com ele: tudo cabe na incerteza. E línguas são coisas estranhas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;_____________________________________________________________________________________&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="times"&gt;E aí, o que acharam, hein? Hein? Hein? Caso tenha gostado, espalha pra quem gosta de literatura e de coisas estranhas que tem um maluco escrevendo um livro em um blog e diz pra ler isso. Vou agradecer imensamente, e nem vai ser em silêncio. :D&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-4392534322012080340?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/4392534322012080340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=4392534322012080340&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/4392534322012080340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/4392534322012080340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/07/capitulo-1-causa-e-efeito-parte-1.html' title='Capítulo 1 – Causa e efeito (parte 1)'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-756326484448856445</id><published>2010-07-19T04:28:00.001-03:00</published><updated>2010-07-19T05:10:03.184-03:00</updated><title type='text'>Essenciais e, redundantemente, importantíssimas constações no quarto escuro de uma casa vazia.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Eu inventei uma alegria estranha. Ela mora na minha cabeça, entre as minhas sinapses, e faz meu cérebro jorrar gotas de endorfina que molham meu coração, meus olhos e meu sorriso. É estranho isso de estar feliz, sozinho em casa, num quarto escuro, ouvindo o Mark Kozolek (&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Jo5qsGha8u0&amp;amp;feature=PlayList&amp;amp;p=A7491C880CC469E0&amp;amp;playnext_from=PL&amp;amp;playnext=1&amp;amp;index=47"&gt;clique, recomendo&lt;/a&gt;) e conversando comigo mesmo. Acho que é mais estranho porque eu tô sorrindo pra ninguém (né, mãe?). Mas, ó, isso não faz muita diferença porque ninguém sabe mesmo os motivos que me fazem sorrir. Além de mim. Vou contar o que tem em mim pra eu estar feliz pra isso fazer mais sentido e pra eu, se der sorte, presentear alguém com um sorriso feliz. Ah! Todos os sorrisos são felizes, até os tristes.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Há pessoas dormindo por todos os lados. Elas provavelmente estão sonhando, mas, como a maioria provavelmente vai esquecer de tudo, isso não faz a menor diferença. Essa noite eu escolhi não falar com nenhum dos meus amigos e ver &lt;a href="http://filmow.com/filme/2251/as-invasoes-barbaras/"&gt;um filme sobre a vida&lt;/a&gt;. Na verdade é sobre a morte, mas sem ela não existiria vida, né? Daí depois eu assisti ao primeiro trabalho do Tim Burton (&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=QkmKhd_h3lk&amp;amp;feature=PlayList&amp;amp;p=73E03DD5AA85CFC1&amp;amp;playnext_from=PL&amp;amp;index=0&amp;amp;playnext=1"&gt;clique aqui e assista,&amp;#160; é um curta bonito&lt;/a&gt; :). É sobre um menininho que gosta de Allan Poe e prefere viver uma fantasia perturbadora e melancólica do que brincar no quintal. Então, eu descobri uma coisa linda: eu escolho ser feliz ou não. Tudo que eu preciso eu tenho dentro de mim. E não preciso me preocupar com coisas catastróficas para pessoas como eu (que gostam de Tim Burton, de filmes que fazem pensar e de falar muito sobre a vida) como a solidão: que deve ser a mais grave delas e também deve explicar o Vicent. Eu tenho pessoas especiais realmente interessadas no que eu sou de verdade (vice-versa), gente que conhece minha essência e que me compreende (ou se esforça muito pra isso, pelo menos). &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Penso. Tem uma descoberta nova em cada lasca na parede descascada. Eu vejo beleza em olhares perdidos na rua e em velhos admirando o tempo passar. Me divirto fazendo sombras disformes contra o teto. O pôr-do-sol coberto por prédios, colorindo o céu de laranja e fazendo o sol virar caleidoscópio é tão lindo. Há um menino de uns três anos, mais ou menos, e ele sempre tá na pracinha, procurando coisas na grama, descobrindo o mundo. Tem as luzes através das janelas de ônibus com David Bowie entupindos os ouvidos e a sensação de que o ônibus tá viajando em outro espaço ou tempo, numa galáxia onde não se precisa compreender nada e tudo é som e movimento, e isso é tão bom. E tem a chuva na janela, às vezes, encolhendo o mundo e te aproximando de ti, cobrindo tudo com mais mistério ainda. E tem um moço que fica vendendo jornais pelos ônibus e ele sempre faz isso sorrindo e fazendo piadas com as noticiais enquanto brinca com os passageiros, e esse cara me dá tanta esperança. Tem também os meninos que dão cambalhotas e se jogam no canal cheio de água poluída quando chove demais, e eles são felizes sujos e pegando doenças. E tem também as senhoras na igreja, de olhos fechados, rezando pra Deus, que vai me perdoar por eu duvidar da existência dele porque eu acho encantadoras as pessoas em transe pela fé, ainda que nem seja em Deus, seja só no tempo. E tem a música e a dança e o canto, e a sensação mágica e indescritível de não pertencer a lugar nenhum só porque tu estás fazendo algo que não é natural ou normal. Tem um filhote vira-lata abandonado, chorando por comida no meio da rua e as lágrimas felizes, dos dois,&amp;#160; por passar a mão na cabeça dele e ver ele te seguindo depois. Tem meus pais e o resto da minha família que me amam incondicionalmente, ainda que eu dê muito menos do que eles peçam e quase nunca faça algo que eles compreendam e justifique esse amor que nem eu entendo, mas admiro e sinto. Tem a minha irmã que eu nunca vi triste e sempre me faz rir, ainda que eu não queira rir. Tem meu cachorro velho, cegueta, surdo e estrupiado que balança o rabo quando me vê e faz eu falar com um animal irracional, fazendo eu esquecer do fato de que eu não sinto nem vontade de falar com certas pessoas... ah, mas eu sei que meu cachorro é mais sensível e me entende mais que muitas delas. E tem a poesia, as palavras, o cinema, o teatro, a fotografia, a pintura e tem as pessoas únicas e interessantes que eu ainda não conheci e tem o Rio, minha paixão, com as montanhas no meio de tudo, as gentes bonitas, o frio da noite e uma infinidade de coisas pra eu explorar. E tem Paris, que eu só conheço por filmes e fotos, mas pela qual vou me apaixonar e trair o Rio... E tem Veneza, tem Barcelona, tem Nova York, tem Amsterdã, São Paulo, San Thiago, Tóquio, Sidney, Rio Branco, Belém... E tem tanto pra eu ver e eu vejo tão bonito. E eu sinto tudo, tanto, toda hora, tem tanta vida represada em mim que eu ressuscitaria um cemitério inteiro. E agora eu consigo compreender que, quando fico triste demais, e só excesso de vida. Se eu fico chato e cabisbaixo, às vezes, é por pura preguiça e comodismo. É só porque eu não me ajudo a extravasar: rir no telefone, ver um pipoqueiro dando comida pros pombos que eu odeio, escrever bilhetes pra desconhecidos, contar uma piada sem graça, ajudar um amigo, reclamar da brutalidade de algumas pessoas, compor uma música triste ou feliz, cantar pra parede, escrever pra ninguém, sorrir no escuro. Decidi que vou me ajudar com afinco: porque é mais importante artistas viverem com arte do que da arte, porque ela tá em cada pedaço de tudo se tu souberes apreciar, e nem é muito importante todo mundo ver e te pagar e parabenizar porque tu consegues fazer isso. E a vida é estranha, maravilhosa e linda demais pra eu ficar me lamuriando e não tentar descobrir os mistérios por trás da beleza de tanta coisa... Vou pelo menos contemplá-los e ser feliz sem entender nada, mas sentido tudo. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-756326484448856445?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/756326484448856445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=756326484448856445&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/756326484448856445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/756326484448856445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/07/constacoes-no-quarto-escuro-de-uma-casa.html' title='Essenciais e, redundantemente, importantíssimas constações no quarto escuro de uma casa vazia.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-6173263141446966774</id><published>2010-07-17T21:16:00.001-03:00</published><updated>2010-07-17T21:26:08.448-03:00</updated><title type='text'>Promessa.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/TEJHhfbpw8I/AAAAAAAAAV4/bb560lWykRY/s1600-h/beatles2%5B7%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="beatles2" border="0" alt="beatles2" src="http://lh5.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/TEJHlklohkI/AAAAAAAAAV8/Frx0y_kH8gY/beatles2_thumb%5B5%5D.jpg?imgmax=800" width="543" height="350" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/TEJHqAKtP4I/AAAAAAAAAWA/NytGgUovCpg/s1600-h/beatles1%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="beatles1" border="0" alt="beatles1" src="http://lh5.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/TEJHwQuBn-I/AAAAAAAAAWE/GqAkgxlpLNI/beatles1_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="543" height="347" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Vou ter uma banda chamada Submarino Amarelo… Ou Pepperland… Ou Banda dos Corações Solitários do Sargento Pimenta. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-6173263141446966774?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/6173263141446966774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=6173263141446966774&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6173263141446966774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6173263141446966774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/07/promessa.html' title='Promessa.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/TEJHlklohkI/AAAAAAAAAV8/Frx0y_kH8gY/s72-c/beatles2_thumb%5B5%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-9147962639298201273</id><published>2010-07-13T07:09:00.001-03:00</published><updated>2010-07-13T07:20:50.361-03:00</updated><title type='text'>Desabafo</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Choro um choro de impotência, de raiva, de pequeneza. Um choro de poeira pelo que foi remexido. São lágrimas de constatação, de vergonha. Minha cabeça dói com peso da minha consciência inútil. A alma pesa carregada com uma angustia que não vem de mim, mas é minha. É de todos nós. Eu sofro por ser humano. Por ser mau, egoísta e mesquinho. Por ter perdido a pureza que eu tinha quando eu era criança pra ser entupido com toda a merda que inventaram antes de mim. Nesse momento me rasga por dentro saber que, dentre todos os animais, eu sou o único que sei que existo e que vou deixar de existir e, ainda assim, não faço nada pra melhorar a existência estupidamente difícil de quem sabe o mesmo que eu e luta contra tudo pra fazer isso com o mínimo de dignidade. Sinto muita vergonha do meu egoísmo hipócrita. Tenho culpa (mínima, indireta, involuntária, foda-se) do sofrimento de quem não merece sofrer mais do que eu. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; É como se só agora eu me desse conta da droga que podemos ser, que somos. Preocupados e cegos com as próprias vidas, com os próprios sonhos idiotas, com os próprios problemas gigantescos e sem solução, com merdinhas divertidas. Ignorando que há tanta gente que não tem direito nem de querer mais do que tem pra sobreviver. Esquecendo que tapamos os olhos pra quem se humilha por extinto, pra continuar se humilhando. Vemos o mundo como um parque de diversões com nossos olhos comodistas e imbecis, mas o mesmo mundo visto pelos olhos de uma criança de rua não passa de um campo de guerra. Qual o mundo mais importante? O nosso, claro. Não ligamos pra isso, afinal, não fomos nós quem botamos ela nesse lugar de merda. Nós só o usamos, ele já tava aqui. Fodam-se as crianças. Alguém que cuide delas. Delas e dos cachorros. Melhor é matar o bandido porque ele é mau e faz crianças de rua. Melhor juntar todos os criminosos num país deserto e jogar uma bomba atômica pra acabar com essa raça. Deixa os pobres honestos, porque eles são bons. São como nós, mas pobres: isso é só um detalhe. Nós somos uma raça de bosta.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Por um instante, pensei sentir toda a dor do mundo. Mas é lógico que esse foi um pensamento melodramático e idiota porque, se eu sentisse toda a dor do mundo, meu coração pararia sobrecarregado no mesmo milésimo de segundo. De todo modo, choro por quem tem frio, por quem está sorrindo e morrendo de fome, choro por quem teve um parente assassinado, choro por quem é ignorado, choro por quem é alcoólatra, choro por quem tem medo de sair na rua, choro pelo choro de crianças assustadas, choro pela raiva de quem se conformou com pouco, choro por quem morreu na guerra, choro por quem mata, choro por quem não sabe, choro por quem não chora e não sente, choro por quem está sozinho, choro pela cagada toda que nós estamos fazendo com a natureza, choro por ela também e choro por mim que, apesar de tudo isso, choro tão pouco. Sim, eu sei que o meu choro é falso, sujo e infantil. Mas é incontrolável. E mesmo tendo decidido fazer algo, é apenas pra eu ter a sensação prepotente e medíocre de que eu tô fazendo a minha parte e pra aliviar essa dorzinha incomoda com algum reconhecimento, prazer e vaidade. Nós vamos continuar matando uns aos outros quase sem perceber. Sem nos importar em fazer isso sem as mãos, mas com o coração. Todos os dias. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="Arial"&gt;&lt;em&gt;Não, não sou comunista. Não acredito em porra nenhuma. Não liguem pra mim. É que eu assisti &lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;a href="http://www.portaldecinema.com.br/Filmes/sobrevivendo_com_lobos.htm"&gt;&lt;font face="Arial"&gt;&lt;em&gt;esse filme&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;font face="Arial"&gt;&lt;em&gt; baseado no livro &lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Misha_Defonseca"&gt;&lt;font face="Arial"&gt;&lt;em&gt;dessa mulher&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;font face="Arial"&gt;&lt;em&gt;: estória falsa, porém muita bonita e emocionante. Não pelos exageros, mas pelo o que eles significam e representam. Enfim. Eu nem sei o quanto o filme é responsável por isso, mas eu me sinto muito triste.&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-9147962639298201273?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/9147962639298201273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=9147962639298201273&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/9147962639298201273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/9147962639298201273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/07/desabafo.html' title='Desabafo'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-5117077117959755936</id><published>2010-07-09T16:35:00.001-03:00</published><updated>2010-07-09T16:41:26.746-03:00</updated><title type='text'>Lembrete.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="1"&gt;“Vida louca vida        &lt;br /&gt;Vida imensa         &lt;br /&gt;Ninguém vai nos perdoar         &lt;br /&gt;Nosso crime não compensa”&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;font size="1"&gt;Cazuza. &lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; É preciso temer mil vezes mais, um milhão de vezes mais, uma vida insossa que a morte. O fim é inevitável, caminho certo. A vida é labirinto, passagem secreta, caixinha de surpresas. A morte, por mais inesperada que seja, não passa de uma constatação. É só um freio. É necessário andar muito e rápido demais pra&amp;#160; parar fazer algum sentido. A morte de uma existência inexpressiva e vazia é tão insignificante quanto o sofrimento e&amp;#160; a tristeza de quarenta pessoas. Esse sofrimento é amortecido e as pessoas têm mania de se acostumarem à tristeza ou à apatia: com alguns momentos alegres, com muito pouco. A vida não pode ser um sopro: precisa ser um furacão, um tornado, uma explosão. A vida deve ser contagiante, ela deve ferir, envenenar, entupir de vida quantas existências forem possíveis. Minha vida não cabe em mim. Viver precisa ser um exagero. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Não é a morte: a vida precisa ser feita de sofrimentos, decepções, angustias, frustrações, crises de choro. Apenas sendo feridos por ela descobrimos seus segredos ignorados, suas nuances, seus pequenos sabores, o prazer que podemos tirar da sua fragilidade e das sutilezas felizes que ela esconde embaixo dos nossos olhos gastos de tanto ver merda. Só quando nos vemos na companhia de&amp;#160; nossos próprios demônios aprendemos a chegar aonde as pessoas se escondem e a ver o quanto elas são mais do que aparentam. Apenas sozinhos podemos contemplar despreocupados a estranha beleza que há nos detalhes de tudo. Temos que olhar pra dentro pra limpar os olhos. É preciso espremer o coração até tirar tudo que é falso, deixá-lo forte pra que as coisas verdadeiras o encham com seus sabores fortes e gostosos. Viver é cometer o pecado da gula. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Mas é necessário força e coragem. É preciso desafiar lógicas, padrões, certezas, pessoas. Arriscar o pescoço e a esperança. Inventar impulsos quando nada mais te motiva. Acreditar em improbabilidades mesmo sem crer em nada. Voar sem asas pra depois cair quebrando as pernas. O que importa, no entanto, são as tentativas de felicidade no presente, não as apostas pra o futuro. Esperar é adiar a vida. E o futuro te fode na próxima esquina: tu entras na rua errada e não dá mais tempo de voltar. Eu tenho pressa, o único tempo que me interessa é agora. E assim vai ser agora e depois. Não me contento com nada menos do que eu quero. E não tenho medo de querer. Quero transbordar minha vida até morrer. E quero viver o suficiente pra transbordar até lá. Viver é uma questão de força e coragem. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-5117077117959755936?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/5117077117959755936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=5117077117959755936&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/5117077117959755936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/5117077117959755936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/07/lembrete.html' title='Lembrete.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-7644172812211289501</id><published>2010-07-06T03:45:00.001-03:00</published><updated>2010-07-06T03:45:33.128-03:00</updated><title type='text'>Contra a luz da laterna.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Às vezes basta uma fala inesperada. Qualquer coisa estranha e sem sentido que fizesse eu sentir que não compreendo mais porra nenhuma. Um gesto brusco, um tapa na cara, a ameaça de explodir como uma estrela, uma pergunta tosca a um desconhecido distraído, um surto de cleptomania, qualquer coisa. Um ato de coragem e sandice afrontando a vida, um desafio à lógica, um cuspe na cara do medo. Algo que me desequilibrasse e me fizesse rir do absurdo. Uma prova de que se pode ser maior do que toda essa droga que nos cerca. De que o infinito particular pode se expandir até comer tudo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Podia ser mostras de indecência ou gritos animalesco. Não toda a hora, porque não quero que vire prova de nada. Não é preciso de justificativas pra ser o que se é. Absurdos grandes assim só quando estiver muito calmo, como agora. Quando é preciso rasgar o silêncio com risadas assustadores. Eu queria uma nota inexistente, uma palavra que signifique algo ainda não inventado, um performance inédita e um sentimento de euforia vindo do prazer de trocar olhares no escuro. Queria que meu peito latajasse por causa do descontrole hormonal provocado pelo cérebro que não manda mais nem em coração, nem em mãos, nem em pensamentos. Então eu teria bons motivos pra sentir. Motivos que eu inventei, guardei e perdi na imensidão que há em ti.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-7644172812211289501?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/7644172812211289501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=7644172812211289501&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7644172812211289501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7644172812211289501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/07/contra-luz-da-laterna.html' title='Contra a luz da laterna.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-314747562030975004</id><published>2010-06-28T16:44:00.005-03:00</published><updated>2010-07-01T13:58:31.902-03:00</updated><title type='text'>Minha despaixão.</title><content type='html'>Uma das coisas mais legais que já escrevi. &lt;a href="http://tinyurl.com/27zjl9w"&gt;Aqui&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, peço que, por favor, pra quem segue o vago ou vem aqui atrás de coisas novas, também siga o Égua, Doido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou tentar manter ele atualizado regularmente com textos mais claros, diretos, opinativos e bonitinhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-314747562030975004?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/314747562030975004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=314747562030975004&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/314747562030975004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/314747562030975004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/06/minha-despaixao.html' title='Minha despaixão.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-7268820757404066694</id><published>2010-06-22T05:24:00.001-03:00</published><updated>2010-06-22T05:26:24.554-03:00</updated><title type='text'>Sobre Cus.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; “Há uma esperança sincera nos sorrisos que acabam em silêncios. Uma fuga sem jeito nas conversas sobre porra nenhuma. São pensamentos-tortos-não-compartilhados-por-medo. Uma alegria medíocre. Um espaço infinito entre corpos grudados. Um querer insaciável no presente. Uma espera inconsciente por um futuro impossível. Essa fidelidade limitadora. Umas verdades reconfortantemente forjadas. São gestos prontos, obrigações irrecusáveis. A constatação de que tu poderias ser qualquer outra. De que tudo independe de ti, até eu. São essas frases-feitas lindas que não dizem nada. É essa tua incompreensão comodista. Essa tua visão limitada que se recusa a olhar pra dentro, no escuro, no fundo, pra me encontrar lá: um cego rindo sozinho. Tu não consegues me enxergar e eu estou indo embora porque preciso enxergar coisas novas, antes que eu fure meus olhos com raiva por não me surpreenderem mais. Sou eu, tu sabes: é a minha solidão tão inviolável quanto teu cu e a súbita vontade de te mandar socar algo maior que ela nele&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Com toda minha sinceridade e rancor,&amp;#160;&amp;#160; ”&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Ele chorou muito antes de começar a escrever, ainda estava chorando quando enviou e só parou pouco depois do avião pousar. Mas ela chorou muito mais, até bem depois do avião dele pousar. Ambos sabiam que os dois choravam. Ele se sentiu egoísta, mas despertar a raiva e o desprezo dela pareceu ser a melhor solução de fazê-la superar. Não é do tipo que gosta de mau-caratismos. Gostava demais dela. E ela atrapalhava e limitava suas ambições fazendo-o se esquecer de si e do que buscava. Ele sabia que ela também entraria em depressão e isso o consolava. Sabia que ela não entenderia suas razões e que o acharia um covarde por fugir assim. A verdade, no entanto, é que ela sentiu até certa inveja da coragem dele. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Ela achava sua vida patética, segredo só dela com ela mesma. Queria sair por aí conhecendo lugares, descobrindo pessoas e comprando tralhas. Lógico que ela já havia dito isso a ele, mas, no tom que contava, era como se fosse um plano para o futuro, uma vontade adiável. Ela tentava esconder dela mesma o quanto esse desejo era urgente, porque sabia que saciá-lo exigiria mais dela do que ela estava disposta a dar. Na maior parte do tempo, ela se distraia muito bem. Ele ajudava, claro. A ida dele era uma tentativa de ser mais feliz, ela entendeu e ficou puta por ele ter ido sem se explicar melhor. Ficou puta com ele por ser tão prepotente e com ela mesma por sentir falta dele e, ao mesmo tempo, por não ter escrito o bilhete que acabara de queimar.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Na semana seguinte, refeita e decidida, fez questão de pedir ao seu amante que a comesse por trás. Ela chorou de novo, porque doeu no início. Sua memória, afinal, era tão comodista quanto sua autoconsciência e logo depois ela riu ao se lembrar que o final da carta dizia pra ela socar algo maior que o dele no cu, ou algo assim. O amante tinha ao menos uns três centímetros a mais. Depois, ela ficou satisfeita e depois agradeceu a ele em pensamento pela boa ideia. O amante era mais divertido e, como diversão distrai melhor, ela continuou se divertindo. Ele desistiu de buscar o que buscar e sua depressão era mais forte que tarjas-preta. Só compreendeu o que faltava quando descobriu estar com AIDS dois meses depois de comer, aos prantos, o cu de uma prostituta viciada: faltava aceitar que certas coisas devem continuar invioláveis se outras não estiverem bem protegidas.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-7268820757404066694?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/7268820757404066694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=7268820757404066694&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7268820757404066694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7268820757404066694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/06/sobre-cus.html' title='Sobre Cus.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-9199764439669113216</id><published>2010-05-22T03:42:00.001-03:00</published><updated>2010-05-22T03:48:08.072-03:00</updated><title type='text'>Tu (que um dia vai ler e rir)</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Eu vou te invadir enquanto estás distraída e vou te destruir por dentro. Vou estragar tua paz e borrar de vermelho teu equilíbrio desesperado. Vou te apunhalar no peito até que ele jorre a angustia toda que varreste pra debaixo do tapete velho. Quando teus olhos me mirarem doentios e surpresos eu estarei nas tuas entranhas arrombando portas e acordando fantasmas. Eu quero ver tua carne tremer e te sentir sentindo todo o medo do mundo por não compreender quando eu te acontecer. Eu vou arrancar teus pensamentos sombrios pelas raízes e vou colocar no lugar sementes de ilusão que nunca irão brotar. Vou ocupar tuas terras só pelo prazer escroto de possuir. Vou cravar meus dentes no teu pescoço pra te fazer necessitar do meu sangue. Vou te bater na cara pra tu sentir dor bem acordada. Vou morar no teu subconsciente e ser a razão dos teus pesadelos diários. Vou fazer tu ressuscitar as palavras bonitas que te obrigaram a matar. Quero ser teu veneno mortal tua febre delirante tua obsessão incurável tua vontade de viver e morrer. Vou desmembrar teus poemas antigos que esqueceste. E cada brecha e cada continuação de todos os teus pensamentos vão dar em mim. Porque eu vou ser tua causa e a tua consequência. Vou te ferir devagar pra beber tuas lágrimas doces e te ouvir implorando pra que eu continue. Vou saber todos os teus segredos imundos e até aqueles que tu ainda não sabes. Não vou ter pena de mim quando tu me atormentar bêbada sem saber mais o que quer. Vou desvendar teus mistérios e comer da tua merda. Vou te preencher até tu transbordar dolorida. Vou te dar um aborto e uma carta escrita à pena. Vou arrancar tua língua sem tocá-la. Vou desmentir tua esperança. Vou estar no teu quarto quando buscares solidão. Vou me esconder nas tuas músicas favoritas. Vou compreender tua incompreensão. Vais me ver sempre que olhares o espelho. Não vou te atender só pra te desesperar. Vou fazer um casaco com a tua pele e um pingente com teu sexo. Vou me reinventar em mil pra te dar mais surpresas do que podes aguentar. Vou ser o rumo quase certo quando estiveres chorando perdida. Vou te escrever folhas de horríveis poemas líricos pra te fazer pensar que nem a morte te salvaria de mim. Vou infernizar tuas horas de estudo e trabalho pra tu esqueceres essas coisas. Vou ser o gosto de quem tu&amp;#160; buscares pra te perder de mim e tantar em vão te encontrar. Vou te obrigar a falar em silêncio quando estiveres esgotada de tanto berrar. Vou ser o ar &lt;em&gt;noir &lt;/em&gt;quando tudo parecer colorido e sem sentido demais. Vou fazer com que perturbes teus amigos comigo até eles começarem a te evitar. Vou ser todas as páginas de todos os teus diários. Vou me embriagar narcísico com teus textos alucinados. Vou navegar entre tuas tempestades insuportáveis e tuas calmarias mais insuportáveis ainda. Vou fazer com que não me queiras pra tu me querer mais. Vou fazer com que percas os sentidos de tanto usá-los. Vou sujar teu corpo com frases soltas pra tu ficares com pena de te limpar. Vou ser todos os teus tragos e tua mais preocupante doença. Vou estar te esperando no fundo de todas as garrafas vazias. Vou ser tua poesia e a tua Tv. Vou citar Drummond Poe Rimbaund Vinícius Lorca Pessoa Lispector Shakespeare Quintana Gabo Caio Chapman Florbela Sartre Dos Anjos Borges Maiakovski Tu e tudo quanto for preciso inventar pra te ver sorrir apalermada. Vou dirigir um clássico baseado no teu pavor de mim pra que tu assistas te torturando até bem antes de tu morrer. Vou ser teus becos sem saída. Tu vais me provar que me ama de jeitos inimagináveis e eu vou dizer que nunca é o suficiente. Vou te congelar quando fizer frio e te derreter quando estiver muito quente. Vou te tatuar um clichê. Vou ser a reza que te perdoa dos pecados que cometeste por mim. Vou ser tua descrença. Vou te dar um pingo de esperança e uma dose de terror. Vou roubar tua alma teu espírito e teus neurônios. Vou beber teus hormônios. Vou escandalizar deus e o mundo pra tu sentir vergonha de sentir vergonha de mim. Vou te dar um anel de plástico e uma árvore morta com nossas inicias. Vou ser teu amigo imaginário. Vou fazer uma promessa e depois vou jurar por ti. E se nada disso der certo e eu te acabar ou tu me acabar e a promessa se quebrar eu te dou um abraço apertado e digo obrigado por existir em mim. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-9199764439669113216?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/9199764439669113216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=9199764439669113216&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/9199764439669113216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/9199764439669113216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/05/tu-que-um-dia-vai-ler-e-rir.html' title='Tu (que um dia vai ler e rir)'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-4892541458551985618</id><published>2010-05-19T01:44:00.001-03:00</published><updated>2010-05-20T00:34:31.871-03:00</updated><title type='text'>À noite dentro.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;&lt;em&gt;“Listen to the silence, let it ring on.&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;&lt;em&gt;Eyes, dark grey lenses frightened of the sun.&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;&lt;em&gt;We would have a fine time living in the night,&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;&lt;em&gt;Left to blind destruction,&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;&lt;em&gt;Waiting&amp;#160; for our sight.”&lt;/em&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Ian Curtis.&amp;#160;&amp;#160; (‘brigado)&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Vaga à noite pelos becos imundos e desertos da parte velha. Às vezes vê uns mendigos mortos, uns deles estão bêbados dançando desesperados, alguns carregam junto uns animais famintos e desiludidos. Não sabe ao certo por que gosta de andar esta hora por estas ruas, mas os hábitos viram vícios, e os vícios explicam-se em si mesmos. Anda devagar, olhos vigiando as sombras, olhos nas sombras vigiando de volta, frio entrando pelas narinas, embrulho no estômago. Os prédios são decrépitos e bonitos. Talvez ande para buscar refúgio no passado, passado que apodrece lento em madrugadas estranhas como esta. De repente, alguma casa dessas desaba, assim, sem aviso, no meio da noite pra não atrapalhar ninguém, e terá um segredo, uma morte.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; E se outro alguém, que também não sabe direito porque está aqui, viesse andando na direção contrária? Se matasse o outro alguém, mesmo sem saber direito por que estaria matando, poderia criar um segredo. Poderia mesmo atear fogo num mendigo, num porre ou num bicho. Poderia mesmo dinamitar uma dessas casas velhas. Incendiar, implodir, jogar uma bomba nuclear. Mas não faz nada, além de andar, sem saber direito o porquê. Não há razões simples pra fazer ou desfazer umas coisas ao invés de outras. Acredita ser mais fácil desfazer-se. Às vezes senta e fica como um mendigo ou um bêbado ou um animal admirando a luz amarela vinda do poste, tão velho quanto os prédios ou a rua. Tudo parece velho demais agora. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Vê beleza no cenário antigo e vazio, porque também existe à noite sem propósito. Este lugar morrendo, sendo iluminado por uma luz velha, só pra mostrar que está sem nada nem ninguém. Acha que isto deve existir de madrugada só porque precisa continuar a existir, diferente, no dia seguinte, cheio e barulhento. Sabe que se não fosse assim, já teriam substituído isto por outra coisa que assim fosse. Pessoas têm o hábito de matar. Sente que as pessoas não gostam das coisas sozinhas que estão lá só por estarem. Tem a impressão de que as pessoas não gostam de si, por isso criam coisas que sabem que irão matar.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Mas as pessoas criam coisas, mesmo sabendo que as matarão, porque precisam de suas vidas. Para que suas próprias mortes não lhes doam. Aqui, na noite funda, com suas construções velhas, pessoas desiludidas e animais inúteis, a vida se esconde na morte de tudo. O peito pesa, dá pra sentir uma alegria estranha e quase ter vontade de chorar, de chorar por nada quando percebemos. Tem algo não identificado e sem nome dentro de nós que pulsa lento quando prestamos muita atenção em onde estamos. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Ouve o estalo alto, as paredes começam a rugir, uma coluna cai em algum lugar, uma parte da fachada derruba o poste, as paredes desmoronam pra dentro e a casa velha desaba sem fazer muito barulho. Vê e sorri, mesmo sem saber direito o porquê. Essas cenas, que a ninguém interessam, são segredos, são nossas vidas, são prédios que desabam em silêncio à noite porque, por mais que a vida seja urgente, o vazio sempre volta pra reocupar seu, nosso, espaço.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-4892541458551985618?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/4892541458551985618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=4892541458551985618&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/4892541458551985618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/4892541458551985618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/05/noite-dentro.html' title='À noite dentro.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-7530116198216699958</id><published>2010-05-15T19:48:00.001-03:00</published><updated>2010-05-15T20:14:13.307-03:00</updated><title type='text'>Cecília.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Talvez acontecesse de qualquer forma, porque era noite, porque era ela, porque choveu, porque chuviscava, porque fazia um frio raro, porque havia cansaço, medo, incompreensão, preguiça, solidão. Sentou-se no banco molhado, jogou a mochila no chão, aumentou o volume do ipod e ficou vendo faróis. Estava embaixo de uma árvore que gotejava por causa da água acumulada nas folhas. Era uma praça perigosa, ela achava, porque achavam. Pensamentos soltos: tanta paranóia, tanto medo, nem dentro da gente é seguro, por que eu to preocupada se não tenho nada a perder, não é justo as pessoas terem medo da pobreza que criam, por que essa falsa culpa burguesa idiota agora, foda-se, por que esse discursozinho comunista se não acredito em porra nenhuma, acho justo morrer sendo assaltada por uma criança viciada: um ipod custa trocentas vezes mais que uma pedra de crack, eles só querem crack pra sobreviver sem dor nem desespero, será que crack me ajudaria a viver, que merda é essa, fodam-se os viciados, tão nessa vida porque eles querem, tudo é escolha, caralho vou ser estuprada aqui, vou pra casa, não, vou ficar aqui à noite toda, foda-se.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Ela dormiu na aula, o professor a acordou e as pessoas riram. Antes havia discutido com uma colega-idiota-egoísta-futil-que-falou-merda. Cansou os músculos da face de tanto forçar risos amarelos. Estavam falando da bunda de algum ator, depois da saia nova de não sei quem, depois falaram que Radiohead é foda e não souberam dizer porque quando ela perguntou por que, depois falaram que a menina da frente era uma putazinha que saiu com o namorado da menina do outro lado da sala, depois combinaram de tomar tequilas, depois ficaram em silêncio e ela agradeceu também em silêncio. Animadas e cansadas de insistir, saíram sem ela que alegou cansaço. A causa real era tristeza, mas essa seria uma desculpa incompreensível para elas. Não estava triste por causa da discussão, nem por causa das colegas conversando sobre coisas desinteressantes, muito menos porque riram dela. Estava triste há tempos por estar cercada de gente que não compreenderia sua tristeza. 22:23, sentiu vontade de fugir pra Europa pra não ser conhecida por ninguém e conhecer pessoas novas. Caminhou até a praça, sentou num banco molhado e ficou olhando faróis. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Ficar olhando as luzes dos carros, densas e brilhantes, hipnotiza. Pensamento solto: faróis iluminam caminhos que não me levariam a canto nenhum. Uma guitarra chorava em seus ouvidos, sua boca estava entreaberta querendo dizer algo involuntariamente, mas nenhum pensamento concreto passou pela sua cabeça quando ela levantou-se, calma e serena, e caminhou em direção aos faróis. Não estava desesperada, nem com medo, nem contente. Só sentiu vontade de beijar as luzes inúteis. Freios gritando, pessoas olhando, um homem parou a 4x4 e a chamou de filha-da-puta louca. O rapaz desceu do carro enquanto ela permanecia imóvel olhando os faróis. Ele perguntou se ela estava bem, ela tirou os fones, perguntou o quê e depois disse que estava triste. Aí ela riu, caminhou de volta para o banco, pegou sua mochila e decidiu ir pra casa. Mas ele deixou o carro no meio da rua, correu, segurou ela pelo braço e disse, como se quase não a tivesse matado, que a tristeza dela era bonita. Ela não esperava essa reação. Ficou olhando o cara, que começou a sorrir, espantada sem saber o que dizer. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Precisa ter muita coragem pra mostrar isso assim. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- O quê?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Vem, te dou uma carona. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Pra onde?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Eu que deveria fazer essa pergunta, né?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Quero ir pra casa, eu acho.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Onde fica?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Não sei.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Tudo bem. Eu te levo. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Pra onde?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Tanto faz. É só uma desculpa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Pra quê?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Pra te estuprar que não é. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;- Por que não?&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-7530116198216699958?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/7530116198216699958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=7530116198216699958&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7530116198216699958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7530116198216699958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/05/cecilia.html' title='Cecília.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-7360921347708102143</id><published>2010-05-10T16:18:00.005-03:00</published><updated>2010-05-10T18:04:57.284-03:00</updated><title type='text'>Mais da mesma (merda).</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Sei bem que quem vem aqui, definitivamente, não espera encontrar isso. /:&lt;br /&gt;    Me sinto até meio em dívida, mesmo sem saber exatamente com quem(s). Talvez até com um outro eu mesmo sem ser esse daí debaixo.&lt;br /&gt;   Mas é que eu tô muito bem. Não consigo escrever quando eu tô muito bem. As coisas ficam leves, endorfina, paz e etc.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;   Preciso estar perturbado, desequilibrado, pra escrever algo que eu julgue digno de ser publicado. As coisas andam tranquilas (até demais). Por ora, só dá só vontade de rir e falar merda pra rir mais. :)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/1onwwjcgP1o&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0xe1600f&amp;color2=0xfebd01"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/1onwwjcgP1o&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0xe1600f&amp;color2=0xfebd01" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-7360921347708102143?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/7360921347708102143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=7360921347708102143&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7360921347708102143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/7360921347708102143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/05/mais-da-mesma-merda.html' title='Mais da mesma (merda).'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-5341961995639223322</id><published>2010-05-02T20:31:00.001-03:00</published><updated>2010-05-02T20:38:19.516-03:00</updated><title type='text'>Bipolaridade.</title><content type='html'>Porque o outro video era muito deprê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/5RH58Yy9Rc4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/5RH58Yy9Rc4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-5341961995639223322?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/5341961995639223322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=5341961995639223322&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/5341961995639223322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/5341961995639223322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/05/bipolaridade.html' title='Bipolaridade.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-5262417156123285003</id><published>2010-04-23T17:46:00.001-03:00</published><updated>2010-04-23T17:46:57.710-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Seguinte, o último texto (o post grande sem título, não essa tuítada ridícula aí debaixo) tem uma carga foda. Acho que foi por causa do estado em que eu o escrevi. Imaginei que se tivesse falado aquelas coisas, naquele estado, ao invés de ter escrito, as palavras feririam muito mais. Gosto de escrever daquele jeito sincero: intuitivamente, sem respirar, deixando os períodos surgirem, permitindo que as frases se completem em si mesmas. É legal essas coisas que embriagam e desequilibram: a gente é muito certinho, muito&amp;#160; reprimido. Se a gente perde o controle sobre o que sente e só sentir e fazer, a gente é livre.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Daí eu lembrei de um clip muito doido de uma banda canadense chamada &lt;em&gt;Barzin&lt;/em&gt;. A menina do clip parece pra caralho com a menina do texto. Então, já que estava coçando minha bolsa escrotal essa semana e não parava de ouvir a Regina Spektor, resolvi aproveitar o clima melancólico provocado pelas chuvas daqui pra fazer um videozinho interpretando aquele texto. Filmei quase nada, só fiz juntar uns clips e videos que peguei&amp;#160; do São Youtube. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Enfim, apesar dos meus conhecimentos de direção serem quase nulos, o roteiro ficou bacaninha e eu consegui editar colocando os efeitos pra criar as metáforas que eu imaginei. Mas a narração não ficou tão boa, porque eu sou um jumento (infelizmente, a comparação só diz respeito ao raciocínio lógico :( e gravei perto do microfone. De todo jeito, acho que o resultado tá até bonitinho. Se vocês assistirem num domingo de chuva faz mais efeito. Caso não estejam com saco nem espírito pra assistir nove minutos de imagens sombrias, façam pela Regina Spektor que gentilmente me concedeu a trilha sonora. Minha BFF ela.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Enjoy:&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;div style="padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; width: 425px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:45a31d3f-d6b7-4dca-9a94-b655d1d5b052" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="25164164-ca12-49e4-b24d-e98fe69bf6e5" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=YKMaTTp0skw" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh6.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/S9IHP6lsBhI/AAAAAAAAARc/DeSt2Vu1jHA/video3a9481b8d1b1%5B4%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('25164164-ca12-49e4-b24d-e98fe69bf6e5'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/YKMaTTp0skw&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/YKMaTTp0skw&amp;amp;hl=en\&amp;quot; type=\&amp;quot;application/x-shockwave-flash\&amp;quot; width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/embed&amp;gt;&amp;lt;\/object&amp;gt;&amp;lt;\/div&amp;gt;&amp;quot;;" alt=""&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;Pra quem gostou, todas as músicas do video são do album &lt;em&gt;Songs. &lt;/em&gt;Tu podes fazer o download &lt;a href="http://tinyurl.com/2d364nd"&gt;aqui&lt;/a&gt;. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="Times New Roman"&gt;Espero que alguém tenha sentido algo além de tédio. Inté. ;)&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-5262417156123285003?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/5262417156123285003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=5262417156123285003&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/5262417156123285003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/5262417156123285003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/04/seguinte-o-ultimo-texto-o-post-grande.html' title=''/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_iKKSw2Qh9To/S9IHP6lsBhI/AAAAAAAAARc/DeSt2Vu1jHA/s72-c/video3a9481b8d1b1%5B4%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-8456149173234169243</id><published>2010-04-20T13:41:00.003-03:00</published><updated>2010-04-20T13:49:12.890-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ei, cara, a gente só mata a solidão e se mostra de verdade se for corajoso o suficiente pra aceitar que poucas vezes vale a pena fazer isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-8456149173234169243?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/8456149173234169243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=8456149173234169243&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/8456149173234169243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/8456149173234169243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/04/ei-cara-gente-so-mata-solidao-e-mostra.html' title=''/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-3948436464892313412</id><published>2010-04-11T05:06:00.001-03:00</published><updated>2010-04-11T15:41:52.804-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Às vezes parece que só tem eu. Tu sabes como é. Tu olhaste em volta, estalaste a boca, respiraste fundo e percebeu que não tinha nada pra ver. Por isso te achei foda. Mas já está tão tarde e a noite é tão profunda. Só tem o piano nos meus ouvidos e o escuro. Só não sei o que é mais alto. Será que ainda tem alguma coisa lá fora? Já bebemos e dançamos e suamos tanto. Estás tão cansada. E eu procurando meu porre. Tu deve estar procurando motivos pra continuar procurando alguma coisa. Sei que estás com medo, mas é só porque é noite e estamos muito cansados dos outros e meio bêbados. Foda-se também. Amanhã o sol vai sair, parece. Ou vai chover o dia todo de novo. Tomara que chova. Também gosto de domingos de chuva. Aí a gente tem desculpa pra ficar triste: chuva e ressaca moral. Mas, sabe, teu vômito era bonito. Não o produto final, o ato. Tu, descabelada, indefesa, sem pudor, num banheiro imundo, botando pra fora tuas entranhas, te sujando de ti. Não sorri porque estava bêbado, não. Eu ri porque foi bonito. Tu te sentes meio vazia às vezes mesmo sem ter vomitado? Às vezes parece que só tem eu, sabe? Tipo, por dentro, entende? Tu lembras o que eu disse pra ti antes de tu vomitar? Eu disse que tu és bonita. A verdade é que tu és bonita só vomitando. Tu és normal demais quando não está vomitando. Será que tu gostas de piano, além de vomitar? Tu és culpada pelo meu vazio, me arrependi de ter te beijado vomitada. Teu gosto não é pior que o da cerveja, mas a cerveja não deixa a gente vazio. A culpa é do teu desespero, a culpa é tua. Não precisava de tudo aquilo, não, menina. Porra, é tão difícil pra ti te suportar? Quanto tu bebeste? Cara, é desperdício de grana comprar tanto álcool. Tu és doida pra rasgar dinheiro assim? Tu és doida de ti rasgar assim? Sei lá se tu vai acordar. Eu&amp;#160; já não tava bem, sabe, não precisava da tua merda. Aí quando tu abrir os olhos vai sentir tua cabeça latejando, e amanhã vai chover o dia todo, parece, daí tu sentirás frio e a tua cama macia com teu lençol, que deve ser amarelo ou branco com detalhes rosa, vai querer te matar. E a tua vida vai-se embora na tua preguiça e na tua fraqueza, porque tu vais estar de estômago vazio e agora tu já perdeste o café e o almoço e vai gritar com a tua mãe, talvez até mande ela tomar no cu que nem tu fizeste com aquela tua amiga que era meio idiota. E tu também não vai querer falar com aquela tua amiga que te ajudou, nem com aquela outra que tava meio puta pra caralho, porque tu vai querer ficar sozinha o dia todo na tua cama macia que não espera nada de ti além da tua presença. Tua solidão é como teu vômito: guardada, censurada, esperando pra te sujar toda, não dá pra prender quando vem. Até queria ir aí, se eu soubesse aonde é aí, mas tu me mandaria tomar no cu porque eu começaria a dizer coisas que te exigiriam pensar e a tua cabeça dói e tu não quer ver ninguém. Eu vou assistir um filme amanhã, eu acho, sei lá. Talvez não queira ver ninguém. Acho que iria querer te ver amanhã, não agora porque eu não saberia o que dizer e não quero te beijar porque tu tens gosto de vômito. Amanhã vai fazer sol e as pessoas vão viver a vida delas, parece. Tu vai rezar pra que nenhuma vida vá te procurar, e sabe deus se tu sabes rezar direitinho. Acho que tu vais pensar que eu sou um escroto ou algo do tipo. Mas pra ti pouco importa se eu sou escroto ou bêbado ou aproveitador ou se eu achei bonito teu vômito. Sei lá, depois de amanhã tua solidão vai se esconder. Tu vai te alimentar, talvez até sobreviva ou algo assim. Depois eu te vejo te por pra fora de novo. Às vezes chove o dia todo amanhã. De repente a gente abre os olhos e percebe que não tem nada dentro da gente e tem a impressão estranha de que ninguém pode colocar porra nenhuma pra preencher isso. Aí a gente bebe mais ou trabalha mais ou estuda mais ou assiste algo que a gente não consegue fazer ou conversa sobre o porre ou sobre um filme ou sobre a TV ou sobre qualquer coisa e espera outra noite pra vomitar mais... Parece que só tem tu aí... Pelo menos tu vomitas e gosta de te perder voluntariamente. Estás chovendo aqui, eu acho. Quando a gente abrir os olhos, a gente vai pensar puta que pariu e vai tentar fechá-los, mas aí a gente vai ver um ao outro no escuro e vamos ter vergonha. Porque eu disse que tu estavas sozinha e tu, bêbada, disse que sempre foi. E eu, porque achei que seria legal e não por estar bêbado, disse que eu não existia. Aquele beijo tinha gosto de vômito. Queria saber qual teu gosto agora. Tu deves ter gosto de morango nas manhãs chuvosas de domingo. Só porque eu me lembrei do Caio e achei legal dizer isso e tals. E eu sei lá se a Regina Spektor ou essa semiconsciência que não me deixa dizer tchau, ou se é o medo de ficar sozinho porque já está tarde e minha cabeça dói um pouco e parece que eu não vou lembrar muita coisa, sei lá por que. Medo de esquecer que não tem só tu, nem só eu. Arch your head, you think you are alive, but you are dead, you keep on driving in your car asleep, etc e tal. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-3948436464892313412?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/3948436464892313412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=3948436464892313412&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3948436464892313412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/3948436464892313412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/04/as-vezes-parece-que-so-tem-eu.html' title=''/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-2584430721128325870</id><published>2010-03-27T08:00:00.001-03:00</published><updated>2010-03-27T08:00:14.790-03:00</updated><title type='text'>A Perdição.</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Mas faltou a vertigem. E o coração, cretino, acostumou-se ao cheiro e passou a ficar indiferente, sossegado. Foi no tempo das falas repetidas e dos assuntos sem sal. Os diálogos perderam a profundidade e os meus sorrisos. E eu comecei a duvidar da validade do roteiro, a trama descomplicou-se e ficou tudo exageradamente previsível e monótono. Daí que a gente não estava no cinema, não é? Foda-se. Eu tinha o entorpecimento, a ansiedade, o medo, o orgasmo, a perdição. Tudo era intenso e vibrava num nível maior que a realidade aparente das nossas vidas vazias. Nós nos sufocávamos de nós e era bom ressuscitar um monte de vezes. Quando a gente fica sem respirar, mesmo que por pouco tempo, por uns instantes parece que a gente consegue sobreviver só com o que tem dentro. Era feliz quando não queria mais nada. A gente é inteiramente livre quando tudo que queremos é a prisão. Nada importa além das paredes. A verdade é que eu não sei quando ficamos tão entediantes. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Porque não era tempo que passávamos juntos. Nem tinha tempo, ou não tinha noção, tanto faz, as coisas pulsavam. Caralho... É ruim recobrar a noção de si. Os pensamentos vagam, dão voltas, eu chego a conclusões que não me agradam e lembro que tu dissipavas tudo isso. Nem sei quando tu mudaste e eu mudei contigo. Tanto tempo. Qualquer tempo agora é tanto. Lembrei que existe futuro. Porra, quando foi que te ver deixou de ser um tiro!? Por que a gente deixou de ser droga pra virar passatempo? Não era a companhia um do outro que queríamos, a gente tentava era fazer o outro cometer suicídio. Sentir até não poder mais. Isso soa ridículo e muito escroto agora. Nós não aprendemos a gostar um do outro pra desaprender assim. Nós nos gostávamos antes de existirmos. A gente era certeza, burra, plena. E a gente não teve escolha, como não temos escolha agora. Tenho medo de que tenhamos nos tornado velhos demais. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Ah, mas nós ficamos resignados. Somos passado. Quanta idiotice. Como é idiota pensar que ainda existimos, já que não somos mais os mesmos. Somos quem? E, principalmente, no que eu penso agora? Sangrar de paixão era o que importava. O que desnorteia é o que nutri. A gente saciava a única fome que tínhamos e o que restava era a contemplação diante do que não compreendíamos. Amor é coisa que a gente guarda pra quem não podemos ou não queremos tocar. As pessoas acreditam em deus, eu acreditava em ti. E tu eras ainda mais sacana. Tudo bem, o fim é só outro caminho, eu consegui chegar em ti, foi bonito, virão outras e eu só estou repetindo esses clichês pra me sentir menos fodido. Mas quem não está fodido, não é? Ao menos fomos inteiros, indecentes, impróprios e sem respeito com nós mesmo... Merda, não tem mais vertigem porque eu estou no chão. Cara, o que foi que aconteceu!?&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-2584430721128325870?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/2584430721128325870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=2584430721128325870&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2584430721128325870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/2584430721128325870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/03/perdicao.html' title='A Perdição.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-6020698927724613167</id><published>2010-03-15T01:11:00.001-03:00</published><updated>2010-03-15T01:11:41.606-03:00</updated><title type='text'>Sobre a fuga.</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Aquele mormaço sufocante que entranhava todas as horas de todos os dias foi o que a impulsionou. As horas, sempre iguais, eram preenchidas por obrigações e deveres entediantes que não faziam sentido a ela. E os dias eram apenas seqüências de repetições: acordar, se arrumar, comer, sair, trabalhar, almoçar, trabalhar, voltar, dormir, esquecer, ignorar, rir por rir, relevar, fingir, respirar fundo, essas coisas. Pessoas e tarefas a obrigavam a agir e ela reagia. Era um tanto chato, mas, distraia: tanto as tarefas quanto as pessoas. Ela achava que só sabia fazer isso. Ou que era mais fácil fazer só isso. Questões de aprendizagem e costume. Sentia-se meio perdida e vazia nos finais de semana. E a perdição e o vazio nos deixam meio tristes. Então ela procurava ocupar o tempo com distrações práticas que a fizessem esquecer-se de si. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Ela não sabe ao certo quando começou. Deu pra ter falta de ar e uns apertos no peito. Começou a olhar pra pontos fixos no teto por minutos. Passou a reparar nas coisas a sua volta e teve medo quando pareceu tudo de mentirinha. Viu um futuro como uma desesperadora continuação do presente. Desprezou tão honestamente que achou injusto se recriminar. Sentia que sua vida era só um estado latente precedendo algo que nunca chegava. Tinha umas vontades estranhas de correr por aí ou andar sem rumo de madrugada. Ela não ia porque correr dói e a noite é fria. De repente, as vozes repetindo as mesmas palavras de ontem e anteontem, raramente inventando novas conversas, começaram a incomodar. Aí ela parou de falar e foi procurar o silêncio. Estranharam, insistiram, depois, como habitualmente fazem, desistiram. Como qualquer outro, ela nem era tão importante assim. A pessoa que mandava nela reclamou que ela não estava fazendo o que ela fazia direito. Ela olhou séria e mandou a pessoa se foder e foi mandada embora. Nem era tão importante assim. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;As horas sobraram. Ela apreciou as pessoas nos finais de tarde. Fez coleção de frases de livros da biblioteca. Invadiu uma casa velha que era muito bonita. Plantou flores e as viu morrerem. Comeu comida de rico e depois vomitou. Procurou músicas de muito longe. Deu grana pra um mendigo louco que falava de deus. Apaixonou-se por um hippie que fumava maconha e mijava atrás da árvore. Teve uma crise de riso quando uma mulher apressada caiu no chão e deslocou o braço. Reagiu sorrindo a um assalto. Viajou pra uma cidade quase vazia pra andar no mato. Roubou um cacho de bananas e um CD pirata. Ficou bêbada sozinha. Beijou com sinceridade o vizinho do lado, um velhinho que morria só. Assistiu a bons filmes, aqueles de deixar a gente triste. Conheceu uns vagabundos e os chamou de amigos. Fotografou árvores pra elas não morrerem logo. Brincou com as crianças no playground. Fotografou pessoas pra elas se verem. Viu beleza em um cachorro atropelado que agonizava chorando. Comprou um caleidoscópio, um pião e um ioiô. Dormiu quando o sol acordava e conseguiu sonhar acordada enquanto o sol dormia. Correu de saião numa madrugada gelada. Sentiu alívio por as pernas estarem dormentes de tanto serem usadas. Sentiu o suor que saia da quentura de dentro dela. Sentiu que era feliz. &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-6020698927724613167?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/6020698927724613167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=6020698927724613167&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6020698927724613167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/6020698927724613167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/03/sobre-fuga.html' title='Sobre a fuga.'/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-4225282975822599710</id><published>2010-03-08T13:43:00.003-03:00</published><updated>2010-03-08T13:44:32.003-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Pergunto o que há contigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teus olhos estáticos, mortos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhas para mim e sorri triste&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque não tens nada a dizer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí eu te compreendo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrás dos teus olhos fixos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só o vazio dos sorrisos tristes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ser inútil olhar em volta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;"&gt;às vezes fica insuportável e sai poesia, mesmo que seja feia.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8832031100585584943-4225282975822599710?l=va-go.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://va-go.blogspot.com/feeds/4225282975822599710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8832031100585584943&amp;postID=4225282975822599710&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/4225282975822599710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8832031100585584943/posts/default/4225282975822599710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://va-go.blogspot.com/2010/03/pergunto-o-que-ha-contigo-teus-olhos.html' title=''/><author><name>Tiago Júlio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17684305254094172062</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/-gHpCU6SaN4c/TxwzOIJmFII/AAAAAAAAAiA/3o4Ac6IQ6Yg/s220/tuiter.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8832031100585584943.post-6634397318997672199</id><published>2010-02-04T03:46:00.001-03:00</published><updated>2010-02-04T23:56:19.970-03:00</updated><title type='text'>Oi? (primeira e, talvez, última parte :)</title><content type='html'>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Do que é feito o amor? (ironia) Seria só uma invenção do capitalismo para que gastemos nosso dinheiro com presentes inúteis e idiotas? (/ironia) Ou ele vem da beleza que há na individualidade alheia? Ou talvez, à la louco do narciso, ele venha quando a gente reconhece o que o outro tem de nós? Ou, quem sabe, seja só uma ilusão criado pelo nosso intelecto inventador (que inventa dor... Que merda. Beijo pr’a galera que curte Teatro Mágico. HAHA) para tornar menos animal nosso instinto de procriação? Será só uma criação para disfarçar a carência causada pela nossa natureza que nos obriga o convívio social? Aliás, a mesma natureza que faz de nós, animais sociais, pertencentes à espécie Homo sapiens e providos de intelecto inventador, tão vulneráveis a qualquer estímulo sexual medíocre.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; É claro que se tu és um animal social, estás inserido na espécie Homo sapiens, pertences ao sexo masculino, és provido de intelecto inventador, está no auge da tua maturidade sexual e matando cachorro a grito (expressão que não faço a mínima ideia do que significa, estou com preguiça de procurar a origem e que só uso por ser simpática*), qualquer estímulo sexual medíocre, vindo de alguém aparentemente interessante, vem a ser assaz interessante. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Ela tem cabelos castanhos. Os fios, lisos, são mais claros nas pontas caídas sobre os ombros nus e escurecem conforme se aproximam da raiz. As sobrancelhas são finas e modeladas. O nariz é bonito e contornado por sardas clarinhas. Ao menos de perfil é bonito. Há narizes bonitos de perfil e feios de frente, quando são menos narizes. As pupilas castanhas estão estáticas fixas num ponto longe, além da rua. Acho que os olhos olham para dentro. Ele também olha para dentro: da roupa. Vamos dar um desconto: ele ainda não a conhece tão bem quanto ela mesma. Portanto, qualquer tentativa de enxergar mais além seria vã, e só mostraria o que ele, em seu estado absorto de patetice, quisesse ver. Assim, nada mais prudente que evitar prejulgamentos parciais e se concentrar na superficialidade concreta e inofensiva das carnes. E que carnes, viu: são muito bem distribuídas, para resumir. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Faltou descrever a boca. Grande responsável pelo estímulo sexual medíocre que deu origem às demais observações. É uma boca rosa e carnuda. Os lábios superiores são um pouco mais grossos que os inferiores. Eles parecem ter textura de veludo. Ela passou levemente a língua por eles para umedecê-los. Não diria que é uma boca grande. Eu diria que tem o tamanho exato para degustar um pênis de tamanho médio de tal forma que a ação seja prazerosa para ambas as partes. Certo: mais para uma que para outra, mas o mundo é injusto assim mesmo. Ok: eu nunca diria isso. Mas ele, com certeza, diria.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; A pele dela é branca como uma folha de papel. Como uma dessas em que, exatamente agora, nosso amigo gasta palavras. Frases que ele julga divertidas e criativas o suficiente para atrair e prender a atenção da moça até o ponto final, que deverá preceder um sorriso e a vontade de conhecê-lo. Isso, na cabeça doentia dele, se ela for mesmo interessante como parece. Porque, para nosso rapaz desmiolado, uma iniciativa tão sincera, original e bem elaborada despertaria, no mínimo, curiosidade em qualquer um com algum senso de humor e intimidade com as letras. Ou seja: ele acredita mesmo que a sorte lhe pôs na mesa da frente uma moça atraente, dona de uma boca sensual, com um bom discernimento, espírito crítico, senso de humor peculiar, gostos incomuns e pior: num dia em que ela esteja com as taxas hormonais na medida certa para lhe render paciência e boa-vontade para dar trela a desconhecidos estranhos que se acham espertinhos. É, coitadinho.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Vale salientar, como já notaram os mais observadores, que nosso herói se acha inteligente. E isso, além de prepotente, dá brecha para conflitos existenciais angustiantes já que, inteligente como julga ser, sabe que não deve subestimar os outros e superestimar a si mesmo. Apesar disso, seus processos mentais costumam criar expectativas exageradas em cima dele e, em contrapartida, desmerecer o que se pode esperar da maioria. Daí, contrariado pela própria suposta inteligência, ele adota uma falsa modéstia que mais parece cinismo que humildade. Ele costuma ouvir elogios exaltando sua sensibilidade, sua capacidade de expressão, seu raciocínio rápido e sua capacidade de analisar as coisas: acabou se convencendo disso. Em compensação, só quem se lembra de elogiar sua exótica aparência são sua mãe e sua avó. Sim, coitadinho de novo. Aliás, convenhamos que duas não é um número razoável de opiniões para que alguém que se julga inteligente possa se convencer de qualquer coisa. Além do quê, são pessoas partidárias para as quais os galanteios ele está cagando e andando (*) [mãe, vó &amp;lt;3]. Vale salientar, como já notaram os mais observadores, que nosso herói é perigosamente neurótico.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Mas voltemos à cena: a moça agora está entretida com dois canudos plásticos. Um azul e um amarelo. Ligou as quatro pontas, juntando um canudinho ao outro, e agora vira, torce, destorce, desvira e pressiona fazendo quadrados, triângulos e pentágonos tortos. Brinca, encara o brinquedo e ri. Parece uma lesa. Ela é estranha o suficiente para justificar a empolgação que cresce em nosso ingênuo amigo que a admira como um cãozinho esfomeado. É uma garota que tem lá seus dezoito, dezenove... Não mais que vinte e três. Isso de idade é algo difícil de deduzir precisamente quando as meninas ganham, enfim, aparência de mulher lá pelos quinze, dezesseis anos. Claro que elas vão adquirindo contornos mais maduros e ganhando expressões mais graves, coisas que o tempo e a vida nos obrigam a aceitar, mas elas conservam a aparência de fruta recentemente amadurecida até os vinte quatro, vinte e seis... Não mais que trinta: quando nós, frutas impotentes que somos, começamos a notar os sinais do apodrecimento e nos inquietamos com o que eles anunciam. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Retornemos às coisas leves e felizes: nosso rapaz está alvoroçado com a possibilidade de fertilizar a moça com suas sementinhas. Evidente que ele, cínico como é, ignora o motivo óbvio e tenta se enganar repassando mentalmente as razões para estar ali escrevendo para uma desconhecida. Diz que está sinceramente encantado com o ar largado da menina, sua indiferença em relação ao que a cerca, sua despreocupação brincando e sorrindo para canudinhos, sua excentricidade que denota distúrbios psicológicos cativantes, sua blusa do Snoopy, sua solidão em meio às outras mesas, a ele, à rua, ao mundo, ao sol, às outras estrelas, ao interior dos canudos, aos participantes do big brother, a deus, aos grãos de areia... E, afinal, assume que a beleza provocante da moça foi fundamental para lhe prender a atenção sim, porém, garante que suas intenções para com ela vão muito além do simples desejo de acasalar: pequeno, por exemplo, perto da vontade de ir até a essência curiosa de alguém que ri para canudinhos plásticos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Papo furado escroto e melodramático. Os advogados podem protestar afirmando que estou sendo insensível e injusto, já que o moço parece mesmo estar interessado na alma e no que há além da pele da menina e que sua justificativa foi honesta e convincente. Mas eu posso lhes provar o contrário. Se quem estivesse sentado adiante dele fosse alguém do sexo masculino, ou alguma moça que não se encaixe em seus padrões e em sua escala de beleza, que vai desde “bonitinha” a “gata pra caralho”, não teria blusinha do Snoppy nem sorrisos idiotas para pedaços de plástico que o mantivesse trinta minutos escrevendo, rezando para ninguém, pedindo para que ela não se canse dos canudinhos e vá embora. Indo mais além, se no lugar da moça fosse um rapaz ou outra moça que não fosse atraente a ele, o mais provável é que ele já não estivesse mais ali: tal pessoa despertaria nele curiosidade, pena, indiferença, medo ou qualquer outro sentimento diferente do tesão que lhe faz ficar ali, gastando o punho. Escrevendo, claro. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; Contudo, assumo que estou sendo irresponsável pintando nosso herói como se ele fosse um tipo descontrolado chegado em travessuras sexuais, como um maníaco da tesourinha qualquer. Longe disso. Nem passa pela sua consciência o mais remoto desejo de copular loucamente com a moça, ainda. Em seu inconsciente, no entanto, ainda já deve ser agora. Por enquanto, ele está mesmo contente em só observar a ela e sua boca macia rindo. Suas ambições e vontades não passam da boca. No entanto, nós sabemos, nós, incluindo nosso amigo, quais sensações e anseios as bocas e suas habitantes línguas provocam em nós, vulneráveis a estímulos sexuais mais medíocres que beijos. E como uma boca com outra boca leva a uma coisa e uma coisa leva à outra e a outra à outra, o motivo maior que leva o rapaz a querer a boca desconhecida é a cobiça, ainda nem nascida, de possuir o resto. Sendo mais imparcial, admito que, muito provavelmente, ele não quer comer ela. Quer beijá-la, sim. É um carinha romântico. Espera, movido por uma esperança irracional, que, em longo prazo, se a aproximação funcionar e a moça confirmar tantas expectativas, contrariando todas as probabilidades, ele possa comer poemas e escrever ela assim, todos os dias. A verdade é que ele espera comer ela e escrever poemas assim, todos os dias. Porque ele não quer comer ela, mas vai querer: bocas são sacanas. E o que é mais legal:
