Tem a vontade de te desossar como se limpa uma galinha indefesa. Arrancar teu sustento sem piedades ou culpas e te fazer prostrar. Renegar tua humanidade e te querer como um objeto de decoração que, no fundo, é pouco mais que inútil. Enfeitar minha vida com tuas entranhas expostas e ignorar o apodrecimento da tua essência. Pecar abusando da tua falta de discernimento como quem escraviza um cão. Não há erro que não possa ser perdoado se a vontade de cometê-lo for muito sincera.
Tu vai sumir sem querer, porque é assim que as pessoas vão pra não voltar. Vou me entregar à pena por tédio e enjoo. Vou desistir de sobreviver, mas só até desistir ficar mais difícil que sobreviver. Não tem dor que resista a ela mesma. E nós fazemos promessas só pra ter o prazer de desfazer nosso futuro. Foi bom quando prever era sádico e tu te doía. Agora eu percebo que meu erro foi não afogar teu espírito com a minha mágoa. E me peço perdão por ter te dado vida enquanto pude.