sábado, 7 de dezembro de 2013

Unicórnios saltitantes.

Um bom texto começa pelo título. Ele precisa ser arrojado e esbanjar sobriedade. Afinal, as palavras, quando escritas e divulgadas, tornam-se um registro público capaz de ser replicado indiscriminadamente. É preciso ter cuidado com a Internet porque associar sua imagem pública a material autoral meia-boca pode, até mesmo, lhe custar um emprego. Daí a necessidade de avaliar e reavaliar se é, realmente, preciso publicar o que se escreve. Se o texto for pra gaveta ou pra uma pasta aleatória no computador, por mais tosco que ele seja, permanecerá inofensivo. Quando as palavras não vêm a público, seus efeitos são anulados pela razoabilidade do autor sensato. Sensatez é um pré-requisito pra se escrever. É fundamental atentar, além do conteúdo, pra a métrica e forma. A literatura não merece ser desrespeitada com brincadeiras levianas e inúteis. Um bom texto, pra ser útil, necessita causar impactos relevantes e insights produtivos em quem os lê. Os ingredientes pra um bom texto incluem: um título original, clareza e concisão, ideias dispostas de forma racional e compreensível, ambiente propício e cabeça sã a fim de dar vazão às ideias de forma ponderada. Nota: música fossa e fome não combinam com um bom texto. Corações machucados não geram bons textos. E lembrem-se: o exercício é a alma do negócio. É preciso escrever muito, todos os dias, pois a prática leva à perfeição. Modéstia à parte, este texto ficou perfeito e merece servir de base pra outros igualmente interessantes, válidos e incisivos. Porque um bom texto necessita de palavras pouco usuais. Não é pedantismo, é apenas para aproveitar todo o preciosismo da língua. Fim.

sábado, 30 de novembro de 2013

Do que não muda.

          Com a vela da nau quebrada, velejei por águas perigosas antes de pisar em terra firme. Com o mastro quebrado, o lastro a bombordo penso, meu navio chegou mal tratado à praia. Velejando solitário, não reconheci palmeiras tropicais, o rosto dos nativos e a própria areia fofa preenchendo minha bota furada. Me preocupei ao estranhar o mundo de forma tão aguda. Era como se meus olhos já não fossem meus. Era como se tivesse morrido no mar, entre a fúria de Poseidon e os encantos de Iemanjá, e apenas meu espírito ressurgido tivesse chegado ao continente. Já não sabia, exatamente, quem era eu, perdido entre o marujo que saiu do porto e o pirata que venceu a tempestade. Felizmente, eu continuava não gostando de açaí. Há coisas que nunca mudam. 

sábado, 2 de novembro de 2013

4:35 da manhã, 02/11/2013.

      Tua inconsciência pesada ocupando o espaço entre eu e você na cama. Teu joelho pálido saltando da fresta do lençol. Os remédios pra minha gripe jogados por todos os lados. Nossas roupas espalhadas no quarto abafado, suspenso no tempo. Onde foram parar nossas vidas? Existe vida além do que acontece dentro da Pousada Leste? O que fazemos agora, fora da Rua Henrique Lindenberg, número 28? Nosso amor, maior que 2.500 quilômetros de terras, céus e florestas, vela um mundo cheio de bêbados, solitários, insones, tristes, carentes, perdidos. Você é o farol que, de longe, me aponta o porto seguro. Navegarei num mar de saudades, risos, abraços, ternura, beijos, afagos. Lembranças que levo no peito pra logo, logo, refazer nos seus braços. Carrego memórias junto com a certeza de que eu sempre te quis, mesmo antes de aprender a querer, ainda antes de querer. Era você que eu sempre procurei.

à Thaís. 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Quando eu voltei a ter 18 anos.

Meu amor cabe em um biscoitinho da sorte,
cabe até em copo de requeijão reaproveitado.
Nasceu com quatro quilos, pobre, simples e comum.
Um amorzinho imenso, um grande clichê inevitável.


À Thaís.