sexta-feira, 31 de julho de 2015

Pra o caso de alguém me procurar aqui.

Oi, tem alguém aí?
Eu sempre digo que vou manter uma certa regularidade nas postagens do blog e sempre me contradigo. Vou parar de fazer promessas que não cumpro, já passei dessa fase.
Então, agora eu tô escrevendo na Obvious, um site colaborativo muito legal que tá me dando uma visibilidade que eu nunca conseguiria ter com o Vago. Não tô querendo desmerecer o potencial do meu blogzinho, só tô sendo realista. A Obvious, só no Facebook, tem mais de 800 mil seguidores. Nunca conseguiria atingir um público tão grande através do blogspot.
Preciso falar pra mais gente. Tenho que dar um jeito de ganhar dinheiro com as coisas que eu escrevo, urgentemente. Sério, isso é imperativo. Percebi que não vou ter satisfação profissional de outra forma. Pra isso, claro, preciso me tornar um escritor minimamente conhecido. Meu sonho é poder viver só das bobagens que eu produzo e conseguir remexer cada vez mais pessoas com as palavras. Acho que isso é meio ambicioso, ainda mais num país como o Brasil, mas não vejo possibilidades práticas de ser feliz de outra forma, sinceramente. A única coisa possivelmente rentável que eu gosto de fazer é escrever. Eu sinto que eu sei fazer isso e que tenho coisas importantes pra falar. Mas, enfim.
Meu último post na Obvious foi esse aqui, ó: http://obviousmag.org/mapas_do_acaso/2015/o-que-eu-aprendi-com-a-loucura.html
Falo dos meus surtos psicóticos e de como eles me ajudaram a crescer. É meio que um "aperitivo" pra o meu livro (não, ainda não sei quando será publicado [quem me perguntou? Não sei]). Não sei se ainda tem gente acessando diretamente a página do Vago, mas, se tiver, é isso aí. De novo, se quiserem me adicionar no Facebook, fiquem à vontade: https://www.facebook.com/tiagojuliom
É isso. Espero que gostem.
Não vou abandonar o blog, de jeito nenhum, e, logo logo, posto algo inédito por aqui.
Até lá, até logo.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

O Gerador de Improbabilidade Infinita

    Começa com uma página em branco e um cursor piscando. É mais ou menos assim. Quase sempre. Aos poucos, adicionamos letras, sílabas e palavras pra preencher espaços depois de espaços. Inventamos sons imaginários. Temos a necessidade básica de deturpar o silêncio e nos impor sobre o vazio. O nada incomoda. Devemos preenchê-lo com nós. Eu me viciei, particularmente, em fabricar máquinas verbais microscópicas capazes de viajar com sinapses e intuir pensamentos.  Eu trafego pelos vãos da memória recente e substituo informação por sensação. Não é um trabalho fácil e exige certa técnica. Alguns excessos ficam pra trás, pedaços de mim que são reciclados e viram adubo orgânico. Não me importo de me perder um pouco por uma causa nobre. A linguagem foi violentada por sentidos óbvios. Está traumatizada. É preciso curá-la. É necessário dar forma à incompreensão e divagar, principalmente, sobre coisa alguma.

     O niilismo é subvalorizado e não há critérios pra justificar tamanho descaso. O mundo está cheio de certezas vãs que pré-fabricam pontos de vista e despersonalizam ideias originais. Só a dúvida é redenção. Só através das improbabilidades alcançaremos percepções relevantes. O medo cega. O medo é nocivo e deve ser expurgado. É o mesmo medo que sentimos diante da página em branco. É o medo do que nós não sabemos: o mais primitivo e perigoso já nos imposto pela natureza. Brincando com as palavras, descobri que não saber não é necessariamente ruim. Abraçando o mistério, adquirimos uma liberdade irreprimível que não cabe sob as amarras de verdades incontestáveis. Este é o verdadeiro poder das palavras: confrontar crenças inabaláveis e oferecer visões novas capazes de alterar a relação com a existência. Só as palavras salvam. Repito como mantra pra não esquecer a responsabilidade e a dádiva que carrego. Eu sou um fazedor de mundos.


 “Só uso a palavra para compor meus silêncios.”
Manoel de Barros

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Visão.

  Era uma paisagem de palavras que eu percorria com pés cautelosos, com receio de desfigurar imagens verbais e desordenar a métrica imposta pelo acaso. Sempre ele, o acaso, me servindo de guia espiritual, guru, gênio da lâmpada e maestro, orquestrando involuntariamente meu destino. Meu destino, aliás, não dura dois parágrafos. Ele é matéria disforme, produto mutante, que, ao invés de gerar resultados, se recria infindavelmente em improbabilidades a perder de vista. Esta é mais uma delas. 

 Era um mosaico de letras que, dependendo do ângulo, fazia as vezes de um caleidoscópio multicolorido, como uma câmera escura geneticamente modificada pra explodir em feixes de fótons. Tinha o ritmo certo pra possibilitar uma leitura mental cadenciada e harmônica, uma melodia delicada que emocionava até os corações mais duros, calejados de forma incorrigível por certezas pré-fabricadas e egoísmos diversos. 

  Era um hino capaz de fazer conservadores bradarem a favor do amor livre e socialites amarguradas desenvolverem, milagrosamente, doses de empatia e bom senso. Era uma revolução íntima, sem freios ou rédeas, que levava à iluminação, ao nirvana, à graça. O texto que vislumbrei curava chagas, fomes e pobrezas, do corpo e do espírito. Era uma revelação contrária àquela dada a João, pregava o amor à destruição, a conciliação ao castigo, a felicidade à renúncia. 

  No fim das contas, não consegui. Nem cheguei a tentar, pra ser honesto. Morreu bebê prematuro o poema mágico que, por inabilidade e inexperiência, eu não pude decifrar e recompor. Legiões permanecerão sofrendo por minha culpa. É minha a responsabilidade por ser viciado em procrastinação e adepto da preguiça. Quando vi que teria que escrever duzentas folhas só de introdução, decidi que era mais prudente deixar pra alguém mais nobre a competência de salvar o mundo por meio da arte. Podem me condenar. Apesar de megalomaníaco, não sou tão vaidoso e dá muito trabalho entrar pra história. Alheio à tentação sórdida dos que pretendem imitar os grandes mártires, prefiro o anonimato inocente reservado aos vagabundos.

domingo, 14 de junho de 2015

Desculpa P/ Sujar Papel.

Foi assim que me ocorreu:
como um espirro fruto de uma gripe rara, dessas
que dão em bicho ou levam letras do alfabeto
por serem inclassificáveis de outra forma.
Foi assim que me ocorreu:
 instantâneo, irreprimível e veloz,
 como um susto, desses
que curam soluços ou matam
do coração.
O poema me tomou pelas
 mãos e me trouxe até
aqui, lugar-nenhum,
em que crio artifícios e
artimanhas para selar
 um pacto, em que troco
versos pobres por sorrisos,
 forçados ou sinceros.
Tanto faz, como tanto fiz.