quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Trinta Minutos.

     

      Foi-se tempo. Foram apenas olhos, e depois nariz, boca, cabelo, aí tinha o pescoço. E depois mãos pálidas e letras miúdas, e umas pulseiras. Mas tinha o pescoço. E o reflexo no vidro, e um perfil. E mistério e palavras indecifráveis e confusão. E a vista nos vultos, e a sombra de tudo que é real. As luzes iluminando nada demais e a velocidade e um vidro embaçado. E o pescoço. Daí a vontade sincera e o esforço desnecessário. O branco e os dedos e a profundeza e o que eu não sei. Porque eu não sei. O sono, e o livro, e a velocidade, liberdade, e um talvez. Uma hipótese. Mas as pessoas. Suas certezas, seus apertos, suas prisões, sua cegueira. E ela lá. Atrás do resto. Algo de fé. Sempre trágico. Uns instantes quebrados, a vontade de quebrar todos os outros. Reza, desejo, palavras, pescoço, e vai-se o tempo. E a velocidade, e as pessoas. Levam embora o que nunca trouxeram e deixam só o que poderia ter sido. Nos fazendo de putinhas adestradas. Ela lá. E a beleza é tão drástica. Porque ela tava lá. Paixão é simples como a velocidade. Não passa de velocidade. A velocidade é que nos faz passar de todo o resto. Chego rápido demais.

4 comentários:

Laura Fernandes. disse...

Mas quando eu digo que o chão ficou cheio de margaridinhas amarelas..., só mudo a trilha pra "Only neck", meninão :)

Ivan Ryuji disse...

Velocidade, um dos meus piores defeitos.
Bons são os momentos em que consigo me desacelerar..
=)

Fran.ciellen :) disse...

Bom seria se existisse a tal máquina do tempo. ou se soubéssemos aproveitá-lo assim, sem desespero. (:

Pedro da Silva disse...

Gostei de seu texto, sem super adjetivação, essencial, subjetivo sem ter carência de imagens reais, não chega a me comover (no sentido mais especifico da palavra) mas é questão de gosto, parabéns pelo texto.