quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Cartinha ao leitor.

 

      Tempão, hein? Lembro da época em que eu ficava angustiado quando não tinha post novo toda semana. Lembro que eu me espremia até sair qualquer coisa... Bom, não era difícil: Eu vivia carregado de coisas (ruins, a maioria). Lembro que eu comecei dois livros intermináveis e uns quatro casos sem solução. E eu era dramático e ingênuo. Complicava coisas simples de um jeito tão sincero que até ficava bonito. Eu era esperto como sou esperto agora, mas era teimoso inventando verdades que eu não podia acreditar. Eu escrevia pra me libertar, pra me compreender, pra me fazer entender, pra ferir, me ferir... Escrevia por vaidade. Pra mostrar que eu sei fazer. Por sadismo e um pouquinho de masoquismo também. Pra me sentir útil e pra eu reconhecer o meu valor. Pra receber elogios e amenizar minha insegurança. Pra desconstruir neuroses criando outras. Acho que eu escrevia porque era necessário.

      Agora não é mais necessário. Eu gosto de escrever, mas, aparentemente, gosto mais de fazer outras coisas. Preciso aprender a fazer o blog sobreviver a isso. Eu acho que curei minha insegurança crônica (ou quase isso). Resolvi dramas que eu pensava que eram mortais. Passei a conviver e a aceitar meus sentimentos sem supervalorizar besteiras. Descobri que muita gente já disse o que eu já disse antes de mim de um jeito bem melhor que o meu (opinião pessoal). Não sinto mais falta de elogios de estranhos pra me provar que eu faço isso bem. Faz tempo que não sinto o impulso de escrever que vinha, geralmente, quando eu tava melancólico e introspectivo me entregando ao tédio, quase que de propósito, pra me lamuriar depois aqui. Aprendi a dizer o que eu quero dizer sem ser prolixo, sem envolver tudo numa trama absurda ou numa construção poética cheia de sinestesia e metáforas loucas, como se o meu ponto de vista fosse importante ao ponto de justificar tantas palavras. Devo ter amadurecido.

      Escrever dá trabalho e exige uma disciplina que eu não tenho. Eu faço com certa naturalidade, mas não é simples. Faz quase duas horas que to digitando e apagando e só sobraram dois parágrafos. É um trabalho que eu não preciso ter, ainda. Vou ser jornalista, sabe? Aí vão me pagar pra eu escrever. Não quero desmerecer os comentários de quem comenta, eu valorizo muito isso. Milhões de coisas distraem a gente na internet, dedicar dois minutos pra emitir uma opinião é algo muito significativo. Mas eu tenho outras prioridades. Tipo... Sei lá, jogar videogame. É mais divertido que escrever. Me cobro quando digito. Eu sou muito autocrítico. Aliás, to achando isso tudo uma merda e se tu estás lendo isso agora é porque eu já liguei o foda-se e isso era pra ser uma conversa... O que é meio ridículo, porque eu to falando sozinho faz quase duas horas... Enfim, o que vocês tem a dizer? O que vocês querem ler? Perguntas é que não é, né? Se eu fosse vocês só responderia: “Algo melhor que isso”… Mentira, não falaria nada, tenho preguiça. Até mais.

3 comentários:

Jússia Carvalho disse...

as nossas prioridades mudam, nossos objetivos mudam e até nossa visão de mundo muda. A maior parte disso é culpa de quem a gente encontra no caminho. E acho que teus textos ainda podem transformar pessoas, seja lá isso bom ou não. O importante é trasnformar (risos).
Eu gosto de ler aqui. Sentirei falta das postagens não tão constantes, mas entendo a nova fase.

Pedro disse...

Claro que as atualizações farão falta, mas seria muito egoísmo meu e das pessoas que acompanham seu blog criticá-lo por isso. Afinal, você não tem nenhum compromisso conosco. Egoísmo maior ainda porque você está mais feliz assim.
Não sei se, como dito acima, seus textos dessa sua nova fase podem transformar as pessoas. Não por perda de talento seu, mas pela característica do leitor. Acho que pessoas que se identificam com esses tais "novos textos" não precisam/são passíveis de transformação como aquelas que o fazem com os outros mais introspectivos. Ainda assim, tem muita coisa boa a apenas um clique-no-histórico de distância. Você passou por problemas deixando registrado o que sentia (o que é muito difícil e foi muito bem feito) e ajudando outras pessoas a entender o que sentiam. E também está resolvendo seus problemas e sendo feliz. Parabéns por ambos, de verdade.

Tiago Júlio disse...

'Brigado, pessoas. Foi importante ler isso, mesmo.
Sei que não devo nada a ninguém, mas eu devo algumas coisas a mim e esse blog é parte do que eu sou.