domingo, 22 de junho de 2014

Música de foda.

Teu músculo latejando contra o meu músculo. Os poros se tocando em desespero. As papilas roçando úmidas. A gravidade do tato em frestas obscenas. As esquinas das frestas suando. As carnes se enroscando como se fosse finalidade única das carnes se enroscarem. São dançarinos expulsos do ballet Bolshoi por causa da cocaína. Teu cuspe lavando o meu cuspe. Chupo tua saliva pra me purificar por tudo aquilo que não pequei. Lambo a tua língua sem modos ou pudor, como um velho nojento chuparia um peito de 15 anos. Tens sabor de Halls preto com água gelada. As pernas desaprendendo a serem pernas. A consciência do pau avolumando a cueca. Eu tenho a pretensão de desfazer tua memória e me eleger o único gosto que podes provar. Tua respiração quase cessa e eu quase me esqueço de tudo. Tua maior putaria é emudecer o mundo. Só sobra tu, meu viciozinho de merda que, mais fodido que resignado, eu não consigo largar. Tu és a nostalgia que eu sinto de brincar, quebrando e desmontando. Machuca, mas a minha sacanagem é inocente. 

2 comentários:

Jhe pertille disse...

Muito bom!

Gyzelle Góes disse...

Uau, que coisa visceral! Quanto pudor e vulgaridade mesclados de forma lírica!

'Eu tenho a pretensão de desfazer tua memória e me eleger o único gosto que podes provar.' Perfeito