segunda-feira, 7 de julho de 2008

Algo a alguém.


Porém, ainda que me reste à angústia, que nos percamos,

Mesmo que o improvável se dilua nas contradições,

Com nossos erros destruindo o excesso dentro do pouco,

E tudo se resuma a gritos inaudíveis, cheiros inimagináveis,

Nossos gostos esquecidos, as imagens desfocadas, e aos toques abstratos,


Somos prendidos e espaçados,

E nos desgastamos no paradoxo, e nas antíteses,

Na sinestesia, ah, e nossos hipérbatos...

Consumimo-nos lentamente, porque ardemos,

E desmoronamos com o que construímos.


Desenraizado, pendente, dependente, somos destruídos.

Na luta vã de equilibrar tal balança desregulada - como nós.

De um lado o exagero d’outro a falta.

E aí, sem a coragem pra se atirar enquanto isto cai,

Para finalmente então, os dois em queda livre,


Mãos dadas, olhos encontrados, corpos abraçados,

Corações oferecidos,

Esperamos as graças da loucura, ou impulso, ou ímpeto, coragem, confiança,

Qual palavra for...

(ou será preciso inventarmos outra nova?)


És querida,

E mesmo sendo teu pouco,

Por agora sou teu inteiro.

Perdoa minhas incoerências, pequena.

Adoro-te como não posso.

3 comentários:

(...) disse...

(Des)conhecido, você sabe que um dia eu o matarei? Não porque o (des)conheça, ou por ciúmes, ou porque tenha deixado de amá-lo, mais, singelamente porque eu tenho vontade de devorá-lo.

Larissa Tezolin disse...

adorei aki...
*.*
Como vc escreve bem!
bjos

Filipe Garcia disse...

Um brinde ao amor desvairado!