terça-feira, 6 de julho de 2010

Contra a luz da laterna.

 

       Às vezes basta uma fala inesperada. Qualquer coisa estranha e sem sentido que fizesse eu sentir que não compreendo mais porra nenhuma. Um gesto brusco, um tapa na cara, a ameaça de explodir como uma estrela, uma pergunta tosca a um desconhecido distraído, um surto de cleptomania, qualquer coisa. Um ato de coragem e sandice afrontando a vida, um desafio à lógica, um cuspe na cara do medo. Algo que me desequilibrasse e me fizesse rir do absurdo. Uma prova de que se pode ser maior do que toda essa droga que nos cerca. De que o infinito particular pode se expandir até comer tudo.

      Podia ser mostras de indecência ou gritos animalesco. Não toda a hora, porque não quero que vire prova de nada. Não é preciso de justificativas pra ser o que se é. Absurdos grandes assim só quando estiver muito calmo, como agora. Quando é preciso rasgar o silêncio com risadas assustadores. Eu queria uma nota inexistente, uma palavra que signifique algo ainda não inventado, um performance inédita e um sentimento de euforia vindo do prazer de trocar olhares no escuro. Queria que meu peito latajasse por causa do descontrole hormonal provocado pelo cérebro que não manda mais nem em coração, nem em mãos, nem em pensamentos. Então eu teria bons motivos pra sentir. Motivos que eu inventei, guardei e perdi na imensidão que há em ti.

5 comentários:

Pearl disse...

cérebro manda na carne

Ivan Ryuji disse...

Pra mim esse teu post também podia se chamar "Descontrole" apesar de parecer bem clichê também hehe
foda-se, eu gosto de clichês.. haha

abraço

Ivan Ryuji
http://blogdoryuji.blogspot.com/

Jônatas Santos disse...

o problema é que a luz traz a tona desejos antes coibidos pelo medo. Mas ao mesmo tempo, a sombra causada por ela, amedronta e esconde as possibilidades de prevermos um futuro desejado.
Talvez o medo não tenha se dissipado por completo... Ele se faz presente e nos impede de vermos o óbvio. Sei lá... fiquei confuso agora.
bom texto. abraço

Anônimo disse...

Adoro mesmo seus textos, saudades do ócio no coro.
Paula Sardinha

Andressa C. disse...

Não sei se foi a esse texto que se referiu quando disse que eu ia gostar de ler o que escreveu, mas se não for, eu gostei mesmo assim.

"Algo que me desequilibrasse e me fizesse rir do absurdo. Uma prova de que se pode ser maior do que toda essa droga que nos cerca. De que o infinito particular pode se expandir até comer tudo.

[...] não quero que vire prova de nada. Não é preciso de justificativas pra ser o que se é.
[...]
Queria que meu peito latajasse por causa do descontrole hormonal provocado pelo cérebro que não manda mais nem em coração, nem em mãos, nem em pensamentos. Então eu teria bons motivos pra sentir. Motivos que eu inventei, guardei e perdi na imensidão que há em ti."

E acho que você acredita quando eu digo que sei exatamente como é sentir isso.
Não sei se me reconforta ou se me desespera. Eu sei que despertou algo que estava dormindo dentro de mim.

Escreve outras coisas logo, menino. Gosto de te ler. =]