domingo, 5 de setembro de 2010

Chuvinha.

 

      A menina corre pela chuva com a barra do vestido nas mãos. E ela vai desabalada pisando em poças, carros e pessoas. Corre tão despreocupadamente que poderia correr de olhos fechados. E se, por acaso, acontecesse de dar com a cabeça numa árvore desavisada ou de esbarrar com um passante e seu guarda-chuva super-protetor, bom, ela os derrubaria sem piedade e seguiria sua correria como se não fosse nada. Ela não sabe exatamente pra onde vai, mas vai indo assim mesmo. Nem vou tentar entender como ela aguenta carregar essa solidão encharcada. Nem a garotinha sabe. Só sabe que chove e que é gostoso sentir a chuva batendo na cara. Segue nadando, comendo o vento e fazendo calor.

      Mas, de repente, igual a tudo que acontecesse de repente, para de chover. A menininha também para de correr. E ela se vê tão perdida que o desencontro acaba virando tristeza. Ah, se eu fosse o mundo, eu me arranjava e fazia outra chuva bem rapidinho só pra ela voltar a caber em mim direito. Porque agora ela chora um choro imenso e quieto. Um chorinho tão grande e molhado  que faz a  garotinha se lavar todinha da chuva. Então, antes que as lágrimas se acostumassem a nascer sozinhas, ela começa a soltar risos pra acompanhar a choração. E eu fico pensando: ela ri porque não pode fazer nada mais que isso ou porque descobriu que não precisa do céu pra chover? Vai ver é os dois…

4 comentários:

Repórter de Sandálias disse...

Eu vejo os seus textos assim tão bem acabadinhos, as palavras tão bem escolhidas e encadeadas que fico pensando: será que ele coloca isso tão bonitinho assim direto na tela, sem tempestade de ideias e essas coisas?? Acho que não... Daí fico imaginando como devem ser os teus cadernos de rascunhos... rsrsrs!! Cheio de rasuras, textos começados e não acabados, textos de demoraram dias, meses... Será??

Isso é pra dizer que: gostei do texto :)

Raphael disse...

Isso é meigo.
Esse lado eu não conhecia.

Tiago Júlio disse...

Moça das sandálias,
'brigado pelos elogios, pela atenção e por gastar tempo pensando em como escrevo. :)
Mas na verdade eu escrevi isso brincando, de uma vez só. Acho que tava lendo uma tirinha do Charlie Brown ou algo que remetia à infância.
E meu cardeno de textos inacabados está esquecido e abriga também lições de Estatística. hahah.
Eu sou muito relapso e desorganizado (vide o tempo que passo pra atualizar o blog). /:


Rapha,
tu sabes que eu sou um poço de ternura. haha.

Anônimo disse...

Charlie, eu acho que ela ri porque é engraçado chover. E talvez ela corra desesperadamente porque procura alguém e não poupa escrúpulos. E talvez ela chore para quando encontrá-lo navegarem num barquinho. Simples, é clichê, deitar no barquinho de papel dobrado olhando pro céu que não quer solar até enjoar do balanço e mergulhar na imensidão de chuva. Simples, não?

=)