sábado, 24 de dezembro de 2011

Desmembramento.

      Tem a vontade de te desossar como se limpa uma galinha indefesa. Arrancar teu sustento sem piedades ou culpas e te fazer prostrar. Renegar tua humanidade e te querer como um objeto de decoração que, no fundo, é pouco mais que inútil. Enfeitar minha vida com tuas entranhas expostas e ignorar o apodrecimento da tua essência. Pecar abusando da tua falta de discernimento como quem escraviza um cão. Não há erro que não possa ser perdoado se a vontade de cometê-lo for muito sincera.

      Tu vai sumir sem querer, porque é assim que as pessoas vão pra não voltar. Vou me entregar à pena por tédio e enjoo. Vou desistir de sobreviver, mas só até desistir ficar mais difícil que sobreviver. Não tem dor que resista a ela mesma. E nós fazemos promessas só pra ter o prazer de desfazer nosso futuro. Foi bom quando prever era sádico e tu te doía. Agora eu percebo que meu erro foi não afogar teu espírito com a minha mágoa. E me peço perdão por ter te dado vida enquanto pude.

4 comentários:

mariottez. disse...

- genial.

Tiago Júlio disse...

há controvérsias. haha

mas obrigado. :)

mariottez. disse...

- por isso mesmo.

Gecildo Queiroz disse...

Foi acidente. Me distrai e cai aqui no seu lugar e nesse texto, que me inquietou. Não sei por que,
mas gostei. Não preciso saber de tudo sempre. Gostar é o bastante.
Sou leigo neste mundo dos blogs, acabo de chegar.

www.valedoverbo.blogspot.com