terça-feira, 24 de dezembro de 2013


       Há a falta e, com a falta, o excesso. Me sobram excessos, feridas abertas, carnes rasgadas. O drama não se justifica, não é autoexplicativo, não é embasado por nada trágico. Mesmo assim, queria me prostrar no chão que pisas, beijar teus pés, pra, mais uma vez, pedir perdão e confessar que tô com saudade. Porque meu chão é movediço, arenoso, frágil. Me equilibro pra não cair, não tropeçar em minhas próprias pernas, não desapontar mais ninguém. Vacilo agora por incompetência e angustia. Não vou esquecer que, um dia, eu enrolei minhas pernas nas tuas pra dormir tranquilo. Eu quis acreditar em mim, mas eu sou fraco, mesquinho e autodestrutivo. Não sou nobre ou digno. A culpa me persegue por ter oferecido tão pouco em troca de tanto. Aqui, só há teu rosto na tela fria e a vontade de construir uma máquina do tempo com pedaços de alumínio reciclado e um relógio de criança. Mas viagens ao passado são ilusões e eu não posso mais me perder no presente. Não há como fugir da dor. Não há nada a fazer e, de certa forma, não ligo porque ainda não descobri, exatamente, o que deveria fazer. Eu só sinto muito, muita coisa. Aprendo aos poucos, devagar, a andar e a crescer.