segunda-feira, 16 de março de 2015

Cuspe à Distância

Foda-se o lirismo piegas e o drama carregado de clichês. Foda-se o eufemismo e as coisas meio ditas. Foda-se o medo das palavras e a ignorância voluntária. Foda-se a insensatez e a falta de bom senso. Foda-se tu e tuas limitações irritantes. Tu é tão banal que me dá asco. Tua simplicidade me enoja e tua falta de jeito me dá pena. Tu é tão comum que eu poderia encontrar mil iguais a ti, caso eu me desse ao trabalho de procurar. Tu é tão limitada que não consegue entender ironias ou detectar o menor sinal de sarcasmo. Tu não entende metáforas ou comparações ou a mim. Tuas maneiras são rudes e teus modos, vergonhosos. Tua insegurança é infantil e digna de exorcismo. Tua vaidade narcisista me causa náuseas e ânsias de vômito. Tua figura me provoca raiva e teus gostos me envergonham. Eu me indigno com a tua presença no mundo e com a tua displicência aos teus efeitos. Eu te culpo, sim, pela minha raiva, pela minha frustração e, sobretudo, pela minha teimosia. Eu queria ter ímpeto pra te arrombar a casa e te obrigar a me ouvir. Eu queria ter coragem pra te confrontar e te humilhar, te pisar, te dar o que eu mereço. Eu queria embaralhar tuas sinapses e me colocar no teu cérebro à força. Eu queria arrancar teu coração do peito e exibi-lo na estante. E eu te amo.

2 comentários:

Simone Lima disse...

Eu odiei esse post, odiei tanto, por me lembrar ser eu a musa nada-inspiradora dessas palavras na boca de outra pessoa. Enquanto te lia, pensei: foda-se eu, foda-me...
E amei esse post, por me impactar. Gosto assim, forte!

Bjo'o, Tiago.

Bernard Freire disse...

Vale a valentia de palavras cuspida por ironia e sarcasmo. Vale transborda o esgotamento de nosso pensamento, surrar a tela do computador e manifestar o de dentro pra fora. Vale quando tu te tornas verdadeiro consigo mesmo. Vale quando tu derruba todos na escrita.
Por isso tudo vale quando tu ama.