sábado, 21 de março de 2015

Miragem.

É teu mistério, agora compreendo. É o não saber, são as possibilidades da dúvida, são os riscos e encantos do desconhecido. Eu te espio por uma fresta aberta a golpes de machado e tu estás sob uma redoma de cristal em um castelo amaldiçoado. Tu entendes o que eu quero dizer? Tu és o número 42 e eu levei milhões de anos pra te descobrir. Tu és uma fenda na linha contínua do espaço-tempo, um buraco negro no qual eu me lancei e me esqueci, por descuido, de voltar. É o cheiro que eu inventei pra ti, que parece perfume barato, adocicado, com frescor de chuva. É, sobretudo, teu gosto que eu desvendo deduzindo improbabilidades e tateando incoerências. Eu quero te conservar suspensa na minha imaginação, onde teu nome ganha formas e cores infinitas, muito maiores do que as que tu sustenta. E é por isso que eu não vou te comer tão cedo, Nutella. Eu duvido que teu sabor supere tua fama. Além do mais, um potinho teu é um absurdo de caro pra um mero chocolate. Sou acomodado demais pra ir atrás de desvelar mentiras bonitinhas.

Um comentário:

Simone Lima disse...

Tiago, você é uma espécie de absurdo que acontece encantadoramente ^^
Eu adoro te ler!!

beijo'oo