quarta-feira, 19 de maio de 2010

À noite dentro.

“Listen to the silence, let it ring on.

Eyes, dark grey lenses frightened of the sun.

We would have a fine time living in the night,

Left to blind destruction,

Waiting  for our sight.”                                                                                    Ian Curtis.   (‘brigado)

      

 

      Vaga à noite pelos becos imundos e desertos da parte velha. Às vezes vê uns mendigos mortos, uns deles estão bêbados dançando desesperados, alguns carregam junto uns animais famintos e desiludidos. Não sabe ao certo por que gosta de andar esta hora por estas ruas, mas os hábitos viram vícios, e os vícios explicam-se em si mesmos. Anda devagar, olhos vigiando as sombras, olhos nas sombras vigiando de volta, frio entrando pelas narinas, embrulho no estômago. Os prédios são decrépitos e bonitos. Talvez ande para buscar refúgio no passado, passado que apodrece lento em madrugadas estranhas como esta. De repente, alguma casa dessas desaba, assim, sem aviso, no meio da noite pra não atrapalhar ninguém, e terá um segredo, uma morte.

      E se outro alguém, que também não sabe direito porque está aqui, viesse andando na direção contrária? Se matasse o outro alguém, mesmo sem saber direito por que estaria matando, poderia criar um segredo. Poderia mesmo atear fogo num mendigo, num porre ou num bicho. Poderia mesmo dinamitar uma dessas casas velhas. Incendiar, implodir, jogar uma bomba nuclear. Mas não faz nada, além de andar, sem saber direito o porquê. Não há razões simples pra fazer ou desfazer umas coisas ao invés de outras. Acredita ser mais fácil desfazer-se. Às vezes senta e fica como um mendigo ou um bêbado ou um animal admirando a luz amarela vinda do poste, tão velho quanto os prédios ou a rua. Tudo parece velho demais agora.

      Vê beleza no cenário antigo e vazio, porque também existe à noite sem propósito. Este lugar morrendo, sendo iluminado por uma luz velha, só pra mostrar que está sem nada nem ninguém. Acha que isto deve existir de madrugada só porque precisa continuar a existir, diferente, no dia seguinte, cheio e barulhento. Sabe que se não fosse assim, já teriam substituído isto por outra coisa que assim fosse. Pessoas têm o hábito de matar. Sente que as pessoas não gostam das coisas sozinhas que estão lá só por estarem. Tem a impressão de que as pessoas não gostam de si, por isso criam coisas que sabem que irão matar.

      Mas as pessoas criam coisas, mesmo sabendo que as matarão, porque precisam de suas vidas. Para que suas próprias mortes não lhes doam. Aqui, na noite funda, com suas construções velhas, pessoas desiludidas e animais inúteis, a vida se esconde na morte de tudo. O peito pesa, dá pra sentir uma alegria estranha e quase ter vontade de chorar, de chorar por nada quando percebemos. Tem algo não identificado e sem nome dentro de nós que pulsa lento quando prestamos muita atenção em onde estamos.

      Ouve o estalo alto, as paredes começam a rugir, uma coluna cai em algum lugar, uma parte da fachada derruba o poste, as paredes desmoronam pra dentro e a casa velha desaba sem fazer muito barulho. Vê e sorri, mesmo sem saber direito o porquê. Essas cenas, que a ninguém interessam, são segredos, são nossas vidas, são prédios que desabam em silêncio à noite porque, por mais que a vida seja urgente, o vazio sempre volta pra reocupar seu, nosso, espaço.

2 comentários:

Ivan Ryuji disse...

Nossa, que foda.
Tipo, eu estudo um pouco sobre paisagem urbana e tal e pra mim, foi demais essa sua descrição.
Cidades no silêncio da madrugada são de uma beleza estranha. Singular mesmo.
Sei lá.. hehe

Abraços!

Ivan Ryuji
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Anônimo disse...

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