sábado, 8 de março de 2008

Feto.

O nexo do que nem sei se existe, o sentido da inexistência. É aquela velha, bem velha explicação que devo a mim. Já faz uns tempos que estou em débito.
Compreendo. Dessa vez, e é uma rara exceção, uso o ninguém. Porque ninguém além de mim sabe como ele se sente. Sem saber se acredita, espera, renuncia, desabona, luta, corre, dorme, pensa, procura ou deslembra. Não exijo que saiba. Dilacerante aguardar o que não tem tempo pra chegar, se é que está vindo. Pode ter chegado e partido, e se partiu. Mas se partiu...
Vagando pelo caminho, nem nasceu e já está perdido. O plano inacabado desmoronando. Destroços caindo rasgando o espaço, o ar não oferece resistência. Espatifam-se, o que está embaixo é fraco demais pra amortecê-los. Esmagam.
Não me surpreende. Os destroços são pingos de uma nuvem estranha. Densa demais, cinza, carregada, intensa, uma tempestade solitária a mercê do vento. Dilúvio de raios sem trovões.

Mas ele nascerá. Será puro, real, intenso, verdadeiro, incompreensível, pulsante, transformador, infinito. Será tanto, que será tudo mesmo que depois morra e vire nada, se é que ele morre. Um sol que acalentará a nuvem, e irradiará vida. Mais que isso, fará vida. E será um bom tempo, e as horas não existiram mais.
Horas não servem pra muita coisa mesmo. Medir pontos, ver por olhos, sentir o que não se sente. Não, não funciona assim. Precisa delas, mas quando ele nascer não precisará mais. Maior que as horas, não será preciso medir o tempo. Morrerá.
Funcionará. Quando nascer e for maior que tudo.
Funcionará...

4 comentários:

bernard disse...

???
A existencia diante dos nossos olhos!!

Acabei de postar, de uma olhada lá blz!!

Sidereus Nuncius disse...

E o "feto" é o amor!
acertei dessa vez ou foi muita pretensão ainda??

Keitth Freitas - Eblis disse...

Ciclos, sempre ciclos...
Não dá pra fugir disso, nao tem como.

(E quantos adjetivos!)

Keitth Freitas - Eblis disse...

Ah...
postei mais algumas coisas lá no blog.
Retirei umas bobagens menos ruins do fotolog.
Quando tiver mais centrada volto a escrever.

Dá uma olhada, afinal se tu nao tivesse me torrado a paciencia eu nao teria feito
hauahuh