terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Cândida Reza

Há um motivo pra essa baladinha piegas ter o mesmo título de um texto antigo.
É uma das coisas mais lindas que já escrevi.
Ao motivo.


Um corpo sem formas traçado sem riscos
Uma beleza concreta exprimida sem imagem
Que causa no meu peito sem ar a dor de um tiro

Meu desespero mede forças com minha vontade
Tua existência onipresente me servindo de abrigo
Eu estranho compreender o impossível

A leveza discreta de palavras mortas
Como a inexistência que me enlaça e me devora
Um pouco, tão pouco, que me esqueço de ter alívio

Tu és um sopro sem vento que me contenta
Como a luz da manhã de um domingo
Sob a qual eu navego a esmo num barco sem velas.

Meu espelho desfocado e invertido
Meus sinceros risos e segredos
Tu me acalentarás para sempre, pois existiu

Mesmo que eu suporte um eterno desencontro
Nasceu em mim uma certeza infantil
Que eu te devolverei quando matarmos o espaço.

E se tu não me bastas, se eu te temo e se eu não te tenho
Eu ainda assim me sinto feliz, porque eu te sinto.





Criei um profile no site Recanto Das Letras da UOL. Por mais que tudo que eu coloque aqui seja totalmente desprentesioso, achei melhor fazer isso pra garantir a autenticidade do que eu escrevo. Como lá tem Copyright, as coisas ficam mais seguras. Posto primeiro lá e depois aqui no vago.

Ah, grato pela atenção e comentários de novo.

11 comentários:

textosemfinal disse...

Ah, que lindo!
Li e reli. Mas tive que tentar me manter só no texto, sem tive que brecar meus sentimentos para se manterem no texto. Sentir só o que estava ali. Porque geralmente, quando esse meu sentimento se transforma, é tão difícil! É quando eu deixo de me sentir feliz porque, só sentir, é pouco!

Um beijo,
Mari

matheuss disse...

acho que esse é o melhor tipo de amor.

Jônatas Santos disse...

Já tava com saudades de ler seus textos. Tempos que não comversamos e nem tou a par das coisas que lhe tem acontecido. Só espero que o sentimento puro que interpretei em cada linha ai escrita, faça de você uma pessoa melhor do que já é.
Abraço Tiago
Manda notícias.

michelle Kalif Maia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
michelle Kalif Maia disse...

''Tua existência onipresente me servindo de abrigo'' Sei como é isso. Consegues expressar o que sentes tão lindamente que as pessoas pensam ''eu poderia ter escrito isso'', por se sentirem da mesma forma, mesmo sem saber.. até te ler.

michelle Kalif Maia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabriela M. disse...

não ter, não ver, não temer...
mas sentir?

acho que eu nunca conheci o amor.

oO

michelle Kalif Maia disse...

pq eu postei três vezes o mesmo comentário. :P

Camila Mejolaro disse...

Excelente, Maravilhoso!

Vim agradecer a visita em meu blog, seja sempre bem-vindo!

Beijos,

Karine disse...

Uma das coisas mais lindas que já li na Blogosfera. Sabe o tipo de texto que te faz pensar: "Por que não li isso antes?"

É, então é isso.

Jaya disse...

Posso dizer algo numa sinceridade louca?

Eu queria MUITO ter escrito isso!

Sabe aquilo de palavra-espelho? Foi o que aconteceu aqui, Tiago. Li teus versos, e me enxerguei em todos.

Fiquei muda. Deixo meu silêncio. Meu sentir. E um acesso insano por, em segundos, ter acreditado em perfeição, em meio a essas letras.

[Sem exageros].

Aplaudo, de pé!